Publicado em 18 de junho de 2022 por Tribuna da Internet

Charge do Galhardo (umbrasil.com)
Pedro do Coutto
Os assassinatos do jornalista inglês Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira chocaram o país e alcançaram uma repercussão internacional enorme na proporção do crime praticado e de suas motivações. Está evidente que, ao contrário do que a Polícia Federal deixou antever na manhã desta sexta-feira, a execução foi encomendada por correntes muito fortes, entre as quais as dos traficantes de drogas e garimpeiros ilegais.
Paralelamente a esse imenso problema, devastador para o governo, surgiu uma crise singular colocando em confronto o presidente Jair Bolsonaro e a atual administração da Petrobras, que ele inclusive pretende afastar rapidamente. A Petrobras, com base em decisão do seu Conselho, aumentou os preços do diesel, da gasolina e do gás.
SEM SOLUÇÃO – O Planalto tentou influir, mas não conseguiu, o que enfureceu Bolsonaro. Até o momento em que escrevia no meio da tarde de ontem, não havia uma solução concreta para o impasse administrativo que se criou. Não bastasse isso, os preços, inclusive dos alimentos, estão disparando e os salários estacionando; com isso, caindo o poder de compra da população, como as pesquisas apontam.
Elas assinalam que a fome já está atingindo 37 milhões de brasileiros e brasileiras. Além disso, na esfera do governo surgiu um movimento do Centrão para substituir o general Braga Netto pela deputada Tereza Cristina ou pela ex-ministra Damares Alves, como vice-presidente na chapa da reeleição. A tempestade, portanto, está varrendo o convés do governo, com obstáculos em série, diminuindo a possibilidade da reeleição do atual chefe do Executivo. O Palácio do Planalto está fortemente afetado pela situação que se torna evidente no país.
O episódio colocando em confronto o Planalto e a Petrobras levou o governo até a recorrer ao ministro André Mendonça, do STF, em busca de uma medida qualquer capaz de sustar o aumento dos combustíveis até pelo menos a aprovação final pelo Congresso do projeto que reduz o ICMS incidente sobre a gasolina, o diesel e o gás.
GOLPE MILITAR – Têm sido muitos os pronunciamentos focalizando as dificuldades relativas à qualquer investida de golpe militar contra o desfecho das urnas de outubro, contra a democracia e a liberdade, um retrocesso que levaria a dezembro de 1968, com a decretação do Ato Institucional nº5.
Na edição de quinta-feira, em artigo na Folha de S. Paulo, Ruy Castro colocou mais um obstáculo: o fato do incentivo ao armamento da população pelo presidente da República, uma forma de criar uma milícia política para a eventualidade de uma crise institucional violenta. Mas, o jornalista assinalou que essa ação se chocaria com as correntes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, impossibilitadas de se integrar a um movimento fundamental.
Lembro o exemplo que ocorreu na Alemanha de Hitler com as forças ditatoriais paralelas chefiadas por Herbert Rohmer que acabou sendo morto pelas próprias forças militares nazistas. Forças desse tipo não podem conviver em situação alguma com as forças militares regulares empenhadas no caso brasileiro, segundo a lei, que garantia a ordem, a Constituição e os direitos individuais. Como se vê, a semana que termina só trouxe mais resultados negativos para o governo com reflexos eleitorais inevitáveis.