Publicado em 14 de julho de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Duke (O Tempo)
Carlos Newton
Essa questão da urna eletrônica é um debate meio religioso, cheio de dogmas de caráter espiritual. As autoridades eleitorais dizem que o sistema é à prova de fraudes, porque opera isoladamente, sem estar ligado à internet. Belo argumento, mas é apenas um dogma fantasioso, pois todo mundo sabe que a informática jamais se mostrou imune a falsificações, muito pelo contrário.
Antes da eleição, são sorteadas as urnas de uma “votação paralela”. No dia do pleito, funcionários da Justiça Eleitoral votam em candidatos pré-determinados. Depois, verifica-se se os resultados dessas votos coincidem com os votos pré-determinados. E até ai morreu Neves, como se dizia antigamente, não prova nada.
OUTRAS SALVAGUARDAS – Meses antes do pleito, o TSE convida uma série de especialistas em informática de importantes instituições públicas e privadas, para que testem a segurança do sistema. Assim, se surgir algum problema, a Justiça eleitoral tem como corrigi-los até a data da eleição. Ou seja, admite-se a priori que pode haver falhas.
Dizem também que, com o advento da biometria, fica impossível substituir a pessoa na cabine eleitoral. Além disso, as urnas são lacradas, de modo a impedir a inserção de algum dispositivo estranho, como um pendrive.
Por fim, os votos são embaralhados no sistema, de forma a impedir que se identifique como cada um votou. E para mim é justamente aí que mora o perigo, porque a votação fica inauditável.
NADA É PERFEITO – Fala sério, diria Bussunda. Se os hackers conseguem penetrar na rede do Pentágono, podemos avaliar o que conseguiriam fazer no modesto esquema do Tribunal Superior Eleitoral…
É claro que ninguém defende um retrocesso para o tempo do voto impresso, o que se procura é dar a máxima garantia de fidelidade ao voto. De toda forma, é importante discutir alguma maneira de dar maior segurança ao sistema eleitoral no Brasil.
A reforma está na Câmara e tem de estar em vigor antes de 9 de outubro, porque a legislação proíbe alteração eleitoral no mesmo ano do pleito. E o desafio é arranjar uma forma de auditar a eleição que seja barata e eficaz.
POR AMOSTRAGEM – Com a máxima vênia, acho que poderia haver uma auditoria por amostragem. Em cada mil seções eleitorais de cada Estado, seria sorteada uma delas, onde haveria votação dupla.
Os eleitores digitariam a urna eletrônica e depois preencheriam um voto impresso à antiga, no qual escreveriam os números de seus candidatos a deputado estadual, federal, senador, governador e presidente da República, depositando o papel numa urna separada.
Depois, basta conferir os resultados de cada sistema – eletrônico e impresso, que devem ser rigorosamente iguais.
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P.S. – A amostragem é uma das bases da ciência estatística. Simples e eficaz, sem gastar muito dinheiro, e logo se saberá se a eleição é verdadeira ou fraudada. E assim poderemos manter a urna eletrônica, com um sistema tão seguro que pode até ser usado nos mais países mais desenvolvidos. (C.N.)