quinta-feira, julho 15, 2021

Com Mendonça, pastores querem unir Cristo, Tibério, Pilatos e Herodes Antipas


Pastores intercedem por Mendonça, “terrivelmente evangélico”

Pedro do Coutto

Pastores que lideram redutos eleitorais, acentuando suas condições de evangélicos, iniciaram uma ofensiva junto aos senadores no sentido da aprovação de André Mendonça para o Supremo Tribunal Federal como propõe o presidente Jair Bolsonaro. Os pastores políticos empenham-se, assim, por uma tentativa de unir figuras tão diferentes como as que separam Jesus Cristo do imperador Tibério, do governador Pôncio Pilatos, indicado pelos romanos, e Herodes Antipas, governador da Judeia, que dividia o palco dos acontecimentos com o procônsul Pôncio Pilatos.

Jesus Cristo nasceu 45 anos após a morte de Júlio César, apunhalado ao sair do senado romano. Jesus Cristo nasceu quando Augusto era imperador de Roma e morreu 33 anos depois, no tempo do imperador Tibério. Roma invadira a Judeia e ocupou o país. Impôs Pôncio Pilatos como governador, mas havia a questão religiosa. Indicou também o governador judeu, Herodes Antipas, filho do rei Herodes, que já havia caminhado para uma eternidade que não o recomenda como exemplo.

AVALISTAS – Os pastores que controlam redutos eleitorais afirmam-se como líderes evangélicos que endossam a indicação de Mendonça. São protestantes, de fato, o que melhor define a condição evangélica, pois os evangélicos são todos os cristãos que seguem o Novo Testamento e os evangelhos de Mateus, Marcos, João e Lucas. Mas essa é outra questão.

Os pastores que professam a religião na Igreja Universal ou nos templos mais próximos a Edir Macedo mobilizaram-se para que o Senado aprove Mendonça, segundo Bolsonaro, “terrivelmente evangélico”. Mas Mendonça enfrenta resistências. Um dos focos tem como protagonista Davi Alcolumbre, presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).  O senador Omar Aziz, presidente da CPI da Pandemia, também se opõe ao nome indicado pelo presidente da República. Há resistências, inclusive porque, quando ministro da Justiça, Mendonça processou jornalistas e políticos por questões de opiniões.

De qualquer forma, o pastor Silas Malafaia cobra o apoio de Omar Aziz, que o conhece pessoalmente, lembrando surpreendentemente que a sua corrente possui mais de um milhão de membros da Assembleia de Deus no Amazonas. No caso, a cobrança acompanha uma ameaça nas urnas.

RESISTÊNCIAS – O líder da Igreja Sara Nossa Terra, Robson Rodovalho, também coloca a questão de apoio e de votos em contato com vários parlamentares na mesma linha de Silas Malafaia. Por seu turno, o presidente da chamada bancada evangélica na Câmara, deputado federal Cezinha de Madureira, procurou minimizar as resistências no Senado e disse que o fato de Alcolumbre não querer receber Mendonça era por estar ocupado no momento da solicitação. Cezinha de Madureira disse que conta com o apoio de senadores e senadoras e que trabalhará por mais votos favoráveis.

Bernardo Mello, O Globo desta quarta-feira, sustenta que, o que não deixa de ser uma surpresa, o senador Flávio Bolsonaro ainda não se manifestou favoravelmente a André Mendonça. A reportagem relaciona todos os posicionamentos de Mendonça quando ministro da Justiça e depois como advogado-geral da União. São posições fortemente conservadoras. Aliás, na minha opinião, a religião não é fator a ser acrescentado a quem é indicado para o STF. Estranho também o fato de Silas Malafaia e Robson Rodovalho terem lembrado que comandam bases eleitorais.

O título deste artigo relembra o meu livro “Cristo, o maior dissidente da História”. Dissidente do judaísmo e a maior figura da humanidade. Inclusive porque Jesus Cristo crucificado por Roma estabeleceu um corte na história, dividiu o tempo entre antes e depois Dele. Esta divisão é seguida por todas as demais religiões, nelas se incluindo a judaica, o islamismo e o budismo, para citar algumas que convergem para o encontro com Deus. A exemplo do pintor Michelangelo, na Capela Sistina, na imagem eterna de Deus estendendo a mão para tocar a de Adão e a de Adão estendendo-se para tocar a de Deus.

ELETROBRAS – Reportagem de Daniel Gullino, O Globo, revela que na noite da última terça-feira, o presidente Jair Bolsonaro sancionou com vetos a Medida Provisória aprovada pelo Congresso, viabilizando a privatização da Eletrobras. Ela será privatizada através de aumento de capital com a colocação de ações na Bovespa. Todo o processo está previsto para ser implantado no primeiro bimestre de 2022.

O texto original da MP foi elaborado pelo ministro Paulo Guedes. Entre um dos pontos vetados encontra-se o artigo que proibia por 10 anos a extinção ou incorporação de Furnas, da Chesf, da EletroNorte e EletroSul que compõem o universo da produção de energia elétrica no país. Destaque para Furnas, responsável por 19% do abastecimento e 20% da transmissão da energia gerada por Itaipu. São assim 39% do mercado.

Ao que se refere à privatização através da compra de ações na Bovespa fica claro que não existe concretamente injeção de capital porque as ações são de propriedade das empresas que as adquiriram e que podem negociá-las a qualquer momento. O Ministério da Economia considera a operação necessária para que se realizem flexibilizações societárias.

APROVEITAMENTO – Outro ponto vetado foi o que permitia que empregados que vierem a ser demitidos no primeiro ano após a privatização deveriam ser aproveitados em outras estatais. A explicação foi de que violaria o princípio do concurso público e criaria incentivos indesejados. Falso.

Muitos dos funcionários de Furnas, da Chesf, da EletroNorte e EletroSul já foram admitidos através de concursos e outros são bastante anteriores à Constituição de 1988, admitidos dessa forma pela CLT. Aliás, a CLT é o regime aplicado a todos os empregados da Eletrobras. Há dirigentes da holding que ocupam cargos comissionados.

Completando o cardápio de vetos, acrescenta-se aquele que veta a obrigação de licença ambiental para a construção de linhas de transmissão, a exemplo do trecho Manaus-Boa Vista. A dispensa de licença ambiental abre caminho, como ficou patente na administração Ricardo Salles, a empreendimentos que se encontrem incluídos em áreas nas quais vierem a ser implantadas linhas de transmissão. Grande parte das obras previstas nos últimos cinco anos não foram realizadas, prevalecendo ou uma questão de falta de recursos financeiros ou de pura e simples inércia e incompetência.

REFORMA TRIBUTÁRIA – O relator da reforma tributária na Câmara Federal, deputado Celso Sabino, incluiu em seu relatório a extinção do vale-alimentação que as empresas, inclusive as estatais, destinam aos seus empregados.

A Associação Brasileiras de Empresas de Benefícios ao Trabalhador, entre as quais a Sodexo, Ticket e Alelo já começaram a protestar, mas na minha opinião, o protesto maior será o dos próprios trabalhadores pela perda de um direito instituído em uma lei de 1976. Existem dois tipos de vale, o que é aceito pelos restaurantes e o que permite a aquisição de produtos nos supermercados. É incrível que um deputado possa ter uma iniciativa dessa ordem.

MEIO AMBIENTE –  Renato Grandelle, O Globo, é o autor de uma reportagem, edição de ontem, revelando para perplexidade geral que o Ibama no momento só conta com 27% do número de servidores necessário para fiscalizar o desmatamento, a grilagem e os incêndios provocados na região amazônica e no Pantanal de Mato grosso.

Para Denis Rivas, presidente da Associação Nacional dos Servidores da Carreira de Especialista em Meio Ambiente (Ascema), a um processo de desmonte do Ibama e do crescimento do enorme abate de árvores cujos troncos são negociados tanto no Brasil quanto através de exportações para outros países.

RACISMO – Torcedores ingleses inconformados com a derrota na final da Eurocopa para a Itália, em um atentado social, fixaram cartazes e fizeram caminhadas pelas ruas de Londres culpando Rashford, Sancho e Saka como responsáveis pela derrota do país.

O grande culpado da derrota foi o treinador inglês que colocou Rashford, Sancho e Saka em campo no final da prorrogação com a tarefa de bater os pênaltis. Um erro foi observado também por William Bonner no final do JN de segunda-feira. Os três atletas estavam frios, distantes do ritmo da partida. Por ação tácita foi atribuída a eles uma missão que abalaria o sistema nervoso de qualquer um. Foi o que aconteceu. Se parte da torcida inglesa desejava culpar alguém, que culpasse o técnico e não os atletas.

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