
Quaquá e Pazuello são adversários, mas não são inimigos
Ricardo Chapola
Veja
Depois de publicar uma foto em que aparece ao lado do ex-ministro da Saúde e agora deputado federal Eduardo Pazuello (PL-RJ), o vice-presidente nacional do PT, Washington Quaquá, também deputado federal, expôs a existência de um racha dentro partido e tem usado as redes sociais para rebater correligionários que o atacaram pelo gesto feito ao lado do general, que também é aliado de primeira hora do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na terça-feira, Quaquá, postou no Instagram uma fotografia ao lado de Pazuello e dizia que gostaria de “criar pontes e diálogo”.
REAÇÕES CONTRÁRIAS – A publicação gerou reações imediatas, inclusive da presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, que confrontou publicamente o movimento do dirigente. “Foto do nosso companheiro deputado Quaquá com bolsonarista Pazuello é desrespeitosa com o PT e ofensiva às vítimas da Covid. Na vida e na política, tudo tem limites”, escreveu no Twitter.
Pazuello esteve à frente do Ministério da Saúde durante o auge da pandemia da Covid e foi investigado na CPI no Senado. A amigos, Quaquá continua defendendo a necessidade do diálogo com bolsonaristas, sob o argumento de garantir governabilidade a Lula no Congresso.
Questionado sobre isso, o parlamentar devolveu a alfinetada que receber de Gleisi Hoffmann. “Intolerância é método da direita, e não da esquerda”, disse. E acrescentou: “Não somos fascistas. Pelo menos a esquerda não deveria ser. Mas eu não dou bola para essa UDN de segundinha de Ipanema que se diz de esquerda, mas age como os fascistas”, disparou.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Esse curioso episódio me lembrou fatos que presenciei na Constituinte. Naquela época, longe ainda de o PT aspirar ao poder, me impressionava a postura de José Genoíno, que tinha grande intimidade com Amaral Netto (PDS, antiga Arena) e Roberto Cardoso Alves (PFL, também egresso da Arena). Quando se encontravam no restaurante da Câmara, eles trocavam gozações, quem estava perto caía na gargalhada. Também me impressionava o comportamento de Roberto D’Ávila, deputado pelo PDT, que se relacionava com parlamentares de todos os partidos. Essas posturas me animavam a esperar que os políticos pudessem ser adversários, sem serem inimigos. Mais de 30 anos depois, constato que estamos regredindo cada vez mais. Quanto ao deputado Washington Quaquá, está certíssimo e dá uma aula de democracia nesses serviçais da polarização. (C.N.)