Publicado em 11 de julho de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Jota A. (portalodia.com.br)
Pedro do Coutto
Se as eleições de 2022 fossem hoje, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva venceria disparado, inclusive no primeiro turno. Ele tem 46% das intenções de voto contra 25% de Bolsonaro, 8% de João Dória, além de outros pré-candidatos com menores percentuais. Eu disse que venceria no primeiro turno porque o número de eleitores dispostos a votar branco ou nulo é de 10%.
Desta forma, 90% passa ser igual a 100%, e assim 46% representa nitidamente a maioria absoluta desenhada no momento, ultrapassando até por um ponto a margem necessária para decidir a sucessão presidencial, sem a necessidade de segunda convocação às urnas.
SIMULAÇÃO – Feita uma simulação para o segundo turno entre Lula e Bolsonaro, o petista teria 58% contra apenas 31% do atual presidente. O quadro parece irreversível, pois a cada momento Bolsonaro perde cada vez mais apoio popular. A curva dos índices de aprovação, sobretudo de um ano para cá, assinala a tendência declinante do chefe do Executivo. Enquanto isso, Lula recuperou os seus direitos políticos e está pronto para uma jornada que se apresenta bastante favorável. Já Bolsonaro não tem um projeto construtivo sequer.
O Globo, em editorial neste sábado, assinalou um ponto importante: o destempero verbal de Bolsonaro. Como na antiga frase em política, “as palavras pesadas impedem o voo das ideias leves e importantes para se governar um páis”. A linguagem de Bolsonaro é bastante negativa para quem necessita de integração com a opinião pública.
O Datafolha fotografou uma realidade que toma conta do país, a incompatibilidade de Jair Bolsonaro com o próprio eleitorado. Os atos que causaram o seu declínio foram produzidos por ele mesmo. Suas atitudes, suas palavras, sua oposição à vacina, à máscara e ao distanciamento, suas acusações infundadas e ofensas sem cabimento.
DESASTRE TOTAL – Todos esses fatos somados resultaram nas perspectivas apresentadas pelos levantamentos. A psicologia de Bolsonaro é, sem dúvida, um fato marcante na vida política brasileira. Um desastre total e absoluto. Bolsonaro implodiu a si próprio e é quase o único responsável pela sua própria queda.
Na tarde de sábado, o jornal da TV Globo noticiou uma nova pesquisa do Datafolha, sobre como o eleitorado avalia a iniciativa de aprovar o impeachment contra Bolsonaro. Há meses atrás havia uma rejeição do impedimento de 52% a 48%. Isso em maio. Agora, no início de julho, a situação mudou, já que 52% são favoráveis ao impeachment, 42% contrários e 6% não responderam.
Os ventos, como na peça de Júlio César, de Shakespeare, estão voltados contra Bolsonaro, deixando claro que ele é o maior opositor de si mesmo. Um golpe que o tornasse imperador do Brasil está fora de cogitação.