
Charge do Duke (domtotal.com)
Pedro do Coutto
Reportagem de Matheus Teixeira, Folha de S.Paulo deste domingo, coloca em destaque o que identifica como uma estratégia conjunta do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral contra a narrativa e a investida golpista de Bolsonaro, que aliás não oculta sua intenção e, ao contrário, a destaca diária e seguidamente.
Na minha opinião, se Jair Bolsonaro tivesse apoio militar para desfechar um golpe contra a Constituição e contra as eleições de 2022, essa é a verdade, já teria praticado a sua intenção sombria e sinuosa que seria um reencontro de 2021 com o Ato Institucional nº 5 de 1968.
PRETEXTOS – Bolsonaro busca pretextos absolutamente incompatíveis com o regime democrático, aliás conforme eu disse ontem, com ofensas a ministros do STF em busca de uma crise da qual pudesse sair como vítima e não como culpado e autor.
Não obtendo esse apoio, Bolsonaro fica sem caminho de saída na estrada constitucional brasileira. O desfecho que ele pretende não tem o respaldo e o apoio que ele supõe ser necessário para tornar-se em 2021 o sucessor de D. Pedro II em 1889. Portanto, o Supremo Tribunal Federal e o TSE necessitam apenas da lei e dos limites que ela e a Constituição impõem a todos os brasileiros e brasileiras.
PRÓPRIA IMAGEM – A estratégia contra Bolsonaro está na sua própria imagem, em suas palavras, em seus atos, em suas intenções. Está enfraquecido. Se não o estivesse, a realidade do país não seria a qual nos deparamos a cada dia.
Jair Bolsonaro não tem saída, ou sequer a deseja dentro da ordem e do progresso. Esta, inclusive, é a sua contradição essencial maior do que todas as outras contradições que ele próprio produz contra si mesmo e contra o país.
JOGOS OLÍMPICOS – Foi uma belíssima edição a que marcou o encerramento dos jogos de Tóquio e o anúncio da Olimpíada de 2024 em Paris. A orquestra às margens do Sena interpretou a bela e eterna Marselhesa, um hino de emoção que, mais uma vez, renova o compromisso e a esperança da humanidade como o seu próprio futuro.
Nós, brasileiros, não podemos nos queixar dos resultados da madrugada deste domingo. A disputa do voleibol feminino com os Estados Unidos não deu nem para torcer. Afastada a emoção, as coisas todas se tornam tristes ou comuns. Perdemos o confronto mal quando ele começou. O entusiasmo americano congelou qualquer esperança da nossa seleção. Mas ficamos com a prata e isso acrescenta a nós mais do que consola.
BOXE – O esporte é assim. Pessoalmente lamento a decisão dos jurados do boxe que deram a vitória à irlandesa sobre a brasileira Bia Ferreira. Ela demonstrou disposição muito maior do que a irlandesa para o combate. Só um julgamento frio de socos que não encaixaram e pontos que isso representa podem explicar uma decisão para mim tão surpreendente. O que fazer?
A vida é assim mesmo. O fato é que vencemos no futebol, vencemos com Rebeca Andrade, com Rayssa Leal, com Ana Marcela Cunha, com Isaquias Queiroz, entre tantos outros. Vemos, portanto, vários capítulos e páginas de uma história que será lembrada como um momento glorioso do esporte brasileiro.
PARIS – Aguardemos Paris. Estarei mais uma vez vibrando com a aventura do esporte que nos leva à emoção, às lágrimas, tanto as de vitórias quanto as de derrotas. Já testemunhei tantas vitórias e derrotas que posso verificar que o saldo é positivo para todos aqueles que fazem da dúvida o melhor caminho para se chegar a uma certeza. No fundo da questão, a certeza nasce da dúvida, do não conformismo, da não aceitação do conservadorismo como uma concepção humana.
O não conformismo, principalmente em relação à miséria, à humilhação, à corrupção. É preciso reagir sempre, pois a reação já é uma verdade em si própria. Vamos caminhar com as gerações que estarão presentes em Paris no eterno processo de viver. Seja nas artes, na ciência, nos esportes, sem emoção todos nós nos transformaríamos em robôs. A emoção é que distingue as pessoas, seus encontros e desencontros, seus destinos.