Publicado em 7 de janeiro de 2021 por Tribuna da Internet

Através das redes sociais, Trump incentivou os invasores
Deu em O Globo
Algumas das principais plataformas de mídia digital tomaram medidas inéditas para restringir a circulação de vídeos e mensagens publicados por Donald Trump com teor favorável aos invasores do Congresso dos Estados Unidos nesta quarta-feira, apagando conteúdo produzido pelo presidente. À noite, o Twitter, rede social preferida de Trump, o baniu por 12 horas, até ele excluir por conta própria conteúdo considerado de incitação à violência.
Ao longo de todo o dia, Trump emitiu mensagens simpáticas aos manifestantes. Mesmo quando gravou um vídeo os pedindo para irem para casa, disse que “os amava” e eles eram “muito especiais”.
AMOR E PAZ – À noite, Trump disse em um tuíte: “Estas são as coisas e eventos que acontecem quando uma vitória eleitoral esmagadora e sagrada é e cruelmente, sem cerimônia alguma, retirada de grandes patriotas que foram mal e injustamente tratados por tanto tempo. Vá para casa com amor e em paz. Lembre-se deste dia para sempre!“.
Inicialmente, o Twitter restringiu as interações com as mensagens rotuladas como incitadoras da violência, impedindo que fossem retransmitidas ou tivessem respostas.
Mais tarde, a rede social simplesmente apagou a mensagem de Trump, somando ao todo três exclusões. Pouco depois, a rede social o proibiu de postar por 12 horas.
TEM DE DELETAR – Em uma série de mensagens, o Twitter disse que Trump, ao contrário do público, ainda pode ter acesso às mensagens. Para voltar a poder postar em sua conta, no entanto, ele precisa deletá-las, ou então permanecerá banido. Caso Trump volte a postar conteúdo considerado de incitação à violência, o Twitter disse que o banirá definitivamente.
“Como resultado da situação violenta sem precedentes e contínua em Washington, exigimos a remoção de três tuítes que foram postados hoje por violações repetidas e graves de nossa política de integridade cívica. Você não pode usar os serviços do Twitter com a finalidade de manipular ou interferir em eleições ou outros processos cívicos. Por isso, ficará bloqueado por 12 horas até a remoção desses tuítes. Se os tuítes não forem removidos, a conta permanecerá bloqueada. Futuras violações das regras do Twitter, incluindo nossas políticas de Integridade Cívica ou Ameaças Violentas, resultarão na suspensão permanente do serviço”, disse o Twitter, em uma série de mensagens.
EM TEMPO REAL – A rede social acrescentou que “continuaremos avaliando a situação em tempo real, incluindo o exame da atividade no terreno e as declarações feitas no Twitter. Manteremos o público informado, inclusive se for necessária uma escalação adicional em nossa abordagem de aplicação”.
Uma das mensagens apagadas foi um vídeo, também deletado por Facebook e o YouTube, no qual o presidente tentava deslegitimar o resultado da eleição presidencial depois que seus apoiadores invadiram o Capitólio dos Estados Unidos.
No vídeo, Trump pediu para os manifestantes voltarem para casa, mas insistiu na teoria falsa de que a eleição foi roubada, e manifestou grande empatia pelos manifestantes, dizendo que são “muito especiais”.
“ELEIÇÃO ROUBADA” – “Eu entendo a sua dor, eu entendo a sua dor. Tivemos uma eleição que foi roubada de nós. Foi uma vitória esmagadora e todos sabem disso, especialmente o outro lado” — disse Trump. “Mas você tem que ir para casa agora. Precisamos ter paz. Temos que ter lei e ordem”.
Trump culpou seus adversários pela violência, e declarou amor àqueles que invadiram o Capitólio:
“Não podemos fazer o jogo dessas pessoas. Precisamos ter paz. Então vá para casa. Nós te amamos; vocês são muito especiais”.
FACE E INSTAGRAM – O Facebook, junto com o Instagram, também bloqueou o presidente de suas plataformas por 24 horas.
“Determinamos duas violações de política contra a página do presidente Trump, que resultará em um bloqueio de recursos de 24 horas, o que significa que ele perderá a capacidade de postar na plataforma durante esse tempo”, informou a empresa de comunicação.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Como se vê, Trump é apenas uma espécie de Bolsonaro que fala inglês. (C.N.)