sexta-feira, fevereiro 10, 2023

No caso Janaína Paschoal, alunos da USP usam intolerância disfarçada de defesa da democracia

Publicado em 10 de fevereiro de 2023 por Tribuna da Internet

Documento divulgado pelo Centro Acadêmico XI de Agosto afirma que deputada estadual em fim de mandato ‘não é mais bem-vinda’ na Faculdade de Direito; professora concursada se licenciou da universidade para assumir cadeira na Alesp em 2018

Janaina Paschoal está sendo impedida de lecionar na USP

José Fucs
Estadão

O abaixo-assinado promovido por alunos da Faculdade de Direito da USP contra a volta da deputada estadual Janaína Paschoal (PRTB) às salas de aula da instituição revela muito sobre a intolerância que prospera hoje no País disfarçada de defesa da democracia.

Ao querer impedir o retorno de Janaína à faculdade, da qual ela é professora licenciada, os estudantes que controlam o Centro Acadêmico XI de Agosto, que lançou o documento, mostram que a tal da democracia em nome da qual dizem agir só vale para quem reza pela mesma cartilha política que eles.

EXTREMISMO – Talvez o grande templo da liberdade no País desde a sua fundação, em 1827, ainda nos tempos do Império, a faculdade do Largo de São Francisco, no centro de São Paulo, sempre foi um exemplo da diversidade de pensamento existente na sociedade brasileira.

De monarquistas a comunistas, de liberais a anarquistas, cabia de tudo nas Arcadas, tanto entre os alunos quanto entre os mestres.

Ainda que, algumas vezes, a convivência tenha sido conflituosa, havia respeito, de um jeito ou de outro, às diferenças e às divergências.

FALSA ALEGAÇÃO – Agora, em vez de honrar a tradição de defesa da liberdade política e de expressão das Arcadas, os estudantes mais mobilizados do XI de Agosto e seus apoiadores preferem manchá-la, ao relativizar o conceito de “democracia” e perseguir seus desafetos políticos, como Janaína Paschoal.

A alegação é de que a criminalista, que apoiou o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, avalizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), não aderiu ao “manifesto pela democracia” que foi lido na faculdade durante a campanha de 2022, como se isso fosse uma obrigação de todo democrata, e tem “divergências mínimas com os movimentos de extrema direita”, seja lá o que isso signifique.

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