sábado, junho 18, 2022

Antes da morte de Bruno e Phillips, denunciamos aqui na Tribuna o império do crime no Vale do Javari


Polícia leva suspeito para local onde Dom e Bruno desapareceram

O governo e as Forças Armadas abandonaram o Vale do Javari

Augusto Tomazini

No início de maio apontamos aqui nesta Tribuna da Internet a sucessão de crimes cometidos no Vale do Javari, especificamente na Aldeia Jarinal. Invasores de terras da União (os territórios indígenas pertencem à União) assediam os indígenas, obrigam a ingestão de água misturada com gasolina para os embebedar e prostituem suas mulheres e garotas. Poluem as águas com mercúrio, dizimam quelônios, peixes e outras espécies. Invadem sempre armados.

O Vale do Javari abriga a maior quantidade de índios isolados do mundo e grande parte dos não isolados são de recente contato. Além disso, faz fronteira com o Peru e está praticamente do lado da fronteira com a Colômbia, em áreas dominadas pelo narcotráfico.

CÃES FAREJADORES – O principal aeroporto da região fica em Tabatinga e, para se ter uma ideia, o check-in só é autorizado quando chega a Polícia Federal com cães farejadores. Os criminosos, portanto, usam principalmente voos e pistas clandestinas além do percursos por águas menos fiscalizadas.

O estudo da criminologia mostra que os ilícitos penais frequentemente ocorrem combinados e isto não é diferente na região.

Crimes ambientais, dos mais diversos, narcotráfico, homicídios, abusos sexuais, grilagem de terras da União, corrupção, lavagem de dinheiro, ameaças, tudo isso anda lado a lado. Coisas que já eram problemáticas pioraram na catastrófica gestão atual do governo brasileiro.

CULPA DAS VÍTIMAS – Triste ver a Funai a soltar notas que culpabilizam as vítimas e intimidam as associações indígenas. Preocupante também é a repercussão internacional dos assassinatos do jornalista inglês Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira, pois embasa um dispositivo conhecido no direito internacional como “Responsabilidade de Proteger” (R2P).

Felizmente temos eleições livres e uma imprensa atuante, mesmo diante de tantas ameaças. Esse tema deverá fazer parte do debate político, ao lado da economia claudicante que trouxe de volta o fantasma da fome a pairar sobre os lares de milhões de brasileiros.

Nossa arma é o voto e a liberdade de imprensa.


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