Publicado em 11 de agosto de 2026 por Tribuna da Internet
Escolha de Gaspar como vice ainda pode ser revertida
Guilherme Matos
Estadão
Atas do Partido Liberal (PL) publicadas na última semana deixam em aberto a possibilidade de trocar o vice-candidato na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência. A mudança poderia ocorrer até o fim do prazo de registro de candidaturas, em 15 de agosto.
Uma ata da Comissão Executiva Nacional, assinada na última quarta-feira, 5, registra o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente. Já a ata da convenção estadual do PL em Alagoas, de um dia antes, o mantém como candidato ao Senado.
BRECHA – Caso o partido decida substituí-lo na chapa presidencial, Alfredo Gaspar poderia voltar a concorrer à vaga no Senado. Um especialista em direito eleitoral ouvido pelo Estadão, sob reserva, afirma que manter essa brecha é procedimento comum e não indica, por si só, insegurança do partido quanto à escolha do vice.
O especialista pondera, no entanto, que a delegação de poderes do PL é ampla — diferente de casos em que a delegação se restringe a ajustes pontuais em coligações. Segundo ele, embora o procedimento seja comum, isso não descarta a hipótese de que a brecha tenha sido usada, também, como salvaguarda diante da repercussão negativa provocada pela escolha de Alfredo Gaspar como vice. O deputado foi acusado por adversários de estupro de vulnerável e tomou lugar na chapa que seria ocupado por uma mulher. Ele nega as acusações.
CHAPA PURA – A ata da Comissão Executiva Nacional foi aprovada por unanimidade, com 22 votos favoráveis, e formaliza o lançamento de chapa pura do PL à Presidência, sem coligação, encabeçada por Flávio Bolsonaro e tendo Alfredo Gaspar como vice. Já em Alagoas, a candidatura de Alfredo Gaspar ao Senado também foi aprovada por unanimidade, em coligação com a Federação União Progressista, tendo como cabeça de chapa o deputado federal Arthur Lira (PP-AL).
Caso Alfredo Gaspar permaneça como vice de Flávio Bolsonaro, a vaga ao Senado por Alagoas não ficaria vazia. A própria ata estadual delega à Comissão Executiva do PL em Alagoas poderes para “ratificar, deliberar, substituir e alterar” a indicação dos suplentes ao Senado, além de autorizar a executiva a decidir sobre substituição de candidaturas e preenchimento de vagas remanescentes até 15 de agosto. Na prática, isso abre caminho para que a executiva estadual indique outro nome à cabeça de chapa. Procurada, a campanha de Flávio Bolsonaro não se pronunciou sobre o caso.