BRASÍLIA - A crise no serviço de informações especiais consolidou no Palácio do Planalto a posição de que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) é necessária e será mantida, mas terá de passar por pelo menos duas mudanças radicais. Primeiro, terá reforçada a infra-estrutura legal e material para cumprir uma política pública definida, devendo até ganhar o direito de fazer monitoramento telefônico.
Em segundo lugar, deve ser renovado o quadro de pessoal, livrando-se da "velha guarda" do extinto Serviço Nacional de Informações (SNI) - nem que seja preciso adotar, à moda das empresas privadas, um plano de demissões voluntárias (PDV) para a turma do antigo Serviço Nacional de Informações.
Um ministro que acompanha a crise faz questão de dizer que "a Abin, em hipótese nenhuma, poderá fazer trabalho de investigação policial". Segundo ele, a inteligência pode até apoiar uma investigação, "mas nunca assumir", pois isso seria desvirtuar a sua função.
De acordo com o ministro, esse é um dos problemas da atual crise gerada pelos agentes da Abin que trabalharam na Operação Satiagraha, da Polícia Federal, e agora estão sob suspeita de terem feito grampos clandestinos. O direito de fazer monitoramente telefônico precisaria ser aprovado pelo Congresso.
No Planalto, o diagnóstico, diante do quadro de quase ausência de regras, é que a Abin, além de boa parte da Polícia Federal, tem pelo menos três categorias, assim descritas por outro assessor do presidente: os "acomodados", os "mercadores" e os "cachorros loucos".
Esse assessor destaca que "os bons profissionais existem em todo o serviço público, também estão na Abin e na PF e querem as mudanças". Acrescenta, porém, que "eles se sentem atemorizados pelos mercadores e pelos cachorros loucos, que já são bem pagos".
Um agente da Abin ganha em torno de R$ 4,5 mil e um oficial, cerca de R$ 9,8 mil. A PF, para cargos de delegado e perito, paga R$ 19 mil, e tem salário inicial de agente, escrivão e papiloscopista na casa dos R$ 6,5 mil.
À falta de uma política que diga claramente quais os objetivos e como eles devem ser alcançados, afirma o mesmo assessor de Lula, os "acomodados" estão "cada vez mais acomodados e ganhando bem", os "mercadores traficam informação sigilosa e ganham dinheiro e os cachorros loucos funcionam como justiceiros que admitem fazer o mal e praticar ilegalidades em nome da idéia de que só eles estão fazendo o bem para a sociedade".
O governo fala na necessidade de "limpar" a Abin dos fantasmas que assombram a agência. Eles somam mais da metade dos cerca de 600 integrantes da atividade-fim da instituição, distribuídos por todos os estados do País - no total, a agência tem 1.600 servidores.
Profissionalização
A profissionalização da Abin começou a ser feita com a elevação dos salários e, na semana passada, com a sanção da lei que definiu o plano de carreira do órgão. Esse é um ponto polêmico dentro do próprio Planalto, pois alguns ministros dizem que o governo está dando poder e estrutura aos órgãos sem dizer o que espera deles.
O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Jorge Armando Félix, a quem a Abin é subordinada, vem preparando as mudanças por determinação do próprio presidente Lula. Nas reuniões, o ministro tem falado na ampliação e efetiva integração do Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin), estreitando a relação da Abin com os demais órgãos do setor.
A reconstituição da agência, depois da pretendida "limpeza", é trabalho para pelo menos mais quatro ou cinco anos, de acordo com a avaliação das próprias autoridades da área.
Fonte: Tribuna da Imprensa
Em destaque
Ministros do STF defendem que Moraes paute redução de pena para soltar Bolsonaro
Ministros do STF defendem que Moraes paute redução de pena para soltar Bolsonaro Lei da Dosimetria foi aprovada em dezembro por deputados ...
Mais visitadas
-
A Corrupção entre o ser e o dever ser (co-authored) Davide Barile 2016, Argumentos - Revista de Filosofia 27 visualizações Ver PDF ▸ S...
-
Pedro Heitor Barros Geraldo A gestão da "Justiça de Proximidade" na França: A análise da política pública judiciária View PDF ▸ ...
-
check_circle PDF available Controle e “desvios de conduta” no Judiciário brasileiro Moisés Lazzaretti Vieira Plural bookmark Bookmark more...
-
Arte: Marcelo Chello Assine agora Hoje foi dia de Renan Santos no JN, BRASEW. Se você nunca parou para escutá-lo, vou resumir: ele propõe ...
-
Manchetes do Dia Por Redação 30/08/2026 às 06:45 Foto: Divulgação Jornais - A Tarde: Famílias lutam em defesa de pessoas com deficiência ...
-
Bilhões em convênios Levantamento do portal Fiscaliza Minas, que busca dados diretamente na base do governo, revela que no período de 14 m...
-
Por Luis Celso(Admin de Comunidade) O levantamento de bastidores sobre a reação da campanha do senador e candidato à Presidência, Flávio Bo...
-
Cordel da Praça do Forró Por José Montalvão Na Praça do nosso Forró, Que nasceu pra alegria, Nem só de sanfona vive, Nem só de dança e fol...