sexta-feira, dezembro 11, 2020

Em novo recorde, segunda onda da Covid-19 mata mais de 3 mil americanos num único dia

Publicado em 10 de dezembro de 2020 por Tribuna da Internet

Coronavírus: 4 fatores que explicam o impacto da covid-19 nos EUA, país com  maior número de infectados e mortos - BBC News Brasil

Inverno fortíssimo agrava a expansão da Covid -19 nos EUA

Deu em O Globo
The New York Times

Pela primeira vez desde o início da pandemia, os Estados Unidos registraram, na quarta-feira, mais de 3 mil mortes por Covid-19. Com recordes de internações e novos casos nas últimas semanas, o país lida com um novo agravamento da pandemia, que não dá indícios de melhora.

Segundo a contagem realizada pela Universidade Johns Hopkins, foram 3.124 mortes em 24 horas — o recorde anterior, registrado no último dia 3, era de 2.879. Apenas na quarta-feira, morreram mais americanos que em 11 de setembro de 2001, quando ocorreu o maior atentado terrorista já realizado em solo americano, e 2.977 pessoas perderam suas vidas.

QUASE 300 MIL – Desde fevereiro, o novo coronavírus já matou um total de 289.373 americanos, mais do que em qualquer outro país. Apenas dois conflitos foram mais letais na História dos EUA, de acordo com os dados do Congresso: a Segunda Guerra, que matou 403,4 mil americanos, e a Guerra Civil, quando morreram ao menos 498 mil pessoas, somando as forças da União e dos estados confederados.

Os números das últimas semanas retratam um panorama mais grave que o da primeira onda. Naquela ocasião, o pico de mortes foi registrado entre abril e maio, quando uma média de 2,2 mil pessoas perdiam suas vidas para a doença, em sua maior parte nos estados de Nova York e Nova Jersey, que eram os epicentros globais da pandemia. Desta vez, o surto atinge grandes partes do país, e a tendência de crescimento das internações é preocupante.

TEXAS E CALIFÓRNIA – O estado que mais registrou novas mortes foi o Texas, com 273 vidas perdidas na quarta-feira, seu maior número desde agosto. Na Califórnia, onde as internações atingiram seu maior número, contabilizaram-se 196 novas mortes. No sábado, o governador Gavin Newsom, anunciou medidas restritivas a grande parte da população do estado na tentativa de deter a propagação do vírus e aliviar as Unidades de Terapia Intensiva.

Já na Pensilvânia, onde foram registradas 220 mortes, o maior número desde maio, o governador Tom Wolf anunciou que foi diagnosticado com a doença.

Os números mais recentes foram divulgados na véspera da reunião de um conselho da FDA, a Anvisa americana, para discutir se recomendarão ou não o uso emergencial da vacina da Pfizer nos EUA. Na segunda, ao apresentar sua equipe de saúde, o presidente eleito Joe Biden voltou a pedir que todos usem máscaras e prometeu aplicar 100 milhões de doses da vacina contra a doença nos seus primeiros 100 dias de governo.

TRUMP FAZ FESTA – Por sua vez, o presidente Donald Trump, que desde o início da pandemia nega a gravidade da situação e desdenha das recomendações das autoridades de saúde, compareceu na noite de quarta-feira a uma festa lotada de Chanucá. Em um vídeo compartilhado na internet, o presidente aparece afirmando erroneamente que ganhou a eleição e que seus esforços legais resultarão em um “milagre”.

Até o momento, nenhum das dezenas de processos abertos pelo presidente e seus aliados conseguiu reverter ou anular sequer um voto. Apesar da cruzada legal ter chances quase nulas de alterar na Justiça o voto popular, Trump e autoridades republicanas de 17 estados deram seu apoio a uma iniciativa do secretário de Justiça do Texas para que a Suprema Corte anule a vitória de Biden, descartando os resultados da Geórgia, Michigan, Pensilvânia e Wisconsin, onde o democrata Joe Biden venceu.

Bolsonaro ignora a realidade, flutua na fantasia e não sabe o que fazer com a Covid-19

Publicado em 11 de dezembro de 2020 por Tribuna da Internet

Bolsonaro e o coronavírus

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Pedro do Coutto

O presidente Jair Bolsonaro surpreendeu os médicos, os infectologistas e aos próprios cientistas, quando afirmou que estamos atravessando o final da pandemia, o que contraria a realidade e provoca uma sensação de perplexidade na opinião pública. O presidente da República e seu governo até hoje não se voltaram para preparar um plano nacional de vacinação. Seu comportamento à  frente do governo é um desastre.

Em todos os países, os governos estão se empenhando em uma luta permanente para iniciar a vacinação, o que comprova a gravidade de um processo cujo impulso assumiu a característica de um ciclone que multiplica as mortes decorrentes do coronavirus.

AO ABANDONO – O Brasil, como acentuei, não tem plano de vacinação. Tanto assim que estamos a espera da vacina entre todas produzidas no planeta. A vacina não tem ideologia política, mas o presidente Bolsonaro depois de dizer que a epidemia estava no final, mobilizou o ministro Pazuello para começar a aplicar a vacina antes do  governador João Dória, que ele identifica como seu adversário nas urnas de 2022.

Como o governador de Sã Paulo marcou o início do processo de imunização, o presidente de repente ficou empenhado consigo mesmo para começar ainda no final deste mês. Mas não é possível minimizar a pandemia e depois correr para suplantar o governador de São Paulo. O fato é que nos dois últimos dias a Covid 19 causou a morte  de cerca de 1000 pessoas, e contaminou dezena de milhares em todo o país. Na minha opinião Bolsonaro não tem capacidade para governar.

FALTA DE VISÃO – Uma prova adicional que acentua a falta de visão do presidente Bolsonaro está no Globo desta quinta-feira, reportagem de Marcelo Correa e Eduardo Campos, publicando afirmações do deputado Rodrigo Maia.

O presidente da Câmara Federal assinalou que o ministro da Economia, Paulo Guedes, diz que o Legislativo precisa votar matérias destinadas a reformas e privatizações, mas não fixou agenda alguma para recuperação econômica e geração de renda.

Maia disse que Guedes não teve qualquer iniciativa para diminuir o desemprego, acrescentando que os projetos que o ministro anuncia como solução ainda não saíram do papel. E agora?

Piada do Ano! Dizendo “preferir” Tereza Cristina, Jefferson garante apoio do PTB a Arthur Lira

Publicado em 11 de dezembro de 2020 por Tribuna da Internet

Mais Piada ! Jefferson disse que não trocará votos por espaço no governo

Gustavo Maia
O Globo

Presidente nacional do PTB, o ex-deputado federal Roberto Jefferson se reuniu na tarde desta quinta-feira, dia 10, com o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, articulador político do Palácio do Planalto, e prometeu o apoio do seu partido ao candidato do presidente Jair Bolsonaro para comandar a Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL).

Jefferson, no entanto, manifestou sua preferência pela candidatura da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, deputada licenciada do DEM-MS, que segundo ele já contaria com a predileção das bancadas ruralista e evangélica, mas foi descartada mês passado por Bolsonaro.

DEFINIÇÃO – O dirigente partidário contou que foi ao encontro de Ramos para apresentar o recém-eleito líder do PTB na Câmara, o deputado federal Nivaldo Albuquerque (AL). E comentou que voltou a tocar no assunto da presidência da Casa, para a qual disse que “o general tem a definição pelo Arthur Lira”.

“E nós reiteramos a ele que o PTB acompanhará o governo Bolsonaro. Pra onde for o governo Bolsonaro na eleição da mesa da Câmara, o PTB irá”, afirmou, segundo questionado se todos os 11 deputados da legenda votarão em Lira. — O voto é secreto, mas a orientação da  liderança e da presidência do PTB é que vote no candidato indicado pelo presidente Jair Messias Bolsonaro — respondeu.

Ainda sobre Lira, que oficializou sua candidatura na quarta-feira, o ex-deputado comentou que “o presidente deseja que seja ele, deve ter algum alinhamento com o presidente”.

“MISSÃO” – Jefferson disse ainda que não vai trocar os votos por espaço no governo, no qual o partido não detém nenhum ministério, porque isso atrapalharia a missão e o objetivo principal: ter Bolsonaro nos quadros do PTB.

Questionado se o PTB vai apoiar qualquer candidato indicado por Bolsonaro, mesmo que não seja Arthur Lira, o presidente da sigla disse que sim apontou que o deputado alagoano será eleito se chegar forte no dia 20 de janeiro. A eleição está marcada para o dia 1º de fevereiro. Mas Jefferson fez uma ponderação:

“Se não, eu penso que surge uma candidatura de saia muito forte. Lá na Câmara, a bancada ruralista, a bancada evangélica fala abertamente na ministra e deputada federal Tereza Cristina. Ela é fortíssima candidata se resolver disputar”, declarou, acrescentando que “adoraria” a sua candidatura.

“CAMBULHADA” – Jefferson destacou que a Câmara nunca foi presidida por uma mulher e comentou que a situação de Lira é “difícil” e ele tem que ir em até o dia 20 para não ser “atropelado”. “Ela pode ser a qualquer momento (a candidata do governo) porque a Casa quer. Se ela não sair candidata, os partidos que são aliados ao presidente Bolsonaro vão votar no Lira. Mas, se ela vier, é uma coisa espontânea, aí vai de cambulhada”.

Segundo Roberto Jefferson, o ministro Luiz Eduardo Ramos informou que ela não quer ser candidata ou sair do ministério para voltar à Câmara dos Deputados. O dirigente partidário fez ainda uma referência indireta às conversas que Lira vem travando com partidos de esquerda para defender a candidatura de Tereza Cristina:

“Ela é uma candidata natural, ela não precisa nem pedir ao PT. Ela não vai pedir ao PT, PCdoB, PSB. Ela consegue agregar muito mais votos. Não precisa nem pedir para a esquerda”, afirmou.

Governo de Trump pode ser considerado a gestão mais corrupta dos Estados Unidos em 240 anos


Trump: (being President) 'Is One of the Great Losers of All Time!' - Daily Candid News

Fotocharge reproduzida do Arquivo Google

Lúcia Guimarães
Folha

Os Estados Unidos têm dois presidentes neste dezembro sombrio. Um ocupante legítimo do cargo, que perdeu a eleição de novembro e estrebucha em transe nas redes sociais, repetindo que é vitorioso, apesar de ter sido derrotado 52 vezes nas ações judiciais que moveu, nas últimas semanas. E o presidente eleito, que ainda não tomou posse, mas faz pronunciamentos diários sobre a pandemia, a economia ou a defesa.

Joe Biden não tem o poder de fato, mas tem a atenção da maioria, no momento em que o país mergulha no pior inverno do último século.

IMPUNIDADE – À medida que a transferência de poder se aproxima, cresce o debate sobre o dilema da impunidade na possivelmente mais corrupta Presidência em 240 anos da República. E a escala da corrupção, na Casa Branca e no gabinete, só será conhecida quando o próximo governo fizer um inventário da ruína que herdar.

É um debate que espera o Brasil, já que o capitão presidente decidiu plagiar a opção pela morte em massa feita pelo ídolo americano que o ignora. O que é mais importante, promover reconciliação, nos escombros de duas Presidências dantescas, ou fazer justiça?

No caso americano, a coleção de provas é farta e deve aumentar. O impeachment é real, passou pela Câmara há um ano e só não removeu o presidente porque o Senado é controlado pelo partido que abriu mão da Constituição.

DEPARTAMENTO DE JUSTIÇA – Biden tem sido cobrado em entrevistas sobre a intenção de levar seu antecessor à Justiça. Conciliador por temperamento, ele tem se livrado da pressão com um argumento irrefutável: o Departamento de Justiça é o único ministério que deve funcionar sem interferência política da Casa Branca, não é uma milícia vingadora. Mas Biden sinaliza também que a prioridade é superar a pandemia, recuperar empregos, cicatrizar as feridas do país.

Na terça-feira (8), um deputado da Luisiana da equipe democrata de transição anunciou que assessora o presidente eleito na criação de um cargo incomum. É uma espécie de embaixada para engajar, não uma nação estrangeira, mas o país dentro do país habitado por conservadores.

Biden se vê como unificador, um papel difícil de conciliar com um cenário em que o atual presidente, seus três filhos mais velhos e múltiplos altos funcionários do atual governo estejam na mira de intimações judiciais.

JUSTIÇA AUTÔNOMA – Mas presidentes americanos não controlam a Justiça de estados e cidades. Trump e família já são alvo de duas investigações. O procurador de Manhattan investiga o presidente por crime de fraude fiscal. A procuradora do estado de Nova York conduz uma investigação civil que também envolve declarações de renda do presidente e pode arrastar a filha Ivanka Trump —até 2016, executiva da empresa da família.

Países que emergem de ditaduras ou traumas nacionais lidam de forma diversa com o acerto de contas. Até hoje, a narrativa oficial americana era a do farol da democracia, apesar da profunda injustiça racial que só começou a ser enfrentada há meio século. Mas o país nunca teve um período de ruptura democrática intenso como o que viveu nos últimos quatro anos. O impulso de justiça e reparação enfrenta a realidade de uma população expressiva que votou por mais quatro anos de Trump.

quinta-feira, dezembro 10, 2020

O pedido de Suplementação do prefeito, sem a participação do povo.

 


Assistindo algumas partes desse vídeo, observei o que falou o vereador Antônio Chaves, que em poucas palavras disse tudo, principalmente a falta de respeito do prefeito para com a Constituição, para com o povo e para com a Câmara.
O prefeito para solicitar essa suplementação tem a obrigação de explicar como e em que irá gastar, e não de última hora, no apagar das luzes, encaminhar para a Câmara homologar e desmentir  tudo que denunciou, assumindo que as denúncias foram de mentirinhas.

O que diz a lei sobre o Orçamento Participativo?

Constituição de 1988 obriga os municípios a adotar como princípio na elaboração das leis orgânicas a “cooperação das associações representativas no planejamento municipal” (artigo 29, inciso XII).

Além disso, o Estatuto da Cidade (Lei 10.257/01), em seu artigo 44, determina que a gestão orçamentária participativa é condição obrigatória para que a Câmara Municipal aprove o Plano Plurianual, a Lei de Diretrizes Orçamentárias e a Lei Orçamentária Anual. O Estatuto da Cidade ainda especifica que a gestão orçamentária participativa deve incluir a realização de debates, audiências e consultas públicas.

A pergunta que faço aos vereadores e principalmente a Antônio Chaves é:

 A Constituição está sendo cumprida?

O Estatuto da Cidade está sendo cumprido?

O prefeito atendeu as convocações da Câmara para esclarecer em que estava sendo gasto o dinheiro do Covid-19?

A merenda escolar, o transporte escolar os valores estão ai na tabela; pergunto a vocês  vereadores, sabem como foram gastos ?




Live sobre o plano odontológico Hapvida

O Brasil precisa promover um grande debate econômico, mas a mídia não demonstra interesse

Publicado em 10 de dezembro de 2020 por Tribuna da Internet

Charge: A cruz do trabalhador - Jornal Midiamax

Charge do Milton Cesar (Arquivo Google)

José Vidal

Concordo com o jornalista e professor Pedro do Coutto, quando diz que o Brasil precisa promover um debate econômico de profundidade, o mais rápido possível. Talvez isso não acorra porque a maioria da população não demonstra ter interesse. Nesse clima, os grandes temas econômicos quase não são colocados na mídia tradicional, inclusive aqui na Tribuna da Internet.

Acho que uma reforma tributária justa e com mudanças verdadeiras seria essencial para nós. Não uma mera maquiagem, como algumas sugestões e propostas que tenho visto.

MEDINDO A INFLAÇÃO – O Brasil opera com vários índices simultâneos para mensurar a inflação. O IPA-M (Índice de Preços por Atacado) representa, ao todo, 60% do IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado), que é conhecido como indexador dos aluguéis. Seu propósito é monitorar os movimentos do comércio atacadista. Também serve para entender e acompanhar as variações que acontecem no varejo.

Outro índice importante é o IPC-M (Índice de Preços ao Consumidor). Seu peso é de 30% para o IGP-M. Sua ideia é bastante parecida com a do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), indexador oficial da inflação no Brasil), porque mede o consumo em diversas áreas: habitação, saúde, vestuário, transporte, etc.

Temos também o  INCC-M (Índice Nacional de Custo da Construção), que tem peso de 10% no IGP-M e sua coleta ocorre em 7 capitais do Brasil. Como o próprio nome já diz, avalia o custo envolvido na construção de moradias, como por exemplo materiais e mão de obra especializada.

PREÇOS EM ALTA – Quem vai ao supermercado nota a escalada de preços. Acho que a inflação ao consumidor só está nesse patamar baixo, porque a demanda está reprimida ou o índice tem algumas variáveis que o distorcem para baixo.

Com o IGP-M nesse nível, logo, logo, o IPCA estará numa escalada. E com os salários reprimidos haverá inflação ascendente sem aumento de demanda e a isso chamamos de estagflação. Espero que não experimentemos tal fenômeno.

COMO FAZER? – O que fazer é o mais fácil de dizer. O difícil é o como fazer. Deveríamos discutir esses temas econômicos. A mídia deveria propor tais discussões, mesmo que a maioria da população nem esteja aí.

Precisamos de um plano econômico de longo prazo, independentemente de personalismos, para não ficarmos sempre na esperança do surgimento de um salvador da pátria.

Senado derruba portaria da Fundação Palmares que excluiu personalidades negras de homenagem

 


Portaria da fundação passou a autorizar apenas honrarias póstumas

Sara Resende
G1 / TV Globo

O Senado aprovou nesta quarta-feira, dia 9, por 69 votos a 3, um projeto que restaura as regras para homenagens da Fundação Palmares, readmitindo a possibilidade de que personalidades negras sejam reconhecidas ainda em vida. Em novembro, uma portaria da Fundação Palmares alterou as regras para seleção e publicação dos nomes e biografias de negros e negras notáveis. A norma passou a admitir apenas homenagens póstumas, ou seja, feitas a pessoas já falecidas.

O projeto que revoga essa alteração ainda será analisado pela Câmara. Se aprovado, vira lei e restaura as regras anteriores – sem passar pela sanção do presidente Jair Bolsonaro. A portaria começou a valer no dia 1º de dezembro. Um dia depois, a fundação excluiu da lista 27 personalidades. Foram apagados da galeria, por exemplo, os nomes de Gilberto Gil, Marina Silva, Elza Soares, Milton Nascimento, Martinho da Vila, Zezé Motta e Leci Brandão.

EXCLUSÃO – Ao ler seu relatório, Fabiano Contarato (Rede-ES) se emocionou ao contar que o colega senador Paulo Paim (PT-RS) também foi excluído. “Nosso nobre colega é notadamente um defensor dos direitos humanos e dos trabalhadores. Foi autor dos projetos que deram origem ao Estatuto do Idoso e ao Estatuto da Igualdade Racial. Também foi coautor do projeto que resultou no Estatuto da Pessoa com Deficiência”, ponderou o relator.

Para Contarato, o presidente da fundação, Sérgio Camargo, vem promovendo “inúmeros ataques à população negra e à luta antirracista” desde que assumiu o cargo na entidade. O parlamentar afirmou que Camargo “demonstrou seu desprezo pelo movimento negro brasileiro, negou o racismo estrutural e a própria violência do racismo”.

Paim classificou a publicação da norma como um “gesto irracional”. De acordo com ele, a portaria “nega a luta de séculos do povo negro” pois retira da lista o nome de 27 abolicionistas. A iniciativa de sustar a portaria foi dos senadores Humberto Costa (PT-PE) e Alessandro Vieira (Cidadania-SE).

CRITÉRIOS – Ainda de acordo com a portaria, outros critérios para a inclusão na lista são: a relevante contribuição histórica no âmbito de sua área de conhecimento ou atuação; os princípios defendidos pelo Estado brasileiro; e outros critérios que poderão ser avaliados, de forma motivada, no momento da indicação.

Pela norma, a diretoria da fundação tem a responsabilidade de aprovar e de rejeitar os nomes. Caso as personalidades escolhidas sejam contestadas, a portaria estabelece que caberá a uma comissão técnica analisar o questionamento dentro de 30 dias, prorrogáveis por igual período.

VOTO CONTRÁRIO –  O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro e responsável por indicar Sérgio Camargo ao comando da Fundação Palmares, declarou voto contrário ao projeto e defendeu a portaria.

Segundo Flávio, a Fundação Palmares definiu um “critério objetivo” com a nova norma. Para o parlamentar, as regras anteriores eram baseadas em um requisito “político-ideológico” para escolha dos homenageados.

ARGUMENTO – “Voto não a esse projeto. É óbvio que todos nós somos contra racismo e abominamos os racistas. O pano de discussão não tem a ver com a cor da pele. Muitos que estão sendo excluídos da lista voltarão algum dia. Quantos negros conservadores ou ditos de direita existem nessa lista? Citem um. Não tem porque o critério sempre foi político-ideológico”, argumentou.

O líder do governo na Casa, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), disse que se viu em uma “situação delicada”. Bezerra avaliou que, como membro do governo, teria de defender a portaria da Fundação. O senador, contudo, orientou pela derrubada da norma, ou seja, a favor do projeto.

“MORALIZAÇÃO” – No dia da publicação da portaria, o presidente da Fundação afirmou que as mudanças visavam “moralizar” a lista de personalidades negras da Fundação. “Assinei hoje portaria que moraliza a lista de personalidades negras da Fundação Palmares. O critério de seleção passa a ser a relevante contribuição histórica. Haverá exclusão de vários nomes. Novas personalidades serão incluídas em razão do mérito e da nobreza de caráter”, disse ele por meio de uma rede social na ocasião.

A Fundação Cultural Palmares foi criada em 1988 para promover a preservação dos valores culturais, sociais e econômicos decorrentes da influência negra na formação da sociedade brasileira. Em junho, em uma reunião gravada, Camargo chamou o movimento negro de “escória maldita”, disse que Zumbi era um “filho da puta que escravizava pretos” e criticou o Dia da Consciência Negra – ele defende um decreto para que a data deixe de ser feriado.

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