Publicado em 16 de junho de 2022 por Tribuna da Internet

Fachin estava enfiando militares e Bolsonaro no mesmo saco
Matheus Leitão
Veja
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Edson Fachin, mudou o tom em relação a Jair Bolsonaro nesta segunda-feira, 13. O magistrado não poupou palavras ao dizer que o presidente da República estava espalhando mais uma fake news sobre a Justiça Eleitoral. Muito menos disfarçou que era para Bolsonaro a quem dirigia as palavras proferidas, como já fez em outras ocasiões.
“Quem questiona [a capacidade da Justiça Eleitoral] demonstra apenas motivação política ou desconhecimento técnico do assunto. Refiro-me agora especificamente a uma entrevista de alta autoridade da República em que menciona não ser possível contagem simultânea de votos. A crítica é indevida. Há um erro de informação”, afirmou o presidente do TSE para depois completar: “Esse é o problema: espalha-se desinformação para atacar a Justiça eleitoral”.
ALGUNS MOTIVOS – A mudança de postura e declaração direta respondendo Bolsonaro tem alguns motivos. Segundo apurou a coluna, o primeiro deles tem a ver com o “cansaço” interno – entre os magistrados que compõem o TSE e os servidores do alto escalão da corte. Tudo, por conta dos contínuos e covardes ataques de Jair Bolsonaro, que tentam minar a mais que comprovada lisura do sistema eleitoral brasileiro.
É preciso lembrar que, em 12 de maio – ou seja, há apenas um mês -, na ocasião em que Fachin afirmou que as eleições são assuntos de civis e de “forças desarmadas”, o ministro negou que a frase fosse um recado a Bolsonaro.
“Não mando e não recebo recados de ninguém”. De lá para cá, o tom de Fachin tem mudado, chegando ao ápice nesta segunda-feira, 13, afirmando, sem ser provocado, que falava diretamente a Bolsonaro.
CRÍTICAS DO PT – É que, durante o fim de semana, colegas de toga do TSE – ou seja, os magistrados que compõem a corte – comentaram entre eles sobre uma manifestação organizada em Brasília por apoiadores do PT, oposição a Bolsonaro, na qual eles, os petistas, criticaram as urnas eletrônicas.
Ou seja, com seu discurso golpista contra a justiça eleitoral, o presidente da República conseguiu contaminar não só os seguidores da extrema-direita brasileira, seus apoiadores fiéis, como também militantes do partido de oposição que tem o líder das pesquisas de intenção de voto, Lula.
Ainda nesta segunda, 13, quando conversava com servidores da corte de todo Brasil, Fachin, inclusive, usou de uma metáfora para explicar o atual momento da História brasileira. O magistrado contou que, quando era pequeno, todos brincavam, ao passar em estradas de terra, sobre como os carros levantavam aquele “poeirão”.
POEIRA LEVANTADA – Na opinião de Fachin, há muita “poeira” levantada nessas questões das urnas eletrônicas e do sistema de contagem de votos, mas lembrou que, depois que a poeira baixa, a estrada continua.
Claramente, ele falava as eleições brasileiras em 2022. Não se pode deixar que a poeira contamine o ambiente.
Toda a balbúrdia causada por Jair Bolsonaro sobre o processo eleitoral vai passar, e o Brasil seguirá o seu rumo, assim como muitas das estradas de terra no país afora que seguem, mesmo após a poeira ser levantada.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Excelente análise de Matheus Leitão, que percebeu a mudança de tom, pois Fachin antes mencionava apenas as Forças Armadas e agora cita diretamente Bolsonaro. Ao que parece, o ainda presidente do TSE enfim percebeu que Bolsonaro é uma coisa e as Forças Armadas são outra coisa, que não podem ser misturadas, sob risco de explosão. (C.N.)