
Bolsonaro vai participar dos protestos no Rio e em Brasilia
Carlos Newton
O presidente Jair Bolsonaro e o ministro Braga Netto ficaram meio emparedados com a manobra do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Luís Roberto Barroso, que colocará na Comissão de Transparência um militar especialista em Informática, para garantir claramente a lisura da eleição. Com isso, Barroso esvazia o escândalo que Bolsonaro pretendia fazer, imitando seu ídolo Donald Trump na denúncia de uma fraude eleitoral que só “ecziste” na cabeça dele, diria o saudoso Padre Quevedo.
A jogada de Barroso foi magistral, porém isso não significa que Bolsonaro e Braga Netto pretendam desistir de um golpe militar para melar o jogo, como se dizia antigamente.
EM BUSCA DO GOLPE – A comemoração do Dia da Independência será o primeiro grande teste das intenções do presidente e de seu ministro Braga Netto, que Bolsonaro tirou da Chefia do Alto Comando do Exército para ocupar a Casa Civil em fevereiro de 2020, quando não havia crise alguma, numa nomeação estratégica para mostrar que o governo era mesmo “militar “e Bolsonaro podia posar de comandante-em-chefe das Forças Armadas, para que vem entendesse.
Embriagado pelo poder, Bolsonaro esqueceu de combinar seu plano com o então ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, e com o comandante do Exército, general Eduardo Pujol, que jamais concordaram com os enlouquecidos propósitos do capitão-presidente.
Encurralado, Bolsonaro então nomeou Braga Netto para ministro da Defesa, trocou os comandantes militares e começou tudo de novo, em busca do golpe.
SETE DE SETEMBRO – Novamente sem desfile, este ano o Brasil terá um Dia da Independência totalmente politizado. Para agitar as massas, o comandante-em-chefe Bolsonaro vai estar de manhã em Brasília, na Esplanada dos Ministérios, e à tarde em São Paulo, na Avenida Paulista.
Tudo pode acontecer, porque as duas manifestações estão sendo vitaminadas pelo “Gabinete do Ódio”, que funciona no terceiro andar do Planalto. E não se surpreendam se nas ruas surgirem falsos black blocs a promover arruaças e depredar lojas.
O presidente e o ministro da Defesa estão apostando no pior com essas manifestações, que Bolsonaro chama de “ouvir o povo”. Daqui em diante, eles pretendem radicalizar cada vez mais seus seguidores, para que as Forças Armadas enfim possam “fazer cumprir a Constituição”, que é como Braga Netto justifica o golpe militar.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – O único problema é que Bolsonaro e Braga Netto ainda não conseguiram cooptar o comandante do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira, que é uma verdadeira esfinge. Sua única declaração, à repórter Jussara Soares, de O Globo, na semana passada, diz tudo: “O Alto Comando está com o comandante”. Em tradução simultânea, Bolsonaro e Braga podem se desesperar, atear fogo às vestes ou até praticar o haraquiri lusitano, mas não tem jeito – a democracia sairá vitoriosa. (C.N.)