Publicado em 27 de junho de 2022 por Tribuna da Internet

Líder da Oposição quer ouvir as mensagens de Bolsonaro
Flávia Said
Metrópoles
O líder da minoria no Senado Federal, Jean Paul Prates (PT-RN), vai acionar a Petrobras para solicitar informações sobre declarações do ex-presidente da companhia Roberto Castello Branco. Ele afirmou, em um grupo de mensagens com outros economistas, ter disposto de material que poderia incriminar o presidente Jair Bolsonaro (PL).
Em troca de mensagens obtidas com exclusividade pelo Metrópoles, Castello Branco disse que o celular corporativo que devolveu à empresa quando deixou o cargo, em abril de 2021, tinha mensagens e áudios comprometedores.
SABER OS CRIMES – “Vamos oficiar a Petrobras solicitando essas informações. Todo mundo sabe que o presidente achaca diariamente a empresa que deveria ajudar a nortear, mas é importante saber exatamente quais crimes ele cometeu, ou se realizou ameaças pessoais”, disse o senador.
“Mesmo tendo minhas divergências com o ex-presidente da Petrobras Castello Branco, sei que não é assim que se conduz uma empresa pública, sob ameaças e impropérios. É importante que se esclareça exatamente o dano que Bolsonaro impôs à empresa e ao Brasil”, continua.
A equipe do senador está finalizando o documento e devem oficializá-lo até esta terça-feira, dia 28. Entre petistas ouvidos pelo Metrópoles, Jean Paul Prates é dado como “nome certo” para assumir uma “estatal do ramo energético” a partir de 2023, caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vença as eleições deste ano.
ENTENDA O CASO – Castello Branco debatia com Rubem Novaes, ex-presidente do Banco do Brasil, em um grupo de economistas em um aplicativo de mensagens, sobre a elevação do preço dos combustíveis. A conversa ocorreu ao longo do último sábado (26/6).
Novaes disse que o colega economista – primeiro presidente da Petrobras na gestão de Bolsonaro, indicado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes – atacava a atual gestão do governo federal. E Castello Branco replicou
“Se eu quisesse atacar o Bolsonaro não foi e não é por falta de oportunidade”, disse, acrescentando: “Toda vez que ele produz uma crise, com perdas de bilhões de dólares para seus acionistas, sou insistentemente convidado pela mídia para dar minha opinião. Não aceito 90% deles [dos convites] e quando falo procuro evitar ataques”.
INCRIMINAÇÃO – Em seguida, revelou: “No meu celular corporativo tinham mensagens e áudios que poderiam incriminá-lo. Fiz questão de devolver intacto para a Petrobras”, concluiu Castello Branco, sem entrar em detalhes sobre quais crimes o presidente teria cometido e estariam registrados no aparelho.
O Metrópoles entrou em contato com Roberto Castello Branco. O economista afirmou que não iria falar sobre o assunto, mas não negou a veracidade da conversa. “Se nunca comentei, não vou comentar agora. Até porque me desfiz das provas”, respondeu ao questionamento da reportagem.
Rubem Novaes também disse que não comentaria a troca de mensagens, porque aconteceu em um grupo fechado, e também não negou a autenticidade da discussão.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – É perda de tempo, porque a Petrobras vai responder que todos os celulares devolvidos são “limpos”, para nova utilização. O Brasil ainda não aprendeu que é importante preservar a memória, em todos os sentidos. (C.N.)