quarta-feira, agosto 12, 2026

Denunciante de suposta armação acumula mudanças de versão sobre vice de Flávio Bolsonaro

 

Denunciante de suposta armação acumula mudanças de versão sobre vice de Flávio Bolsonaro

Por Thaísa Oliveira , Constança Rezende , Catia Seabra e José Marques/Folhapress

12/08/2026 às 06:32

Foto: Reprodução/Arquivo

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Flávio Bolsonaro

O homem apontado como estopim da acusação de estupro de vulnerável contra o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), candidato a vice-presidente do senador Flávio Bolsonaro (PL), adotou versões contraditórias nos últimos cinco meses em contatos com congressistas e com a imprensa.

Luiz Antônio Lopes é apontado como a pessoa que procurou o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) e a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) durante a CPI Mista do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) com a versão de que Gaspar, então relator da Comissão Parlamentar de Inquérito, teria estuprado e engravidado uma adolescente e dizendo ter provas e contatos da vítima.

O caso foi explorado politicamente na ocasião pelos parlamentares governistas, que também encaminharam à Polícia Federal uma notícia-crime em 27 de março.

Luiz Antônio procurou o gabinete de Gaspar e, em abril, adotou versão oposta: em depoimento à Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados, disse ter havido uma armação de Lindbergh. Uma semana depois, ele se filiou ao PL.

Em conversa com a Folha na semana passada, Luiz Antônio mudou de versão mais de uma vez, retomando a acusação feita em março contra Gaspar e prometendo provas —mas sem apresentá-las.

Procurado pela reportagem na segunda (10), ele não respondeu. Nesta terça (11), adotou relato divergente da semana anterior, dizendo que "a moça contratada fará um vídeo falando a verdade" e que houve uma armação contra Gaspar, mas negando ter mudado de versão.

O depoimento de Luiz Antônio à Polícia Legislativa foi enviado ao STF (Supremo Tribunal Federal) em maio, de acordo com a Câmara dos Deputados, sem que o caso fosse efetivamente investigado devido à citação a Lindbergh, que tem foro especial.

A PF pediu a abertura de investigação sobre o suposto crime de estupro de vulnerável ao STF em 15 de abril. O ministro relator, Gilmar Mendes, solicitou uma posição da PGR (Procuradoria-Geral da República), a quem cabe definir se chancela o requerimento da corporação.

Quando foi anunciado candidato a vice de Flávio, na semana passada, Gaspar pediu à PGR e ao STF que acelerem o exame de DNA que afastaria, segundo ele, a acusação e disse que vai até o fim no processo contra Lindbergh e Soraya sob acusação de calúnia, denunciação caluniosa, injúria e coação no curso do processo.

Em nova manifestação nesta terça-feira (11), a campanha do PL reafirmou que o caso é falso e disse que a denúncia surgiu por causa da atuação de Gaspar na CPI do INSS, em que pediu o indiciamento do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT).

"O candidato à Vice-Presidência Alfredo Gaspar é um homem íntegro, com vida limpa, que passou a ser alvo dessa acusação falsa no dia em que ele pediu a prisão de Lulinha por seu envolvimento no roubo dos aposentados do INSS", disse a campanha de Flávio, em nota.

"Não iremos parar até Lulinha responder por todos os seus atos. E sobre as acusações mentirosas, como as feitas por Lindbergh do PT contra Gaspar ou as trazidas agora, lembramos: fake news é crime no Brasil e todos que colaborarem para difusão de notícias falsas serão chamados a responder criminalmente por isso", completou.

Ao ser ouvido pela Polícia Legislativa, Luiz Antônio afirmou que uma mulher foi paga para dizer a uma repórter que havia sido estuprada pelo deputado quando tinha 13 anos. Do estupro, segundo a versão dada à jornalista, teria nascido uma criança, hoje com 8 anos.

No depoimento, Luiz Antônio disse que havia empregado a mulher no quiosque que mantinha em um shopping no estado do Rio de Janeiro e acusou Lindbergh, por meio de pessoas supostamente ligadas a ele, de bancar a farsa para prejudicar Gaspar.

O homem também entrou em contato com o gabinete de Gaspar, segundo o relatório entregue ao Supremo, dando novas informações a respeito dos supostos pagamentos feitos para sustentar a história.

A Folha conversou com Luiz Antônio na semana passada, por meio de mensagens de WhatsApp, quando Gaspar foi anunciado candidato a vice de Flávio. O número por meio do qual ele falou com a reportagem é o mesmo informado por ele à Polícia Legislativa da Câmara como da suposta farsante.

Diferentemente do que disse no depoimento de abril, o homem manteve a acusação contra Gaspar, mas não apresentou provas de suposto crime e disse ter dificuldades para falar com a alegada vítima, inclusive por falta de dinheiro para ir até a casa dela, no interior do Rio.

Luiz Antônio afirmou à reportagem na ocasião que mantinha contato com a suposta vítima, hoje uma mulher de 22 anos, mas deu apenas o primeiro nome dela e da suposta criança, respectivamente Jailma e Eloá, sem qualquer indício da existência das duas.

Soraya foi procurada pela reportagem na segunda, mas não quis se manifestar. A assessoria de imprensa da senadora afirmou que o caso está em segredo de Justiça e que todos os esclarecimentos estão sendo dados às autoridades.

Na segunda, Lindbergh apresentou à reportagem vídeos antigos em que é atacado por Luiz Antônio. Em uma das gravações, o homem diz que o deputado seria um dos mandantes da facada contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2018, o que é falso.

A Câmara disse que o boletim de ocorrência foi feito a pedido de Gaspar e que, "diante da citação de titular de prerrogativa de foro no curso da apuração, encaminhou o caso ao Supremo Tribunal Federal em maio de 2026, não tendo realizado novas diligências desde então".

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