Publicado em 20 de agosto de 2021 por Tribuna da Internet

Senador Girão é mais um serviçal da família Bolsonaro
Vicente Limongi Netto
Inacreditável e pornográfico. Tirem as crianças da sala. É o fim da picada. A demagogia e a hipocrisia não podem vencer o bom senso nem debochar da inteligência alheia. Nesse sentido, o pândego, repetitivo e bolorento senador Eduardo Girão (Podemos-CE) criticou, na CPI da Pandemia, a quebra de sigilo de blogueiro bolsonarista que afronta a Constituição, defende invasões do Congresso e do Superior Tribunal Federal e ameaça ministros de tribunais superiores.
O argumento tendencioso e patético do senador que se julga enviado de Alan Kardec, é de corar Santos de Igrejas: preservar a todo custo a liberdade de expressão.
BOM PARLAMENTAR – O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), eleito nas últimas eleições, veio para ficar. Bom parlamentar. Tem participação marcante na CPI da Pandemia. Não dá trégua a depoentes fantasiados de isentos que colaboraram, de alguma forma, com tratativas desonestas na compra de vacinas.
A seu ver, Bolsonaro precisa ser responsabilizado no relatório final do colegiado, como omisso ou conivente. O senador é rara exceção na trôpega, pretensiosa e acintosa “nova política”, que mandou pencas de medíocres para o Congresso Nacional.
Nessa linha, em entrevista ao “CB.Poder”, parceria do Correio com TV-Brasilia, Alessandro Vieira deplora o desespero de Bolsonaro, que vai enviar ao Senado pedido de impeachment contra os ministros Luiz Roberto Barroso e Alexandre de Moraes.
UMA AMEAÇA REAL – “Não tenho dúvidas de que sofremos uma ameaça à nossa democracia. Temos um presidente da República que diariamente ataca a democracia, o sistema eleitoral e autoridades sem nenhuma prova”, avalia Alessandro Vieira, cheio de razão.
Outro destaque da CPI da Pandemia é senador Otto Alencar (PSD-BA), que esteve se recuperando da Covid-19 e protestou e repudiou os insultos do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) ao presidente da CPI da Pandemia, senador Omar Aziz (PSD-AM).
Disse Alencar que, a seu ver, “covardes e canalhas que se escondem atrás do computador não merecem respeito”.
CHEGA DE BARULHO – Vou embora do Lago Norte. Onde tenho casa própria e moro há 35 anos. Irei para onde respeitem meus suaves ouvidos e alquebrados ossos. Aqui o desassossego é brutal. Sonho ir para onde poderei voltar a acordar com a cantoria dos pássaros. Revoando nas janelas. Nos vasos de plantas. Nas mangueiras e abacateiros. Nos varais de roupas.
Vou para longe dos tenebrosos acordes da bate estaca. Da doideira das motos delivery com cano de descarga abertos. Cansei das medonhas, enfurecidas, desagradáveis e incansáveis moto-serras, britadeiras, furadeiras, martelos, caminhões de limpa-fossas, carros oferecendo gás com música de espantar a luz do sol e caçambas para recolher entulhos.
Fugirei das serralheiras, enceradeiras, empilhadeiras, aspiradores. Astros da sinfonia interminável do desrespeito. A barulhada desenfreada e desengonçada começa cedo. Sem hora para acabar. Partirei para perto do rei. Em busca de sossego. Recomendado pelo divino Manuel Bandeira.
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P.S. – Por fim, um registro: “Só no nosso, Datena?”, exclamou Bolsonaro, indignado e surpreso, com as diversas notícias-crimes contra ele, no Supremo Tribunal Federal. (V.L.N.)