terça-feira, abril 19, 2011

A necessidade de o Lula presidir o PT

Carlos Chagas

De que maneira o ex-presidente Lula assumirá, no PT e adjacências, a liderança pelos esforços para a realização da reforma política? Claro que conversando, reunindo, dialogando e ouvindo os companheiros e seus aliados, mas apenas na condição de ex-presidente da República e de presidente de honra do partido?

Na reunião de ontem com parlamentares e líderes petistas, ficou óbvio que muito melhores condições terá o Lula de tocar a reforma política caso aceite a presidência de fato do PT. Senão vago, o lugar encontra-se vazio, com a enfermidade do atual presidente, José Eduardo Dutra. É excepcional a condição de ex-presidente da República, ainda mais popularíssimo, somado à presidência de honra, mas não bastam. Muito mais reforçado ficaria o coordenador da reforma se investido da real presidência da legenda oficial. Nessa condição procuraria os dirigentes dos demais partidos e poderia deslocar-se pelo país, freqüentando ainda corredores e gabinetes do Congresso. Reforçaria o diálogo.

Por enquanto o Lula hesita em assumir de direito o que já exerce de fato, o comando do PT. Tem ouvido que em nada essa condição lhe tolheria os passos de conferencista internacional. Bastaria encontrar um vice-presidente ou um secretário-geral disposto a carregar o piano, ou seja, a cuidar do varejo das montagens e sequelas municipais e paroquiais. Não se trata de encontrar títulos e honrarias para dialogar com Dilma Rousseff, pois o relacionamento entre eles supera de muito as nomenclaturas. Mas para a economia interna do PT e o entendimento com os demais partidos, torna-se importante que se apresente com a formalidade.

A reforma política será pesada. Uma guerra, tendo em vista as divergências já verificadas na Câmara e no Senado. O próprio PT não apresenta unanimidade, ainda que sua maioria parlamentar apóie as duas propostas mais a gosto do Lula: o financiamento público das campanhas e a votação em listas partidárias para deputado, quer dizer, a proibição do voto fulanizado. Há forte resistência em outras bancadas, a começar pelo PMDB, quanto ao voto na legenda. Da mesma forma, a equipe econômica do governo torce o nariz para gastar dinheiro público bancando a eleição de políticos. Para não falar na suposta opinião pública. Como o ex-presidente sustenta essas duas mudanças, entre outras, precisaria entrar blindado nas negociações. Nada melhor do que entrar nelas com a presidência do PT de estandarte.

BRINDANDO COM FOGO

Nunca será demais repetir que o MST foi dos mais importantes movimentos criados no país nas últimas décadas. Exprimiu, e ainda exprime, um anseio real da sociedade excluída, um grito de revolta contra o regime da propriedade rural e, sem a menor dúvida, uma alavanca para o desenvolvimento e a justiça social.

Feito o óbvio reconhecimento, deve-se passar ao reverso da medalha. Radicalismo nada tem a ver com firmeza. Ocupar terras improdutivas é um dever, mas invadir fazendas que vem produzindo, um exagero descabido. Neste mês de abril já são mais de 150 as propriedades invadidas. Quantas se incluem no rol daquelas utilizadas para a especulação e a ganância dos donos da terra? Nem a metade.

Um dia desses fatalmente acontecerá a tragédia. Ou as milícias organizadas por fazendeiros extrapolarão de suas já duvidosas atribuições ou um grupo mais fanatizado do MST se encarregará de produzir vítimas. Sem esquecer as polícias militares estaduais, de reconhecida truculência. Será acender o pavio da luta no campo, com trágicas consequências para todos, a começar pelo governo federal, incapaz de escudar-se por mais tempo no dispositivo constitucional de que a manutenção da ordem cabe aos estados. Também cabe à União, em especial se os estados mostram-se incapazes de cumprir seus deveres.

TODO CUIDADO É POUCO

O Congresso iniciou ontem uma semana de pouco trabalho mas, contrariando as expectativas, muita fofoca. Ocupou conversas e reações variadas o episódio da cassação da carteira de motorista do senador Aécio Neves, mais a discutida versão de que se teria negado a fazer o teste do bafômetro. Trata-se da imagem que todo político deve manter a qualquer custo, ainda mais em se tratando de um candidato à presidência da República.
Não há nada contra ao fato de o ex-governador de Minas, solteiro, haver tomado uma taça de vinho e de estar trafegando com a namorada, altas horas, num dos mais movimentados bairros da zona sul do Rio. O diabo foi estar vencida sua carta de dirigir. Além da versão de ter rejeitado o teste da ingestão de álcool. Isso uma semana depois de pronunciar um dos mais importantes discursos oposicionistas do ano, quando permaneceu mais de seis horas na tribuna do Senado, recebendo homenagens variadas. Imagine-se a reação de fato de seus concorrentes, ainda que apenas mensagens de solidariedade estejam chegando ao seu gabinete.

FUSÃO IMPOSSÍVEL

Não há hipótese de PSDB e DEM se unirem numa só legenda. Primeiro porque os tucanos aceitariam apenas a adesão, dada a desproporção de contingentes. Depois porque os democratas perderiam a independência. A hipotética fusão determinaria uma diáspora monumental em seus quadros. Menos da metade de seus parlamentares e líderes estaduais e municipais admitiriam ficar sob a tutela dos atuais aliados. Boa parte, até, encontraria no episódio o pretexto para aderir ao governo.

Quanto ao PSD de Gilberto Kassab, já vem recebendo o apelido de “Partido Conceição”, aquele que se subiu, ninguém sabe, ninguém viu…

Fonte: Tribuna da Imprensa

Diálogo com o comentarista Carlos Frederico Alverga sobre a Comissão da Verdade e a insistência em punir quem não pode ser mais punido.

Carlos Newton

O comentarista Carlos Frederico Alverga mandou importante colaboração ao debate sobre a chamada Comissão da Verdade. Com muita clareza, maturidade e pertinência, Alverga dá sua opinião sobre a tese somente agora esposada publicamente pelo criador da Comissão, o ex-ministro dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi.

Como foi publicado aqui no blog, em recente entrevista concedida em Washington D.C., Vannuchi disse que, apesar da retirada do termo “justiça” do nome da comissão, será possível “a punição de torturadores” considerados culpados. “Não é preciso jogar torturadores para morrerem no cárcere, é possível encontrar penas alternativas”, acrescentou o criador da Comissão.

Então, vamos passar ao comentário de Alverga:

“Não tive acesso ao texto do projeto de lei que institui a Comissão da Verdade. A informação que tinha, obtida na leitura de artigo de Paulo Sérgio Pinheiro na Folha de São Paulo, é a de que a atuação da Comissão não teria qualquer relação com punição aos torturadores. O objetivo seria o de viabilizar a abertura dos arquivos, os quais já devem ter sido incinerados na sua maior parte, e o acesso das famílias dos desaparecidos à localização dos corpos de seus entes queridos. Sou absolutamente favorável a esses dois propósitos.

Sou obrigado a concordar com o Newton quando ele escreve que, para que houvesse alguma conotação punitiva nessa Comissão, esta teria que contemplar a punição aos atos criminosos da guerrilha urbana, o que incluiria a punição dos responsáveis pelo atentado ao Aeroporto dos Guararapes em 66, pelo assassinato de Mário Kozel Filho em março de 68, no atentado ao 2º Exército, pelo assassinato de Alberto Mendes Júnior por Lamarca em 70 no Vale do Ribeira e pelos seqüestros dos embaixadores em 69 e 70.

O STF, suprema corte brasileira, já decidiu pela constitucionalidade da Lei da Anistia que, inequivocamente, foi bilateral, abrangendo torturados e torturadores. Além disso, para que o tratamento seja isonômico, é necessário que haja representante das Forças Armadas na referida Comissão.

Outro fato que inviabiliza, do ponto de vista do Direito Penal, a punição tanto a uns quanto a outros é que os crimes todos já prescreveram e não procede a argumentação de que a tortura é crime imprescritível, porque isto passou a vigorar a partir da Constituição de 88, e todos os delitos cometidos tanto por uns quanto por outros o foram antes do início da vigência da atual Carta Política e, além disso, conforme a mesma Constituição de 88, no seu artigo 5º, inciso XL,”a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu;”.

Fico à vontade para escrever sobre esse assunto porque meu tio passou quase nove anos preso por ter participado dos seqüestros dos embaixadores alemão e suíço, em 70, tendo sido condenado a duas sentenças de prisão perpétua, indo, inclusive visitá-lo na prisão.

Também é importante recordar a história. O projeto de anistia proposto pelo MDB de Ulysses Guimarães não incluía os exilados (Brizola, Arraes, Julião…); foi o projeto do Governo do Figueiredo que incluiu os exilados na anistia, depois que o Figueiredo disse que “lugar de brasileiro é no Brasil”. O MDB temia a concorrência política que Brizola, Julião e outros exilados poderiam fazer à oposição consentida do MDB em futuras eleições. Além disso, o projeto original da lei da anistia do MDB não contemplava os envolvidos nos seqüestros de embaixadores nem nos outros delitos acima mencionados.

Tanto isso é verdade que a 1ª anistia foi em setembro de 79, abrangendo os exilados e a 2ª foi em novembro de 79, atingindo os responsáveis pelos crimes acima aludidos. Para terminar, dois pontos:

1º – É importante que se diga que os guerrilheiros não lutaram pela democracia, lutaram para implantar no Brasil uma ditadura comunista, o que se explica pela conjuntura da época, não se podendo analisar esses fatos baseado nos parâmetros atuais;

2º- O Presidente Lula tomou medidas concretas para reparar também as vítimas do terrorismo de esquerda, concedendo pensão vitalícia, por exemplo, por Decreto, em 2.003, à família de Mário Kozel Filho, assassinado em março de 68 no atentado da VPR contra o QG do 2º Exército em SP.”

Fonte: Tribuna da Imprensa

Paulo Afonso entra na rota dos destinos turísticos da Bahia

O Ministério do Turismo vai incorporar mais 50 cidades como roteiros turísticos no Brasil. Paulo Afonso é uma delas. Com essa inclusão, aumenta para 115 o número de destinos turísticos no País e, na Bahia, juntamente com Itacaré e Cairú, oito. Esses municípios serão priorizados com ações do MTur, dentro do Programa Roteiros do Brasil .

Em 2007, o ministério indicou 65 cidades como destinos indutores do desenvolvimento. Em 2010, elas receberam visita de técnicos da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que avalia as qualidades e defeitos de cada uma. Depois disso foi feito um Estudo de Competitividade e criado um Projeto de Gestão e Planejamento dos Destinos Turísticos.

Segundo Rose Oliveira, da Bahiatursa, responsável pela Regionalização do Turismo na Bahia, entre os aspectos avaliados estão a economia local, atrativos turísticos, marketing, promoção e aspectos ambientais. Após a avaliação da FGV, o Instituto Marca Brasil, segundo parceiro do ministério, é que fica responsável pelo progresso do projeto. “Os destinos contemplados terão grande visibilidade internacional, com divulgação nas principais revistas de turismo do mundo”.

Em encontro realizado nos dias 7 e 8 deste mês, em Paulo Afonso, um representante do Instituto e de diversos segmentos turísticos como a Bahiatursa, o Sebrae, o Senac, a Setur, prefeitura local, Chesf, Associação de Guias, Hotelaria, Gastronomia e agências de viagens, se reuniram para discutir a continuidade dos objetivos traçados previamente.
Fonte: Tribuna da Bahia

Bisavô de 87 anos será pai de novo

Marcelle Souza
do Agora

Aos 87 anos, o aposentado Ítalo Albizzati será pai nos próximos meses. Ele já tem filhos, netos e bisnetos. Sua mulher, Janete da Silva Pinheiro, 51 anos, está no terceiro mês de gravidez e espera gêmeos.

Diante da idade do casal, que mora no Rio de Janeiro, a gestação só foi possível após uma fertilização "in vitro". Janete engravidou na segunda tentativa.

"Apesar dele ter 87 anos, o que dificultou a gravidez foi a idade dela. Isso porque o homem continua produzindo espermatozoides, já a mulher tem um limite reprodutivo e, a partir dos 35 anos, tem dificuldade de engravidar", diz o médico João Auler, especialista em medicina reprodutiva e diretor da clínica Pró Nascer.

Leia esta reportagem completa na edição impressa do Agora nesta terça

Fotos do dia

A modelo Julia Schmitt é uma das beldades do site Bella da Semana Familiares no enterro de aposentada morta após briga Alunos são vistos na saída do 1º dia de retorno à escola municipal Tasso da Silveira, no Rio
Estudantes se abraçam na volta à escola alvo de ataque em Realengo Santistas fazem fila para comprar ingressos no Pacaembu para jogo da Libertadores Ganso, Neymar e Elano descansam durante treino do Santos no CT Rei Pelé

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Aposentado deve provar cálculo melhor para entrar na Justiça

Ana Magalhães
do Agora

O segurado que deseja entrar com uma ação pedindo a revisão de um pagamento previdenciário com base na lógica do melhor benefício deve apresentar os cálculos que comprovem a vantagem. O melhor benefício pode garantir um aumento ao segurado que reuniu condições de se aposentar, mas demorou para fazer o pedido e foi prejudicado por novas regras.

Um aposentado de 1991 entrou com uma ação na Justiça pedindo que a sua aposentadoria fosse recalculada de acordo com as regras de 1989. Ele não apresentou os cálculos de qual seria o valor da sua aposentadoria antes de 1989, quando houve mudanças nas regras previdenciárias que reduziram de 20 para dez mínimos o valor do teto previdenciário.

A AGU (Advocacia-Geral da Presidência), órgão que defende o INSS na Justiça, recorreu, argumentando que nem o próprio segurado sabia se o que pedia era mais vantajoso. A 14ª Vara da Justiça da Bahia concordou com o argumento da AGU e negou o pedido de revisão.

Leia esta reportagem completa na edição impressa do Agora nesta terça,

16.500 receberão atrasados acima de R$ 28 mil

Ana Magalhães
do Agora

Em São Paulo e no Mato Grosso do Sul, cerca de 16,5 mil segurados do INSS que ganharam uma ação previdenciária na Justiça receberão, em maio, atrasados com valor superior a R$ 27.900. Esses dois Estados são atendidos pelo TRF 3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região), órgão responsável por depositar a grana na conta do beneficiário ou de seu advogado.

No país, 61.165 segurados do INSS dividirão R$ 2,9 bilhões. Cada um receberá, em média, R$ 47.539.

O segurado que poderá sacar a bolada em maio precisa ter ganho a ação de maneira definitiva --ou seja, não pode haver chances de o INSS recorrer da decisão. Além disso, é preciso ter tido a ordem de pagamento --nesse caso, o precatório-- emitida entre 30 de junho de 2009 e 1º de julho de 2010. Quem teve o precatório solicitado depois disso receberá em 2012.

Leia esta reportagem completa na edição impressa do Agora nesta terça

segunda-feira, abril 18, 2011

''Pobres não são petistas, são governistas''

Deputada Estadual Cidinha Campos fala sobre os ladroes da ALERJ_ princip...



HOMENS DE MINHA TERRA(Jeremoabo-Bahia), SINTAM-SE ENVERGONHADOS E CRIEM PEITO COMO O DESTA MULHER???

O porre do Aécio

Um Dia a Casa Cai - Dublado - Trecho 4/8



Tentando traduzir matéria de Cristina Fam intitulada “ Árvore Torturada”

Como atualmente estou residindo noutra cidade e não em Jeremoabo, constantemente estou apelando para os artigos da Cristina para traduzir o que acontece em Jeremoabo, já que a articuladora gosta de informar indiretamente.

Diz a mesma:

Grita arvore noite e dia, chora desesperada observa suas irmãs sendo decepada, mutilada, desgalhada, desfolhada; o homem joga a escada na calçada, mais tarde volta para cortá-la; quem poderá conter essa tortura?

Tive a oportunidade de passar por Jeremoabo nesse final de semana e observei a barbaridade que praticam contra as indefesas árvores, no mínimo coisa de incompetente, não que executa, mais quem determina.

“Nas cidades civilizadas arvore é de interesse publico; arvore é para fazer sombra, dar abrigo a passarada, colorindo com suas flores exóticas; seus frutos; quem ama planta, rega; arvore é para ser contemplada; o velho, a criança, o estudante sentado embaixo da sua copa; oxigênio renovado; as flores na primavera; o cheiro delicioso da seiva; é quem regula as chuvas, retira à poluição do ar, o vento sopra nas folhas avisa as estações; inspira canções.”

Aqui eu deixo sem comentários, pois a autora já foi explicita quando disse: “nas cidades civilizadas”, que não parece ser o caso de Jeremoabo.

“A PODA MUTILA as arvores; quanta insensibilidade, quanta ignorância dos homens da cidade; selvagens, arcaicos seres agridem a natureza com seu machado, facão, quando não a serra mutilando arvores da minha cidade; poucas restam; parem com a agressão ao sertão tão sofrido pela seca; nem pensar em reflorestamento, por aqui homens plantam a corrupção que tem dado frutos.”

Neste item, a autora acertou em cheio na mosca quando diz: “por aqui homens plantam a corrupção que tem dado frutos, apenas eu acrescentaria: ELES PLANTAM.

“Deve existir alguma arvores que cure estupidez, ignorâncias do povo rude desta terra; se encontrar tal semente e jogar no solo regado com sangue inocente do padre espancado; o rio Vermelho há de molhar a nova semente, perdoando a maldição aqui jogada.”

Terreno ruim nada produz, principalmente num terreno amaldiçoado pelos capuchinhos(com essas sementes podres que estão sendo plantadas, é de se esperar o que?)

Nada é novo quem se lembra dos sítios da Corrente, da Espaduada, do Rumão; cadê a conscientização de preservar a natureza, por aqui tudo é feito nas coxas; até sinalização de transito, ora mão ora contramão. E a rua dos bairros sem sinalização, também virou piada de botequim, ninguém obedece à piada contada e aplicada no bolso do contribuinte.”

Por falar em Espaduada e feito nas coxas, fizerem uma interdição de mentirinha concernente ao Casarão e terrenos da mansão do coronel, e logo que conseguiram enganar mais uma vez o povo, não fizeram nas coxas, mas “abriram as coxas..

Quanto a sinalização do transito em “Jeremoabo city, fizeram apenas um “samba do crioulo doido”ou então um verdadeiro “balaio de gatos”, só eles entendem, mas numa cidade onde o “prefeito é virtual”, é de se esperar o que ?

Em nome do “desenvolvimento” sem nenhum projeto cresce desordenada a cidade sitio abaixo, nem uma arvore foi plantada depois que os pomares foram destruídos. Quando os ventos soprarem castigando esse povo pagão; vai voar muita gente; nenhuma arvore foi plantada para guardar a cidade mutilada.

A destruição bem localizada na PODA MUTILADA das arvores da cidade.”

Ao encerrar a autora atirou no que viu, e matou o que não viu quando diz: “. Quando os ventos soprarem castigando esse povo pagão; vai voar muita gente;”


Tudo indica que irá voar mesmo, pois a PF já está apurando as trambicagens denunciadas pela ONG-Transparência Jeremoabo




Roger Abdelmassih usa habeas corpus de Gilmar Mendes para fugir do país

Por Redação – de São Paulo
Abdelmassih

O médico Roger Abdelmassih foi condenado a mais de 200 anos de prisão

O médico Roger Abdelmassih, condenado a 278 anos de prisão, pode ter aproveitado o habeas corpus concedido no Supremo Tribunal Federal (STF), de acordo com parecer favorável do ministro Gilmar Dantas, e fugido do país. Abdelmassih foi julgado culpado por estupros em série às suas vítimas, mas não respondeu ainda às acusações de manipulação genética. Considerado como foragido há duas semanas, Roger Abdelmassih deixou a prisão em 2009, por força da medida acatada na Suprema Corte do país.

As investigações acerca dos crimes cometidos por Abdelmassih começaram em 2008, quando ex-pacientes procuraram um grupo especial do Ministério Público para denunciar os crimes sexuais cometidos pelo médico, que estuprou e violentou mulheres com idades entre 30 e 45 anos, de vários Estados do país. Mais de 200 pessoas foram ouvidas no processo. Entre elas, 130 testemunhas de defesa e 35 mulheres que relataram os ataques sexuais de Abdelmassih na clínica mantida em uma região nobre da capital paulista. Algumas afirmam ter sofrido abusos sexuais mais de uma vez. Roger Abdelmassih chegou a ficar preso durante um curto período, entre 17 de agosto a 24 de dezembro de 2009, quando foi beneficiado por um gesto do então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, que lhe concedeu o direito de responder o processo em liberdade.

Outro habeas corpus famoso é o do ministro Marco Aurélio de Mello, que liberou o banqueiro Salvatore Caciolla e, em seguida, disse que Caciolla tinha mesmo todo o direito de fugir para a Itália. Caciolla, no entanto, foi preso novamente, no principado de Mônaco, por pressão do delegado Romeu Tuma Jr., que à época ocupava um posto de destaque no Ministério da Justiça.

Um dos países para o qual Abdelmassih pode ter fugido é o Líbano, que não mantêm laços diplomáticos com o Brasil suficientes para garantir a extradição do condenado. Dono de uma fortuna relevante, Rober Abdelmassih tem origens libanesas e dispõe de recursos suficientes para montar uma rede de proteção nos meios governamentais daquele país.

Fonte: correiodobrasil

Advogado afirma que 20 homens saíram para matar Floro Calheiros

Advogado afirma que 20 homens saíram para matar Floro Calheiros

O advogado de Floro Calheiros, Evaldo Campos, afirmou que já estava esperando o anúncio da morte de Floro Calheiros. Segundo ele, 20 homens saíram de Sergipe com a missão de matar Floro.

"Após o adiamento do julgamento dele sobre o caso Motinha, soube que 20 homens saíram de Sergipe com a missão de matá-lo. Procurei João Eloy, e ele afirmou que não duvida disso. O secretário é homem digno, mas ele não pode controlar tudo", denuncia Evaldo Campos.

Evaldo afirma, ainda, que acredita na inocência de Floro Calheiros. "Sei que ele não é santo, mas não é o monstro que pintam. Fazem de tudo para manchá-lo, denegrir sua imagem e de sua família".

Luto

"Na manhã deste domingo liguei para irmã dele, Francisca Calheiros, ela me confirmou a morte de Floro. Só deu para chorar-mos juntos. O Floro é um homem de palavra, justo que está sendo acusado injustamente".

Futuro

"Vai deixar saudades. O Floro é um homem bom. Temo que essa atrocidade não tenha acabado. Finalmente eles conseguiram. Espero que a justiça seja feita, mesmo com sua morte, a sociedade precisa saber da justiça a comprovação de seus crimes, como ele é inocente, eles precisam limpar o nome de Floro".



Fonte: Em Sergipe.COM

Onyx: “Plebiscito de Sarney é oportunista e hipócrita"

Defensor ferrenho do direito do cidadão ter arma de fogo, deputado gaúcho lembra que população já foi consultada sobre o tema e disse 'não' ao desarmamento

DEM
Contrario à ideia do desarmamento, Onyx Lorenzoni classifica de oportunista ideia de Sarney de fazer novo plebiscito sobre o tema

Fábio Góis

Empunhadas por um psicopata, duas armas compradas ilegalmente provocaram uma chacina em uma escola municipal de Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro, no último dia 7. Os revólveres foram manuseados pelo ex-aluno Wellington Menezes (23), que não tinha porte de arma e foi diagnosticado como esquizofrênico. O episódio resultou em 12 mortes, entre crianças e adolescentes, além de vários feridos. Naquele dia, a comoção nacional que se seguiu à tragédia refletiu no Congresso, e suscitou as mais diversas reações. Entre elas, o projeto de decreto legislativo que, anunciado no início da semana passada e encabeçado pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), visa promover um novo plebiscito sobre a comercialização de armas de fogo (o assunto já foi tema de um plebiscito e, na ocasião, os eleitores disseram 'não' à proposta de desarmamento).

O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) é um membro declarado do que se convencionou chamar de "bancada da bala", parlamentares que tiveram suas campanhas financiadas por indústrias e fabricantes de armamento e munição. Onyx tem posse e porte de arma, eventualmente anda armado, e defende claramente o direito que, na sua avaliação, as pessoas devem ter de usar armas para a sua defesa. Para Onyx, retornar a um tema que já foi objeto de apreciação da sociedade por conta da tragédia de Realengo é algo “oportunista e hipócrita”.

“É muito importante a gente saber diferenciar o que é controle de armas e o que é controle de criminalidade. Quem tem a responsabilidade de olhar para o país inteiro, que é o Parlamento brasileiro, não pode misturar esses conceitos de forma oportunista, demagógica e hipócrita”, atacou Onyx, em entrevista concedida ao Congresso em Foco na última terça-feira (12). “A iniciativa do senador Sarney é de uma irresponsabilidade brutal, de alguém que não entende nada e não estudou, não procura ler, não procura se informar.”

Para Onyx, o problema não é a comercialização das armas legais, e sim as falhas nas políticas de segurança pública, que facilitam, entre outros elementos de criminalidade, o mercado clandestino de armamento. Ele diz que o país tem uma “excelente e rigorosa” legislação sobre posse e porte de armas e munições. E mais um plebiscito, considera, seria desperdício de dinheiro e motivo de chacota mundial.

“O país gastou R$ 600 milhões para perguntar para a população se ela era a favor ou contra a proibição do comércio de armas e munições. Qual foi a resposta da população? Não. 64% da população votaram não. Um país como o Brasil, em que se gasta mais com publicidade e propaganda do que com segurança, gastar, em cinco anos, R$ 1,2 bilhão para fazer a mesma pergunta? Nós vamos ser ridicularizados no mundo todo!”, exclamou o deputado, lembrando que aumentaram os custos de um referendo como o que foi feito em 2005 – quando, segundo o Tribunal Superior Eleitoral, foram gatos R$ 250 milhões pelo governo.

“O que tem de curioso nessa resposta? Naquela data, 97% da população brasileira não tinham armas. Apenas menos de 3% tinham armas registradas, legais. Transcorrem-se cincos anos, e continua o mesmo cenário”, acrescenta o deputado, esclarecendo que sua intenção não é promover o armamento da população civil nem o comércio de armas, “até porque as indústrias brasileiras não têm mais do que 15%, 20% do seu faturamento no mercado interno; cerca de 80%, 90% é fora do Brasil”. “A minha luta é para manter o direito que eu quero ter, que a sociedade deve ter de poder escolher se quer ou não ter uma arma em casa. Só isso.”

Pás e revólveres

Onyx diz não ver diferenças entre um revólver e uma pá. Para ele e seus mais de 10 milhões de conterrâneos gaúchos, ambos são “instrumentos como outro qualquer”. A questão, diz, é o uso que se faz dos “objetos inanimados”. “O liquidificador liga do nada? A televisão liga do nada? Não, é preciso alguém apertar um botão. No caso de uma arma, alguém tem de pressionar o gatilho. O problema não está no objeto, mas em quem o manuseia”, argumenta o deputado, que tem porte de arma desde o início da década de 1980, após uma invasão à casa de seu sogro, em Porto Alegre. Na ocasião, um dos quatro filhos do deputado ainda era bebê de colo.

“Eu pude sacar a minha arma, sustentar o agressor sem que ele me agredisse e sem que eu o agredisse. Ele está vivo e eu também. Agora, não sei se estaria falando contigo hoje se não estivesse com aquela arma na mão”, defende o deputado.

Em quase 30 minutos de entrevista, o deputado citou diversos números e estatísticas sobre o assunto, referentes ao Brasil e a outros países emblemáticos. Descreveu o poder de fogo de algumas armas, falou sobre os testes “rigorosos” a que é submetido periodicamente para manter o direito de portá-las e usá-las. Demonstrando conhecimento de causa, comprou briga com movimentos sociais como o Viva Rio, a quem acusa de manipular informações e até mentir sobre a relação entre armas de fogo e violência. E, com campanha financiada por fabricantes de armamento em eleições anteriores, diz não ver conflito de interesses em defender deu ponto de vista – uma vez que, garante, só depois de manifestar seu posicionamento, durante o primeiro mandato de deputado federal (ele está no terceiro consecutivo), chamou a atenção das empresas do setor.

“O Brasil hoje controla muito bem armas legais, e a gente não pode esquecer que o país é signatário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que diz em seu artigo 3º: 'São direitos da pessoa humana a vida, a liberdade e a defesa pessoal'. É textual a palavra. O que quer José Sarney, de maneira oportunista e hipócrita, é impedir que o Brasil continue honrando talvez um dos mais importantes tratados dos quais é signatário. Ao tentar revogar artificialmente, e ao tentar negar aquilo que a população já disse”, criticou Onyx. Por ironia, no momento da entrevista, o Senado votava a chamada MP do Trem-Bala, trocadilho que seria cômico se o momento não fosse trágico. “Dinheiro pra botar no trem-bala, tem. Já pra botar na segurança...”

Confira a íntegra da entrevista:

Congresso em Foco: O senhor já entrou armado no Congresso?
Onyx Lorenzoni:
Nunca.

Entraria?
Não vejo necessidade alguma. Eu tenho arma, tenho porte de arma, atiro muito bem, treino tiro. Já tive a minha vida e a minha integridade preservadas exatamente porque eu tinha arma, sem precisar dar um tiro. A arma foi usada como instrumento de dissuasão. Não vejo necessidade. Aqui é um lugar onde a gente tem completa segurança. O eventual porte de arma é para uma situação onde a pessoa se coloca em risco – quando se vai para uma estrada, viajar de noite, nessas circunstâncias. Fora disso, eu mesmo não uso em meu cotidiano. Eu uso a arma quando treino, ou na minha casa, óbvio.

Na década de 1960, o ex-senador Arnon de Mello, pai do ex-presidente da República Fernando Collor de Mello, matou um parlamentar durante uma sessão no Plenário do Senado. Em 2009, o senador Pedro Simon (PMDB-RS), ao trocar acusações com Collor no mesmo local, disse ter resgatado aquela trágica memória. Não é perigosa a relação entre parlamentar e arma de fogo?
O Estatuto do Desarmamento fez algo que eu acho corretíssimo. Eu sou contrário a qualquer vantagem extra para autoridade – que tem de ter dever, e não vantagem. O estatuto acabou com o direito de porte automático. Por exemplo, para mim, que tenho posse e porte, em janeiro deste ano eu me submeti [às obrigações da legislação]: fiz psicotécnico, exame de saúde, teste de tiro, teste de conhecimento de legislação... Eu fiz dois testes – um em que se atira em uma silhueta e outro em que se atira em alvos a mais de sete metros de distância. Hoje, para uma pessoa receber o porte de arma no Brasil, tem de ter quase expertise em armas. É diferente do passado, quando quem fosse amigo do delegado tinha porte de arma. É por isso que eu digo, o problema do Brasil não é arma legal – até porque nós já vendemos no país 50 mil armas por ano. Hoje não se vende oito mil. Houve uma queda brutal da comercialização, e isso não é de hoje, já tem seis ou sete anos. Na verdade, o Brasil tem uma lei excelente para controle de armas na mão da população civil, ninguém pode questionar. Mais do que se restringiu não se pode fazer. Contam-se até os cartuchos – são 150 munições que tu podes compra por ano. E justificar [a quantidade]. Isso vai para o arquivo da polícia. Se a polícia achar que tu estás comprando munição demais, vai te investigar. O problema do Brasil é armamento ilegal, quadrilha, bandidagem. Para o seu Sarney ter autoridade para falar em plebiscito, ele tem que, primeiro, obrigar o governo a que ele apoia a desarmar os bandidos. Porque eu não vou entregar para nenhuma polícia do Brasil a segurança da minha família. Ah, essa não! Tu podes fazer o teste aqui em Brasília. Liga, pra tu veres se eles te atendem. Ou quanto tempo eles levam para chegar à tua casa.

Alguns parlamentares e a própria ministra Maria do Rosário (Direitos Humanos), em eleições passadas, tiveram suas campanhas financiadas por fabricantes de armas. O senhor também...
Eu também.

Não seria conflitante para o senhor combater um projeto que visa o desarmamento?
Não. E eu vou te explicar o porquê. A ministra Maria do Rosário é uma deputada do Rio Grande do Sul, que tem a sociedade mais armada da América Latina. Lá, nós temos uma arma para cada dez habitantes. E nós temos as mais baixas taxas de homicídio, por 100 mil, do Brasil e da América Latina. Lá se encontram os principais fabricantes de armamento do Brasil. Por quê? Porque para lá, no século retrasado, se dirigiram italianos e alemães, e todos eles tinham uma tradição – e principalmente os alemães – de manufatura de armas. O que aconteceu quando nossa fronteira passou a existir (e nós tomamos o Rio Grande do Sul dos espanhóis, isso é um fato)? Lá, não há família que não tenha arma. Então, para nós é algo absolutamente normal. E, no meu caso, com cinco mandatos de deputado – dois de estadual, e estou no terceiro de federal –, eu cheguei aqui em 2003 sem nunca ter sido apoiado por uma indústria de arma. E eu entrei na luta contra o desarmamento – era um dos oito deputados que aqui empreenderam uma luta contra o mundo, para alertar a sociedade sobre os seus direitos. Nós conseguimos. Antes, havia uma lavagem cerebral por uma parcela da mídia, que tentava formar a cabeça do brasileiro. Tanto que as pesquisas de opinião do Ibope – vou dar o nome! – diziam que 80% da população iriam votar sim [pelo desarmamento]. E foi o maior fracasso na história do Ibope, que faz tudo para esquecer essa época, porque 64% disseram não. E, no meu estado, 87% disseram não. A arma é um instrumento como qualquer outro no meu estado – uma pá, um enxada, qualquer outro instrumento. Quando eu cheguei aqui e estava no início da discussão, da tentativa que o governo Lula fez de desarmar a população civil, eu fui para o combate, mesmo sem ter recebido apoio de ninguém. Porque é uma questão de convicção. Eu tive a minha vida preservada quando ainda não era político, era veterinário. Foi em 1982, quando era legal – e, graças a Deus, continua sendo – o cidadão poder comprar sua arma, provar a sua habilidade, e daí receber o porte. Eu pude sacar a minha arma, sustentar o agressor sem que ele me agredisse e sem que eu o agredisse. Ele está vivo e eu também. Agora, eu não sei se estaria falando contigo hoje se não estivesse com aquela arma na mão.

O senhor é a favor da flexibilização das regras para porte de armas?
É muito importante a gente saber diferenciar o que é controle de armas e o que é controle de criminalidade. Quem tem a responsabilidade de olhar para o país inteiro, que é o Parlamento brasileiro, não pode misturar esses conceitos – de forma oportunista, demagógica e hipócrita – em resposta ao episódio que resultou na tragédia de Realengo. A iniciativa do senador Sarney é de uma irresponsabilidade brutal, de alguém que não entende nada e não estudou, não procura ler, não procura se informar. Há pouco mais de quatro anos, o Brasil fez um referendo. Naquele referendo, o país gastou R$ 600 milhões para perguntar para a população se ela era a favor ou contra a proibição do comércio de armas e munições. Qual foi a resposta da população? Não. 64% da população votaram não. O que tem de curioso nessa resposta? Naquela data, 97% da população brasileira não tinham armas. Apenas menos de 3% tinham armas registradas, legais. Transcorrem-se cincos anos, e continua o mesmo cenário: 97% da população brasileira continuam não tendo armas. Veja: nesses últimos cinco anos, foram feitas duas campanhas de desarmamento. Na primeira, foram recolhidas cerca de 400 mil armas, e na segunda, um pouco mais de 50 mil. Em números redondos, temos próximo de quinhentas mil armas que foram voluntariamente entregues pela população civil para o governo. E o que foi resolvido com isso? A pergunta é essa. Reduziu a criminalidade do Brasil? Não, porque a criminalidade não tem relação de causa e efeito com a arma legal.

Mas o país não está despreparado para as armas?
O Brasil tem uma das legislações mais restritivas do mundo para posse de arma. Vamos lá: com quantos anos a pessoa pode comprar arma no Brasil? Mais de 25. Por exemplo: esse rapaz que fez aquela loucura lá [em Realengo] tinha 24 anos. Ele não comprou uma arma legalmente. Onde ele adquiriu as armas? Ele comprou no mercado clandestino, e o plebiscito não trata do mercado clandestino. Não trata de gangue, de quadrilha, de tráfico de drogas ou de armas. E que arma pode portar o cidadão? Pode portar um revólver 38, uma pistola 380 e uma espingarda. Com o que contam hoje as quadrilhas de narcotraficantes? Fuzil AR-15, Falcon, Kalashnikov, metralhadora semi-automática, pistola .40, lança-foguetes, granadas. O cidadão comum pode comprar isso no Brasil? Em outros países pode, mas no Brasil, não. Então, só analisando esses fatos é que a gente começa a ver que uma coisa não tem relação com outra – a não ser com hipocrisia ou desconhecimento da matéria.

Sempre se verifica um intenso lobby dos fabricantes de armas quando um projeto dessa natureza passa a tramitar no Congresso – com resultados quase sempre satisfatórios para esses agentes. A proposição encabeçada por Sarney já não nasce fadada ao fracasso?
Não... Primeiro, acho que o projeto é um absurdo. Quanto custaria um plebiscito no Brasil, como quer o presidente do Senado? R$ 700 milhões, R$ 800 milhões? Os custos aumentaram. Então, em um país como o Brasil, em que se gasta mais com publicidade e propaganda do que com segurança, gastar, em cinco anos, R$ 1,2 bilhão para fazer a mesma pergunta? Nós vamos ser ridicularizados no mundo todo. Isso é um absurdo! Qual é o argumento dos que defendem o desarmamento da população civil? É de que, não havendo arma na mão do cidadão de bem, o bandido não tem arma. Mas os bandidos não compram arma do cidadão de bem! Eventualmente, eles podem roubar a casa de alguém – mas aí é porque a polícia não recuperou o roubo. Eventualmente, roubam uma delegacia de polícia, uma empresa de segurança. Agora, por outro lado, quantos milhares de eventos criminosos são obstaculizados porque alguém tem a posse ou um porte de uma arma. A arma, usada pelo cidadão de bem, é na verdade um instrumento de dissuasão.

Então o problema é a ineficiência dos órgãos de segurança pública brasileiros ...
Vamos pegar o exemplo da Inglaterra. No início dos anos 90, depois de um episódio envolvendo arma de fogo, reuniram milhares de assinaturas, o congresso deles se mobilizou e baniram as armas de fogo. O que aconteceu? Aumentaram os índices de assalto à mão armada e de invasão de residências, e se estabeleceu a seguinte estatística britânica – que é muito diferente da estatística brasileira: de cada 100 residências assaltadas na Inglaterra, 50 famílias armadas. Tu és capaz de imaginar estar dentro de casa, entrar um grupo de assaltantes na tua casa e tu não teres como te defender, ou defenderes tua mulher, mãe, filho, pai? Ou então o exemplo dos Estados Unidos, onde a compra é livre em 32 estados – e eu não estou defendendo que o modelo americano é bom pra nós; estou apenas constatando: de cada 100 assaltos a residência, em apenas dez a família estava dentro de casa, porque o bandido evita, sabe que vai ter reação. A Inglaterra tem uma tradição secular de patrulhamento por polícia desarmada, só com cassetete. Tem três ou quatros anos em que foi dada uma autorização para que o patrulhamento a pé inglês seja feito com arma de fogo, porque não se consegue mais controlar a violência com cassetete. Vamos além. Há poucos anos, também na Inglaterra, outro fato: invadiram uma casa onde havia um casal – o marido com 80 anos e a mulher com 75, 76 anos –, agrediram o marido, o marido desmaiou, foram atacar a mulher. Ela tinha uma espingarda, ilegal e velha, usou a espingarda e matou os dois agressores. Comoção na Inglaterra. Resultado: o Congresso inglês autorizou, incoerentemente em relação à decisão de dez anos atrás, o uso de espingarda. Ou seja, não é à toa que, na sociedade mais armada – e esse não é o caso do Brasil, porque aqui apenas 3% da população tem arma legal... Por exemplo, os Estados Unidos, ou a Suíça, que é um país menor do que o Rio Grande do Sul. A Suíça tem 43 milhões de armas legais hoje – 43 milhões de armas registradas! Qual é a taxa de homicídio por 100 mil [habitante] na Suíça? 1,5%. E nos Estados Unidos, menos de 2%. E no Canadá, que tem 24 milhões de armas registradas? Também de 1,5%. Qual é a taxa da Nova Zelândia, que tem uma faixa de 22, 23 milhões de armas registradas? A mesma taxa. Não tem nada a ver arma legal com aumento de criminalidade. Crime é uma outra coisa – é fronteira desprotegida, é falta de policiamento, é pouca tecnologia, é ausência de prisão. O problema é o sistema prisional brasileiro, em que homicidas, sequestradores e estupradores – e não estou falando de ladrão de galinha, mas sim de crimes contra a vida – saem do tribunal com uma pena de 30 anos e em seis anos estão na rua. Esse é o sistema prisional, porque não tem cadeia, não tem isso, não tem aquilo. Vamos pegar a Bolívia, um país pobre, com guerrilha urbana e campesina, com problema gravíssimo de narcotráfico – é uma das principais fontes de abastecimento de cocaína do mundo: o país fez um pacto pela segurança, e hoje qualquer cidadão pode andar com tranqüilidade no centro de Medelín e no centro de Bogotá. Porque limparam a polícia, aumentaram a capacidade das suas prisões, passaram a usar [órgãos de] inteligência, reconquistaram a confiança da população na polícia. Combater criminalidade não tem nada a ver com legislação sobre posse e porte de arma.

O senhor quer dizer que o Brasil está despreparado tanto para endurecer quanto para liberalizar a legislação sobre o comércio de arma de fogo?
É isso. Portanto, o que temos hoje [em termos de legislação], está adequado para o Brasil. Eu poderia questionar que o custo para se obter uma posse de arma hoje é muito caro. Além das restrições: 25 anos de idade mínima, teste psicotécnico, teste de conhecimento de legislação, teste de tiro – e estou falando de posse, apenas para manter a arma em casa, e não de portá-la em público, tem de ser feito tudo isso. Volto a insistir: o Brasil tem uma legislação super-restritiva. Não precisa mais, o país já resolveu a questão do controle de armas legais. O problema brasileiro é o controle das armas ilegais – e aí tu cais naquilo que é a mentira de que se utilizam movimentos como, por exemplo, o Viva Rio. O Viva Rio vive falando que, em um levantamento que foi feito no Rio de Janeiro [o deputado passa a ler um informativo divulgado pela entidade], “68% das armas apreendidas entre 1998 e 2003 foram legalmente adquiridas”. Só que ele [o Viva Rio] esqueceu, convenientemente, de informar que esse levantamento foi feito tendo como base um conjunto de 150 mil armas apreendidas. Como não foi possível identificar a origem das armas, as autoridades pediram ajuda aos fabricantes nacionais, e remeteram para eles essas 150 mil armas. Dessas, eles conseguiram identificar 10 mil. Então, 140 mil não eram de fabricação nacional. Dessas 10 mil, 6.800 armas haviam saído de fábricas brasileiras. Então veja bem: não eram 68%, mas sim 5% de fabricação nacional. Então, isso demonstra claramente que há uma questão ideológica, de falseamento da verdade, que precisa ser combatida. O Brasil hoje controla muito bem armas legais, e a gente não pode esquecer que o país é signatário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que diz em seu artigo 3º: "São direitos da pessoa humana a vida, a liberdade e a defesa pessoal". É textual a palavra. O que quer José Sarney, de maneira oportunista e hipócrita, é impedir que o Brasil continue honrando talvez um dos mais importantes tratados dos quais é signatário. Ao tentar revogar artificialmente, e ao tentar negar aquilo que a população já disse.

Na última terça-feira (12), o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), falando como ex-ministro da Justiça, foi à tribuna do plenário pedir a vinculação de recursos orçamentários para a segurança pública, assim como já acontece para a área da saúde, sem possibilidade de contingenciamento de verbas para o setor. O senhor concorda com a ideia?
Quando eu digo que o Brasil tem de fazer um pacto pela segurança, realmente, isso inclui aprovar a PEC 300 [que estabelece um piso salarial para policiais e bombeiros], fazer uma faxina nas forças de segurança, aumentar o número das cadeias. Mas isso demanda dinheiro. Então, se tiver de fazer uma vinculação no orçamento para que se gaste com a segurança da população – em vez de gastar em propaganda, em viagens e em outras bobagens –, então é um dinheiro muito bem empregado. Eu concordo.

Quando o senhor chama a proposta de Sarney de oportunista, quer dizer que o senador está aproveitando que a sociedade está fragilizada, comovida com o episódio de Realengo – enfim, valendo-se do fato de que, supõe-se, a rejeição às armas é maior no calor do acontecimento?
O que é ser oportunista nesse caso? É se valer de uma tragédia que não tem nada a ver com a legislação existente para tentar que... Essa turma do desarmamento, no próprio governo, por uma questão conceitual e ideológica não aceita o exercício dessa liberdade no Brasil. Aliás, se o governo puder, revoga o direito de portar arma, o direito aos sigilos bancário e fiscal, que já não existem no Brasil... E, se ele puder, vai revogar todos os direitos possíveis. Segmentos que apoiam o PT, por exemplo, querem relativizar o direito de propriedade! Nós temos de nos dar conta de que isso é um processo ideológico. A ideologia marxista [atribuída aos petistas históricos; referência ao filósofo alemão Karl Marx, co-autor do Manifesto Comunista] sempre se pautou por retirar todos os direitos fundamentais da pessoa humana para dominar segundo seus interesses.

As reações às tragédias nacionais são tardias?
Para fazermos um paralelo em tragédias, o caso de Realengo é uma tragédia com tanta estupidez quanto foi a do João Hélio (menino que morreu em 2009, no Rio de Janeiro, depois de ser arrastado por marginais em um veículo). E havia sentido proibir a fabricação de carros? Os objetos inanimados não causam nada. Quem decide as coisas são as pessoas. O liquidificador liga do nada? A televisão liga do nada? Não, é preciso alguém apertar o botão. No caso de uma arma, alguém tem de pressionar o gatilho. O problema não está no objeto, mas em quem o manuseia.

Mas isso não seria levantar um debate em favor do armamento?
Mas ninguém levanta um debate em favor do armamento. Volto a dizer: o pessoal do desarmamento mistura, de maneira oportunista, controle de arma com controle de criminalidade. E faz uma miscelânea para tentar enganar as pessoas, e isso é incorreto. Eles mentiram tanto e de tantas formas, que a sociedade se deu conta de que ali havia uma mentira, se deu conta de que não se tratava de arma, e sim de direito. Nós não lutamos para vender arma, eu não me bato para vender arma – até porque as indústrias brasileiras não têm mais do que 15%, 20% do seu faturamento no mercado interno, cerca de 80%, 90% é fora do Brasil. Elas já são multinacionais, reconhecidas internacionalmente. A minha luta é para manter o direito que eu quero ter, que a sociedade deve ter, o cidadão deve ter, de poder escolher se quer ou não ter uma arma em casa. Só isso.

Já existe uma ação para derrubar o projeto do senador Sarney?
Isso vai ser feito no debate. Os plenários do Senado e da Câmara vão votar – e eu espero que a racionalidade impere. Se não imperar, e esse país riquíssimo que somos nós – onde não há problema algum na saúde, na educação, problema zero na segurança, qualquer um pode andar a qualquer hora do dia ou da noite, a gente pode deixar a janela da nossa casa aberta, nem precisa da chave da porta – esse país pode se dar ao luxo de jogar no lixo R$ 700 milhões, R$ 800 milhões, para fazer um plebiscito que não tem nenhuma relevância, visto que já fez isso há pouco mais de quatro anos. E já se gastou R$ 600 milhões! Então, põe na conta da sociedade... E vou dizer uma coisa pra ti: no Brasil, o 'não' ganha com mais de 70%. E, no meu estado, de 92% ou 93% pra cima. Naquele momento, criou-se uma consciência que era inexistente no Brasil. Agora, diante desse oportunismo, dessa demagogia, o senhor Sarney vai tomar uma trauletada como ele nunca viu na vida.

A polícia legislativa usa tasers, espécie de revólver com descarga elétrica, não letal. Imaginando-se uma produção em grande escala, ao menos para comercialização junto à população civil, o artefato não seria a solução para as mortes provocadas por arma de fogo?
Isso ainda tem muito para avançar. Eu vou te dar um dado de um amigo médico, que atendeu e refez a mandíbula de um homem que tomou 22 tiros de [revólver calibre] 38 e está vivo até hoje. Tu sabes quantos tiros de 38 são necessários em uma pessoa para parar uma ação agressiva? No mínimo três tiros, em um intervalo máximo de dois segundos, e a uma distância média de dois milímetros, se não ela não pára. Por isso que, hoje, a população civil não tem capacidade de parar uma ação agressora com o armamento disponível. Nem com a pistola calibre 380, nem com o 38. Por que a polícia e as forças armadas usam a .40? Porque com esse calibre, um tiro no tórax cessa a ação agressora. O que tu tens quando alguém resolve investir contra ti (seja porque é maluco, porque está drogado, seja o que for)? Ele tem uma faca, um pau, uma arma. Em algum momento tu tens que parar essa pessoa, correto? Para que isso aconteça, tem de haver um certo impacto, e as armas que hoje estão na mão do cidadão não têm condição de, com um disparo, parar o agressor. Essa é uma outra discussão que existe: se o Estado não está cerceando o direito de legítima defesa. Mas nós nem chegamos ainda nessa discussão. A polícia usa pistola .40, ou 38 e 380 com munição com carga extra de pólvora, que dá um efeito diferente – o que é proibido para o cidadão civil.

Com o perdão do trocadilho deputado, curiosamente os senadores estão votando, neste momento, a medida provisória que financia o trem-bala...
(risos) Dinheiro pra botar no trem-bala, tem. Já pra botar na segurança...

Fonte: Congressoemfoco

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