segunda-feira, maio 23, 2011

Gabriel De Angelis/TB

CRISTIANE Felix

A missa dominical deste 22 de maio foi mais do que especial para milhares de pessoas, foi um dia histórico para ficar marcado na memória de fiéis baianos e brasileiros. Até onde os olhos avistassem, viam-se rostos cheios de expectativa pelo momento do anúncio esperado há onze anos. Desde ontem, por determinação do papa Bento XVI, a venerável Irmã Dulce passa a ser chamada Bem-aventurada Dulce dos Pobres.

A cerimônia de beatificação do Anjo Bom da Bahia, realizada no Parque de Exposições de Salvador, foi acompanhada por cerca de 70 mil fiéis de diversas partes do país. A consagração de ontem foi o ponto alto de uma semana intensa de orações e louvores que comemoram mais um passo na busca pela canonização da, agora, beata.

A celebração teve início às 14h com a encenação de Nasce uma Flor, apresentação teatral que relembrou passagens da vida e da obra de Irmã Dulce. No palco, mais de 500 alunos, de seis a quinze anos, do Centro Educacional Santo Antônio (CESA), parte das Obras Sociais Irmã Dulce, dividiram a cena com o padre Antônio Maria, que completou a apresentação artística com músicas bastante conhecidas dos católicos e que foram acompanhadas por um coro de milhares de vozes de fiéis e admiradores da bem-aventurada.

Nem mesmo a chuva, que insistiu em cair durante toda a tarde e início da noite, diminuiu a empolgação dos fiéis que lotaram a estrutura descoberta montada no parque. “A chuva não é nada perto da satisfação de poder presenciar esse momento.

Sou de Penedo, interior de Alagoas, e viajei só para ver de perto a beatificação. Além de ter tido a oportunidade de conhecê-la pessoalmente e, várias vezes, ter recebido sua bênção, tenho uma amiga que recebeu uma graça e estou aqui para agradecer por ela”, contou, emocionada, Ubaldina Silva, de 69 anos.

Por volta das 16h, ao anunciar a entrada da imagem de Nossa Senhora da Conceição da Praia no altar montado para o evento, o padre Antônio Maria cantou a canção Nossa Senhora, de Roberto Carlos, e leu uma mensagem enviada pelo próprio Rei para o momento: “Padre, quando cantar Nossa Senhora, estarei cantando com você. Envio a todos uma saudação especial para este dia tão importante”.

Na plateia, um senhor se destacava entre os demais pela visível alegria e emoção, apesar da aparente idade. “Meu canto é carregado de fé, de amor e de orgulho como eram as ações de Irmã Dulce. Fico muito honrado de tê-la conhecido e, antes mesmo de a nominarem santa, já me considero um devoto”, disse o morador da Ribeira João Assis Tavares, de 60 anos. Além de admiradores anônimos, a plateia da cerimônia estava repleta de políticos baianos como César Borges e Antônio Imbassay, além do ex-governador de São Paulo José Serra.

Lenços e saudação

Logo após a entrada da imagem da Conceição da Praia, por volta das 16h30, lenços brancos estampados com a imagem da beata e levantados pelos fiéis deram as boas-vindas à imagem do Nosso Senhor do Bonfim, colocada no centro do altar da cerimônia.

A entrada da imagem foi acompanhada com emoção pela voluntária mais antiga da Osid, Iraci Lordello, de 75 anos, que foi amiga pessoal de Irmã Dulce e acompanhou todo o desenvolvimento das obras. “Eu lembro do amor e da caridade e sinto muita saudade dela, que era uma pessoa maravilhosa. O maior presente que Deus poderia ter me dado é esse, poder presenciar esse momento, de vê-la beatificada”, disse.

O rito de beatificação que consagrou Irmã Dulce como Bem-aventurada teve início às 17h, com o pedido do arcebispo de Salvador, dom Murilo Krieger, solicitando ao papa Bento XVI a inscrição do nome da religiosa na lista dos santos e beatos da Igreja Católica.

Logo após a leitura da biografia de Irmã Dulce, o cardeal dom Geraldo leu o decreto apostólico do papa inscrevendo Irmã Dulce na lista dos beatos da Igreja. “Que seja chamada de hoje em diante de Bem-aventurada Dulce dos Pobres com sua festa litúrgica fixada no dia 13 de agosto”, dizia o documento lido pelo arcebispo.

Assim, as badaladas de sinos de igreja e, novamente, os lenços brancos hasteados pelos milhares de fiéis foram o anúncio do momento mais emocionante da tarde. Logo após a leitura, no alto do palco foi descerrado o véu que recobria a foto da nova beata. O ato foi acompanhado da entoação do hino da Bem-aventurada Dulce dos Pobres, apresentado por um coral com 206 pessoas que estavam do lado direito do altar.

Ao mesmo tempo, uma procissão solene que tinha à frente a miraculada Cláudia Cristiane Santos Araújo, funcionária pública cuja cura de uma hemorragia foi reconhecida pelo Vaticano como milagre atribuído à intercessão de Irmã Dulce. “Foi o milagre da minha vida e está sendo uma emoção muito grande participar disso tudo. Devo muito a Irmã Dulce”, destacou.

A cerimônia foi encerrada às 19h40 com um agradecimento do arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, dom Murilo Krieger, ao papa Bento XVI pela beatificação da religiosa, que foi seguida por uma queima de fogos que surpreendeu a todos os presentes.

Fonte: Tribuna da Bahia

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