segunda-feira, agosto 09, 2021

PM mentiu ao defender Flávio Bolsonaro na lavagem de dinheiro na loja de chocolate

Publicado em 9 de agosto de 2021 por Tribuna da Internet

EPOCA Rio de Janeiro (RJ) 19/12/2019 Diego Ambrosio - Dono de uma empresa, é investigado no caso Flavio Bolsonaro. Foto Fabio Rossi / Agencia O Globo Foto: Agência O Globo

Diego “comprou” panetones que não existem na loja de Flávio

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(Folhapress)

O Ministério Público do Rio de Janeiro analisa um novo relatório produzido pelo Coaf (Conselho de Controle das Atividades Financeiras) envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ). O documento descreve movimentações financeiras consideradas atípicas do policial militar Diego Ambrósio, sua ex-mulher e pessoas ligadas ao filho do presidente Jair Bolsonaro.

O PM foi alvo de investigação do caso da “rachadinha”, mas não foi acusado na denúncia oferecida no fim do ano passado contra o senador e seus ex-assessores. Ambrósio foi alvo de busca e apreensão na operação do MP-RJ em dezembro de 2019 que mirou Flávio e seus ex-assessores.

LOJA DE CHOCOLATE – O PM fez seis transferências para a conta da loja de chocolate do senador entre 2015 e 2018. Ele também quitou um boleto de R$ 16,5 mil em nome de Fernanda, referente a uma prestação de imóvel adquirido pelo senador.

O policial também fez transferências a dois ex-assessores do senador em seu antigo gabinete na Assembleia. Este é o sexto RIF (relatório de inteligência financeira) em poder do MP-RJ envolvendo o filho do presidente Jair Bolsonaro. Cinco integram a investigação do caso da “rachadinha”, que levou à denúncia contra Flávio e seus ex-assessores no Órgão Especial do Tribunal de Justiça.

Embora com informações limitadas, os relatórios do Coaf podem ser usados como uma forma de refazer a investigação do caso da “rachadinha” após a anulação das quebras de sigilo bancário e fiscal pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça).

DEFESA PRÉVIA – O MP-RJ conseguiu manter a tramitação da denúncia no Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro mesmo após a decisão do STJ. A defesa do senador e dos demais acusados foram notificadas para apresentar defesa prévia à acusação.

A defesa do senador afirmou que não pode comentar o teor do relatório “porque desconhece a existência de tal documento”. O PM afirmou que não pode se manifestar “sobre algo que não faz a mínima ideia do que seja”. O Ministério Público disse, em nota, que “não se pronuncia sobre processos e investigações cobertos pelo segredo de justiça”.

O relatório de inteligência financeira (RIF), cujas três páginas estão sob sigilo, foi enviado pelo Coaf à Promotoria Eleitoral, que não vislumbrou crime nesta área e o enviou para uma promotoria de investigação penal. De lá, foi enviado ao gabinete do procurador-geral de Justiça, Luciano Mattos.

NOVO RELATÓRIO – Em junho, o gabinete de Mattos afirmou que o relatório é de sua atribuição, já que as movimentações financeiras ocorreram quando Flávio era deputado estadual. Um novo relatório de seis páginas já foi elaborado pela Divisão de Laboratório de Combate à Lavagem de Dinheiro sobre o documento.

Ambrósio disse na ocasião que os pagamentos para a empresa de Flávio se referem a gastos com panetones. Ele afirmou que distribui o produto a clientes, fornecedores e colaboradores de sua empresa de segurança.

Em relação ao boleto da mulher de Flávio, o PM afirma que se ofereceu para pagar a conta durante uma festa em que estava com o senador. Segundo a versão, Flávio notou que havia esquecido de quitar a despesa e ele se prontificou a pagar pelo aplicativo de celular.

DINHEIRO VIVO – “Não lembro se era um problema de rede ou se ele teria mesmo que ir ao banco, mas me ofereci para pagar [pelo aplicativo]”, disse o PM há dois anos. De acordo com Ambrósio, Flávio quitou a dívida com dinheiro vivo.

O PM também aparecia num outro relatório do Coaf enviado ao Ministério Público Federal que apontava movimentações atípicas em sua conta bancária, com quantias em espécie.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – O empresário-PM – ou PM-empresário – arranjou uma desculpa incabível. É um cúmplice na lavagem de dinheiro de Flávio Bolsonaro e foi traído pela ignorância. A rede Kopenhagen simplesmente não fabrica nem vende panetone. Mas quem se interessa? (C.N.)  

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