Publicado em 21 de junho de 2022 por Tribuna da Internet

Fachin disse contar com os militares para suporte logístico
Pedro do Coutto
O ministro Edson Fachin, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, em ofício dirigido ao ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, sinalizou que aceitará o convite para um novo encontro entre representantes das Forças Armadas e os técnicos do TSE para mais uma análise sobre o sistema eleitoral das eleições de outubro deste ano.
O ministro Edson Fachin agiu politicamente muito bem, o seu procedimento foi correto, mas deveria ter convocado a reunião pretendida pelo Ministério da Defesa, para retirar quaisquer motivos que as Forças Armadas pudessem ter para relatar previamente vulnerabilidades na recepção e na computação dos votos deste ano.
TRANSPARÊNCIA – Reportagem de Jussara Soares, na edição desta segunda-feira de O Globo, transcreve e analisa o mais recente episódio envolvendo uma sombra que os militares haviam lançado sobre a transparência das eleições.
Fachin registrou, inclusive, o trabalho técnico do colegiado do TSE e disse contar com os militares, sobretudo para o suporte logístico das eleições, a exemplo da participação que já tiveram no pleito de 2018.
O ministro acentuou esperar a presença do general Heber Portella, representante das Forças Armadas na Comissão de Transparência instalada pelo TSE.
CONTRIBUIÇÃO – “As Forças Armadas têm dado relevante contribuição para que as eleições sejam realizadas de forma segura e transparente. A grande maioria das sugestões apresentadas por elas foram acolhidas, indicando compromisso público do TSE envolvendo o diálogo plural com as diversas instituições da sociedade”, afirmou.
Fachin acrescentou que conta com as Forças Armadas na Comissão de Transparência e com o suporte operacional e logístico prestado por elas em todas as últimas eleições.
A resposta, na minha impressão, foi acertada, mas falta marcar a reunião solicitada pelo Ministério da Defesa.
RENÚNCIA NA PETROBRAS – Na manhã de ontem, a GloboNews anunciou, por volta das 9h30, que o presidente da Petrobras, José Mauro Ferreira Coelho, decidiu renunciar ao cargo, e para isso convocou o Conselho de Administração. Entretanto, esse terá que convocar nova assembleia para então ser aprovado o nome de quem o sucederá. Até o momento, o mais cotado é Caio Paes de Andrade, integrante da equipe do ministro Paulo Guedes.
Essa indicação, porém, choca-se com a visão de política econômica do próprio Guedes, uma vez que Paes de Andrade, se assumir o cargo, será para intervir no mercado e congelar os preços da gasolina e do óleo diesel; posição que contraria frontalmente a visão do ministro.
ELETROBRAS – Na edição de ontem de O Globo, houve a informação de que nove dos onze conselheiros da Eletrobras entregaram os seus cargos. Na justificativa, os executivos alegam que com a desestatização concluída por meio da capitalização sacramentada na semana passada, será necessária uma nova composição do colegiado para refletir a nova distribuição das ações da empresa. Uma das vagas do Conselho já foi aberta e a outra é ocupada pelo representante dos empregados que não deixará o posto.
Para mim é uma surpresa o que a matéria focaliza: que a Eletrobras funcionará sem controlador definido, o que o “mercado” americano chama de “corporation”. Um absurdo. Não existe a hipótese do poder ser exercido vagamente. Alguém tem que ocupá-lo, sobretudo porque tem que ser definida a responsabilidade tanto pelos erros, quanto pelos acertos cometidos. Alguém tem que usar a caneta e assumir a responsabilidade do comando administrativo e operacional. Há algo surpreendente por trás dessa renúncia.