terça-feira, setembro 14, 2021

Bolsonaro desaba em popularidade digital após haver recuado sobre o 7 de Setembro

Publicado em 14 de setembro de 2021 por Tribuna da Internet

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Carolina Linhares
Folha

​Logo após os atos do 7 de Setembro que mobilizaram sua base em demonstração de apoio, ​o presidente Jair Bolsonaro teve um tombo de popularidade nas redes sociais ao divulgar a carta em que voltou atrás nos ataques ao STF (Supremo Tribunal Federal) e nas ameaças golpistas.

O IPD (Índice de Popularidade Digital) de Bolsonaro, medido pela consultoria Quaest, mostra que as manifestações do Dia da Independência fizeram Bolsonaro chegar ao seu segundo melhor patamar desde o início do ano, com 81,8 pontos. Marcas maiores, em torno de 83 de pontos, foram vistas apenas no início de janeiro e no começo de maio, na esteira da motociata do presidente em Brasília.

QUEDA BRUTAL – Já no dia 8, o índice cai para 62,4 e vai diminuindo ainda mais para 53,7 na quinta (9), dia da divulgação da carta, e 37,1 na sexta (10) —a pior marca de Bolsonaro em 2021.

Sua popularidade digital chegou a variar em torno de 37 pontos somente no início de julho, quando a CPI da Covid avançou sobre suspeitas de corrupção na compra de vacinas.

“Os atos do dia 7 trazem uma criação de expectativa. Bolsonaro foi capaz de fazer algo que quase ninguém hoje consegue, que é gerar expectativa. O processo de mobilização coordenada para os atos foi todo positivo para o presidente. O problema é que depois a euforia se transformou em frustração”, resume Felipe Nunes, cientista político, professor da UFMG e diretor da Quaest.

DECEPÇÃO DA BASE – Como mostrou a Folha, a nota retórica de Bolsonaro deixou atordoada e silenciosa, em um primeiro momento, a base de apoiadores do presidente, que se decepcionou com a sinalização de moderação patrocinada pelo ex-presidente Michel Temer (MDB).

Após os atos em que Bolsonaro ameaçou a democracia, boa parte do mundo político, sobretudo a oposição, além do presidente do STF, Luiz Fux, condenou uma tentativa de ruptura institucional, o que elevou a pressão crítica sobre o presidente.

Algo que a nota não conseguiu reverter —dado o descrédito na suposta moderação do presidente.

DESÂNIMO NAS REDES – Por outro lado, os bolsonaristas, desmobilizados e desiludidos com a carta, não defenderam o mandatário nas redes, o que fez desabar seu IPD. “Foram movimentos que desagradaram a oposição e a base”, resume Nunes.

A métrica do IPD avalia o desempenho de personalidades da política nacional nas plataformas Facebook, Instagram, Twitter, YouTube, Wikipedia e Google. A performance é medida em uma escala de 0 a 100, em que o maior valor representa o máximo de popularidade.

​Os dados do IPD mostram que a mobilização e o trabalho político de Bolsonaro para o Dia da Independência foram perdidos nos três dias seguintes. O início da queda, no dia 8, foi influenciado pelo pedido de Bolsonaro para que caminhoneiros que o apoiam desbloqueassem as estradas.

DEMONSTRAÇÃO DE FORÇA – Segundo a consultoria, os 40 dias que antecederam os atos tiveram mais de 3 milhões de postagens com esse tema. Assim como nas ruas, também nas redes o 7 de Setembro funcionou como uma demonstração de força de Bolsonaro.

“A base do presidente vinha muito engajada, mas essa euforia enorme, quando se transforma em ‘arregou’, deixa a base sem argumento”, afirma o professor.

Horas após a carta, no entanto, explicações começaram a aparecer de forma sistemática nos grupos virtuais bolsonaristas. As teses variavam entre a nota fazer parte de uma estratégia de Bolsonaro ou de um suposto acordo com o STF. ​

AINDA LIDERA –  Nunes afirma que Bolsonaro tem condições de recuperar seu IPD. Ele é, entre os presidenciáveis e líderes políticos, quem tem maior IPD médio desde janeiro de 2019.

“A base fiel de Bolsonaro é muito organizada, engajada e mobilizada. Acredito que essa frustração pode ser canalizada em prol do projeto maior, que é a manutenção do bolsonarismo no poder. Isso tende a arrefecer essa angústia deles e pavimentar um caminho de recuperação”, diz o diretor da Quaest.

Com a queda, Bolsonaro se aproximou do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no ranking do IPD, mas isso não significa que o petista tenha ocupado o vácuo de popularidade do presidente nas redes.

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