João Luís de Almeida Machado
ditor do portal Planeta Educação e professor universitário
São dois conceitos essenciais para a vida de qualquer cidadão brasileiro: política e educação. Política está no agir e também no não agir; no associar-se e igualmente no não aliar-se; no ato de votar conscientemente, assim como no voto de protesto e na luta pelo direito de não ter que ir às urnas. Nicolau Maquiavel, certamente um dos maiores expoentes do realismo político de todos os tempos, ousou dizer em "O Príncipe", sua obra principal e livro de cabeceira de muitos políticos, inúmeras verdades pensadas e praticadas (praticamente sem exceção) por todos os que freqüentam gabinetes e ante-salas do poder estabelecido. No Brasil, é triste analisarmos dados como os que informam sobre a rejeição do eleitorado aos políticos que investem pesadamente em educação. Pesquisas apontam que cerca de 70% dos prefeitos brasileiros que investiram em educação e, dessa forma, apostaram que os benefícios de uma escola de qualidade podem garantir um amanhã melhor para suas comunidades, não conseguiram se reeleger ou eleger seu sucessor. Por outro lado, 65% dos prefeitos que beneficiaram os moradores com mais vias públicas pavimentadas, obras e/ou benefícios sociais, foram agraciados com novos mandatos ou elegeram seus candidatos à sucessão.
As negociatas na esfera pública acontecem porque a população não se mobiliza, não fiscaliza e não interfere na administração pública. Isso, por sua vez, ocorre pela falta de informação, de esclarecimento e pelo predomínio da ignorância. A pobreza e a dependência da população são cúmplices da corrupção e, certamente, ajudam a alavancar as negociatas que enriquecem inúmeros políticos brasileiros. Não interessa a esses senhores melhorar efetivamente a qualidade da educação brasileira, resultando em uma população mais esclarecida, atuante, crítica e exigente. Qual político, em sã consciência, quer ver a comunidade aferindo as contas públicas e descobrindo desvios de verbas através de compras superfaturadas e de licitações fraudadas em reuniões secretas, regadas a muito vinho importado, com preços impublicáveis para 90% da população brasileira? Temos sido surpreendidos por fatos que demonstram a evolução do país no que tange à sua vida econômica.
Mas não podemos, por esses ganhos, fechar os olhos aos desmandos que cerceiam a cada vez mais pessoas o acesso ao saber proporcionado pela educação e que, todos sabemos, pode garantir ao país um futuro muito mais próspero do que o que se avizinha. Sem educação de qualidade, não há a política, na acepção da palavra, que verdadeiramente desejamos. E a luta contra a corrupção começa nos pequenos atos cotidianos de cada um - não dar propina, respeitar as leis, ter paciência nas filas, votar com consciência, participar da educação dos filhos, cobrar serviços públicos de qualidade.
Fonte: O Tempo (MG)
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