Publicado em 7 de agosto de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Miguel Paiva (brasil247.com)
Pedro do Coutto
Creio que nunca um processo criminal e de responsabilidade será aberto com tanta facilidade como este em que o Supremo Tribunal Federal aceitou as denúncias do TSE contra Jair Bolsonaro, simplesmente porque não há necessidade sequer de inquérito preliminar.
As provas encontram-se para sempre gravadas nas imagens e nos sons de seus próprios discursos contra a Carta Magna do país, a democracia, a liberdade e as instituições. Suas ameaças repetiram-se por várias vezes até o momento em que escrevo esse artigo. Acentuo esse aspecto porque é possível que do anoitecer de sexta-feira até a alvorada de sábado, Bolsonaro possa repetir, mais uma vez, as suas formulações autoritárias.
AMEAÇAS – O povo brasileiro é testemunha e ele próprio, ainda presidente da República, se incriminou sucessivas vezes repetindo ameaças antidemocráticas. O processo está praticamente aberto no STF na medida em que o ministro Alexandre de Moraes aceitou as denúncias contra o chefe do Executivo.
Bolsonaro não tem defesa legal. Sua alternativa, que ele aliás não oculta, é derrubar a Constituição e com tal movimento fechar o Congresso Nacional e o STF. Acredito francamente que a história brasileira não registra outro episódio com número igual de testemunhas, pois essas formam em bloco o povo brasileiro.
DERROTA – No pronunciamento que fez na tarde de ontem sobre a questão que envolve o voto eletrônico e o voto impresso, examinando-se bem o conteúdo dos fatos, verifica-se o presidente da Câmara, o deputao Arthur Lira, concretamente ampliou a dimensão da derrota de Jair Bolsonaro na absurda questão do retorno ao voto impresso.
A matéria foi examinada por uma comissão especial e derrotada por 23 votos contrários, 11 a favor e 9 abstenções. Verifico pela matéria que a GloboNews editou no final da tarde desta sexta-feira. A modificação do sistema de voto dependia de aprovação de Emenda Constitucional, o que exige na Câmara 308 votos a favor.
Portanto, as abstenções são votos contra a iniciativa, uma vez que ele necessita de quórum especial. Assim, o voto branco, a abstenção e o voto contra são no fundo a mesma coisa. Arthur Loira decidiu remeter o projeto da PEC ao plenário, apesar do resultado dos votos preliminares da comissão.
DERROTA – Tal lance de dados vai contribuir para tornar mais ampla essa derrota fragorosa do presidente da República. Basta confrontar a tramitação da emenda com a exigência de que alcance maioria de dois terços para ser aprovada.
Sem focalizar a segunda votação ou a votação da emenda pelo Senado, verifica-se que o destino de mais esse episódio será o triste arquivo da história do Brasil e o episódio que se desenrola na Esplanada de Brasília que não poderá ser solucionada, conforme já escrevi, por qualquer manobra conciliatória. Isso porque não existe conciliação possível com o presidente Jair Bolsonaro. O ex-ministro Sergio Moro acreditou em tal hipótese e os fatos confirmaram o contrário.
OLIMPÍADA – Na madrugada de hoje, sábado, duas medalhas de ouro estiveram em disputa com a boxeadora Bia Ferreira e o pugilista Hebert Conceição. O futebol masculino estará em campo agora pela manhã decidindo o título e a medalha de ouro. A medalha de ouro também será decidida pela seleção feminina de voleibol.
Glória eterna aos nossos atletas que deram exemplo de superação em vários momentos, trazendo de volta à população brasileira emoção e orgulho. Fica a certeza de que os nossos esportistas estarão no coração e na memória do país para sempre.
PRIVATIZAÇÃO – Amanda Pupo, Estado de S.Paulo de sexta-feira, publica reportagem sobre a aprovação do projeto de lei que autoriza a venda das ações e a privatização dos Correios. É preciso considerar um aspecto fundamental; a matéria não depende apenas de autorização legal, mas também de autorização moral que se projeta na fixação do preço justo, das condições de pagamento, do resguardo do direito dos funcionários, dos prazos de pagamento e da correção monetária aplicada entre um prazo e outro.
Essa regra não vale apenas para os Correios, mas para todas as privatizações. Não podem se repetir nos Correios e na Eletrobras lances semelhantes aos que marcaram triste e vergonhosamente a maratona de intermediários para a compra de vacinas contra a Covid-19.
Maratona é bem o termo porque nunca surgiram tantos voluntários empenhados em viabilizar as aquisições pensando em salvar vidas brasileiras que se afundam num mar de corrupção e descalabro.