domingo, agosto 15, 2021

A competência da Justiça na Coreia do Sul é um exemplo a ser seguido pelo Brasil

Publicado em 15 de agosto de 2021 por Tribuna da Internet

A ex-presidente deposta da Coreia do Sul Park Geun-hye — Foto: Jung Yeon-je / AFP Photo

Algemada, a ex-presidente Park Geun-hye foi para a prisão

Celso Serra

O herdeiro as Samsung, Jay Y. Lee, em janeiro de 2021,  foi condenado pela justiça da Coreia do Sul a dois anos e meio de prisão.  Causa da condenação:  caso de corrupção envolvendo a ex-presidente do país, Park Geun-hye.

Jay Y. Lee, herdeiro e vice-presidente da Samsung, saiu da prisão nesta sexta-feira (13/8/2021), beneficiado por uma liberdade condicional antecipada, outorgada pelo Ministério da Justiça da Coreia do Sul.

PEDIU DESCULPAS – Na saída da prisão, já na via pública, segundo a agência AFP, Jay Y. Lee, antes de deixar o local em uma limusine preta, declarou aos jornalistas:

“Tenho causado muita preocupação às pessoas, realmente sinto muito”. E mais: “Estou escutando cuidadosamente suas preocupações, críticas e altas expectativas sobre mim”.

A fortuna de Jay Y. Lee foi avaliada pela Forbes em cerca de US$ 11,4 bilhões. É fato notório que o empresário cumpria a penalidade de dois anos e meio de prisão devido ao pagamento de propina, peculato e outros crimes ligados ao escândalo de corrupção que resultou no impeachment da ex-presidente sul-coreana Park Geun-hye.

“RASPUTINA” -Para nós brasileiros, acostumados com casos diários de corrupção impune, devemos lembrar que a procuradoria-geral da Coreia do Sul denunciou a então presidente do país como cúmplice de sua velha e dileta amiga Choi Soon-sil, popularmente conhecida pelo apelido de “Rasputina” (aqui no Brasil certamente seria “Rasputona”, presa em 2016 sob a acusação de fazer tráfico de influência e extorquir empresas, obrigando-as a realizar grandes doações a várias fundações, e de se apropriar dos recursos doados.

Por sua vez, o Parlamento da Coreia do Sul aprovou a destituição de Park Geun-hye em 8 de dezembro de 2016, por suas ligações com os fatos e atos de corrupção.

EXEMPLO COREANO – Lá na Coreia do Sul a presidente não foi beneficiada por deturpação na aplicação da lei por nenhum componente do julgamento e a moção de impedimento e destituição foi aprovada por 234 votos a favor e 56 contra. Face a essa decisão os poderes da presidente foram imediatamente transferidos para o primeiro-ministro, Hwang Kyo-ahn, até que a Corte Constitucional da Coreia decidisse sobre a aceitação ou rejeição do impeachment.

No dia 10 de março de 2017, os oito  – sim, apenas oito, não são onze –  juízes da Corte Constitucional da Coreia ratificaram, por unanimidade, a decisão do Parlamento.  Resutado: Park Geyn-hye perdeu definitivamente seu mandato.

Poucas semanas (semanas, não anos) após sua destituição definitiva pela Corte Constitucional, em 30 de março de 2017, Park Geun-hye foi presa, pois, devido ao impeachment, ela havia perdido sua imunidade judicial e podia ser processada face às implicações nos escândalos que lhe custaram a presidência.

PEGOU 24 ANOS – No dia 06 de abril de 2018, uma sexta-feira, a ex-presidente da Coreia do Sul Park Geun-hye foi condenada por um tribunal de Seul a 24 anos de prisão pelo seu envolvimento no caso de corrupção da “Rasputina”. Ela foi considerada culpada por 16 das 18 acusações de abuso de poder, suborno e coerção. Recebeu ainda uma multa de US$ 17 milhões.

A sentença, que foi transmitida ao vivo pela TV para toda a população do país,  considerou provado que a ex-presidente e sua amiga Choi Soon-sil (a  “Rasputina”), criaram um esquema para extorquir dinheiro de grandes empresas (Samsung, Lotte, Hyundai, etc.).

Na sentença o juiz declarou que … “A presidente abusou do poder que foi dado a ela pelos cidadãos”.  Deu ênfase, também, que sua sentença era necessária “para se mandar uma mensagem para os próximos governantes do país”. Isso ocorreu na Coreia do Sul e não no Brasil. 

Em destaque

Moraes acerta ao barrar Lei da Dosimetria, mas STF precisa decidir logo sua validade

Publicado em 11 de maio de 2026 por Tribuna da Internet Facebook Twitter WhatsApp Email STF deve dar celeridade à análise das ações contesta...

Mais visitadas