O falso patriota cobre-se com a bandeira, proclama-se intérprete exclusivo da vontade nacional e apresenta os adversários como inimigos do país. Confunde a pátria com seu partido, seu grupo ou sua própria pessoa.
O patriotismo de fachada transforma-se, assim, em instrumento de absolvição: quem se apresenta como salvador da pátria espera que seus erros sejam esquecidos em nome de uma missão superior.
Na retórica bolsonarista, a pátria aparece associada à religião, à autoridade, à ordem, à segurança e à preservação da família. O candidato tenta converter o sobrenome em patrimônio eleitoral e transformar a lealdade ao pai em compromisso com o Brasil.
Também aí existe uma operação de apropriação simbólica. Ninguém possui o monopólio da família, da fé ou da moralidade.
O falso patriotismo alimenta-se da polarização. Precisa dividir a sociedade entre patriotas e traidores, pessoas de bem e agentes do mal, defensores do povo e inimigos dos pobres.
Essa linguagem simplifica a realidade e dispensa a prestação de contas. Se o líder representa a pátria, criticá-lo passa a ser interpretado como agressão ao próprio país. Se encarna o povo, investigar seus atos torna-se perseguição.
A pátria pertence a todos. Quando um político tenta tomá-la para si, é prudente verificar o que pretende esconder sob seu manto.
Fonte: Metrópoles, Opinião, 09/08/2026 10:00 Por Gaudêncio Torquato