terça-feira, março 05, 2019

Deputados e senadores ignoram eleitor e mantêm seus privilégios e mordomias


Resultado de imagem para mordomias charGESLeo Cavalcanti e Renato SouzaCorreio Braziliense
Se na campanha eleitoral a moralização dos atos parlamentares estava na pauta de 10 entre 10 candidatos, o primeiro mês de mandato dos novos deputados e senadores mostrou que o discurso está distante das promessas. As primeiras movimentações explicitaram pouca ou nenhuma iniciativa para acabar com as mordomias no Congresso — e não são poucas, principalmente comparadas aos direitos dos trabalhadores brasileiros.
O Correio listou prerrogativas de parlamentares que não fazem qualquer sentido para o cidadão comum — e que não têm paralelo com países desenvolvidos e com democracia consolidada. Entre as mordomias, está a ajuda de custo para mudanças, o que representa, sem qualquer sentido, dois salários a mais no início e no fim do mandato.
CHAPA BRANCA – Outro ponto é o uso indiscriminado de carros oficiais pelas autoridades. Apenas no Executivo, em Brasíla mais de 100 pessoas têm direito a um veículo para se deslocar, além do presidente, do vice e dos ministros de Estado. No Legislativo e no Tribunal de Contas da União (TCU), senadores e ministros têm carros à disposição. No Judiciário, se forem considerados todos os tribunais e, mesmo fora do Poder, o Ministério Público, o número sobe de maneira exponencial.
O descalabro no Congresso segue com a aposentadoria especial de parlamentares, 55 assessores, verbas indenizatórias — mesmo com profissionais à disposição na Câmara e no Senado —, apartamentos funcionais e passagens aéreas. Tudo fora do salário de R$ 33,7 mil por mês, em parte do tempo pouco ou nada honrado pelos parlamentares, como ocorreu na semana passada e voltará a se repetir nas próximas quarta, quinta e sexta-feiras.
MUITOS GASTOS – Reportagem do Correio da última sexta-feira mostrou que parlamentares devem queimar R$ 5,5 milhões pelos seis dias não trabalhados, sem considerar os penduricalhos das verbas de gabinete e os custos funcionais. A próxima sessão deliberativa na Câmara está marcada para o dia 12. Neste primeiro mês de trabalho desde a posse dos políticos no parlamento, a principal comissão, a de Constituição e Justiça (CCJ), sequer foi instalada, fazendo com o que a reforma da Previdência não avançasse uma única casa desde que o texto foi anunciado.
A expectativa é a de que, com a volta do Congresso depois do carnaval, as mudanças nas regras de aposentadoria ganhem ainda mais protagonismo, impedindo qualquer avanço de pautas relacionadas à transparência e ao controle de gastos públicos.
“Não existe Estado democrático de direito sem um poder legislativo atuante, mas, para isso, ele não precisa ser gordo, inchado e cheio de privilégios, como é hoje”, diz o senador Reguffe (sem partido-DF), autor dos principais projetos em tramitação para reduzir custos no Congresso.
###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Reguffe é o grande exemplo. Abriu mão da aposentadoria parlamentar, do carro oficial, do plano de saúde e do “direito” de contratar 55 assessores. Seu gabinete tem apenas 12 funcionários e ele dirige seu próprio carro, um minúsculo Fiat Mobi. Como dizia Vinicius de Moraes, se todos fossem iguais a Reguffe, que maravilha viver! (C.N.)

Em destaque

Jaques Wagner virou alvo da PF pelos pagamentos ligados ao Banco Master

Publicado em 18 de junho de 2026 por Tribuna da Internet Facebook Twitter WhatsApp Email PF apura se Master deu apartamento a senador José M...

Mais visitadas