Publicado em 20 de junho de 2022 por Tribuna da Internet

General Héber desligou a câmara durante toda a reunião
Mariana Muniz
O Globo
Após uma intensa troca de ofícios entre o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Ministério da Defesa nas últimas semanas, o representante das Forças Armadas na Comissão de Transparência Eleitoral, general Heber Portella, participou de uma reunião realizada pela Corte nesta segunda-feira, mas permaneceu em silêncio. A informação foi confirmada ao GLOBO por dois participantes do encontro.
De acordo com relatos feitos à reportagem, o general teria permanecido, ao longo de todo o encontro, com sua câmera desligada, e não fez qualquer intervenção ou perguntas. Mas o clima na reunião, também segundo interlocutores, foi de “cordialidade”.
COMISSÃO DE TRANSPARÊNCIA – Na última sexta-feira, o presidente do TSE, ministro Edson Fachin, reiterou o convite para as Forças Armadas participarem desta reunião da Comissão em um ofício ao ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira.
No documento, Fachin destacou o trabalho técnico da comissão e disse contar com militares sobretudo para o suporte logístico das votações.
No ofício, o presidente do TSE reforça que a comissão formada por técnicos da Corte e por instituições, mesmo na reta final dos preparativos da realização das eleições, “têm dado relevante contribuição para que as eleições sejam realizadas de forma segura e transparente.”
CONVITE DE BARROSO – As Forças Armadas foram convidadas em 2021 pelo ex-presidente da Corte Eleitoral, ministro Luís Roberto Barroso, a integrar o Comitê de Transparência das Eleições (CTE). Isso ocorreu diante da insistência do presidente da República Jair Bolsonaro questionar, sem provas, a confiabilidade das urnas eletrônicas, usadas há mais de 20 anos nas eleições do país sem qualquer caso de fraude comprovado.
O ministro da Defesa e o presidente da Corte Eleitoral têm trocado uma série de ofícios. O general Paulo Sérgio Nogueira Oliveira tem cobrado que o TSE acate as sugestões feitas por militares. Em um documento enviado no dia 10 de junho, o ministro disse que as Forças Armadas, convidadas a participar da comissão, não se sentiam prestigiadas e cobrou medidas para eliminar divergências.
“Como é do conhecimento de vossa excelência, a grande maioria das sugestões apresentadas no âmbito da comissão de transparência foram acolhidas, a indicar o compromisso público desta Justiça Eleitoral com a concretização de diálogo plural não apenas com os parceiros institucionais, mas também com a sociedade civil”, respondeu Fachin.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A matéria de O Globo ficou pela metade. Não menciona o último movimento nesse xadrez institucional. O fato é que o ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, pediu em ofício que o presidente do TSE, Edson Fachin, marcasse uma reunião entre os técnicos das Forças Armadas e os especialistas do Tribunal.
Fachin fingiu não ter entendido e respondeu de forma evasiva à Defesa. O general então enviou um novo ofício reiterando o pedido, e Fachin novamente não respondeu sobre o pedido. Em suma, o presidente do TSE está claramente desconsiderando o ministro da Defesa, que na semana passada já comunicara que as Forças Armadas estavam se sentindo “desprestigiadas” pela Justiça Eleitoral.
Ou seja, está ocorrendo um curto-circuito institucional e Fachin, ao invés de apaziguar a situação, demonstra intenção de seguir menosprezando o Ministério da Defesa, ou seja, as Forças Armadas. E a quem interessa esse comportamento nada diplomático e pouco republicano de Fachin? (C.N.)