domingo, junho 26, 2022

Aliados veem corrosão de confiança na candidatura de Bolsonaro




Crise econômica e corrupção são coquetel intragável em plena campanha. 

Por José Casado 

Jair Bolsonaro completou um ano estacionado em segundo lugar nas pesquisas, distante cerca de 20 pontos do adversário Lula, líder em intenções de voto.

Esse é o único fator de estabilidade política no governo. É, também, a fonte de insegurança que, gradualmente, consome os seus aliados parlamentares — a maioria em busca da renovação de mandatos no Congresso.

Bolsonaro é o primeiro caso, desde a redemocratização, de presidente em pleno mandato que a menos de cem dias da eleição não lidera a preferência dos eleitores.

É, também, um candidato que a cada dia precisa provar aos integrantes da sua coalizão partidária que é viável, suficientemente competitivo, capaz de avançar até o segundo turno de votação.

Há sinais de degradação da confiança no trio de partidos (PL, PP e Republicanos) que sustentam a sua candidatura.

É menos pela imprevisibilidade do político e mais pela realidade de um governo que, nos últimos 12 meses, não conseguiu controlar a inflação, nem mesmo mitigar o ritmo veloz de empobrecimento do eleitorado e a cada semana se atropela em transações obscuras, potencialmente danosas ao projeto eleitoral.

O mais recente é o caso do ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro, envolvido com pastores e burocratas em supostos desvios de recursos do Fundo Nacional de Educação.

As conversas de Ribeiro ao telefone, captadas pela polícia com ordem judicial, deixam Bolsonaro exposto em suspeitas de obstrução de justiça.

Se não é capaz de tirar o sono do candidato, porque ele é insone, têm o condão de acrescentar a palavra “corrupção” ao dicionário que a oposição planeja levar para as ruas nas próximas semanas.

Seria parte do jogo se a polícia encarregada das investigações não estivesse fracionada e, aparentemente, em boa parte rebelada contra o governo Bolsonaro.

São imprevisíveis as sequelas políticas de quase mil horas de interceptações de conversas e mensagens de pessoas com relativa proximidade da família do candidato à reeleição. A fração já divulgada sugere um leque de possíveis complicações políticas e judiciais.

Isso, porém, representaria quase nada em comparação ao estrago produzido pelo descontrole inflacionário nas expectativas dos aliados. No pior cenário, calculavam que Bolsonaro iniciaria junho empatado com Lula. Deu errado.

O Datafolha mostrou, ontem, que ele segue congelado, como há seis meses ou um ano atrás, com um governo igualmente repudiado pela massa de eleitores pobres.

A pobreza aumenta, e essa é a principal trava política da candidatura à reeleição presidencial. Um retrato desse movimento foi produzido pelos pesquisadores Marcelo Neri e Marcos Hercksher, da Fundação Getulio Vargas, do Rio.

A proporção de pobres sobrevivendo com renda de R$ 210 mensais, referência do programa federal Auxílio Brasil (antigo Bolsa Família) passou de 7,6% da população, em 2020, para 10,8% no ano passado. Isso representou aumento de 42,11%. Na faixa da extrema pobreza, com renda de R$ 105 por mês, o aumento foi de 40,5%.

Crise econômica e corrupção é coquetel corrosivo para qualquer candidato em plena campanha. Aliados de Bolsonaro no PL, PP e Republicanos veem corrosão na confiança no poder de competição do candidato. Garantem que não planejam abandoná-lo, mas se dizem indispostos a brindar da mesma garrafa.

Revista Veja

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