Publicado em 15 de julho de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Mariano (Charge Online)
Carolina Linhares e Joelmir Tavares
Folha
Apesar de o impeachment de Jair Bolsonaro ser, segundo pesquisa Datafolha, defendido pela maioria da população e pela maioria dos eleitores da terceira via, partidos à direita que compõem o chamado centro político evitam advogar abertamente pela remoção do presidente.
É o caso de PSDB, DEM, PSD, MDB e PSL —que muitas vezes adotam posicionamento de oposição e fazem duras críticas a Bolsonaro, mas se mantêm na defensiva quando o tema é declarar apoio à destituição neste momento.
CÁLCULO ELEITORAL – Luiz Henrique Mandetta (DEM), João Doria (PSDB) e Eduardo Leite (PSDB) não demonstram empenho em favor do impeachment, mas tampouco o descartam. As opiniões envolvem cálculo eleitoral, amarras institucionais, falta de provas e bancadas parcialmente governistas, segundo políticos ouvidos pela Folha.
A maior parte dos eleitores dos três presidenciáveis, porém, defende a deposição, de acordo com a pesquisa divulgada na semana passada.
Entre os que declaram intenção de voto em Mandetta, a proporção é de 62% favoráveis e 34% contrários. Apoiadores de Doria são 59% pelo impeachment e 35% contra, enquanto os de Leite se dividem entre 57% e 40%.
LULA E CIRO – No caso de Lula (PT) e Ciro Gomes (PDT), presidenciáveis que aderiram ao “fora, Bolsonaro”, o percentual de eleitores favoráveis à retirada do presidente alcança patamares maiores. Chega a 82% contra 15% entre quem votaria no petista, e 67% a 28% entre os apoiadores do pedetista.
Na população como um todo, 54% querem o impeachment e 42% consideram que Bolsonaro deve terminar o mandato.
Até agora, a bandeira do impeachment vem sendo levantada por partidos de esquerda, como PT, PSOL, PDT, PSB e PC do B. Houve adesões à direita de parlamentares de PSL, PSDB e DEM, além dos partidos Novo e Cidadania.
CENTRO NO MURO – Caciques de partidos de centro têm evitado se posicionar com base na avaliação de que o impeachment hoje é inviável —não conta com maioria na Câmara e não há disposição do presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), em pautá-lo.
Para esses líderes, é preciso haver pressão das ruas para que a conjuntura se altere. Na esquerda, o caminho adotado é o inverso: a adesão dos partidos mobiliza a militância e pressiona os parlamentares.
De qualquer forma, com a sequência de protestos pelo impeachment pelo país e a marca inédita de uma maioria populacional favorável, partidos e presidenciáveis entusiastas da terceira via se veem forçados a escolher um dos lados. O problema é que, para esses presidenciáveis “nem Lula nem Bolsonaro”, a defesa do impeachment pode custar o voto de bolsonaristas em um eventual embate com o petista no segundo turno.