Publicado em 13 de julho de 2021 por Tribuna da Internet
Braga Netto é estourado e pode sair do sério na Câmara
Luiz Felipe Barbiéri
G1 — Brasília
A Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara aprovou nesta terça-feira (13) um requerimento para ouvir o ministro da Defesa, Braga Netto, sobre a nota oficial divulgada pelas Forças Armadas após declarações do senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI da Covid, a respeito do suposto envolvimento de militares em irregularidades no combate à pandemia.
O requerimento originalmente previa a convocação do ministro, o que o obrigaria a comparecer ao colegiado. O documento acabou transformado em convite após acordo entre os parlamentares, o que não obriga a presença de Braga Netto. O procedimento é praxe entre os deputados, desde que o ministro se comprometa a comparecer e prestar os esclarecimentos.
LADO PODRE – Semana passada, na CPI, Aziz disse que há muito tempo o país não via tantos membros do “lado podre” das Forças envolvidos em “falcatruas”, numa referência aos militares ouvidos pela CPI por suspeitas de irregularidades na compra de vacinas.
Na resposta, o ministro e os comandantes das Forças disseram que “não aceitarão qualquer ataque leviano às Instituições que defendem a democracia e a liberdade do povo brasileiro”. Os termos foram vistos pela CPI como tentativa de intimidação.
Para o deputado Elias Vaz (PSB-GO), autor do requerimento, a nota das Forças é uma forma de “intimidação” não só ao senador Omar Aziz, como ao Congresso.
IRREGULARIDADES – “Inclusive esta Comissão tem fiscalizado claros indícios de irregularidades envolvendo as Forças Armadas, em processos licitatórios”, escreveu o parlamentar.
“É fundamental o comparecimento do Ministro da Defesa, à Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, na Câmara dos Deputados, para prestar os devidos esclarecimentos com a maior brevidade possível”, concluiu o deputado no requerimento.
A comissão aprovou ainda um convite para ouvir o ministro Wagner Rosário, da Controladoria-Geral da União (CGU), sobre a investigação conduzida pelo órgão a respeito de suspeitas de corrupção na compra de vacinas no Ministério da Saúde.
HÁ DISCREPÂNCIA – “O ministro Wagner Rosário, mesmo antes de fazer a verificação, se manifestou minimizando o problema. Mas a parte técnica já estava tomando medidas mais profundas, em discrepância com a fala do ministro”, declarou Vaz, autor também desse requerimento.
“É importante que o ministro venha dizer a esta casa quais medidas estão sendo tomadas para a verificação das possíveis irregularidades na tentativa de compra de vacina com propina”, afirmou.
O ministro da CGU deve comparecer à comissão para prestar os esclarecimentos no dia 10 de agosto.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Uma jogada de ousadia, porém democrática, dentro das regras. O general Braga Netto é meio estourado e pode sair do sério de ouvir alguma pergunta provocativa. Vai ser sensacional a sessão para interpelá-l0, ao vivo e a cores. (C.N.)