Iniciativa será sustentável, afirmou presidente da comissão europeia
Por Andrea Shalal
Alemanha - Os líderes do G7 se comprometeram neste domingo (26) a levantar US$ 600 bilhões em fundos públicos e privados ao longo de cinco anos para financiar a infraestrutura necessária em países em desenvolvimento e se contrapor ao projeto mais antigo e que trilhões de dólares em investimentos, o Cinturão e Rota da China (BRI, na sigla em inglês).
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e outros líderes do G7 relançaram a recém-renomeada "Parceria para Infraestrutura e Investimento Global", durante o encontro realizado este ano em Schlöss Elmau, no sul da Alemanha.
Biden disse que os Estados Unidos mobilizarão US$ 200 bilhões em doações, fundos federais e investimentos privados ao longo de cinco anos para apoiar projetos em países de baixa e média renda que ajudem a combater as mudanças climáticas, bem como melhorar a saúde global, igualdade de gênero e infraestrutura digital.
"Quero ser claro. Isso não é ajuda ou caridade. É um investimento que trará retorno para todos", disse Biden, acrescentando que permitirá aos países "ver os benefícios concretos da parceria com as democracias".
Biden disse que centenas de bilhões de dólares adicionais podem vir de bancos multilaterais de desenvolvimento, instituições financeiras de desenvolvimento, fundos soberanos e outros.
A Europa mobilizará 300 bilhões de euros para a iniciativa no mesmo período para construir uma alternativa sustentável ao esquema da iniciativa do Cinturão e Rota da China, que o presidente chinês, Xi Jinping, lançou em 2013, disse a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
Os líderes da Itália, Canadá e Japão também falaram sobre seus planos, alguns dos quais já foram anunciados separadamente.
O presidente francês, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, não estiveram presentes, mas seus países também estão participando.
O esquema de investimentos da China envolve iniciativas de desenvolvimento e investimentos em mais de 100 países com uma gama de projetos, que incluem ferrovias, portos e rodovias, com o objetivo de criar uma versão moderna da antiga rota comercial da Rota da Seda da Ásia para a Europa.
Autoridades da Casa Branca disseram que o plano trouxe poucos benefícios tangíveis para muitos países em desenvolvimento.
Reuters / Agência Brasil
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G7 lança plano para contrabalancear influência chinesa
Em reunião na Alemanha, líderes do G7 anunciam plano de investimentos de US$ 600 bilhões para países em desenvolvimento. Iniciativa deve servir de contraponto à "Rota da Seda" promovida por Pequim.
Reunidos na Alemanha, os líderes do G7 anunciaram neste domingo (26/06) o lançamento de um grande plano de investimentos em infraestrutura para países em desenvolvimento que visa responder ao avanço da influência global da China.
Segundo o governo americano, a iniciativa, batizada como "Colaboração pela Infraestrutura Global e o Investimento", pretende elevar o desenvolvimento em países de baixa e média renda, fortalecer a economia do planeta, assim como as cadeias de distribuição.
O projeto foi anunciado durante a cúpula do G7, que acontece no castelo de Elmau, no sul da Alemanha, e pretende mobilizar centenas de bilhões de dólares, para criar infraestruturas sustentáveis em nações aliadas em desenvolvimento. O G7 reúne a Alemanha, Estados Unidos, Itália, França, Japão, Canadá e Reino Unido.
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou que seu país destinará US$ 200 milhões (R$ 1,04 bilhão) à iniciativa nos próximos cinco anos, através de fundos do governo federal, em colaboração com o setor privado. Em 2013, a China lançou a Iniciativa do Cinturão e Rota (BRI), conhecida como "nova rota da seda", que já resultou em investimentos diretos em mais de 70 países, vários deles em tradicionais áreas de influência dos EUA e da União Europeia.
"Quero ser claro - isso não é ajuda ou caridade", disse Biden. "É um investimento que trará retorno para todos, incluindo o povo americano e os povos de todas as nossas nações. Ele impulsionará todas as nossas economias."
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que o G7 está oferecendo "infraestrutura sustentável e de qualidade".
Entre os pilares do plano, estão a luta contra a crise climática e a melhoria da segurança energética com investimentos em infraestruturas com baixas emissões, fábricas de produção de baterias e desenvolvimento de fontes limpas.
No campo tecnológico, a iniciativa contempla o desenvolvimento e a expansão da tecnologia das comunicações e a informação trabalhando com "provedores confiáveis", que forneçam 5G e 6G, conforme apontou a Casa Branca.
Também são contemplados investimentos nos sistemas de saúde, vacinas e equipamento médico, assim como a vigilância e a detecção de "novas doenças", o que inclui "laboratórios seguros" e a prevenção de pandemias futuras.
Antes de o G7 anunciar o plano de investimentos, o chanceler federal da Alemanha, Olaf Scholz, manifestou a "preocupação compartilhada" pelo G7 face à situação económica global, sobretudo por causa do aumento da inflação e do agravamento da crise energética - efeitos diretos da guerra na Ucrânia.
"Partilhamos desta preocupação", disse Scholz após a primeira sessão dos líderes do G7. Ele também sublinhou que tinha "confiança" de que os líderes do grupo saberiam manter "a mensagem necessária de coesão" face à situação criada pela "brutal agressão" lançada pelo regime do presidente russo Vladimir Putin contra a Ucrânia.
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