sexta-feira, fevereiro 03, 2023

Anderson Torres tem memória fraca e não lembra a origem da minuta golpista

Publicado em 3 de fevereiro de 2023 por Tribuna da Internet

Perdi o celular": As desculpas esfarrapadas de Anderson Torres no  depoimento à PF | Revista Fórum

O ex-ministro também é distraído e até perdeu o celular

Constança Rezende e Renato Machado
Folha

Anderson Torres, ex-ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro, afirmou em depoimento à PF nesta quinta-feira (2) que acredita ter recebido em seu gabinete no Ministério da Justiça a minuta de decreto que previa a imposição de estado de defesa no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Sobre o documento ter sido encontrado em sua casa, ele disse que a sua assessoria separava duas pastas de documentos para sua análise e, em razão da sobrecarga de trabalho, levava todos os documentos da pasta para seu domicílio.

CONTINUA PRESO – “Os documentos importantes eram despachados e retornavam ao ministério, e os demais eram descartados”, declarou Torres à Polícia Federal. Ele está preso há três semanas por ordem do Supremo Tribunal Federal.

No depoimento desta quinta, ele também afirmou considerar a minuta do decreto “totalmente descartável” e que se tratava de um documento “sem viabilidade jurídica”. Disse ainda acreditar que uma funcionária de sua casa possa ter colocado o documento em sua estante.

“Que não é por ter sido encontrado na estante é que teria importância; que na verdade já era para ter sido descartado: que deixa ressaltado que tecnicamente o documento é muito ruim, com erros de português, sem fundamento legal, divorciado da capacidade dos assistentes do Ministério da Justiça em produzir o documento”, disse no depoimento, de acordo com a transcrição.

BOLSONARO NÃO SABIA? – Também declarou não ter ideia de quem elaborou o documento, que nunca pediu para que fosse feito e que teria tomado conhecimento pela imprensa que outras pessoas receberam documentos de teor semelhante.

Acrescentou desconhecer as circunstâncias em que foi produzido e que tal documento não foi encaminhado para ninguém.

“Declara expressamente nunca ter levado tal documento ao conhecimento do então presidente Bolsonaro, que sua assessoria preparava sua pasta; que não tomou providências, pois ignorou completamente aquele escrito, eis que aquilo não tinha valor nenhum no seu entender”, diz o depoimento.

CELULAR PERDIDO – Indagado a respeito da localização do seu aparelho celular, ele informou que não o deixou nos Estados Unidos, “mas o perdeu”.

Ele contou que, com a decretação de sua prisão no Brasil, “passou a ser procurado por uma infinidade de pessoas, ocasião em que resolveu desligar o celular; que não sabe onde ele se encontra, mas pode fornecer a senha da nuvem”.

Ele também disse que nunca houve uma conversa com o então presidente sobre a alternância de poder e que ouviu uma entrevista dele dizendo que caso perdesse a eleição iria respeitar o resultado das urnas mas que, após eleição, Bolsonaro “passou a ficar introspectivo”.

DEFESA DE BOLSONARO – Anderson Torres, porém, disse que durante o mandato Bolsonaro questionava o método de apuração e que deveria ser mais transparente e, após a eleição, não foi questionado o resultado da eleição e percebeu que o presidente passou por um “processo de aceitação de sua derrota”.

Indagado, sobre sua opinião a respeito de possível fraude no processo eleitoral, respondeu que “particularmente não acredita e que esse assunto não era tratado pelo declarante como ministro da Justiça”.

Sobre a sua participação em uma “live” com o ex-presidente Bolsonaro em julho de 2021, quando ele questionava a lisura do sistema eleitoral, respondeu que essa transmissão durou duas horas e apenas participou de cinco minutos do final para apresentar um documento público que tratava sobre medidas que garantiriam maior transparência ao sistema eleitoral.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Já eram esperadas essas declarações do delegado federal Anderson Torres a seus colegas da PF. Apesar de ser jovem, tem memória fraca e não lembra quem lhe entregou a minuta. O mais duro de aguentar é ele dizer que Bolsonaro passou por um “processo de aceitação de sua derrota”. Até os pilotis do Palácio da Alvorada sabem que Bolsonaro jamais aceitou nem aceitará a derrota(C.N.)

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