segunda-feira, agosto 10, 2026

Eleições 2026: TSE já soma 12.286 pedidos; Flávio tem 9 palanques competitivos, Lula 8 e PSD lidera nos estados

 

Eleições 2026: TSE já soma 12.286 pedidos; Flávio tem 9 palanques competitivos, Lula 8 e PSD lidera nos estados

Neste domingo (09/08/2026), a menos de dois meses do primeiro turno das Eleições 2026, o quadro eleitoral brasileiro combina aceleração dos registros de candidatura, fragmentação das disputas estaduais e diferenças entre a capilaridade política e o desempenho eleitoral dos principais palanques presidenciais. Dados atualizados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram 12.286 pedidos de registro de candidatura em todo o país às 19h30, enquanto levantamento do Poder360 baseado nas pesquisas estaduais mais recentes aponta 9 palanques competitivos ligados a Flávio Bolsonaro (PL) e 8 relacionados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ao mesmo tempo, o PSD aparece como a legenda com maior número de candidatos competitivos aos governos estaduais, com seis nomes liderando ou tecnicamente empatados na primeira posição.

TSE chega a 12.286 pedidos de registro de candidatura

A atualização mais recente do painel estatístico do TSE modifica significativamente a fotografia divulgada na sexta-feira (07/08). Naquele momento, o Poder360 contabilizava 10.558 registros, número que correspondia à atualização das 19h30. Às 19h30 deste domingo, o sistema estatístico da Justiça Eleitoral já registrava 12.286 pedidos, dos quais 72 estavam julgados e 12.214 permaneciam em tramitação.

Os dados permanecem provisórios porque partidos, federações e coligações têm até as 19h de 15/08/2026 para apresentar os pedidos de registro. O protocolo de uma candidatura não significa deferimento definitivo: depois da apresentação, a Justiça Eleitoral examina documentação, condições de elegibilidade, eventuais causas de inelegibilidade e possíveis impugnações antes de decidir sobre cada candidatura.

Na atualização das 8h30 deste domingo, quando o sistema ainda contabilizava 11.841 pedidos, havia cinco registros para presidente e cinco para vice-presidente da República, 71 para governador, 71 para vice-governador, 106 para senador, 4.719 para deputado federal, 6.376 para deputado estadual e 276 para deputado distrital, além dos registros destinados às suplências do Senado. O avanço para 12.286 pedidos ao longo do próprio domingo demonstra que o quadro ainda está em rápida formação.

Número de 10.558 representa fotografia de 7 de agosto

O levantamento publicado pelo Poder360 no sábado (08/08) registrava 10.558 candidaturas às 19h30 da sexta-feira (07/08). Naquele recorte, o cargo de deputado estadual concentrava 5.718 pedidos, e havia apenas quatro candidaturas presidenciais protocoladas: Romeu Zema (Novo), Samara Martins (UP), Renan Santos (Missão) e Hertz Dias (PSTU).

A composição demográfica também correspondia exclusivamente àquela fotografia parcial: 65% dos registros eram de homens e 35%, de mulheres. Pessoas que se declararam pardas representavam 34,3%, pretas, 13,8%, e brancas, 50,6%. Entre os candidatos registrados até aquele momento, 62,4% declaravam possuir ensino superior completo. Como milhares de pedidos ainda seriam apresentados, esses percentuais não devem ser interpretados como perfil definitivo das candidaturas de 2026.

O avanço dos registros é perceptível também na sequência temporal. Na noite de 06/08, o país tinha 8.229 pedidos; na noite de 07/08, eram 10.558; às 8h30 deste domingo, 11.841; às 12h30, o painel registrava 11.934; e às 19h30, o total chegou aos atuais 12.286 pedidos de candidatura. (Poder360)

Convenções definiram 13 candidaturas presidenciais, mas registros ainda estão em andamento

O encerramento das convenções partidárias, em 05/08/2026, definiu um conjunto mais amplo de postulantes à Presidência do que o número já disponível no sistema de registros. Até sábado (08/08), 13 partidos haviam escolhido candidatos ao Palácio do Planalto em convenção: Augusto Cury (Avante), Clariana Barão (DC), Edmilson Costa (PCB), Flávio Bolsonaro (PL), Hertz Dias (PSTU), Leonardo Avalanche (PRTB), Lula (PT), Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD), Rui Costa Pimenta (PCO), Samara Martins (UP) e Wilson Grassi Júnior (Democrata).

A existência de uma candidatura aprovada em convenção não equivale, juridicamente, a um pedido já protocolado nem a uma candidatura definitivamente deferida. Essa diferença explica por que o TSE contabilizava apenas cinco pedidos para presidente às 8h30 deste domingo, embora 13 nomes já tivessem sido escolhidos pelas respectivas legendas.

O processo será formalmente consolidado depois de 15 de agosto, quando termina o prazo para os registros. A partir de 16/08, começa a propaganda eleitoral geral nas ruas e na internet, enquanto o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão será transmitido de 28/08 a 01/10. (Justiça Eleitoral)

Lula tem mais palanques estaduais, mas Flávio aparece com vantagem mínima entre os competitivos

No desenho territorial das alianças, a situação é diferente daquela apresentada exclusivamente pelas pesquisas. O Poder360 atribui a Lula 26 palanques estaduais, formados por 12 candidaturas próprias do PT e 14 alianças com outras legendas. Flávio Bolsonaro aparece com 16 palanques, dos quais 12 são encabeçados pelo PL.

Quando o critério deixa de ser quantidade de alianças e passa a considerar apenas candidaturas estaduais que lideram pesquisas ou aparecem tecnicamente empatadas na primeira posição, o equilíbrio muda. O levantamento específico mais recente do Poder360 aponta 9 palanques competitivos para Flávio Bolsonaro e 8 para Lula. Roraima não integra essa avaliação por falta de levantamento estadual recente disponível.

Para chegar ao resultado, o levantamento reuniu pesquisas de 26 unidades da Federação registradas na Justiça Eleitoral. Foram classificados como competitivos os candidatos que lideram isoladamente ou aparecem em condição de empate técnico na dianteira, observadas as margens de erro dos respectivos estudos.

Amazonas, Nordeste e Rio de Janeiro concentram palanques competitivos ligados a Lula

Os palanques associados a Lula aparecem competitivos de forma exclusiva no Amazonas, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e Sergipe. No Pará e no Rio Grande do Sul, candidatos vinculados aos campos dos dois presidenciáveis aparecem simultaneamente em situação competitiva, razão pela qual esses dois estados entram na contagem de ambos.

Flávio Bolsonaro possui palanques competitivos exclusivos no Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Rondônia, Santa Catarina e São Paulo, além das situações compartilhadas no Pará e no Rio Grande do Sul.

Acre, Alagoas, Amapá, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Rio Grande do Norte e Tocantins aparecem no estudo sem palanque competitivo diretamente associado a Lula ou Flávio, embora vários desses estados tenham candidatos competitivos de outras forças partidárias. A classificação, portanto, não significa ausência de competição eleitoral, mas apenas que o candidato estadual situado na dianteira não é contabilizado como palanque competitivo de nenhum dos dois presidenciáveis segundo a metodologia adotada.

PSD lidera número de candidatos competitivos aos governos estaduais

O PSD, presidido nacionalmente por Gilberto Kassab, ocupa a primeira posição no levantamento partidário sobre candidaturas competitivas aos governos estaduais. O partido reúne seis candidatos que lideram ou aparecem tecnicamente empatados na primeira colocação. O PL vem em seguida, com cinco.

Na sequência aparecem MDB, PP e Republicanos, com quatro candidatos competitivos cada; União Brasil, com três; PSDB e PDT, com dois cada; e PT, Podemos e PSB, com um candidato competitivo cada. A soma apresentada no infográfico do Poder360 alcança 33 candidatos classificados dentro dos critérios adotados pelo levantamento.

O quadro reforça uma característica estrutural da eleição para governador em 2026: o desempenho estadual não reproduz automaticamente a divisão presidencial. Partidos que nacionalmente apresentam candidatura própria, apoiam um presidenciável ou adotam neutralidade podem integrar alianças diferentes nos estados, produzindo combinações políticas distintas da disputa pelo Palácio do Planalto. (

Peso eleitoral dos estados torna quantidade de palanques apenas uma parte da disputa

A diferença entre possuir mais palanques e possuir palanques em estados eleitoralmente estratégicos torna-se relevante quando se considera a distribuição dos 158.745.463 eleitores aptos a votar em 2026. São Paulo permanece como maior colégio eleitoral do Brasil, com 34.104.226 eleitores, correspondentes a 21,48% do total nacional.

Minas Gerais aparece em seguida, com 16.377.659 eleitores, ou 10,32%; o Rio de Janeiro reúne 12.857.000, equivalentes a 8,10%; a Bahia tem 11.321.005 eleitores, ou 7,13%; e o Paraná soma 8.609.026, correspondentes a 5,42%. Juntos, os cinco maiores colégios eleitorais concentram mais da metade do eleitorado brasileiro.

Nesse desenho, São Paulo assume importância particular no levantamento de palanques. Tarcísio de Freitas (Republicanos), associado ao campo de Flávio Bolsonaro no estudo do Poder360, aparece na liderança da pesquisa considerada pelo levantamento estadual. No Rio de Janeiro, por outro lado, Eduardo Paes (PSD), identificado como aliado de Lula, lidera a disputa fluminense. Minas Gerais aparece fora da relação de palanques competitivos dos dois candidatos presidenciais no mapa consolidado.

Bahia tem 11,3 milhões de eleitores e aparece fora dos palanques competitivos de Lula e Flávio

A Bahia, quarto maior colégio eleitoral brasileiro, constitui um caso relevante para compreender a diferença entre candidatura estadual competitiva e palanque presidencial competitivo. O levantamento nacional do Poder360 coloca o estado entre aqueles em que nenhum dos palanques de Lula ou Flávio aparece na dianteira, porque a liderança numérica pertence a ACM Neto (União Brasil).

Uma atualização posterior do cenário baiano, divulgada pela Paraná Pesquisas em 03/08/2026, apontou ACM Neto com 48,9% das intenções de voto no principal cenário estimulado, contra 38,7% do governador Jerônimo Rodrigues (PT). O estudo ouviu 1.400 eleitores em 60 municípios, entre 31/07 e 02/08, possui margem de erro de 2,7 pontos percentuais e está registrado no TSE sob o número BA-03043/2026.

O resultado mantém a classificação estrutural adotada pelo levantamento nacional: embora Jerônimo constitua o palanque estadual do presidente Lula, o candidato numericamente situado na primeira posição no levantamento Paraná é ACM Neto. A situação baiana também demonstra como alianças estaduais não precisam reproduzir integralmente os alinhamentos nacionais: a Federação União Progressista, integrada por União Brasil e PP, declarou neutralidade na eleição presidencial, mas participa na Bahia de uma coligação estadual que também reúne o PL. (

Alianças estaduais atravessam os campos presidenciais

A neutralidade nacional de partidos com forte presença parlamentar acrescenta outra variável à eleição. A Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, não declarou apoio formal a Lula nem a Flávio Bolsonaro no primeiro turno, embora participe de alianças estaduais com partidos dos dois campos.

Levantamento já consolidado pelo Jornal Grande Bahia mostrou a União Progressista em coligações estaduais ao lado do PL em 11 unidades da Federação e em alianças com o PT ou com a Federação Brasil da Esperança em quatro. Republicanos e Podemos também adotaram neutralidade na corrida presidencial, preservando autonomia para negociações regionais.

Essa configuração ajuda a explicar por que o número de candidatos competitivos de um partido não pode ser transferido automaticamente para determinado presidenciável. O PSD, por exemplo, lidera numericamente o levantamento de candidatos competitivos aos governos estaduais, mas possui candidatura própria à Presidência com Ronaldo Caiado, além de apresentar articulações regionais distintas entre os estados.

Linha do tempo das Eleições 2026

  • 20/07/2026 — começou o período destinado às convenções partidárias para escolha das candidaturas e definição das coligações; 05/08/2026 — terminou o prazo das convenções; 06/08/2026 — o TSE contabilizava 8.229 pedidos de candidatura às 19h30; 07/08/2026 — o número chegou a 10.558; 08/08/2026 — o Poder360 publicou o levantamento nacional dos palanques e candidatos competitivos; 09/08/2026, 8h30 — o TSE contabilizava 11.841 pedidos; 09/08/2026, 12h30 — eram 11.934; 09/08/2026, 19h30 — o painel alcançou 12.286 pedidos de registro; 15/08/2026, às 19h — termina o prazo para apresentação dos registros; 16/08/2026 — começa a propaganda eleitoral geral; 28/08 a 01/10/2026 — ocorre o horário eleitoral gratuito do primeiro turno no rádio e na televisão; 04/10/2026 — realização do primeiro turno; 25/10/2026 — eventual segundo turno para presidente e governadores. (Justiça Eleitoral)

O quadro nacional mostra que capilaridade partidária e competitividade eleitoral são indicadores diferentes. Lula possui uma rede estadual numericamente maior, com 26 palanques identificados pelo Poder360, enquanto Flávio Bolsonaro possui 16. Quando o filtro passa a considerar somente os palanques que lideram ou dividem tecnicamente a primeira colocação, a vantagem se inverte de forma estreita, para 9 a 8. O resultado não permite concluir, isoladamente, qual estrutura produzirá maior transferência de votos à eleição presidencial, porque tamanho do eleitorado, força dos candidatos estaduais, alianças locais e grau efetivo de associação entre as campanhas variam significativamente de uma unidade da Federação para outra.

A liderança do PSD entre as candidaturas competitivas evidencia, adicionalmente, que o sistema partidário estadual permanece mais fragmentado do que a disputa presidencial. A existência de alianças estaduais que cruzam os campos nacionais, somada à neutralidade presidencial de federações e partidos relevantes, impede uma leitura das eleições para governador como simples extensão da polarização pelo Palácio do Planalto. A Bahia exemplifica esse fenômeno: possui um palanque governista diretamente associado a Lula e uma coligação oposicionista que reúne partidos de diferentes posições nacionais, enquanto a pesquisa mais recente do Paraná Pesquisas mantém ACM Neto numericamente à frente de Jerônimo Rodrigues.

Os próximos marcos objetivos serão o encerramento dos registros em 15 de agosto, o início formal da propaganda em 16 de agosto, a consolidação das decisões da Justiça Eleitoral sobre os pedidos apresentados e a entrada do horário eleitoral gratuito em 28 de agosto. Até lá, tanto os 12.286 pedidos registrados neste domingo quanto o mapa dos palanques representam fotografias de um processo ainda em formação. O acompanhamento jornalístico deverá concentrar-se na evolução dos registros e impugnações, nas novas pesquisas estaduais e nacionais, nas mudanças de alianças juridicamente formalizadas e na capacidade dos candidatos a governador de converter força regional em apoio efetivo às respectivas candidaturas presidenciais.

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