sábado, março 26, 2011

INSS nega revisão para benefício até 2001

Ana Magalhães
do Agora

O INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) negou, no posto previdenciário, conceder a revisão pelo teto a um aposentado em 1996, argumentando que há prazo de dez anos, a contar da data de recebimento do benefício, para fazer esse pedido de correção.

A decisão, de dezembro do ano passado, é do Conselho de Recurso da Previdência Social e pode prejudicar quem se aposentou entre 1988 e 2001 e teve o benefício limitado ao teto da época.

A revisão foi reconhecida pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em setembro do ano passado, com a decisão publicada em fevereiro. A correção pode beneficiar quem se aposentou entre 1988 e 2003 e teve a média salarial limitada ao teto da época. O INSS não pode mais recorrer, na Justiça, do direito à correção.

Leia esta reportagem completa na edição impressa do Agora neste sábado,

sexta-feira, março 25, 2011

Lewandowski: troca de cadeiras deve demorar

Mário Coelho

A mudança nas bancadas na Câmara, por conta do julgamento de ontem (23) no Supremo Tribunal Federal (STF), deve demorar. De acordo com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE0, Ricardo Lewandowski, será necessária uma recontagem dos votos na eleição proporcional e, depois, a diplomação, para que haja a troca de cadeiras na Casa. Por seis votos a cinco, o STF decidiu que a Lei da Ficha Limpa (Lei Complementar 135/10) só pode ser aplicada a partir das eleições municipais de 2012.

Segundo o presidente do TSE, inicialmente é preciso limpar a pauta de recursos que ainda tramitam no Supremo e na Justiça Eleitoral. Até o momento, são 29 no STF. Lewandowski acrescenta que outros 30 aguardam julgamento na corte superior eleitoral. “Cada processo tem um estágio de andamento diferenciado e inclusive é preciso verificar se o caso daquele recurso se enquadra ou não na Lei da Ficha Limpa. É um processo que demorará um certo tempo, não será imediato”, afirmou.

Ficha limpa caiu para 2010. E agora?

Na sessão de ontem, ficou decidido que os casos ainda pendentes serão julgados monocraticamente, sem necessidade de ir à plenário. A partir das decisões, fazendo valer o entendimento que as regras não valeram para o pleito passado, os tribunais regionais eleitorais farão novamente a contagem dos votos e o cálculo dos quocientes eleitoral e partidário. Os novos números podem mudar a situação na Câmara e nas assembleias legislativas.

O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), estima que a composição da Câmara deve mudar em cinco parlamentares. Dois já são conhecidos. Janete Capiberibe (PSB-AP) e João Pizzolatti (PP-SC) entrarão, respectivamente, nas vagas de Professora Marcivânia (PT-AP) e Odacir Zonta (PP-SC). Levantamento do site mostrou que, dos 165 que disputaram as eleições com o registro indeferido com base na Lei da Ficha Limpa, 151 não tiveram votos suficientes para se eleger aos cargos que postulavam. No total, políticos barrados receberam 8.891.085 votos em 3 de outubro.

De acordo com Lewandowski, os ex-candidatos que já tiveram os recursos julgados poderão entrar com pedidos para que a situação seja reconsiderada, segundo a decisão do STF sobre a ficha limpa. Não terão direito a rever a situação do registro os políticos barrados que não concorreram no pleito ou os que não entraram com recurso na Justiça. A questão, lembrou o presidente do TSE, é processual. Como desistiram de recorrer, não podem revertar a situação.

"Se a pessoa não recorreu oportunamente, perdeu o prazo. É uma questão processual. Muita gente renunciou temendo aplicação da lei e assumiu as consequências do ato. Alguns nem se candidataram, por isso que entendo que a vigência da lei teve um efeito profilático, porque a população pode discutir a questão amplamente, analisar antecedentes dos candidatos, muitos foram antecipadamente barrados pelos partidos, outros nem tentaram registro", esclareceu.

Na Câmara, a regra é não cumprir imediatamente a determinação judicial. Em casos eleitorais, a Mesa garante ao parlamentar o direito de defesa antes de declarar o cargo vago. Por analogia, esse procedimento pode ser adotado nas substituições provocadas pelo adiamento da eficácia da Ficha Limpa. Pelo trâmite, que envolve acionar o corregedor e a produção de um relatório, o processo pode se alongar ainda mais. No entanto, por ser uma situação inédita, o órgão ainda vai estudar qual o procedimento a ser adotado.

Antes mesmo do STF declarar que a lei não poderia ser aplicada nas eleições de 2010, deputados inicialmente barrados já tinham conseguido reveter decisões no TSE e no próprio Supremo. São os casos de Pedro Henry (PP-MT), José Augusto Maia (PTB-PE), Natan Donadon (PMDB-RO), Paulo Maluf (PP-SP), Beto Mansur (PP-SP) e Manoel Salviano (PSDB-CE). Em comum entre os seis o fato de que concorreram com o registro negado em 3 de outubro. Entre o primeiro turno e a data da diplomação dos eleitos, em 17 de dezembro, todos conseguiram reverter na Justiça o indeferimento das inscrições de candidatura.

Críticas

Apesar do resultado, Lewandowski, um dos ministros que votou a favor da aplicação imediata da ficha limpa, lembrou que, formalmente, as regras ainda estão em vigor. "Por enquanto formalmente a Lei da Ficha Limpa está em vigor. Ela se aplicará nas eleições de 2012. Mas ela não está imune a futuro questionamentos. O Supremo Tribunal Federal não se pronunciou sobre a constitucionalidade da lei", disse. A lei pode ser contestada na sua totalidade por meio de Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI). Ou na análise dos recursos pendentes, que contestam partes específicas da norma.

Relator do recurso do Leonídio Bouças (PMDB), candidato a deputado estadual em Minas Gerais, o ministro Gilmar Mendes criticou nesta quinta-feira o Congresso por ter aprovado uma lei com novas causas de inelegibilidade em ano eleitoral. “O tribunal mostrou que não vai chancelar aventuras. Haveria um estímulo para buscar novas reformas às vésperas das eleições e porque isso impõe ao próprio Congresso um certo constrangimento. Quem quer dizer que é contra determinado tipo de proposta? O Congresso aprovou por unanimidade. Não significa que o Congresso bateu palmas, mas, às vezes, recebeu de forma acrítica”, disse o ministro.

Relator vota contra aplicação da Lei da Ficha Limpa

Fux derruba ficha limpa para eleições de 2010

Chega o Dia D da Lei da Ficha Limpa

Nem tudo está decidido sobre a Lei da Ficha Limpa

Fonte: Congressoemfoco

Manchetes dos jornais: Dilma modifica política de Lula e vota contra o Irã

O ESTADO DE S. PAULO

Brasil muda de posição na ONU e irrita regime do Irã
O Brasil votou favoravelmente no Conselho de Direitos Humanos da ONU ao envio de um relator para investigar a situação das garantias individuais no Irã, informa o correspondente Jamil Chade. A ordem do Itamaraty era a de mostrar que o País terá nova postura em relação ao tema. ONGs e países ocidentais comemoraram a decisão. O Irã acusou o governo de Dilma Rousseff de “dobrar-se" à pressão dos Estados Unidos e insinuou traição. "É mesmo lamentável ver o Brasil adotar essa posição", disse o embaixador do Irã na ONU, Sayad Sajjadi. Teerã esperava uma abstenção, repetindo o padrão de votação durante o governo Lula. A avaliação do chanceler Antonio Patriota é que a relação entre os dois países é "madura para não ficar refém de uma ou outra decisão". A proposta teve 22 votos a favor, 7 contra e 14 abstenções.

Mac Margolis: Voto mostra divergência de Dilma com antecessor
Dilma não concordara com a posição brasileira no caso do apedrejamento de Sakineh. Ontem, confirmou suas declarações.

Procurador teve reunião secreta com pivô de mensalão do DF
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, escondeu um encontro secreto que teve com o ex-governador José Roberto Arruda. A reunião sigilosa entre investigador e investigado, que durou pelo menos uma hora, ocorreu fora da sede da Procuradoria-Geral e sem a presença dos advogados de Arruda. O teor da conversa foi o esquema de corrupção no Distrito Federal, mas Gurgel não o relatou nos autos do inquérito conduzido pela subprocuradora Raquel Dodge no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ela, aliás, foi excluída do encontro.
A reunião, inusitada dentro de uma investigação deste porte, ocorreu no dia 2 de setembro de 2010, às 8h, no gabinete do procurador Alexandre Camanho, no 11.º andar da Procuradoria Regional, um prédio que fica a cinco quilômetros da sede da PGR, em Brasília, onde trabalham Gurgel e a própria Raquel Dodge.
O procurador Alexandre Camanho não tem qualquer ligação com a investigação. Por ser procurador regional, não tem atribuição de cuidar do assunto. Mesmo assim, participou do encontro como intermediário.
Arruda ainda não prestou nenhum depoimento oficial no inquérito que tramita no STJ e investiga o chamado "mensalão do DEM" no Distrito Federal. Quando foi ouvido na prisão, em março de 2010, o ex-governador permaneceu em silêncio.
No encontro em setembro, Gurgel teria pedido uma ajuda informal ao ex-governador, mas nenhum dos presentes diz o que Arruda ganharia em troca.

Mais um obstáculo para o procurador
A descoberta do encontro secreto entre o ex-governador José Roberto Arruda e o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pode interferir em seus planos de continuar no comando do Ministério Público por mais dois anos. Seu mandato termina em julho, e Gurgel já está em campanha aberta para ser reconduzido pela presidente Dilma Rousseff.
As explicações que Gurgel terá de dar sobre a conversa reservada que manteve com Arruda, pivô do escândalo de corrupção no DF, podem fragilizar seu nome e esvaziar o apoio que teria dos integrantes do MP. Sem esses votos, Gurgel poderia perder a primeira posição na lista tríplice que é feita pela Associação Nacional dos Procuradores da República e encaminhada à Presidência.

''Ficha Limpa vai ser fatiada como salame'', diz ministro
Fragilizada no Supremo Tribunal Federal (STF), a Lei da Ficha Limpa corre riscos reais de ser ainda mais esvaziada. "A constitucionalidade da lei referente aos seus vários artigos poderá vir a ser questionada futuramente antes das eleições de 2012", admitiu o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro do STF e defensor da lei, Ricardo Lewandowski. Segundo ele, nesse futuro exame "a lei vai ser fatiada como um salame e será analisada alínea por alínea".
O STF deverá se posicionar sobre a constitucionalidade da lei se alguma autoridade, partido político ou entidade de classe de âmbito nacional provocar formalmente o tribunal por meio de uma ação. Na quarta-feira, os ministros apenas decidiram que a norma, publicada em junho de 2010, não poderia ter sido aplicada na eleição do ano passado porque a legislação exige que mudanças desse tipo sejam aprovadas com pelo menos 12 meses de antecedência. Uma decisão anterior, do TSE, tinha determinado a aplicação da lei às eleições de 2010.

DEM diz que Planalto atua para inflar PSD
O comando nacional do DEM acusou ontem o governo de estar por trás da "segunda onda" de assédio sobre políticos do partido. Além do Rio, um dos principais focos dessa nova leva de desfiliações, a legenda teme baixas em Estados como Goiás e Maranhão.
Em Brasília, depois da primeira reunião da nova Comissão Executiva Nacional, o presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), disse que o Palácio do Planalto está pressionando governadores e parlamentares de vários partidos para acompanharem o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, no projeto de formação do PSD (Partido Social Democrático). "O Planalto está atuando pessoalmente. É uma luta desigual", criticou.

Em SP, sigla se une para evitar ação de prefeito
A Comissão Executiva Nacional do DEM aprovou ontem a dissolução do diretório regional do partido em São Paulo. O diretório era controlado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, que decidiu deixar o DEM para fundar um novo partido, o PSD.
O comando nacional do DEM quer definir os nomes dos novos dirigentes estaduais até a próxima semana. Essa escolha só não foi definida ontem mesmo porque fará parte da estratégia de tentar prestigiar quem preferiu permanecer no partido em vez de acompanhar Kassab no PSD.

Relator vai rever projeto do Código Florestal
O microblog do deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP) dá a temperatura do debate. "Aqui, a legislação florestal quer expulsar os agricultores das várzeas dos rios e fechar a fronteira agrícola. Comigo, não, violão...", tuitou o deputado, escolhido para relatar a proposta de reforma do Código Florestal que será levada ao plenário da Câmara no mês que vem. Ao Estado, ele adiantou que vai rever a proposta de moratória de cinco anos para novos desmatamentos.
Nos próximos dias, Rebelo colocará no papel uma nova tentativa de consenso. Ele acumula caixas de propostas de mudanças no relatório que aprovou em comissão especial da Câmara, em julho passado. "Tem sugestão de todos os lados, queixas também, tanto de ambientalistas como de produtores", observou.
Há ainda negociações com o governo, pressionadas pelo prazo de um decreto presidencial que passará a autuar produtores rurais que não cumpriram a legislação ambiental a partir de junho. Cerca de 90% dos proprietários rurais estão na ilegalidade.
Algumas ideias do novo relatório vão ganhando forma. Além de recuar na proposta que impediria qualquer corte de vegetação nativa por cinco anos, Aldo Rebelo defende agora que municípios da Amazônia que detenham mais do que 50% de seu território protegido por unidades de conservação ou terras indígenas poderão ter reduzido o percentual de reserva legal das propriedades.

Ministro decide continuar na Satiagraha e chama Protógenes de ''fraudador''
O ministro Adilson Macabu, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), decidiu seguir como relator do caso Satiagraha e chamou o deputado Protógenes Queiroz (PC do B-SP) de "fraudador de provas", atribuindo a ele "comportamento aético, parcial, agressivo, desarrazoado e antijurídico". Macabu rechaçou petição de Protógenes, que alegou sua suspeição no processo de habeas corpus em que o banqueiro Daniel Dantas pede trancamento da Satiagraha. O ministro destacou que Protógenes foi condenado no âmbito da própria Satiagraha a 3 anos e 11 meses de prisão, acusado de fraudar provas e violar sigilo. Segundo o deputado, um filho do ministro, que é advogado, integra escritório "que defende os interesses" de Dantas. "Não sou amigo íntimo nem inimigo capital de qualquer das partes", repeliu o ministro Macabu.

Caso Panamericano derruba cúpula da CEF
Maria Fernanda Coelho caiu da presidência da Caixa Econômica Federal. A saída se dá cinco meses após a compra, pela Caixa, de 49% do banco Panamericano, de Silvio Santos, e da fraude contábil envolvendo o balanço divulgado em novembro. O empurrão final para a demissão foi a divergência com o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, por conta do preenchimento de diretorias da Caixa com políticos aliados do Planalto.

Alckmin exonera aliados de Aloysio na administração paulista
Aliados políticos e amigos do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB) que ocupavam cargos em secretarias e empresas públicas de São Paulo vêm sendo exonerados ou rebaixados de função desde o início do ano, num movimento interpretado por aliados do governador Geraldo Alckmin como um novo capítulo da disputa interna entre os dois caciques tucanos. O principal foco dos cortes é a região de São José do Rio Preto, base política de Aloysio, mas entre as baixas há também aliados do senador com cargos em São Paulo.
Pelo menos seis funcionários da administração com laços estreitos com o senador tiveram que devolver seus cargos. Procurados pelo Estadão.com.br, membros da administração, alguns dos exonerados e o próprio senador classificaram as mudanças como "normais" num período de transição de governo. Tucanos ligados ao governador, no entanto, não descartam que a questão política entre Alckmin e Aloysio possa ter influenciado, e criticam o loteamento de cargos técnicos por aliados do senador.


O GLOBO

Brasil muda e agora apoia investigar os abusos do Irã
O governo Dilma Rousseff distanciou-se claramente da postura do antecessor Lula em relação ao Irã, votando a favor de uma resolução que abre caminho para o Conselho de Direitos Humanos da ONU investigar as denuncias de violações do regime de Mahmoud Ahmadinejad. Em sua visita a Brasília, no sábado, Barack Obama pediu o apoio de Dilma a resolução, mas não obteve resposta. Na votação de ontem, ficou clara a divisão: entre os sete que apoiaram o regime dos aiatolás, estão países com sérios problemas de direitos humanos, como Cuba, Paquistão e China, que temem ser alvo de uma resolução semelhante. "Este não é um voto contra o Irã. É um voto a favor do fortalecimento do sistema de direitos humanos", justificou a representante do Brasil, embaixadora Maria Nazareth Farani Azevedo.

Ficha Limpa também é dúvida em 2012
Ojulgamento em que o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu anteontem que a Lei da Ficha Limpa não pode ser aplicada às eleições de 2010 não foi o ponto final nas discussões sobre o assunto. A legislação ainda pode sofrer alterações, se alguns dos artigos forem questionados na Corte. Na sessão de quarta-feira, quatro ministros já reclamaram da possibilidade de declarar alguém inelegível por ato praticado antes da edição da lei - renúncia ao mandato, por exemplo. Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello, Celso de Mello e o presidente do STF, Cezar Peluso, citaram esse tema como um problema:
- Essa exclusão da vida pública com base em fatos acontecidos antes do início de vigência da lei é uma circunstância histórica que nem as ditaduras ousaram fazer. As ditaduras cassaram. Nunca foi editada uma lei para a pretexto de punir fatos praticados antes de sua vigência - ponderou Peluso.

Para especialistas, lei corre risco de ser contestada nas eleições de 2012
Professores de Direito Constitucional ouvidos pelo GLOBO acreditam que novas ações contestando a Ficha Limpa devem surgir durante a disputa eleitoral de 2012:
- Toda vez que uma lei mexe com muitos interesses se torna complexa a avaliação jurídica - afirma Antonio Carlos Mendes, professor da PUC-SP.
O principal ponto que deve permitir contestação, na visão de Mendes, é o relacionado ao dispositivo que barra candidatos condenados em ações criminais ou de improbidade em qualquer decisão colegiada, sem a necessidade de trânsito em julgado (quando não cabe mais recurso) da sentença.
- Entra na análise a presunção da inocência.

Beneficiados festejam até com carreata
Enquanto alguns arrumavam gavetas e não escondiam a decepção com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), os beneficiados pela decisão da Corte comemoraram logo após o julgamento que anulou a aplicação da Lei da Ficha Limpa nas eleições de 2010. Jader Barbalho divulgou nota dizendo que a decisão faz justiça ao povo do Pará. Ele deverá assumir mandato no Senado. O casal João Capiberibe (PSB-AP) e Janete Capiberibe (PSB-AP) escolheu um bar em Brasília para festejar, ao lado de colegas do partido. Os dois serão recebidos em Macapá em carreata e participarão de ato público.
João Capiberibe obteve 130,4 mil votos em 2010 e teria direito à segunda vaga como senador, se não tivesse tido seu registro eleitoral cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob acusação de compra de votos nas eleições de 2002. Com o resultado, deve assumir a vaga atualmente ocupada por Gilvan Borges (PMDB-AP).

Dilma debate medidas tributárias no conselho
Na primeira reunião com integrantes do Conselho Político, composto por líderes e dirigentes de 17 partidos aliados, a presidente Dilma Rousseff listou medidas tributárias, numa espécie de reforma tributária fatiada, entre as quatro áreas de prioridades de seu governo. Outro ponto foi a defesa de uma política de direitos humanos agressiva em todos os níveis, inclusive considerando importante a aprovação da Comissão da Verdade pelo Congresso. As outras duas prioridades imediatas de seu governo, citadas pela presidente, foram o Programa de Erradicação da Pobreza, a ser lançado em breve, e o Programa de Qualificação Profissional.
Como O GLOBO antecipou na edição de ontem, Dilma confirmou aos líderes partidários que o governo vai rever o decreto que cancelava em 30 de abril os chamados "restos a pagar" - pagamentos autorizados mas não liberados dos anos de 2007, 2008 e 2009, que totalizam R$18 bilhões. A maior parte corresponde a emendas de parlamentares. Foram mais de três horas de reunião e dela participaram, além dos dirigentes e líderes partidários, os ministros Guido Mantega, Antonio Palocci e Luiz Sérgio.

Geddel Vieira é nomeado vice da Caixa
Depois de cinco anos no comando da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Coelho deixou a presidência da instituição e será substituída pelo atual vice-presidente de Governo, Jorge Hereda, como antecipou ontem a coluna Panorama Político, do GLOBO. O constrangimento ao governo gerado pela descoberta do rombo bilionário no banco PanAmericano, do qual a Caixa comprou participação de 35,5% quando as fraudes já estavam em andamento, foi o principal motivo para o desgaste de Maria Fernanda, que colocou o cargo à disposição ainda no período de transição. Mas questões pessoais também pesaram.
Entre outras mudanças no banco, está a nomeação do peemedebista Geddel Vieira Lima - ex-ministro da Integração e candidato derrotado ao governo da Bahia - para a área de Pessoa Jurídica da instituição.
No fim da tarde, após reunião privada com a presidente Dilma Rousseff, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que vinha articulando a saída de Maria Fernanda há pelo menos um mês, comunicou, em nota, o substituto da executiva e novos nomes para as vice-presidências - trocas estas feitas para remover executivos que não têm boa relação com Hereda e acomodar o PMDB.

Estudantes protestam no espelho d'água do Congresso e pedem verbas
Integrantes da União Nacional dos Estudantes (UNE) e da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes) fizeram um protesto na Esplanada dos Ministérios ontem, invadiram o espelho d"água do Congresso e acabaram sendo recebidos pela presidente Dilma Rousseff. Eles não tinham encontro agendado. A presidente abriu sua agenda para receber os dirigentes de UNE, Ubes e da Associação Nacional dos Pós-Graduandos (ANPG), que cobraram mais verbas para a educação. Os estudantes querem que no Plano Nacional de Educação, em tramitação no Congresso, o investimento em educação seja de 10% do PIB e não 7%, como prevê a proposta do governo.
- Os 7% pode significar um avanço, mas queremos10% do PIB. A presidente nos disse que a prioridade do seu governo é a educação, mas que o debate agora se dará no Congresso - disse o presidente da Ubes, Yann Evanovick.

DEM dissolve diretório de São Paulo
A Executiva Nacional do DEM aprovou ontem, por unanimidade, a dissolução do diretório regional de São Paulo, que era comandado pelo prefeito da capital, Gilberto Kassab. O prefeito está criando outro partido, o PSD (Partido Social Democrático), e já se desligou oficialmente do diretório regional do DEM, embora não tenha apresentado ainda a desfiliação da sigla.
A reunião da Executiva Nacional foi a primeira presidida pelo novo presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN). Ele afirmou que solucionar os problemas de São Paulo é uma de suas prioridades.
- O que eu quero é dar rumo ao partido - afirmou.

Na Era Lula, o BNDES privilegiou grandes grupos
Quase três vezes maior que em 2002, o BNDES chegou ao fim da Era Lula com um perfil completamente diferente do que tinha durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Seu balanço de 2010, divulgado esta semana, confirma que se o apoio à privatização foi a marca do banco na gestão tucana, na era petista o BNDES retomou seu foco de agente de fomento, porém ficou marcado pela ajuda a grandes grupos, como Petrobras, JBS/Friboi, Braskem, AmBev, Vale e as empresas de Eike Batista. Mudou também o perfil dos segmentos atendidos. Se antes o grande "cliente" do BNDES eram as montadoras de automóveis, nos últimos oito anos empresas do setor de alimentos e de química e petroquímica ganham espaço e a Petrobras dominou, com folga, as liberações em 2009 e 2010: foram mais de R$50 bilhões.
Essa atuação gera críticas de alguns economistas, que veem o banco "escolhendo" grandes grupos que ganham com os juros subsidiados do crédito do BNDES. Outros, porém, veem como positiva a maior presença do banco e alegam que o BNDES deu mais fôlego para a economia brasileira crescer.
O crescimento das operações foi vigoroso. Em valores atualizados pela inflação (IPCA), o BNDES liberou R$709,2 bilhões nos últimos oito anos. No ano passado, foram R$168,4 bilhões, quase três vezes os R$59,86 bilhões de 2002. Dados divulgados ontem pelo banco mostram que os desembolsos dos dois primeiros meses de 2011 chegaram a R$17,2 bilhões, 7% a mais que no mesmo período de 2010.

Para Infraero, 'se a Copa fosse hoje, não teria problema'
De sua sala na sede da Infraero em Brasília, o novo presidente da estatal que administra os aeroportos brasileiros, Gustavo Vale, monitora em tempo real os principais terminais do país num telão. Percebe que, em horários alternativos, até os terminais mais movimentados ficam praticamente vazios. Por isso, está convencido de que "se a Copa fosse hoje, não teria problema": "Dá para jogar uma partida de futebol no saguão!", brincou, ao ver os poucos passageiros que passavam pelo Aeroporto de Brasília na hora do almoço. Vale, que foi diretor do Banco Central por oito anos, adiantou que a Infraero pode diminuir tarifas para atrair empresas aéreas para o Galeão, que sofre com o baixo movimento.
É mais difícil elevar os juros ou lidar com as demandas e críticas contra os aeroportos brasileiros?
GUSTAVO VALE: Completamente diferentes e ambas as coisas são difíceis. A diferença que eu faço basicamente é que, em aeroporto, (as decisões) atingem todas as pessoas que, de uma forma ou de outra, dependem do transporte aéreo, uma parte dentro da sociedade brasileira. Mexer com a política macroeconômica atinge a sociedade como um todo. Mas aqui, por ser uma empresa onde as atividades são mais dinâmicas, requer decisões mais rápidas e urgentes.
Diante da urgência, quais as principais questões a enfrentar?
VALE: O maior problema da Infraero, sem dúvida nenhuma, é o crescimento da demanda, que veio de forma muito mais rápida do que se imaginava (a alta de 35% em 2010), mas não foi acompanhado dos investimentos necessários. (A expansão) Deve baixar para 12% ou 13% ao ano e se estabilizará nos próximos 4 ou 5 anos, na faixa de 230 milhões (passageiros) ao ano. O plano de investimento da Infraero, na faixa de R$5,3 bilhões (13 aeroportos) em 4 ou 5 anos, contempla esses números.
Os recursos são públicos ou também há dinheiro privado?
VALE: Públicos. Os processos de concessão, de Parceria Público Privada (PPP) e abertura de capital (da Infraero) estão sendo analisados, mas não podemos esperar o processo maturar para começar investimentos.

Seabra diz que Agnelo sabia de seu engajamento
O empresário José Seabra Neto, dono do "Jornal da Quadra", disse que o governador Agnelo Queiroz (PT) sabia que ele estava engajado na campanha para derrotar o ex-governador Joaquim Roriz nas eleições do ano passado. Num jantar de adesão, durante a campanha, o governador teria reconhecido a importância de Seabra diante da ex-primeira dama dona Marisa Letícia, mulher do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista ao GLOBO na segunda-feira, Seabra acusou Agnelo de usar caixa dois para se eleger governador. Ele próprio seria o beneficiário dos recursos não declarados à Justiça Eleitoral.
- O Agnelo chegou com dona Marisa na mesa onde eu estava com alguns amigos e disse: "Olha, este aqui é o Seabra. Ele tem feito muito pela nossa campanha". Eu respondi: "Vou fazer muito mais". Só depois me dei conta que esse era o slogan do Serra (José Serra, candidato do PSDB à Presidência) - contou.

Dilma promete R$800 milhões para creches
Com o Salão Nobre do Palácio do Planalto lotado de prefeitos, a presidente Dilma Rousseff anunciou ontem que vai editar uma medida provisória bancando os custos das creches ainda não reconhecidas pelo Ministério da Educação no censo escolar anual. Dilma foi bastante aplaudida, pois atualmente as prefeituras são obrigadas a arcar com o funcionamento das creches até que o ministério registre a instituição. O anúncio foi feito na solenidade de assinatura dos convênios para construção de 718 creches em 419 municípios brasileiros.
Para construção das novas creches, que fazem parte da segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC-2), serão investidos R$800 milhões. A previsão é que as unidades atendam cerca de 140 mil crianças. Segundo a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, coordenadora do PAC, o programa prevê R$7,6 bilhões para a construção de 6.000 creches. A presidente também fez a entrega simbólica de 54 creches.

Cardozo: presídios têm 'situações grotescas'
Apesar de o PT governar o país há oito anos, o ministro da Justiça, o petista José Eduardo Cardozo, disse ontem, em São Paulo, num seminário sobre segurança pública, que ainda há "situações grotescas" nas cadeias brasileiras e admitiu que os sistemas penal e penitenciário do país são inadequados. Segundo Cardozo, os presídios são "verdadeiras escolas de formação de criminosos", onde pessoas que cometeram crimes de menor potencial ofensivo são colocadas juntas com outros criminosos e, sem alternativa ou por serem obrigadas, acabam entrando em organizações criminosas.
- A reinserção social não é uma característica do nosso sistema penal. Temos situações absolutamente grotescas no sistema penitenciário. Fala-se que, no mínimo, 60 mil presos estão hoje em delegacias de polícia, que não são lugares adequados para qualquer tipo de aprisionamento. Esse número pode chegar a 80 mil pessoas - disse o ministro.

Desemprego é o maior desde agosto e renda recua 0,5%
A taxa de desemprego em fevereiro ficou em 6,4%, pouco acima dos 6,1% de janeiro e a maior desde agosto de 2010 (6,7%) nas seis regiões metropolitanas do país avaliadas pelo IBGE. O mês passado registrou a segunda alta consecutiva na taxa, que já tinha passado de 5,3% em dezembro para 6,1% em janeiro. A leitura, porém, foi a mais baixa, desde 2002, para o mês de fevereiro. E frente a igual período de 2010, houve queda expressiva de um ponto percentual.
- A taxa de fevereiro frente a janeiro é estatisticamente estável - explicou a economista Adriana Sampaio, da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE.

FOLHA DE S. PAULO

Dilma modifica política de Lula e vota contra o Irã
O Brasil foi favorável ontem, no Conselho de Direitos Humanos da ONU, a designação de um relator para investigar denúncias de violações de direitos humanos no Irã. É a primeira vez desde 2003 que o país vota contra o Irã no órgão.
A decisão teve 22 votos a favor, 7 contra e 14 abstenções. A posição do Brasil fora antecipada pela Folha.

Ministros veem ameaça à Ficha Limpa
Derrubada para a eleição de 2010, a validade da Lei da Ficha Limpa também está ameaçada para a disputa de 2012 e dos anos seguintes.
Ministros do Supremo Tribunal Federal avaliam que aspectos da lei podem estar em conflito com a Constituição e podem ser anulados.
São duas as principais incertezas que surgiram do julgamento de anteontem: o princípio da "presunção da inocência" e a retroatividade da lei para crimes cometidos antes de sua vigência.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Ricardo Lewandowski, admite que a lei pode ser esvaziada: "Não tem nada seguro. Não é certo que a lei valerá para 2012".
Anteontem, o STF decidiu, por 6 votos a 5, que os efeitos da lei não se aplicam à eleição de 2010 devido ao princípio da anterioridade, que diz que qualquer mudança no processo eleitoral só pode ocorrer se for promulgada um ano antes do pleito.

Dia do estudante
Jovem protesta no Congresso por mais verbas; em SP, houve ato contra aumento do ônibus, sobre o qual Justiça quer explicação do prefeito
Estudantes cobraram ontem da presidente Dilma Rousseff um aumento para 10% no índice do PIB (Produto Interno Bruto) destinado à educação. Hoje, são 5%. Não ouviram dela, porém, nenhum comprometimento.
O projeto do PNE (Plano Nacional da Educação) para entre 2011 e 2020, em tramitação na Câmara, prevê 7% nesse período. Aos estudantes Dilma afirmou que "a disputa ocorrerá no Congresso".
UNE (União Nacional dos Estudantes) e Ubes (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas) esperam que uma emenda fixe o índice em 10%, com apoio do governo.
Horas antes de uma comissão ser recebida por Dilma, 10 mil estudantes, segundo os organizadores, fizeram passeata pela Esplanada dos Ministérios. Alguns chegaram a entrar no espelho d"água em frente ao Congresso.
Os jovens querem ainda ressuscitar a destinação de 50% do fundo social do pré-sal para a educação, aprovada pelo Congresso, mas vetada pelo ex-presidente Lula.

Planalto tenta nova fórmula de aposentadoria
O governo começou a negociar com as centrais sindicais uma nova fórmula para o cálculo das aposentadorias dos trabalhadores do setor privado, em mais uma tentativa de contornar resistências que elas impõem a mudanças na Previdência Social.
A nova opção do governo é uma fórmula simples, que somaria o tempo de contribuição e a idade do trabalhador na hora da aposentadoria. Homens poderiam se aposentar sem sofrer redução dos seus benefícios quando a soma fosse 95. Mulheres poderiam fazer o mesmo quando a soma desse 85.
A fórmula substituiria o fator previdenciário, mecanismo criado em 1999 para incentivar os trabalhadores a adiar a aposentadoria. As centrais sindicais pressionam o governo a extingui-lo.

Imposto para compras fora do país aumenta
O Palácio do Planalto fechou ontem à noite o texto do decreto presidencial que eleva o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) das compras no exterior com cartão de crédito. O tributo mais do que dobrará, passando de 2,38% para 6,38%.
Também foi concluído o texto da medida provisória que reajusta a tabela de Imposto de Renda Retido na Fonte em 4,5%, conforme negociado com sindicalistas. Os documentos serão entregues hoje para análise e assinatura da presidente Dilma Rousseff.
Os estudos para elevar o imposto no cartão de crédito foram antecipados pela Folha no dia 8 de fevereiro.

Governo estuda meio de preservar verbas para emendas, diz ministra
A ministra Miriam Belchior (Planejamento) disse ontem que o governo ainda não definiu como vai resolver o problema dos restos a pagar de emendas parlamentares acumulados desde 2007.
O prazo para o pagamento expira em 30 de abril. Depois disso, esses recursos são cancelados. Nos últimos dias tem crescido a pressão de congressistas sobre o governo para que o prazo seja prorrogado.
O tema deverá ser um dos principais tópicos da primeira reunião do conselho político do governo sob a presidente Dilma Rousseff, no Planalto.

Direção da Caixa muda e atende a pedido de cargos feito pelo PMDB
A presidente Dilma Rousseff decidiu mudar o comando da Caixa Econômica Federal e começou a atender pedidos de nomeações do PMDB na instituição. A troca na CEF vinha sendo negociada desde o início de março, conforme a Folha antecipou.
A atual presidente, Maria Fernanda Ramos Coelho, foi substituída pelo vice-presidente de Governo, Jorge Hereda. O peemedebista Geddel Vieira Lima foi nomeado para a vice-presidência de Pessoa Jurídica.
Cobiçada pelo PMDB, a vice-presidência de Loterias e Fundos ficou temporariamente vaga com a saída de Joaquim Lima de Oliveira, transferido para a de Tecnologia. O nome indicado pelos peemedebistas do Rio, Francisco Nonato, foi vetado pelo Planalto. O PMDB indicará três novos nomes.

Ex-presidente do BC e empresários são indiciados pela PF
A Polícia Federal indiciou o ex-presidente do Banco Central Persio Arida em um dos inquéritos da Operação Satiagraha, por suposta prática de gestão fraudulenta, evasão de divisas e formação de quadrilha, à época em que ele foi um dos dirigentes do Opportunity Fund, do banqueiro Daniel Dantas.
Também foram indiciados sob a acusação de evasão de divisas 42 cotistas do fundo, segundo o inquérito. A Folha obteve o nome de 26 deles.
Entre os acusados estão o secretário estadual de Desenvolvimento e Promoção do Investimento do Rio Grande do Sul, Mauro Knijinik, o empresário Romeu Chap Chap, a dona da rede "Amor aos Pedaços", Silvana Abramovay Marmont, e o sócio da casa de espetáculos HSBC Brasil Gladson Tedesco.

Governo destina R$ 5,3 bilhões para o BNDES
O Tesouro Nacional injetou na semana passada mais R$ 5,3 bilhões no BNDES, o que eleva o valor a ser colocado no banco estatal neste ano dos R$ 55 bilhões previstos para mais de R$ 60 bilhões.
No ano passado, uma medida provisória autorizou o Tesouro a emitir títulos para transferir até R$ 30 bilhões ao BNDES. O dinheiro serviria para que o banco participasse da capitalização da Petrobras.
Foram necessários, no entanto, apenas R$ 24,7 bilhões. A diferença foi usada, agora, para se destinar mais recursos ao banco.
No total, o BNDES já recebeu cerca de R$ 210 bilhões desde 2008.

Tribunal afasta juiz investigado por fraudes em empréstimos
O Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, em Brasília, afastou o juiz federal Moacir Ferreira Ramos, investigado por suposta participação em uma fraude que desviou dinheiro de empréstimos concedidos por uma fundação ligada ao Exército.
Auditoria da associação de juízes que Ramos já presidiu revelou que entre os beneficiários dos empréstimos estão associados fantasmas ou usados como laranjas.
Como a Folha revelou, cerca de 700 contratos de empréstimos foram feitos em nome de 140 magistrados que desconheciam o fato.
Ramos é investigado por supostamente ter firmado os contratos e ficará afastado até que seja concluído o processo de sua aposentadoria.

Dois de Fukushima são internados com queimaduras
Dois operários da usina de Fukushima foram hospitalizados com queimaduras nas pernas. Eles pisaram em água contaminada por radiação. Em Tóquio, o governo revogou a recomendação de evitar dar água de torneira para bebês.


CORREIO BRAZILIENSE

Dilma dá as costas a "amigão" de Lula
Brasil muda posição em relação ao Irã e vota a favor de resolução da Onu para investigar violações de direitos humanos perpetradas pelo governo de Ahmadinejad, queridinho do então presidente Lula. Pelo menos nos últimos sete anos, o Itamaraty se absteve de votar quando essa questão envolvia Teerã. A nova postura evidencia, até agora, a mais radical divergência entre Dilma e Lula, seu antecessor e mentor político.

Ficha Limpa corre risco de não valer nem em 2012
Queda da validade da lei para 2010 foi só o primeiro golpe. Ministros do STF e especialistas avaliam que é grande o risco de a Ficha Limpa ser desconstruída item por item em novo julgamento no Supremo. Além disso, a corte do TSE que sustentou a legislação para as eleições do ano passado não será a mesma no ano que vem.

Álcool sobe: Litro chega a R$ 2,84, quase igual à gasolina

Educação à parte
Estudantes invadem espelho d’água do Congresso para cobrar mais dinheiro para o ensino. A presidente Dilma prometeu que universidades não serão atingidas por cortes no Orçamento.

Pandora: Contagem regressiva contra Bandarra e Guerner
Denunciados por vários crimes, muitos relacionados à Operação Caixa de Pandora, o ex-procurador geral do DF Leonardo Bandarra e a promotora Deborah Guerner poderão ser demitidos de seus cargos em 6 de abril pelo Conselho Nacional do Ministério Público. Entre as acusações está a extorsão ao ex-governador Arruda para que um vídeo gravado por Durval Barbosa não fosse divulgado.

Loteamento político: PT e PMDB levam Caixa
Governo rateia cargos entre partidos e põe Geddel Vieira Lima em posto de chefia. Presidente da CEF deixa o banco e vai para o BID.


VALOR ECONÔMICO

Novos governadores dão sequência à guerra fiscal
Com menos de três meses de governo, sete Estados - São Paulo, Acre, Bahia, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rondônia e Ceará - já ampliaram benefícios fiscais do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), indicativo de que a guerra fiscal continua nas novas administrações.
Além de prorrogar incentivos que reduzem a 7% ou 12% o imposto devido por fabricantes de artigos de couro, higiene pessoal, cosméticos, instrumentos musicais, brinquedos, alimentos e têxteis, São Paulo também instituiu novos benefícios. Reduziu a alíquota efetiva do imposto para 7% nas vendas das indústrias de linha branca. Fabricantes de compensados e laticínios também tiveram benefícios.

Justiça gasta milhões para guardar ações encerradas
Enquanto avançam os programas do Judiciário para ampliar a informatização processual no Brasil, os tribunais gastam milhões de reais para guardar ações em papel já finalizadas. O Tribunal de Justiça de São Paulo, por exemplo, tem milhões de caixas de papelão com cerca de 70,5 milhões de processos em galpões e prédios, acumulados desde 1874 - ano em que a Corte estadual foi criada. O tribunal gasta mensalmente R$ 1,7 milhão para conservar a maior parte de seu acervo. Cerca de 10 milhões de ações estão no Complexo Judiciário do Ipiranga, na capital, em caixas colocadas em estantes de ferro de seis metros de altura, presas às paredes para evitar a queda de umas sobre as outras.
Na Justiça Federal de São Paulo a situação não é muito diferente. O gasto mensal é praticamente o mesmo do Judiciário estadual para a manutenção de milhões de processos e documentos administrativos arquivados.

Substituto de Agnelli começa a ser definido
Os acionistas controladores da Vale começam a definir hoje a substituição do executivo Roger Agnelli da presidência da companhia. O presidente do Conselho do Bradesco, Lázaro de Mello Brandão, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente da Previ (fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil), Ricardo Flores, se reúnem no fim da tarde, na sede do BB em São Paulo, para acertar os detalhes da demissão de Agnelli e da escolha de seu substituto.
Durante o encontro, haverá discussão de nomes para compor uma lista com três candidatos. A tendência é que a lista seja integrada por executivos da mineradora. Um dos nomes que vão compor a lista é o de Tito Botelho Martins, diretor-executivo de operações e metais básicos da Vale e diretor-presidente da Inco.

Gargalo tecnológico
O Brasil não está despreparado, do ponto de vista tecnológico, para promover a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016. A avaliação é de executivos do setor que participaram ontem de seminário promovido pelo Valor.

TAM na rodoviária
TAM fecha acordo com a empresa de transporte rodoviário Pássaro Marrom para a venda de passagens. É mais um passo na estratégia da companhia para atrair os passageiros da classe C.
Fonte: Congressoemfoco

O médico e o cangaceiro?

Dois baianos no comando da Caixa Econômica

Lílian Machado

As mudanças no âmbito do segundo escalão do governo da presidente Dilma Rousseff (PT) chegaram até a Caixa Econômica Federal (CEF) e no mesmo dia contemplaram dois baianos: o arquiteto Jorge Fontes Hereda para ocupar o maior cargo do banco estatal e o ex-ministro Geddel Vieira Lima para a vice-presidência de Pessoa Jurídica da instituição. Hereda, que tem ótima relação com o governador Jaques Wagner (PT), foi promovido à função de presidente da Caixa, em substituição à funcionária pública de carreira Maria Fernanda Ramos Coelho.

O anúncio foi confirmado ontem à noite, através de nota divulgada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. Além da indicação de Hereda e Geddel, outros nomes irão compor a nova cúpula da empresa estatal. As alterações ocorrem após o escândalo de fraudes no Banco Panamericano, adquirido pela instituição no final de 2009.

Consta que a presidente Dilma se sentiu impulsionada a mudar os comandos da Caixa, após os desgastes de negociações com o Banco Panamericano e a Caixa caracterizadas em avaliações recentes como um investimento inviável. Mesmo com o governo tendo evitado uma quebra da instituição bancária que esteve envolvida em um rombo que chegou às cifras de R$4,3 bilhões, Maria Fernanda não se sentiu mais em posição confortável na presidência da Caixa.

Militante do PT paulista, Hereda, que respondia por uma das vice-presidências da empresa, ocupa agora o seu lugar. Além do fato de ser vice, contou como ponto positivo para a indicação de seu nome também o fato de já ter coordenado o programa habitacional do governo Minha Casa, Minha Vida. Com longa carreira pública, o baiano com histórico de luta sindicalista também já havia assumido a vice-presidência de Desenvolvimento Urbano da instituição e a Secretaria de Habitação do Ministério das Cidades entre 2003 e 2005.

Uma das principais referências atribuídas a ele seria a de ter incentivado o crescimento do crédito imobiliário, umas das características da economia do governo Lula. Já Geddel, depois de alguns meses de expectativa e fortes especulações na imprensa, foi confirmado como vice-presidente da instituição.

Durante toda à tarde de ontem, o peemedebista negou sua indicação à imprensa. Além deles, ainda é aguardada uma possível indicação de outro baiano, o ex-senador César Borges, presidente do PR na Bahia, para compor um quadro no segundo escalão do governo. Ele teria sido sondado para a direção da Valec.

Entre os baianos que já preenchem cargos no segundo escalão estão Colbert Martins (PMDB), que assumiu o comando da Secretaria Nacional de Desenvolvimento do Turismo, do Ministério do Turismo, e Marco Lomanto na diretoria de Produtos e Destinos do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur).

Aliados se reúnem na segunda

As indicações para a Caixa suscitaram as discussões também sobre os cargos para órgãos federais com sedes na Bahia. Na próxima segunda-feira, o presidente do PT baiano, Jonas Paulo, e de demais partidos da base dos governos Wagner e Dilma pretendem debater mais uma vez a questão. Segundo Jonas, depois ocorrerão conversas também com PR e PMDB, que compõem apenas a aliança nacional.

Antes mesmo de saber da confirmação do nome de Hereda para a presidência do banco, Jonas exaltou que o partidário, que teria começado sua militância ainda em Salvador, é “um quadro de primeira, tendo total experiência na área executiva”. “Estamos nessa expectativa, mas não fazemos pressão, e se a presidenta definir nessa direção não será surpresa pelo quadro que ele é”, enfatizou. Ainda segundo Jonas, pelo seu currículo, Hereda chegou a ser cogitado para ministro. Aliados se reúnem na segunda

As indicações para a Caixa suscitaram as discussões também sobre os cargos para órgãos federais com sedes na Bahia. Na próxima segunda-feira, o presidente do PT baiano, Jonas Paulo, e de demais partidos da base dos governos Wagner e Dilma pretendem debater mais uma vez a questão. Segundo Jonas, depois ocorrerão conversas também com PR e PMDB, que compõem apenas a aliança nacional.

Antes mesmo de saber da confirmação do nome de Hereda para a presidência do banco, Jonas exaltou que o partidário, que teria começado sua militância ainda em Salvador, é “um quadro de primeira, tendo total experiência na área executiva”. “Estamos nessa expectativa, mas não fazemos pressão, e se a presidenta definir nessa direção não será surpresa pelo quadro que ele é”, enfatizou. Ainda segundo Jonas, pelo seu currículo, Hereda chegou a ser cogitado para ministro.

Fonte: Tribuna da Bahia

STF mantém texto da Lei Maria da Penha

Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) definiram ontem, por unanimidade, que a Lei Maria da Penha está de acordo com a Constituição, ao proibir o benefício de suspensão de pena em casos de agressões leves. A lei que pune crimes contra as mulheres está em vigor desde 2006.

A decisão foi tomada no julgamento do recurso apresentado por Cedenir Balbe Bertolini, condenado a prestar serviços à comunidade por ter dado empurrões em sua companheira. Ele pedia ao STF o direito de suspender a pena, contra o artigo da Lei Maria da Penha que impede esse benefício.

De acordo com a legislação de processo criminal, no caso de pena mínima de um ano é possível pedir suspensão do processo. Mas a Lei Maria da Penha impede a concessão desse benefício aos agressores de mulheres.

No julgamento, a subprocuradora-geral da República, Deborah Duprat, defendeu a legalidade da lei que pune os crimes contra as mulheres. “Considerando que vivemos numa sociedade marcadamente patriarcal, ao tratar igualmente homens e mulheres numa situação de violência doméstica incidiríamos em um preconceito”, disse a subprocuradora.

Na decisão unânime, todos os ministros do STF lembraram da desigualdade que marca os casos de violência contra mulheres. “[A lei], além de constitucional, é extremamente necessária porque é no seio da família que infelizmente se dá as maiores violências e as maiores atrocidades”, afirmou o ministro Dias Toffoli. “Todas as vezes que uma de nós é atingida, todas as mulheres do mundo são. É a autoestima que vai abaixo.

É esta mulher que não tem mais condições de cumprir seu papel com dignidade e estamos falando da dignidade humana”, declarou a ministra Cármen Lúcia. A ministra da Secretaria de Secretaria de Políticas para as Mulheres, Iriny Lopes, acompanhou o julgamento. “Eu estou duplamente satisfeita em primeiro, porque tenho acompanhado situação de violência como ministra das mulheres. Segundo porque fui relatora da Lei Maria da Penha”, afirmou.

Essa semana, durante sessão especial na Câmara Municipal de Salvador, a corregedora do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministra Eliana Calmon, chamou a atenção para o risco de enfraquecimento da legislação. Ela citou que cerca de 10% do Produto Interno Bruto do país é perdido por causa da violência contra as mulheres. A ministra justificou a estatística apresentada que limita o crescimento com os gastos que o Brasil tem com a saúde, tempo em que a vítima fica fora do trabalho e a movimentação estatal da polícia e da Justiça para assistir as mulheres vítimas de agressões físicas ou psicológicas.

“Estou certa de que esse quadro vai mudar. O fortalecimento, a união, e as parcerias estabelecidas pelos movimentos feministas serão fundamentais para essa situação mudar. A Câmara Municipal de Salvador, de maneira louvável, deixou de realizar a sessão ordinária para a votação de projetos para ouvir uma mulher, cidadã, que luta por mais respeito e direitos iguais para todos”, afirmou Eliana Calmon na ocasião, após lembrar as vitórias e as dificuldades enfrentas pelas mulheres ao longo da história.
Fonte: Tribuna da Bahia

Apesar da decisão do STF, Ficha Limpa ainda pode ser contestada


José Cruz/ABr

José Cruz/ABr / Plenário do Supremo durante a análise da validade da Ficha Limpa: ministros podem enfrentar outros questionamentos sobre a constitucionalidade da lei Plenário do Supremo durante a análise da validade da Ficha Limpa: ministros podem enfrentar outros questionamentos sobre a constitucionalidade da lei
Justiça

Apesar da decisão do STF, Ficha Limpa ainda pode ser contestada

Para especialistas, uma das dúvidas é se as normas previstas na lei podem levar em conta condenações anteriores à data de sua entrada em vigor

Publicado em 25/03/2011 | Euclides Lucas Garcia com agências

As polêmicas em torno da Lei da Ficha Limpa, criada com o propósito de se tornar uma barreira imediata aos candidatos com condenação judicial, não se encerraram com a decisão de quarta-feira do Supremo Tribunal Federal (STF) de que a medida só terá efeito a partir das eleições de 2012. Segundo especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo, vários outros pontos da lei ainda devem ter a constitucionalidade questionada no STF. Entre eles, se as normas previstas na lei podem ou não levar em conta condenações anteriores à data de sua entrada em vigor. Outro questionamento é quanto à previsão de inelegibilidade para pessoas condenadas por órgãos colegiados (mais de um juiz) e não apenas nas decisões em que não haja mais possibilidade de recursos.

O STF interpretou, por seis votos a cinco, que o texto da Ficha Limpa fere o artigo 16 da Cons­tituição, o qual estipula que mu­dan­ças na legislação eleitoral só têm eficácia se forem promulgadas um ano antes do pleito. Dessa forma, como a lei entrou em vigor em 4 de junho de 2010 – apenas quatro meses das eleições –, o entendimento do Supremo foi que a medida terá validade somente a partir das eleições de 2012.

“Fraqueza”do Legislativo faz com que Judiciário interfira na política

z A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) a respeito da Lei da Ficha Limpa trouxe à tona novamente a discussão em torno da judicialização da política – isto é, quando os tribunais afetam de modo determinante as condições do mundo político. Na opinião de especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo, a falta de protagonismo do Poder Legislativo e a democracia brasileira ainda em construção contribuem para que o Judiciário interfira tanto na política nacional.

Leia a matéria completa

Mais obstáculos

Apesar de o STF já ter decidido que a Lei da Ficha Limpa só terá efeito a partir das eleições municipais de 2012, especialistas apontam uma série de outros pontos da lei que ainda podem ter sua constitucionalidade questionada na Justiça. Veja os principais:

Tramitação no Congresso

Uma emenda do senador Francisco Dornelles (PP-RJ) substituiu a expressão “tenham sido” por “que forem” em relação às condenações que seriam abarcadas pela lei. Apesar de os congressistas terem considerado a alteração apenas uma mudança de redação, há quem defenda que a modificação foi substancial. Dessa forma, o projeto teria de voltar à Câmara e não ter seguido direto para sanção presidencial.

Retroatividade da lei

Especialistas divergem se a lei vale para condenações anteriores à data em que entrou em vigor ou para toda e qualquer condenação, independentemente do tempo. Os que defendem a primeira hipótese afirmam que a Constituição garante os direitos políticos àqueles que solicitaram registro de candidatura antes de condenação judicial. Os outros, porém, dizem que o passado do candidato pode sim pesar na sua elegibilidade, com base na legislação eleitoral e na própria Constituição.

Condenação por órgão colegiado

Apesar de a lei prever a inelegibilidade para pessoas condenadas por decisão de um órgão colegiado (mais de um juiz), especialistas entendem que não se pode cercear o direito individual de cada um de ser candidato enquanto não se esgotarem todos as possibilidade de recursos judiciais.

Fonte: Redação.

Imbróglio jurídico

Mesmo com a decisão anterior do Supremo, Jader pode assumir

Ag. Câmara

Um caso que deve gerar polêmica após a decisão da última quarta-feira do STF é o de Jader Barbalho (PMDB). Segundo colocado na eleição para o Senado no Pará em 2010, o peemedebista teve o registro de candidatura negado com base na Lei da Ficha Limpa, por ter renunciado ao mandato de senador, em 2001, para evitar um processo de cassação. Tanto o TRE do Pará quanto o TSE negaram o registro a Barbalho, que, então, recorreu ao Supremo. No dia 27 de outubro, entretanto, os ministros do STF mantiveram a decisão do TSE, após o julgamento ter terminado empatado em cinco a cinco.

Agora, com o entendimento do Supremo de que a Ficha Limpa só vale a partir das eleições municipais de 2012, Barbalho poderá entrar com um recurso para o STF rever sua decisão anterior e, assim, assumir o mandato. Mas há um impasse jurídico pela frente: o Supremo, que já julgou Barbalho em última instância, pode reverter um julgamento anterior? “O povo do Pará já havia feito justiça nas urnas. Agora, o Supremo fez a justiça de mostrar que a Constituição tem de ser respeitada”, disse o peemedebista. Atual ocupante da vaga de Barbalho, a senadora Marinor Brito (PSol-PA) afirmou que vai tentar dificultar a posse do peemedebista e de todos os demais fichas-sujas beneficiados pela decisão do STF. (ELG)

Entretanto, como a lei foi usada para barrar centenas de candidatos na disputa eleitoral do ano passado, criou-se uma situação em que políticos que concorreram sub judice sejam agora empossados, alterando a configuração do Con­­­gresso (veja matéria ao lado). Isso porque a decisão do STF se aplicará a 60 recursos que questionam a aplicabilidade da Ficha Limpa nas eleições de 2010. Eventualmente, só poderão assumir o mandato aqueles que já tiverem recursos tramitando na Justiça.

Essa insegurança jurídica vivida nas últimas eleições deve marcar a aplicação da Ficha Limpa também no próximo pleito, de acordo com especialistas consultados pela Gazeta. Uma dessas polêmicas envolve a validade ou não da lei nas condenações anteriores à data em que ela entrou em vigor.

Para Carlos Luiz Strapazzon, professor de Direitos Fundamen­­­tais da Universidade do Oeste de Santa Catarina, o entendimento do Supremo já de­­­monstra que, nos casos que vierem a ser julgados, não valerá a retroatividade. “A meu ver, o STF colocou um ponto final nessa discussão. De que não se pode causar nenhum dano aos direitos políticos daqueles que solicitaram registro de candidatura antes da decisão do Supremo.”

A opinião é compartilhada pelo advogado Flávio Pansieri, presidente da Academia Brasileira de Direito Constitucional. Para ele, em nenhum Estado Democrático de Direito seria possível aplicar uma lei de forma retroativa, conforme o julgamento do STF.

Já o professor de Direito Cons­­­titucional da PUC-SP Luiz Tarcísio Ferreira defende que o passado do candidato pode pesar para a inelegibilidade na disputa eleitoral, como uma espécie de pré-requisito. “De um modo geral, a Constitui­­­ção e a legislação eleitoral apontam nesse sentido”, garante.

Um dos argumentos contra essa tese, porém, está na alteração promovida por uma emenda do senador Francisco Dornelles (PP-RJ) ao texto original da Ficha Limpa, que substituiu a expressão “tenham sido” por “que forem” em relação às condenações que seriam abarcadas pela lei. Para Ferreira, inclusive, esse sim é um ponto que pode ter tornado a lei inconstitucional. “O trâmite correto, a partir da aprovação da emenda, seria devolver o texto à Câmara e não tê-lo enviado direto para sanção, uma vez que houve uma alteração no alcance da lei e não apenas de redação”, alerta.

Ontem, o ministro Ricardo Lewandowski, que também é presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), reforçou a tese defendida pelos especialistas ouvidos pela reportagem. Ele esclareceu que a única conclusão do julgamento de quarta-feira é de que a Lei da Ficha Limpa não tem validade para 2010. Sobre o futuro, “não tem nada seguro”, segundo o ministro. “Essa foi a única decisão tomada. O Supremo não se pronunciou sobre a constitucionalidade da lei. Formalmente, a lei está em vigor e se aplicará às eleições de 2012. Mas não significa que ela esteja imune a futuros questionamentos”, afirmou

De acordo com o ministro, não há prazo para recontagem dos votos e nova proclamação dos eleitos. “Cada processo tem seu andamento diferenciado. Então, cada ministro examinará caso a caso e, inclusive, verificará se o caso daquele recurso se enquadra ou não na Ficha Limpa. Portanto, é um processo que demorará certo tempo, não será imediato.”

Presunção de inocência

Outra inconstitucionalidade apontada na lei estaria na previsão de inelegibilidade a candidatos condenados por mais de um juiz. Na visão dos especialistas, não se pode restringir os direitos de qualquer cidadão sem que todas as possibilidades de recursos judiciais tenham se esgotado.

Fonte: Gazeta do Povo

INSS é réu em 5,8 milhões de ações

Brasileiros que precisam do auxílio-doença saem da perícia com data marcada para voltar ao trabalho, o que vem gerando problemas e uma pilha de processos judiciais

Publicado em 25/03/2011 | Gabriel Azevedo


No Brasil existem 5,8 milhões de ações judiciais tramitando contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Apenas no Paraná, de acordo com estimativas do Sindicato Nacional dos Aposen­­tados e Pensionistas da Força Sin­­dical (Sindinap), são aproximadamente 150 mil processos. O INSS não confirma, mas estimativas apontam que entre 50% e 70% desses processos previdenciários são motivados por problemas com os auxílios, entre eles o auxílio-doença. A estimativa é do procurador federal e professor de Direito Previ­­denciário da Pontifícia Univer­­sidade Católica de São Paulo (PUCSP) Miguel Horvath Junior.

Segundo Horvath, nos últimos anos, o número de processos envolvendo benefícios aumentou muito. “De dois anos para cá, cresceu o número de processos envolvendo os benefícios. De cada dez análises, posso afirmar que sete tratam de algum auxílio”, afirma. Um dos motivos para o crescimento dos nú­­­­meros de processos, segundo o procurador, autor do livro Direito Previdenciário, é o aumento da oferta gratuita de auxílio jurídico. Mas esse não é o principal fator: o grande número de ações tem sido gerado pela alta programada, quando o trabalhador sai da perícia com o prazo determinado para voltar ao trabalho.

Conheça seus direitos

Saiba mais sobre o auxílio-doença e quem procurar caso você se sinta prejudicado:

O que é

- É o beneficio concedido ao segurado impedido de trabalhar por mais de 15 dias consecutivos por causa de doença ou acidente. Para ter direito, o trabalhador tem de contribuir para a Previdência Social por, no mínimo, 12 meses. Para concessão de auxílio-doença é necessária a comprovação da incapacidade em exame realizado pela perícia médica da Previdência Social. O auxílio-doença deixa de ser pago quando o segurado recupera a capacidade e retorna ao trabalho ou quando o benefício se transforma em aposentadoria por invalidez.

Como entrar com a ação

- Quem se sentir prejudicado pode entrar com um processo. Para isso, deve procurar um advogado ou buscar uma das seguintes alternativas:

- Defensoria Pública da União no Paraná: atendimento apenas para pessoas que ganham até dez salários mínimos. Fica na Rua Voluntários da Pátria, 546, no Centro de Curitiba. Telefone (41) 3232-9797.

- Juizado Especial Federal Previdenciário: o atendimento é irrestrito. Fica na Rua Voluntários da Pátria, 532, no Centro da capital. Telefone: (41) 3219-7500.

Onde denunciar

- No Ministério Público Federal é possível fazer uma representação.

O segurado pode fazer a queixa pessoalmente (na Rua Marechal Deodoro, 933, no Centro de Curitiba) ou pela internet (no site www.prpr.mpf.gov.br, no ícone Fale Conosco).

As regras para a concessão desse benefício, utilizado anualmente por mais de 1,5 milhão de brasileiros, mudaram em 2005, com a instituição da alta programada. Antes, depois da primeira perícia, o benefício era cessado apenas quando o trabalhador passasse novamente pelo médico perito. A principal crítica à alta programada é o corte automático do benefício. Muitas vezes, o trabalhador não consegue marcar nova perícia antes do prazo vencer. Ou ele tenta voltar à empresa e não é aceito, por ainda ser considerado doente. Com isso, o resultado é uma verdadeira avalanche de ações.

“A alta programada foi criada para situações específicas, previsíveis, para quando um trabalhador quebra a perna, por exemplo. Mas, com o tempo, o INSS se aproveitou da situação e começou a aplicá-la em todas as situações, para todas as doenças, inclusive câncer e aids, em que o médico não tem como determinar o tempo de cura”, diz a presidente do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP), Melissa Folmann.

De acordo ela, muitas pessoas, por causa da alta programada, acabam perdendo o benefício e, pior, o salário, o que acaba gerando uma corrida à Justiça. “Os trabalhadores solicitam a prorrogação do benefício, para isso precisam passar por uma nova perícia. E se o paciente perde essa consulta? Ele precisará remarcar e esperar 30, 40 ou 50 dias por uma nova perícia”, explica. “Enquanto isto, ela fica sem receber, porque não pode voltar ao trabalho.”

Na opinião do presidente da Central Única dos Trabalhadores no Paraná (CUT-PR), Roni An­­derson Barbosa, a alta programada é uma grande dificuldade. “É um problema social. A perícia, normalmente, não é realizada por um médico especialista da área. Como este médico vai determinar quando aquele paciente ficará bom?”, indaga. “A especialidade de quem faz a perícia é de extrema importância. Existem várias sentenças judiciais condenando o INSS justamente por fazer a perícia com mé­­dicos não especialistas”, complementa Melissa Fol­­mann. Procu­­rado pela Gazeta do Povo, o presidente do INSS, Mauro Luciano Hauschild, não foi localizado para falar sobre o assunto.

Mudanças

As regras de concessão do auxílio-doença podem mudar. Atualmen­­te, caso um trabalhador precise se ausentar do trabalho por mais de 15 dias, ele é obrigado a se submeter a uma perícia médica. Em 2009, uma decisão da Justiça Federal da Bahia determinou que o INSS não suspenda o pagamento do auxílio-doença se o trabalhador pedir a prorrogação do benefício. O INSS recorreu da decisão. O caso aguarda julgamento definitivo no Tribunal Regional Federal da 1.ª região, em Brasília. A decisão que sair será válida para todo o país. No Senado, um projeto de lei propõe o fim da alta programada.

Segundo Humberto Tommasi, advogado e diretor do Instituto Nacional de Ensino Jurídico Avançado (Ineja), é importante que o INSS volte a ter a mesma postura do passado. Enquanto isso não acontece, o advogado afirma que o segurado precisa se abastecer de exames. “Um dos principais motivos que leva o perito a negar o benefício é a precariedade dos exames. É importante que o segurado apresente a maior quantidade possível de laudos médicos, de clínicas particulares ou não. Isso agiliza o trabalho dos peritos e diminui a possibilidade de o benefício ser negado.”

Fonte: Gazeta do Povo

Ganhou a Constituição, perdeu a moralidade pública

Carlos Chagas

Deveria o Supremo Tribunal Federal, quarta-feira, ter-se reunido para decidir sobre o anterior empate de 5 a 5, entre seus ministros, a respeito da validade da lei ficha limpa nas eleições do ano passado? Concluem que não muitos juristas consagrados, além de observadores experimentados na vida política nacional. Afinal, se houve empate, mandaria o Bom Direito que prevalecesse a decisão da instância imediatamente anterior, o Tribunal Superior Eleitoral, que por ampla maioria pronunciou-se pela aplicabilidade imediata da nova lei.

Sendo assim, de nada adiantaria o voto de desempate do décimo-primeiro ministro, recém nomeado. Luiz Fux nada teria a decidir porque a questão já estava decidida.

Apesar disso, entendeu o presidente da mais alta corte nacional de justiça, César Peluso, reabrir o processo, convidar os dez ministros a votar novamente, incumbindo o novo colega da palavra final.

Bom, e agora? E agora nada, porque não há mais a quem recorrer. O STF constitui a última instância jurisdicional do país. Falou, está falado. Só Papai do Céu poderia interferir para dispor que a lei ficha limpa era válida em 2010.

Quanto ao mérito, deve-se reconhecer a força da argumentação dos seis ministros contrários à aplicação imediata da lei. Para eles, prevalece a Constituição, que no artigo 16, dito cláusula pétrea, proíbe a vigência imediata de leis votadas no período de um ano anterior às eleições. Tratou-se a decisão, para o relator Gilmar Mendes e para seu mais novo pupilo, Luiz Fux, de um antídoto contra os casuísmos tão a gosto da ditadura militar. Uma garantia dada ao cidadão em favor do respeito à segurança jurídica e às regras do jogo, depois dele começado.

Claro que no reverso da medalha cinco ministros mantiveram seus pontos de vista favoráveis à aplicação da ficha limpa em 2010, coisa que apenas faria aprimorar o processo eleitoral e afastar das urnas e dos mandatos figuras antes condenadas por irregularidades e até crimes. Perdeu a moralidade pública.

JUSTIÇA AO CASAL CAPIBERIBE

Na prática, recuperam seus mandatos João Capiberibe, no Senado, e sua mulher Janete, na Câmara, mais votados no Amapá. Da mesma forma, volta ao convívio dos senadores o ex-presidente da casa, Jader Barbalho, do Pará. Cássio Cunha Lima, na Paraíba, assumirá como o senador mais votado, assim como Marcelo Miranda, do Tocantins, e João Pizolatti, deputado, por Santa Catarina.

Cada caso é um caso, mas, quanto aos Capiberibe, é de justiça que assumam seus mandatos. Já tinham sido punidos anteriormente sob a acusação, depois comprovada falsa, de gastarem 26 reais nas eleições de 2002, numa suposta compra de votos. Coisas da política local, onde não terá faltado a influência do senador José Sarney, adversário do casal.

ENGANOSA E ABUSIVA

Prepara-se a Câmara dos Deputados para botar a mão num vespeiro, numa iniciativa mais do que necessária. Nada contra a liberdade de expressão, mas a necessidade de conter uma das maiores pragas do mundo da propaganda, a publicidade enganosa e abusiva.

É natural que cada anunciante procure exaltar seus produtos, mas não dá para aceitar, cada vez com mais intensidade, a gente ver nas telinhas e ler nos jornais ofertas de 1.999,00 reais, e sucedâneos variadíssimos, quando preço real, no exemplo, é de 2.000,00 reais. A quem pensam enganar? Da mesma forma, é preciso tomar cuidado com a publicidade de produtos destinados à infância. E quanta coisa a mais?

DUREZA NECESSÁRIA

Na reunião do Conselho Político, ontem, no palácio do Planalto, a presidente Dilma Rousseff manteve a determinação de não abrir a guarda diante das permanentes reivindicações do PMDB por benesses e favores federais. Nomeações no segundo escalão virão a seu tempo, mas prevalecendo o critério técnico e de capacidade para os indicados pelos partidos políticos. A queda de braço vai continuar, apesar da recente declaração do vice-presidente Michel Temer em favor de mais espaços para o PMDB.

Fonte: Tribuna da Imprensa

Por causa do escândalo do Banco PnAmericano, a presidente da Caixa Econômica perde o emprego, mas caiu para cima. Vai representar o Brasil no BID, em Washington D.C., ganhando em dólares

Carlos Newton

A presidente Dilma Rousseff decidiu mudar o comando da Caixa Econômica Federal, e a presidente do banco estatal, Maria Fernanda Ramos Coelho, responsável pelo cumprimento da ordem de comprar o PanAmericano de Silvio Santos, já entregou seu cargo ao Ministro da Fazenda, Guido Mantega.

A mudança na cúpula da Caixa ocorre após o escândalo de fraudes no Banco Panamericano, adquirido pelo banco estatal no final de 2009. Mas não foi uma punição. A operosa executiva Maria Fernanda Ramos Coelho vai ocupar uma das mais belas sinecuras da República, como representante do Brasil no BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), com sede em Washington. D.C.

No troca-troca, as quatro vice-presidências deverão sofrer alterações, e também está de saída o vice-presidente e Finanças, Márcio Percival, coordenador da compra de metade do banco PanAmericano, determinada pelo então presidente Lula, para evitar que o banco de Silvio Santos fosse à falência.

Na mexida, quem vai se dar bem é o ex-ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), que vai assumir uma das vice-presidências, provavelmente a de Loterias, que foi de Moreira Franco no governo Lula.

Um dos últimos atos da presidente Maria Fernanda Coelho, depois de todo o escândalo, foi vir a público para orgulhosamente anunciar que a Caixa vai disponibilizar entre R$ 8 bilhões e 10 bilhões ao PanAmericano para dar liquidez ao banco.

Recapitulando: primeiro, PanAmericano recebeu R$ 739,2 milhões da Caixa. Não adiantou nada. Depois, o Fundo Garantidor de Crédito entrou com mais R$ 2,5 bilhões. Também não adiantou. O Fundo então aumentou sua operação de socorro para cerca de R$ 4 bilhões. E nada mudou, mais uma vez. E por fim a Caixa anuncia o aporte de 10 milhões.

Fonte: Tribuna da Bahia

Recordações da atriz Elizabeth Taylor, “a segunda mulher mais linda do mundo”.

Carlos Newton

Na década de 50,Richard Brooks era um dos maiores roteiristas e diretores de Hollywood e sempre sonhara em dirigir um filme colorido. Mas nao conseguia. Em 1958, pela Metro-Goldwing-Mayer, ele começou a dirigir “Gata em Teto de Zinco Quente, adaptação da célebre peça de Tennessee Williams.

As filmagens foram iniciadas com Elizabeth Taylor e Paulo Newman nos papéis principais. Passados alguns dias, um dos diretores da MGM então indagou a Brooks: “Como está indo o filme?” E ele deu uma resposta genial:

“Está tudo bem. Temos um roteiro sensacional, um galã perfeito para o papel, o cenário mais admirável que poderíamos imaginar, com a mansão e aquele gramado interminável, e temos também uma atriz que é a segunda mulher mais bonita do mundo. Pena que o filme seja em preto e branco”.

A resposta do diretor da MGM foi essa: “Mas como a segunda mulher mais bonita do mundo? Existe alguma mulher mais linda do que Liz Taylor?”

“Acredito que não. Mas pode ser que exista em algum lugar e a gente não conheça. De qualquer forma, podemos dizer que, pelo menos, Liz é a segunda mulher mais linda do mundo”, disse Brooks, fazendo o diretor cair na risada.

Passados alguns dias, veio uma ordem para interromper as filmagens, e Brook foi chamado para uma reunião com outro diretor do Estúdio MGM, que abriu a conversa assim: “Brooks, vamos refazer as filmagens, desta vez a cores. Como é que uma história dessas, com um cenário magnífico e um ator como Paul Newman contracenando com a segunda mulher mais linda do mundo, pode ser filmada em preto e branco?”

Espertíssimo, Brooks perguntou: “A segunda mulher mais linda do mundo? Então, qual é a primeira?”

E o diretor repetiu a piada de Brooks. Dizendo; “Posso ser que exista, em algum ligar, uma mulher mais bonita. Mas temos certeza de que Liz Taylor é, pelo menos, a segunda mais linda”.

Brooks caiu na risada, tinha bons motivos. E fez um filme sensacional filme a cores, que realmente enalteceu a obra de Tennessee Williams. Quanto à outra mulher, que seria a mais linda do mundo, ninguém nunca a encontrou.

Fonte: Tribuna da Imprensa

Depois do bombardeio, ou ocupação terrestre ou fracasso

Pedro do Coutto

O presidente Barack Obama ordenou o ataque à Líbia buscando derrubar ou matar o ditador Kadafi, ressalvando que a ação americana se restringiria aos mísseis sem que as forças americanas pisassem o solo de Trípoli. Impossível, como os exemplos históricos demonstram. No primeiro dia de ataque, aviões franceses já penetravam no espaço aéreo e davam curso aos bombardeios. A estratégia de Washington, dando seguimento à resolução da ONU, era a de contar com a capacidade dos rebelados contra a ditadura e retomarem a ofensiva para derrubar aquele que se encontra encastelado no poder absoluto há 42 anos. Não está aparecendo factível. Daí a resistência do governo constituído pela força.

No começo, as correntes avançaram e tomaram Bengazi, Tobruk e outras cidades importantes. Mas, com o passar dos dias, foram perdendo o ímpeto e provavelmente encontraram dificuldades para repor a munição gasta nos combates. Kadafi então reagiu. O massacre estava iminente, acentuado pelas ameaças do ditador. Foi neste ponto que a ONU decidiu pela ação militar. Ela foi desencadeada, como todos sabem. Porém bombardear somente não resolve. Nunca resolveu.

Veja-se a invasão da Normandia. As forças americanas, inglesas, canadenses e mais uma divisão voluntária polonesa tiveram que desembarcar. As de defesa comandadas por Rommel foram bombardeadas durante dias seguidos. Mas era indispensável tomar as praias. Foram mobilizados 157 mil homens sob o comando do general Eisenhower. A luta, das mais violentas, estendeu-se por dez dias até que subissem as encostas onde se situava a artilharia alemã e ganhassem o caminho para, primeiro Giverny, depois Paris. Já então sob o comando do general francês Le Clerc.

Em Giverny, encontra-se totalmente preservada a bela casa do pintor impressionista Claude Monet, hoje centro de atração turística. Fica na beira da estrada entre a Normandia e a eterna Cidade Luz. Mas esta é outra questão. O fundamental é que sem força terrestre é impossível a vitória ou, na falta desta, que sempre tem um caráter heróico, o êxito de uma investida.

Vejam os leitores o exemplo da participação (heróica) da Força Expedicionária Brasileira nos campos da Itália. A artilharia alemã estava fortificada em Monte Castelo e Montese. A aviação aliada bombardeou os redutos durante 48 horas ininterruptas. Mas era preciso conquistar os espaços. Os soldados brasileiros subiram as encostas de gelo sob fogo nazista. Venceram.
Centenas de outros exemplos podem ser apresentados. Como o cerco e a tomada de Berlim. Mas estes que alinho aqui são suficientes.

Por que têm que haver forças de ocupação? Simplesmente porque não tem sentido, o que seria possível militarmente, destruir-se todo o país ou cidades inteiras. Destruir retira o sentido econômico e político de que se revestem os atos humanos. Além do que, caso da Líbia, dizimaria a população, envolvendo portanto também os que pegaram em armas para depor Kadafi, principal alvo das forças americanas, francesas, britânicas, italianas, entre outras que nos últimos dias passaram a integrar a coligação internacional. Há petróleo na Líbia. Só um alucinado, talvez o próprio Kadafi, seria capaz de incendiá-lo. Para evitar tal desfecho, só as forças fixadas no solo.

No Globo de quarta-feira, Élio Gáspari ressaltou a hipótese se os EUA estarem fabricando um novo Che Guevara. Difícil. Guevara podia não ter o apoio de Fidel, que o enviou à Bolívia, mas tinha do povo cubano. Se tivesse o apoio do povo líbio, Kadafi não teria perdido o controle da situação. Como aconteceu. Sua queda, agora, é inevitável. Desaparece de cena.

Fonte: Tribuna da Imprensa

Supremo manda INSS pagar revisão pelo teto

Gisele Lobato
do Agora

O STF (Supremo Tribunal Federal) já está mandando o INSS pagar a correção pelo teto de quem tem uma ação na Justiça. O Supremo começou a devolver, para a primeira instância, os processos sobre o tema que estavam no tribunal. A primeira instância é responsável pela execução do pagamento da correção.

Além disso, a decisão do Supremo foi finalizada no último dia 21 de março --ou seja, não poderá mais ser contestada. Isso significa que, após essa data, o INSS não poderá recorrer do direito da revisão em nenhum tribunal do país.

O instituto somente poderá questionar os pontos que não estejam relacionados ao direito do segurado à revisão, como, por exemplo, a forma como a correção foi calculada.

Leia esta reportagem completa na edição impressa do Agora nesta sexta,

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