O atual prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro, assumiu o mandato em 2005, respaldado numa vitória acachapante sobre o adversário César Borges, então no PFL. Obteve 75% dos votos válidos. Em torno dele criou-se uma grande expectativa popular. Pelo resultado das últimas pesquisas, entretanto, a frustração parece ser o sentimento do eleitorado. No último levantamento do Datafolha, João Henrique, de 49 anos, aparece como um dos prefeitos de menor índice de aprovação das capitais brasileiras.
João Henrique, eleito pelo PDT, hoje está no PMDB. Sua administração tem sido marcada por problemas financeiros, que se refletem na sucessão de quatro secretários da fazenda em três anos. A escassez de recursos tem lhe dificultado até no custeio da máquina administrativa, com atraso no pagamento de salários dos servidores e falta de combustível para os veículos oficiais.
Avaliações
O presidente do PMDB, Lúcio Vieira Lima, irmão do ministro Geddel, discorda da avaliação negativa do prefeito. Para ele, o mandato de João Henrique pode ser dividido em duas fases. Os primeiros dois anos, quando a participação do PSDB prejudicou a gestão, dificultando a relação com o governo federal, e o último biênio, quando o prefeito abriu maior espaço para o PMDB na prefeitura.
- Agora a cidade está um canteiro de obras e as pesquisas já indicam a melhora na avaliação - garante Lúcio Vieira Lima.
Com relação à saída de outros quatro partidos da base desde o final de 2007, explica que o PCdoB optou por uma candidatura própria e não poderia permanecer à frente da secretaria de educação. Já o PDT saiu mas estaria voltando. O PV estaria dividido com parte dele ainda permanecendo no governo municipal.
- O PSB, sim, saiu porque vai lançar a deputada federal Lídice da Matta como candidata - disse.
Segundo os partidos, o desligamento da base estaria relacionada à defesa da prefeitura de um Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU), que fora aprovado no ano passado.
- Era uma necessidade premente para o desenvolvimento da cidade - diz Lúcio.
A visão dos partidos é de que faltou discussão com a sociedade e o projeto aprovado é nocivo aos interesses de Salvador. (J.P.M.F.)
Fonte: JB Online
segunda-feira, fevereiro 18, 2008
Radialista lidera a corrida pela prefeitura
José Pacheco Maia Filho Salvador
Ele tem aparecido sempre entre os mais lembrados pela população de Salvador nas pesquisas para prefeito. De segunda a sexta-feira, está presente no rádio e na tv com o programa Balanço Geral, o qual define como "ouvidoria do povo". Vítimas da precariedade do serviço público de saúde, do desemprego, da violência e criminalidade são personagens freqüentes dos horários que ele comanda na mídia. Com 60 anos de idade, o comunicador Raimundo Varela está no ar há 28. Antes de enveredar pelos meios de comunicação foi jogador de futebol profissional e gerente de uma fábrica de cimento, além de dirigente de clubes do subúrbio baiano.
Em sua carreira à frente do microfone, Varela nunca manifestara o desejo de trilhar o caminho da política, inclusive, chegara a falar no ar que nunca seria candidato. Mas, justifica, o transplante duplo que fez de fígado e rins em 2006 mexeu com sua cabeça.
- Mudei a forma de pensar. Cansei de ser serviçal e quero participar do poder - afirma, confirmando que será candidato pelo PRB.
Em 2004, seu nome apareceu nas pesquisas, empatado com o de João Henrique (PDT), atual prefeito. Segundo Varela, o senador Antonio Carlos Magalhães, na ocasião, lhe propôs ser vice de César Borges, que acabaria sendo derrotado por João Henrique.
Para Varela, se seu nome aparece entre os preferidos da população, é por causa do consenso que se tem criado que todo político é desonesto.
- Então, se há desgaste dos políticos, há espaço para os comunicadores - afirma o radialista, correligionário do vice-presidente, José Alencar (PRB).
Do vice de Lula, Varela ouviu que deveria administrar a cidade como se administra uma empresa privada.
- É isso que pretendo fazer, equilibrar receita e despesa, prestando sempre contas ao povo. Farei uma gestão transparente - diz, comentando superficialmente que a prefeitura gasta mal.
O pré-candidato diz que está criando musculatura política e empresarial. Trabalha na Rádio Sociedade da Bahia e TV Itapoan, veículos ligados à Igreja Universal, e tem apoio dos bispos ligados à instituição religiosa. Afirma que, se eleito, não pretende transformar o secretariado num balaio de gato.
Fonte: JB Online
Ele tem aparecido sempre entre os mais lembrados pela população de Salvador nas pesquisas para prefeito. De segunda a sexta-feira, está presente no rádio e na tv com o programa Balanço Geral, o qual define como "ouvidoria do povo". Vítimas da precariedade do serviço público de saúde, do desemprego, da violência e criminalidade são personagens freqüentes dos horários que ele comanda na mídia. Com 60 anos de idade, o comunicador Raimundo Varela está no ar há 28. Antes de enveredar pelos meios de comunicação foi jogador de futebol profissional e gerente de uma fábrica de cimento, além de dirigente de clubes do subúrbio baiano.
Em sua carreira à frente do microfone, Varela nunca manifestara o desejo de trilhar o caminho da política, inclusive, chegara a falar no ar que nunca seria candidato. Mas, justifica, o transplante duplo que fez de fígado e rins em 2006 mexeu com sua cabeça.
- Mudei a forma de pensar. Cansei de ser serviçal e quero participar do poder - afirma, confirmando que será candidato pelo PRB.
Em 2004, seu nome apareceu nas pesquisas, empatado com o de João Henrique (PDT), atual prefeito. Segundo Varela, o senador Antonio Carlos Magalhães, na ocasião, lhe propôs ser vice de César Borges, que acabaria sendo derrotado por João Henrique.
Para Varela, se seu nome aparece entre os preferidos da população, é por causa do consenso que se tem criado que todo político é desonesto.
- Então, se há desgaste dos políticos, há espaço para os comunicadores - afirma o radialista, correligionário do vice-presidente, José Alencar (PRB).
Do vice de Lula, Varela ouviu que deveria administrar a cidade como se administra uma empresa privada.
- É isso que pretendo fazer, equilibrar receita e despesa, prestando sempre contas ao povo. Farei uma gestão transparente - diz, comentando superficialmente que a prefeitura gasta mal.
O pré-candidato diz que está criando musculatura política e empresarial. Trabalha na Rádio Sociedade da Bahia e TV Itapoan, veículos ligados à Igreja Universal, e tem apoio dos bispos ligados à instituição religiosa. Afirma que, se eleito, não pretende transformar o secretariado num balaio de gato.
Fonte: JB Online
Candidatos disputam o espólio político de ACM
José Pacheco Maia Filho Salvador
A morte do senador Antonio Carlos Magalhães embaralhou o jogo da política baiana. A sucessão municipal em Salvador promete ter uma disputa acirrada este ano, como não se vê há muito tempo. Deve ficar para trás a tradicional polarização entre os carlistas, grupo liderado por ACM, e os anticarlistas, reunindo diversas matizes ideológicas. Até agora, sete pré-candidatos anunciaram a disposição de lutar pelos votos dos soteropolitanos. Estão na briga pelo Palácio Tomé de Souza o PMDB, PSDB, DEM, PCdoB, PTB, PSB, o nanico PRB e ainda, possivelmente, uma oitava candidatura ainda indefinida do PT.
A última pesquisa de intenção de voto, realizada pelo Datafolha no final do ano passado, sinaliza a falta de favoritismo e empate técnico entre quatro candidatos: o radialista Raimundo Varela (PRB), o ex-prefeito Antonio Imbassahy (PSDB), o atual João Henrique (PMDB) e o deputado federal ACM Neto (DEM). No PT, ainda indeciso se mantém a aliança para a reeleição de João Henrique ou se sai com uma candidatura independente, três nomes circulam: Nelson Pelegrino, o maior defensor de um nome do partido para a disputa, Walter Pinheiro e Luiz Alberto Santos.
Com estrutura de arrecadação tributária precária e endividamento de 2,7 vezes a receita anual, a administração de Salvador não é fácil. A carência da maioria de seus 3 milhões de habitantes, com rendimento inferior a R$ 500, exige políticas sociais e ações para a geração de emprego e renda. A observação de um professor da Universidade Federal da Bahia sinaliza para um jogo em que a vitória de Salvador funciona muito mais como estratégica para a conquista do governo estadual do que para a solução dos problemas da cidade.
- Atrelar a política municipal à estadual tem sido um veneno letal para Salvador - avalia.
Os pré-candidatos evitam reduzir a discussão política em torno da polarização. O diálogo está mais aberto. Parece que, desta vez, o foco do debate vai ser a cidade. ACM Neto acredita na possibilidade de administrar a cidade sem um centavo do governo do Estado ou do governo federal. Apesar de não ser a meta dele, diz que, se eleito, pretende equacionar os problemas financeiros, ajustar a gestão e em melhorar a qualidade do gasto público.
O comunicador Raimundo Varela, mesmo leigo com relação à administração pública e neófito na política, inclui no discurso a gestão responsável e a transparência administrativa.
Experiente, com dois mandatos à frente da prefeitura de Salvador, Antonio Imbassahy diz estar informado da situação da atual administração municipal, que teria um endividamento em curto prazo de R$ 300 milhões, mas não se assusta, porque, segundo ele, ao assumir o primeiro mandato em 1997, o quadro que encontrou não foi diferente.
- Faltou a João competência para criar projetos que aumentassem a arrecadação e captassem novos recursos - comenta Imbassahy.
Na defesa do prefeito, o presidente estadual do PMDB, Lúcio Vieira Lima, desqualifica as críticas do adversário:
- O menos indicado para falar de dívidas da prefeitura é Imbassahy. Ele deixou um débito de R$ 200 milhões de restos a pagar. E um dos erros de João foi pagar R$ 180 milhões de dívida do governo dele.
Fonte: JB Online
A morte do senador Antonio Carlos Magalhães embaralhou o jogo da política baiana. A sucessão municipal em Salvador promete ter uma disputa acirrada este ano, como não se vê há muito tempo. Deve ficar para trás a tradicional polarização entre os carlistas, grupo liderado por ACM, e os anticarlistas, reunindo diversas matizes ideológicas. Até agora, sete pré-candidatos anunciaram a disposição de lutar pelos votos dos soteropolitanos. Estão na briga pelo Palácio Tomé de Souza o PMDB, PSDB, DEM, PCdoB, PTB, PSB, o nanico PRB e ainda, possivelmente, uma oitava candidatura ainda indefinida do PT.
A última pesquisa de intenção de voto, realizada pelo Datafolha no final do ano passado, sinaliza a falta de favoritismo e empate técnico entre quatro candidatos: o radialista Raimundo Varela (PRB), o ex-prefeito Antonio Imbassahy (PSDB), o atual João Henrique (PMDB) e o deputado federal ACM Neto (DEM). No PT, ainda indeciso se mantém a aliança para a reeleição de João Henrique ou se sai com uma candidatura independente, três nomes circulam: Nelson Pelegrino, o maior defensor de um nome do partido para a disputa, Walter Pinheiro e Luiz Alberto Santos.
Com estrutura de arrecadação tributária precária e endividamento de 2,7 vezes a receita anual, a administração de Salvador não é fácil. A carência da maioria de seus 3 milhões de habitantes, com rendimento inferior a R$ 500, exige políticas sociais e ações para a geração de emprego e renda. A observação de um professor da Universidade Federal da Bahia sinaliza para um jogo em que a vitória de Salvador funciona muito mais como estratégica para a conquista do governo estadual do que para a solução dos problemas da cidade.
- Atrelar a política municipal à estadual tem sido um veneno letal para Salvador - avalia.
Os pré-candidatos evitam reduzir a discussão política em torno da polarização. O diálogo está mais aberto. Parece que, desta vez, o foco do debate vai ser a cidade. ACM Neto acredita na possibilidade de administrar a cidade sem um centavo do governo do Estado ou do governo federal. Apesar de não ser a meta dele, diz que, se eleito, pretende equacionar os problemas financeiros, ajustar a gestão e em melhorar a qualidade do gasto público.
O comunicador Raimundo Varela, mesmo leigo com relação à administração pública e neófito na política, inclui no discurso a gestão responsável e a transparência administrativa.
Experiente, com dois mandatos à frente da prefeitura de Salvador, Antonio Imbassahy diz estar informado da situação da atual administração municipal, que teria um endividamento em curto prazo de R$ 300 milhões, mas não se assusta, porque, segundo ele, ao assumir o primeiro mandato em 1997, o quadro que encontrou não foi diferente.
- Faltou a João competência para criar projetos que aumentassem a arrecadação e captassem novos recursos - comenta Imbassahy.
Na defesa do prefeito, o presidente estadual do PMDB, Lúcio Vieira Lima, desqualifica as críticas do adversário:
- O menos indicado para falar de dívidas da prefeitura é Imbassahy. Ele deixou um débito de R$ 200 milhões de restos a pagar. E um dos erros de João foi pagar R$ 180 milhões de dívida do governo dele.
Fonte: JB Online
Lula: CPI dos Cartões "não incomoda"
BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, na base brasileira na Antártida, que a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que vai investigar o uso dos cartões corporativos, "não incomoda". Na avaliação de Lula, o "cartão corporativo é a coisa mais decente que foi criada, ainda no governo anterior".
"Eu não sou deputado, não estou no Congresso Nacional. A CPI deve ter como objetivo detectar o que acontece de errado e apresentar sugestões que possam aperfeiçoar as contas públicas brasileiras", afirmou o presidente.
"Certamente, se a gente for analisar, no Brasil como um todo, deve haver muitos lugares onde as contas não têm a qualidade da prestação que possuem as contas do governo federal. Queremos aprimorar o Portal da Transparência, aprimorar o cartão, para que todo mundo saiba o que acontece todo o santo dia com os gastos públicos", disse.
Lula lembrou que, durante a campanha eleitoral de 2006, num debate, disse para o candidato tucano derrotado na disputa pela presidência da República, Geraldo Alckmin, "que a única coisa boa que o governo passado criou foi o cartão corporativo".
Para Lula, o cartão corporativo permite que a imprensa e os cidadãos, de casa, tenham acesso às informações sobre gastos no Portal da Transparência (www.portaldatransparencia.gov.br), disponibilizada pela Controladoria Geral da União (CGU). "É uma informação que nós estamos prestando à sociedade e eu fico agradecido quando a imprensa vai atrás; procure, encontre e publique, porque a gente vai consertando", observou Lula.
Ele defendeu ainda o uso dos cartões corporativos. "A idéia de que os cartões são prejudiciais é no mínimo ignorância de quem fala. Porque os cartões são a coisa mais moderna que existe. É uma coisa fantástica", afirmou.
Comando
Em represália à decisão do governo de ficar com os postos de comando da CPI Mista dos Cartões, os partidos de oposição ameaçam protocolar hoje requerimento para a criação de um comissão formada exclusivamente por senadores.
Uma reunião entre os líderes de oposição prevista para amanhã de manhã vai definir se o requerimento da CPI do Senado será apresentado antes do pedido de criação de CPI Mista, previsto para se lido em sessão do Congresso desta quarta-feira.
"Vamos pressionar para ter um dos postos de comando da CPI mista dos cartões corporativos. Se o governo não concordar com isso, colhemos assinaturas para uma CPI só do Senado em uma hora, impedindo a instalação da comissão mista", afirmou o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN). "É o último apelo que vamos fazer ao governo para ficarmos com a presidência ou a relatoria da CPI", completou.
"A reunião vai definir se devemos desistir do dialogo com o governo", observou o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio Neto (AM). Os governistas estão divididos em relação a ceder uma das vagas para a oposição. O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), é favorável à negociação.
Mas parte do PMDB e o PT são contra. "Não acho que o governo vai ceder uma das vagas para a oposição", disse o líder do PSB no Senado, Renato Casagrande (ES). A oposição estuda criar logo uma comissão de inquérito integrada apenas por senadores porque, segundo técnicos do Congresso, não é possível o funcionamento ao mesmo tempo de CPI Mista - que é composta por deputados e senadores - e de uma outra exclusiva do Senado sobre o mesmo tema.
Se o governo insistir em ficar com o comando da CPI Mista em suas mãos, a oposição protocola rapidamente o requerimento para a comissão só do Senado. São necessárias as assinaturas de, no mínimo, 27 senadores para a instalação de comissão exclusiva do Senado. O DEM e o PSDB juntos têm 28 senadores.
Instalação
A formalização para a instalação de uma CPI integrada apenas por senadores tem de acontecer antes da leitura do pedido de CPI Mista, que irá ocorrer em sessão do Congresso, na quarta-feira. "Vou ler o requerimento na quarta-feira, quando terá sessão do Congresso para analisar cerca de 50 vetos presidenciais a projetos aprovados", anunciou o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN).
A leitura do requerimento de CPI do Senado precisa ser feita em uma sessão da Casa, que ocorre todos os dias geralmente na parte da tarde. Em uma CPI Mista, a correlação de forças é desfavorável aos oposicionistas. Simulações preliminares apontam que, dos 24 cargos da comissão de inquérito, a oposição terá, na melhor das hipóteses, dez vagas.
Além disso, pelo regimento, a presidência e a relatoria da comissão cabem aos maiores partidos da Câmara e do Senado. O PMDB já anunciou o senador Neuto de Conto (SC) como presidente da CPI Mista. O ex-líder do PT na Câmara Luiz Sérgio (RJ) foi escolhido como relator. Em uma CPI exclusiva do Senado, o governo é obrigado a dividir com a oposição um dos cargos de comando da comissão de inquérito.
Fonte: Tribuna da Imprensa
"Eu não sou deputado, não estou no Congresso Nacional. A CPI deve ter como objetivo detectar o que acontece de errado e apresentar sugestões que possam aperfeiçoar as contas públicas brasileiras", afirmou o presidente.
"Certamente, se a gente for analisar, no Brasil como um todo, deve haver muitos lugares onde as contas não têm a qualidade da prestação que possuem as contas do governo federal. Queremos aprimorar o Portal da Transparência, aprimorar o cartão, para que todo mundo saiba o que acontece todo o santo dia com os gastos públicos", disse.
Lula lembrou que, durante a campanha eleitoral de 2006, num debate, disse para o candidato tucano derrotado na disputa pela presidência da República, Geraldo Alckmin, "que a única coisa boa que o governo passado criou foi o cartão corporativo".
Para Lula, o cartão corporativo permite que a imprensa e os cidadãos, de casa, tenham acesso às informações sobre gastos no Portal da Transparência (www.portaldatransparencia.gov.br), disponibilizada pela Controladoria Geral da União (CGU). "É uma informação que nós estamos prestando à sociedade e eu fico agradecido quando a imprensa vai atrás; procure, encontre e publique, porque a gente vai consertando", observou Lula.
Ele defendeu ainda o uso dos cartões corporativos. "A idéia de que os cartões são prejudiciais é no mínimo ignorância de quem fala. Porque os cartões são a coisa mais moderna que existe. É uma coisa fantástica", afirmou.
Comando
Em represália à decisão do governo de ficar com os postos de comando da CPI Mista dos Cartões, os partidos de oposição ameaçam protocolar hoje requerimento para a criação de um comissão formada exclusivamente por senadores.
Uma reunião entre os líderes de oposição prevista para amanhã de manhã vai definir se o requerimento da CPI do Senado será apresentado antes do pedido de criação de CPI Mista, previsto para se lido em sessão do Congresso desta quarta-feira.
"Vamos pressionar para ter um dos postos de comando da CPI mista dos cartões corporativos. Se o governo não concordar com isso, colhemos assinaturas para uma CPI só do Senado em uma hora, impedindo a instalação da comissão mista", afirmou o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN). "É o último apelo que vamos fazer ao governo para ficarmos com a presidência ou a relatoria da CPI", completou.
"A reunião vai definir se devemos desistir do dialogo com o governo", observou o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio Neto (AM). Os governistas estão divididos em relação a ceder uma das vagas para a oposição. O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), é favorável à negociação.
Mas parte do PMDB e o PT são contra. "Não acho que o governo vai ceder uma das vagas para a oposição", disse o líder do PSB no Senado, Renato Casagrande (ES). A oposição estuda criar logo uma comissão de inquérito integrada apenas por senadores porque, segundo técnicos do Congresso, não é possível o funcionamento ao mesmo tempo de CPI Mista - que é composta por deputados e senadores - e de uma outra exclusiva do Senado sobre o mesmo tema.
Se o governo insistir em ficar com o comando da CPI Mista em suas mãos, a oposição protocola rapidamente o requerimento para a comissão só do Senado. São necessárias as assinaturas de, no mínimo, 27 senadores para a instalação de comissão exclusiva do Senado. O DEM e o PSDB juntos têm 28 senadores.
Instalação
A formalização para a instalação de uma CPI integrada apenas por senadores tem de acontecer antes da leitura do pedido de CPI Mista, que irá ocorrer em sessão do Congresso, na quarta-feira. "Vou ler o requerimento na quarta-feira, quando terá sessão do Congresso para analisar cerca de 50 vetos presidenciais a projetos aprovados", anunciou o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN).
A leitura do requerimento de CPI do Senado precisa ser feita em uma sessão da Casa, que ocorre todos os dias geralmente na parte da tarde. Em uma CPI Mista, a correlação de forças é desfavorável aos oposicionistas. Simulações preliminares apontam que, dos 24 cargos da comissão de inquérito, a oposição terá, na melhor das hipóteses, dez vagas.
Além disso, pelo regimento, a presidência e a relatoria da comissão cabem aos maiores partidos da Câmara e do Senado. O PMDB já anunciou o senador Neuto de Conto (SC) como presidente da CPI Mista. O ex-líder do PT na Câmara Luiz Sérgio (RJ) foi escolhido como relator. Em uma CPI exclusiva do Senado, o governo é obrigado a dividir com a oposição um dos cargos de comando da comissão de inquérito.
Fonte: Tribuna da Imprensa
domingo, fevereiro 17, 2008
O garoto indio que foi enterrado vivo
Amalé quase foi morto em nome dos costumes indígenas. E a Funai faz vista grossa ao infanticídio de algumas tribos

PRECOCE O pequeno Amalé sonha com uma mochila, mas tem consciência de seu drama
Amalé tem quatro anos. Como muitas outras crianças, na terçafeira 12 ele foi pela primeira vez à escola, em Brasília. Índio da etnia kamaiurá, de Mato Grosso, Amalé chamava a atenção dos demais garotos porque era o único que não usava uniforme nem carregava uma mochila nas costas. Mas Amalé se destaca dos demais por um motivo muito mais preocupante. O pequeno índio é, na verdade, um sobrevivente de sua própria história. Logo que nasceu, às 7 horas de 21 de novembro de 2003, ele foi enterrado vivo pela mãe, Kanui. Seguia-se, assim, um ritual determinado pelo código cultural dos kamaiurás, que manda enterrar vivo aqueles que são gerados por mães solteiras. Para assegurar que o destino de Amalé não fosse mudado, seus avós ainda pisotearam a cova. Ninguém ouviu sequer um choro. Duas horas depois da cerimônia, num gesto que desafiou toda a aldeia, sua tia Kamiru empenhou-se em desenterrar o bebê. Ela lembra que seus olhos e narinas sangravam muito e que o primeiro choro só aconteceu oito horas mais tarde. Os índios mais velhos acreditam que Amalé só escapou da morte porque naquele dia a terra da cova estava misturada a muitas folhas e gravetos, o que pode ter formado uma pequena bolha de ar.
A dramática história desse pequeno índio é a face visível de uma realidade cruel, que se repete em muitas tribos espalhadas por todo o Brasil e que, muitas vezes, tem a conivência de funcionários da Funai, o organismo estatal que tem a missão de cuidar dos índios.
“Antes de desenterrar o Amalé, eu já tinha ouvido os gritos de três crianças debaixo da terra”, relata Kamiru, hoje com 36 anos. “Tentei desenterrar todos eles, mas Amalé foi o único que não gritou e que escapou com vida”, relata. A Funai esconde números e casos como este, mas os pesquisadores já detectaram a prática do infanticídio em pelo menos 13 etnias, como os ianomâmis, os tapirapés e os madihas. Só os ianomâmis, em 2004, mataram 98 crianças. Os kamaiurás, a tribo de Amalé e Kamiru, matam entre 20 e 30 por ano.
Os motivos para o infanticídio variam de tribo para tribo, assim como variam os métodos usados para matar os pequenos. Além dos filhos de mães solteiras, também são condenados à morte os recém-nascidos portadores de deficiências físicas ou mentais. Gêmeos também podem ser sacrificados. Algumas etnias acreditam que um representa o bem e o outro o mal e, assim, por não saber quem é quem, eliminam os dois. Outras crêem que só os bichos podem ter mais de um filho de uma só vez. Há motivos mais fúteis, como casos de índios que mataram os que nasceram com simples manchas na pele – essas crianças, segundo eles, podem trazer maldição à tribo. Os rituais de execução consistem em enterrar vivos, afogar ou enforcar os bebês. Geralmente é a própria mãe quem deve executar a criança, embora haja casos em que pode ser auxiliada pelo pajé.
Os próprios índios começam a se rebelar contra a barbárie. Neste momento, há pelo menos dez crianças indígenas em Brasília que foram condenadas à morte em suas aldeias. Fugiram com ajuda de religiosos e sobrevivem na capital graças a uma ONG, Atini, dirigida por missionários protestantes e apoiada por militantes católicos. A política oficial da Funai é enviar os exilados de volta à selva, mesmo que isso signifique colocar suas vidas em risco. “Não é verdade que entre os povos indígenas há mais violência e mais crueldade com seus infantes do que na população em geral”, sustenta Aloysio Guapindaia, presidente em exercício da Funai, em resposta por escrito à ISTOÉ. “O tema, tratado de uma forma superficial, transparece preconceito em relação aos costumes dos povos indígenas”, completa. Tem índio que não concorda. “Ninguém do governo nos ajuda a resolver o problema”, queixa-se Kamiru, com o auxílio de um tradutor. A recompensa pelo seu gesto de desafiar os costumes de sua gente vem daquele que ela salvou. “Minha verdadeira mãe não é a minha mãe. Minha mãe é a Kamiru”, diz o pequeno Amalé.
Outra índia que ousou enfrentar a tradição foi Juraka, também kamaiurá, de uma aldeia próxima à de Amalé. Ela está refugiada com a filha, Sheila, nove anos, no abrigo ao lado da Granja do Torto. A menina faz tratamento no hospital Sarah Kubitschek. Nasceu com distrofia muscular progressiva, uma doença que a impossibilita de andar. A tribo descobriu o problema quando Sheila deveria estar dando os primeiros passos. A mãe fugiu antes de ser obrigada a aplicar a tradição. “Não gosto desse costume de enterrar a pessoa viva”, diz Juraka, também com a ajuda do tradutor. No hospital os médicos disseram que não há nada a fazer. Sheila deverá passar a vida numa cadeira de rodas. “É a pessoa que mais amo no mundo, mais que meus outros filhos”, diz Juraka. Mãe e filha já retornaram algumas vezes à tribo. Os índios passaram a respeitar a coragem de Juraka e já começam a aceitar Sheila.
“É um absurdo fechar os olhos para o genocídio infantil, sob qualquer pretexto”, diz Edson Suzuki, diretor da ONG Atini. “Não se pode preservar uma cultura que vai contra a vida. Ter escravos negros também já foi um direito cultural”, compara. Suzuki cria a garota Hakani, dos surwahás do Amazonas. Ela hoje tem 13 anos. A menina nasceu com dificuldades para caminhar. Os pais se recusaram a matá-la; preferiam o suicídio. O irmão mais velho, então com 15 anos, tentou abatê-la com golpes de facão no rosto, mas ela sobreviveu.
“O infanticídio é uma prática tradicional nociva”, ataca a advogada Maíra Barreto, que pesquisa o genocídio indígena para uma tese de doutorado na Universidade de Salamanca, na Espanha. “E o pior é que a Funai está contagiada com esse relativismo cultural que coloca o genocídio como correto”, ataca o deputado Henrique Afonso, do PT do Acre, autor de um projeto de lei que pune qualquer pessoa não índia que se omita de socorrer uma criança que possa ser morta.
Longe da tribo, Amalé quer continuar a freqüentar a escola, mas exige uma mochila. Ele já fala bem o português e avisa que gosta muito de carros. Quer dirigir um quando crescer. “Vamos aprender muito mais com Amalé do que ele com a gente”, diz a diretora da escola, Aline Carvalho.
“NÃO SE PODE PRESERVAR UMA CULTURA QUE VAI CONTRA A VIDA”
Edson Suzuki, diretor da ONG Atini
Fonte: ISTOÉ

PRECOCE O pequeno Amalé sonha com uma mochila, mas tem consciência de seu drama
Amalé tem quatro anos. Como muitas outras crianças, na terçafeira 12 ele foi pela primeira vez à escola, em Brasília. Índio da etnia kamaiurá, de Mato Grosso, Amalé chamava a atenção dos demais garotos porque era o único que não usava uniforme nem carregava uma mochila nas costas. Mas Amalé se destaca dos demais por um motivo muito mais preocupante. O pequeno índio é, na verdade, um sobrevivente de sua própria história. Logo que nasceu, às 7 horas de 21 de novembro de 2003, ele foi enterrado vivo pela mãe, Kanui. Seguia-se, assim, um ritual determinado pelo código cultural dos kamaiurás, que manda enterrar vivo aqueles que são gerados por mães solteiras. Para assegurar que o destino de Amalé não fosse mudado, seus avós ainda pisotearam a cova. Ninguém ouviu sequer um choro. Duas horas depois da cerimônia, num gesto que desafiou toda a aldeia, sua tia Kamiru empenhou-se em desenterrar o bebê. Ela lembra que seus olhos e narinas sangravam muito e que o primeiro choro só aconteceu oito horas mais tarde. Os índios mais velhos acreditam que Amalé só escapou da morte porque naquele dia a terra da cova estava misturada a muitas folhas e gravetos, o que pode ter formado uma pequena bolha de ar.
A dramática história desse pequeno índio é a face visível de uma realidade cruel, que se repete em muitas tribos espalhadas por todo o Brasil e que, muitas vezes, tem a conivência de funcionários da Funai, o organismo estatal que tem a missão de cuidar dos índios.
“Antes de desenterrar o Amalé, eu já tinha ouvido os gritos de três crianças debaixo da terra”, relata Kamiru, hoje com 36 anos. “Tentei desenterrar todos eles, mas Amalé foi o único que não gritou e que escapou com vida”, relata. A Funai esconde números e casos como este, mas os pesquisadores já detectaram a prática do infanticídio em pelo menos 13 etnias, como os ianomâmis, os tapirapés e os madihas. Só os ianomâmis, em 2004, mataram 98 crianças. Os kamaiurás, a tribo de Amalé e Kamiru, matam entre 20 e 30 por ano.
Os motivos para o infanticídio variam de tribo para tribo, assim como variam os métodos usados para matar os pequenos. Além dos filhos de mães solteiras, também são condenados à morte os recém-nascidos portadores de deficiências físicas ou mentais. Gêmeos também podem ser sacrificados. Algumas etnias acreditam que um representa o bem e o outro o mal e, assim, por não saber quem é quem, eliminam os dois. Outras crêem que só os bichos podem ter mais de um filho de uma só vez. Há motivos mais fúteis, como casos de índios que mataram os que nasceram com simples manchas na pele – essas crianças, segundo eles, podem trazer maldição à tribo. Os rituais de execução consistem em enterrar vivos, afogar ou enforcar os bebês. Geralmente é a própria mãe quem deve executar a criança, embora haja casos em que pode ser auxiliada pelo pajé.
Os próprios índios começam a se rebelar contra a barbárie. Neste momento, há pelo menos dez crianças indígenas em Brasília que foram condenadas à morte em suas aldeias. Fugiram com ajuda de religiosos e sobrevivem na capital graças a uma ONG, Atini, dirigida por missionários protestantes e apoiada por militantes católicos. A política oficial da Funai é enviar os exilados de volta à selva, mesmo que isso signifique colocar suas vidas em risco. “Não é verdade que entre os povos indígenas há mais violência e mais crueldade com seus infantes do que na população em geral”, sustenta Aloysio Guapindaia, presidente em exercício da Funai, em resposta por escrito à ISTOÉ. “O tema, tratado de uma forma superficial, transparece preconceito em relação aos costumes dos povos indígenas”, completa. Tem índio que não concorda. “Ninguém do governo nos ajuda a resolver o problema”, queixa-se Kamiru, com o auxílio de um tradutor. A recompensa pelo seu gesto de desafiar os costumes de sua gente vem daquele que ela salvou. “Minha verdadeira mãe não é a minha mãe. Minha mãe é a Kamiru”, diz o pequeno Amalé.
Outra índia que ousou enfrentar a tradição foi Juraka, também kamaiurá, de uma aldeia próxima à de Amalé. Ela está refugiada com a filha, Sheila, nove anos, no abrigo ao lado da Granja do Torto. A menina faz tratamento no hospital Sarah Kubitschek. Nasceu com distrofia muscular progressiva, uma doença que a impossibilita de andar. A tribo descobriu o problema quando Sheila deveria estar dando os primeiros passos. A mãe fugiu antes de ser obrigada a aplicar a tradição. “Não gosto desse costume de enterrar a pessoa viva”, diz Juraka, também com a ajuda do tradutor. No hospital os médicos disseram que não há nada a fazer. Sheila deverá passar a vida numa cadeira de rodas. “É a pessoa que mais amo no mundo, mais que meus outros filhos”, diz Juraka. Mãe e filha já retornaram algumas vezes à tribo. Os índios passaram a respeitar a coragem de Juraka e já começam a aceitar Sheila.
“É um absurdo fechar os olhos para o genocídio infantil, sob qualquer pretexto”, diz Edson Suzuki, diretor da ONG Atini. “Não se pode preservar uma cultura que vai contra a vida. Ter escravos negros também já foi um direito cultural”, compara. Suzuki cria a garota Hakani, dos surwahás do Amazonas. Ela hoje tem 13 anos. A menina nasceu com dificuldades para caminhar. Os pais se recusaram a matá-la; preferiam o suicídio. O irmão mais velho, então com 15 anos, tentou abatê-la com golpes de facão no rosto, mas ela sobreviveu.
“O infanticídio é uma prática tradicional nociva”, ataca a advogada Maíra Barreto, que pesquisa o genocídio indígena para uma tese de doutorado na Universidade de Salamanca, na Espanha. “E o pior é que a Funai está contagiada com esse relativismo cultural que coloca o genocídio como correto”, ataca o deputado Henrique Afonso, do PT do Acre, autor de um projeto de lei que pune qualquer pessoa não índia que se omita de socorrer uma criança que possa ser morta.
Longe da tribo, Amalé quer continuar a freqüentar a escola, mas exige uma mochila. Ele já fala bem o português e avisa que gosta muito de carros. Quer dirigir um quando crescer. “Vamos aprender muito mais com Amalé do que ele com a gente”, diz a diretora da escola, Aline Carvalho.
“NÃO SE PODE PRESERVAR UMA CULTURA QUE VAI CONTRA A VIDA”
Edson Suzuki, diretor da ONG Atini
Fonte: ISTOÉ
Prédio de Finatec é fechado na manhã deste sábado
Thomaz PiresDo CorreioWeb
Atualizada às 16h15
16/02/200814h57-O prédio onde funciona a sede da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), localizado dentro do campus da Universidade de Brasília (UnB), foi fechado na manhã deste sábado. Por volta das 9h, cerca de 30 alunos que assistiam às aulas de pós-graduação em Agronomia e funcionários foram retirados do edifício. A medida, determinada pelo Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT), tem como objetivo evitar a retirada de documentos que possam comprovar as denúncias contra a Finatec. Dois promotores do Ministério Público do Distrito Federal, um interventor e quatro viaturas da Polícia Militar estavam no local. Na noite desta sexta-feira, a desembargadora Nídia Corrêa Lima, do Tribunal de Justiça do DF, acatou pedido do MPDF para afastar os cinco diretores da Finatec. Os argumentos foram que os diretores “vêm praticando inúmeras irregularidades em contratos celebrados com o poder público mediante dispensa de licitação e aplicando irregularmente recursos que deveriam ser destinados ao desenvolvimento científico e pesquisa”. A decisão da juíza teve como sustentação a ação inicial apresentada pelo MP no final de janeiro. No início da tarde o advogado da Finatec, Francisco Caputo, chegou ao local e criticou a ação do Ministério Público. Ele alegou que a decisão judicial não determinou a desocupação do prédio e seu fechamento. Ele também ressaltou o fato de o campus da UnB ser uma unidade pública federal. Por isso, a entrada de policiais militares só poderia acontecer com autorização da segurança da instituição de ensino. “A decisão expedida pela desembargadora em momento algum cita intervenção policial no edifício sede. Essa foi uma postura arbitrária do Ministério Público e nós iremos protestar na Justiça”, afirmou Caputo, que avaliou como “irresponsável” a determinação do órgão. O supervisor da polícia militar, capitão Jérferson Gonçalves de Castro, garantiu que o efetivo vai permanecer no local. “Estamos apenas seguindo uma determinação. O local deverá permanecer fechado até segunda-feira. A não ser que até lá saia uma outra decisão”, argumentou. Investigação A crise na Finatec começou com a denúncia apresentada pelos promotores Ricardo Antônio de Souza e Gladaniel Palmeira. Eles acusam a direção de provocar prejuízos de mais de R$ 100 milhões aos cofres públicos. As denúncias ficaram ainda mais graves após a revelação dos valores da reforma no apartamento onde morava o reitor da Universidade de Brasília (UnB). O dinheiro, R$ 470 mil, teria sido liberado pela Finatec para mobiliar o imóvel funcional
Fonte: Correio Web
Atualizada às 16h15
16/02/200814h57-O prédio onde funciona a sede da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), localizado dentro do campus da Universidade de Brasília (UnB), foi fechado na manhã deste sábado. Por volta das 9h, cerca de 30 alunos que assistiam às aulas de pós-graduação em Agronomia e funcionários foram retirados do edifício. A medida, determinada pelo Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT), tem como objetivo evitar a retirada de documentos que possam comprovar as denúncias contra a Finatec. Dois promotores do Ministério Público do Distrito Federal, um interventor e quatro viaturas da Polícia Militar estavam no local. Na noite desta sexta-feira, a desembargadora Nídia Corrêa Lima, do Tribunal de Justiça do DF, acatou pedido do MPDF para afastar os cinco diretores da Finatec. Os argumentos foram que os diretores “vêm praticando inúmeras irregularidades em contratos celebrados com o poder público mediante dispensa de licitação e aplicando irregularmente recursos que deveriam ser destinados ao desenvolvimento científico e pesquisa”. A decisão da juíza teve como sustentação a ação inicial apresentada pelo MP no final de janeiro. No início da tarde o advogado da Finatec, Francisco Caputo, chegou ao local e criticou a ação do Ministério Público. Ele alegou que a decisão judicial não determinou a desocupação do prédio e seu fechamento. Ele também ressaltou o fato de o campus da UnB ser uma unidade pública federal. Por isso, a entrada de policiais militares só poderia acontecer com autorização da segurança da instituição de ensino. “A decisão expedida pela desembargadora em momento algum cita intervenção policial no edifício sede. Essa foi uma postura arbitrária do Ministério Público e nós iremos protestar na Justiça”, afirmou Caputo, que avaliou como “irresponsável” a determinação do órgão. O supervisor da polícia militar, capitão Jérferson Gonçalves de Castro, garantiu que o efetivo vai permanecer no local. “Estamos apenas seguindo uma determinação. O local deverá permanecer fechado até segunda-feira. A não ser que até lá saia uma outra decisão”, argumentou. Investigação A crise na Finatec começou com a denúncia apresentada pelos promotores Ricardo Antônio de Souza e Gladaniel Palmeira. Eles acusam a direção de provocar prejuízos de mais de R$ 100 milhões aos cofres públicos. As denúncias ficaram ainda mais graves após a revelação dos valores da reforma no apartamento onde morava o reitor da Universidade de Brasília (UnB). O dinheiro, R$ 470 mil, teria sido liberado pela Finatec para mobiliar o imóvel funcional
Fonte: Correio Web
Ministro ignora opositores à transposição
Geddel desqualifica discurso de artistas contrários às obras no Velho Chico
BRASíLIA - O ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), desqualificou o movimento de artistas contrários à transposição do rio São Francisco, que protagonizou na última quinta-feira, em Brasília, um bate-boca com o ex-ministro Ciro Gomes (PSB) sobre o assunto. Para Geddel, tal movimento nem existe. “Aqueles dois que estavam lá na audiência? Eu nem vi”, disse, em visita a Fortaleza.
“Aqueles dois” citados pelo ministro eram na verdade três, a atriz Leticia Sabatella e os atores Osmar Prado e Carlos Vereza. Sabatella foi quem mais discutiu com Ciro na audiência, interrompendo-o até quando estava com o microfone desligado. Além dos artistas, também falou contra o projeto o bispo de Barra (BA) dom Luiz Flávio Cappio, que fez duas greves de fome para tentar impedir a obra.
Na discussão com a atriz, Ciro, que é pré-candidato a presidente, chegou a se comparar a ela: “Eu, ao meu jeito, escolhi a opção de meter a mão na massa, às vezes suja de cocô, às vezes, mas minha cabeça, não, meu compromisso, não”. Para Geddel, Ciro fez seu discurso “com brilhantismo” e demonstrou o quanto a obra é importante para o combate à seca. O projeto de transposição deverá custar, para ser implementado, R$6 bilhões, e deve levar água do rio São Francisco para partes do Ceará, do Rio Grande do Norte, da Paraíba e de Pernambuco.
O governo argumenta que a água irá beneficiar 12 milhões de pessoas. Para os críticos, a água beneficiará apenas o agronegócio, sem acabar com a seca. Geddel esteve anteontem em Fortaleza para anunciar investimentos de R$500 milhões para a construção de barragens e projetos de irrigação. Em entrevista, ele afirmou que já não há mais resistência política à transposição, como havia até pouco tempo atrás, especialmente de políticos da Bahia, de Sergipe e de Alagoas, “doadores” de água.
Ele próprio, baiano, era contra, mas mudou de idéia assim que assumiu o ministério, no ano passado. “Pensavam que eu era intransigente, fechado, inelutavelmente contra a obra por ser baiano, mas não sou assim”. Para ele, as pessoas que ainda demonstram ser contrárias ao projeto não discutem com boa-fé. “Os demais já perceberam que o projeto é bom para todos”, disse o ministro. “Essa obra é irreversível”.
Fonte: Correio da Bahia
BRASíLIA - O ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), desqualificou o movimento de artistas contrários à transposição do rio São Francisco, que protagonizou na última quinta-feira, em Brasília, um bate-boca com o ex-ministro Ciro Gomes (PSB) sobre o assunto. Para Geddel, tal movimento nem existe. “Aqueles dois que estavam lá na audiência? Eu nem vi”, disse, em visita a Fortaleza.
“Aqueles dois” citados pelo ministro eram na verdade três, a atriz Leticia Sabatella e os atores Osmar Prado e Carlos Vereza. Sabatella foi quem mais discutiu com Ciro na audiência, interrompendo-o até quando estava com o microfone desligado. Além dos artistas, também falou contra o projeto o bispo de Barra (BA) dom Luiz Flávio Cappio, que fez duas greves de fome para tentar impedir a obra.
Na discussão com a atriz, Ciro, que é pré-candidato a presidente, chegou a se comparar a ela: “Eu, ao meu jeito, escolhi a opção de meter a mão na massa, às vezes suja de cocô, às vezes, mas minha cabeça, não, meu compromisso, não”. Para Geddel, Ciro fez seu discurso “com brilhantismo” e demonstrou o quanto a obra é importante para o combate à seca. O projeto de transposição deverá custar, para ser implementado, R$6 bilhões, e deve levar água do rio São Francisco para partes do Ceará, do Rio Grande do Norte, da Paraíba e de Pernambuco.
O governo argumenta que a água irá beneficiar 12 milhões de pessoas. Para os críticos, a água beneficiará apenas o agronegócio, sem acabar com a seca. Geddel esteve anteontem em Fortaleza para anunciar investimentos de R$500 milhões para a construção de barragens e projetos de irrigação. Em entrevista, ele afirmou que já não há mais resistência política à transposição, como havia até pouco tempo atrás, especialmente de políticos da Bahia, de Sergipe e de Alagoas, “doadores” de água.
Ele próprio, baiano, era contra, mas mudou de idéia assim que assumiu o ministério, no ano passado. “Pensavam que eu era intransigente, fechado, inelutavelmente contra a obra por ser baiano, mas não sou assim”. Para ele, as pessoas que ainda demonstram ser contrárias ao projeto não discutem com boa-fé. “Os demais já perceberam que o projeto é bom para todos”, disse o ministro. “Essa obra é irreversível”.
Fonte: Correio da Bahia
Advogado e universitária assassinados no Retiro
José Nilton era professor de direito da Ucsal e Edjane, sua estagiária
Bruno Wendel
O advogado e professor da Universidade Católica do Salvador (Ucsal) José Nilton Silva Oliveira, 53 anos, e sua estagiária Edjane Bastos de Santana, 32, estudante do curso de direito da Faculdades Jorge Amado, foram encontrados mortos a tiros no interior do veículo Suzuki de placa JNS-1377, anteontem à noite, na localidade do Arraial do Retiro. O crime foi cometido por dois homens que, segundo a polícia, tentaram simular um latrocínio (roubo seguido de morte). O duplo homicídio está sendo investigado por agentes da 11ª Delegacia (Tancredo Neves).
Depois de praticarem a execução, por volta das 20h30, na Rua Fonte da Bica, os criminosos fugiram em direção do bairro do São Gonçalo levando a bolsa de Edjane e o celular de José Nilton, mas deixaram para trás R$100 e dois cheques, totalizando pouco mais de R$920, que estavam em sua carteira de cédulas, além de outros objetos das vítimas.
José Nilton foi encontrado debruçado sobre o volante, com três tiros na cabeça, enquanto Edjane foi morta no banco de trás do veículo com sete disparos, nas costas, braço e tórax. Em seguida, policiais militares foram acionados via Central Única de Telecomunicações da Polícia (Centel) e chegaram a realizar diligências na região, mas não encontraram os criminosos.
A delegada Marly Margareth Oliveira, plantonista da 11ª DP, esteve no local e presidiu o levantamento cadavérico. Peritos do Departamento de Polícia Técnica encontraram dentro do Suzuki, além dos dois cheques e os R$100 de José Nilton, um relógio de pulso, cartões de crédito, dois pen drives (armazenador de dados) e a carteira da Ordem dos Advogados do Brasil de José Nilton.
Moradores do Arraial do Retiro disseram ter ouvido vários tiros, mas poucos se arriscaram a sair de suas casas para saber o que tinha acontecido. Foi o caso do pedreiro A.S.S., 47, que, ao escutar os estampidos, correu para sua janela e viu dois rapazes (um deles negro) saindo do carro com armas em punho e correndo em direção a um matagal que dá acesso ao bairro de São Gonçalo. Até ontem, a polícia ainda não tinha pistas dos assassinos.
José Nilton atuava nas áreas trabalhista e cível. Era casado e tinha dois filhos. Era também diretor da Associação dos Portadores de Deficiência (Aspod) e morava no Caminho das Árvores. Foi sepultado ontem à tarde, no Cemitério Jardim da Saudade. Já o enterro de Edjane será realizado hoje, às 11h, no Cemitério de Quintas dos Lázaros. Ela deixou uma filha de 14 anos.
***
Família da estudante é informada pela imprensa
Ao receber duas equipes de reportagem em sua residência, localizada na Segunda Travessa da Rua Boa Vista, bairro de Marechal Rondon, pouco depois das 11h, a dona de casa Edite Bastos de Santana, mãe de Edjane, ainda não tinha conhecimento da morte brutal da filha. Questionada sobre o paradeiro da vítima, disse que Edjane tinha saído anteontem de casa, por volta das 18h, para ir à residência de uma amiga e depois seguiria para a faculdade, onde cursava o 5º semestre de direito. Disse ainda que a filha estagiava no escritório de advocacia, tendo José Nilton como chefe, com quem era vista com freqüência no bairro.
Através dos jornalistas, a família foi informada do ocorrido, pois a polícia sequer esteve na residência. Joelson Bastos, irmão caçula de Edjane, já estava desconfiado por ela não ter retornado para casa e também porque seu telefone estava desligado. Coube a ele a missão de informar à mãe da morte da filha. Edite passou mal e precisou ser amparada por vizinhos.
***
Casal encontrado morto no Bom Juá
Já em estado avançado de decomposição e com as mãos amarradas para trás, os corpos do jovem Rodrigo Rosa e de sua mulher, Joseneide Liberato da Rocha, ambos de 25 anos, foram encontrados anteontem à noite, no bairro de Bom Juá, onde residiam. Ele foi morto a tiros, enquanto ela foi estrangulada. O caso está sendo investigado pelo delegado Cláudio Meirelles Miranda, plantonista da 4ª Delegacia (São Caetano), que ainda não possui pistas dos assassinos.
O mau cheiro que exalava da residência de número 114, localizada sobre a casa de material de construção São Francisco, fez com que moradores da Rua Direta do Bom Juá acionassem agentes da 4ªDP, que estiveram no local por volta das 19h. Ao entrarem no imóvel, encontraram o corpo de Rodrigo no banheiro com três tiros no peito. Em seguida, acharam Joseneide em um dos quartos com um pano envolto ao pescoço. Todos os cômodos tinham sido revirados. Vizinhos disseram que o casal foi visto com vida pela última fez na terça-feira à noite.
Elivaldo da Cruz Soares, tio de Joseneide, compareceu horas depois na delegacia, mas o conteúdo do depoimento não foi revelado. Carioca, Rodrigo morava de aluguel no bairro há cerca de seis meses.
Fonte: Correio da Bahia
Bruno Wendel
O advogado e professor da Universidade Católica do Salvador (Ucsal) José Nilton Silva Oliveira, 53 anos, e sua estagiária Edjane Bastos de Santana, 32, estudante do curso de direito da Faculdades Jorge Amado, foram encontrados mortos a tiros no interior do veículo Suzuki de placa JNS-1377, anteontem à noite, na localidade do Arraial do Retiro. O crime foi cometido por dois homens que, segundo a polícia, tentaram simular um latrocínio (roubo seguido de morte). O duplo homicídio está sendo investigado por agentes da 11ª Delegacia (Tancredo Neves).
Depois de praticarem a execução, por volta das 20h30, na Rua Fonte da Bica, os criminosos fugiram em direção do bairro do São Gonçalo levando a bolsa de Edjane e o celular de José Nilton, mas deixaram para trás R$100 e dois cheques, totalizando pouco mais de R$920, que estavam em sua carteira de cédulas, além de outros objetos das vítimas.
José Nilton foi encontrado debruçado sobre o volante, com três tiros na cabeça, enquanto Edjane foi morta no banco de trás do veículo com sete disparos, nas costas, braço e tórax. Em seguida, policiais militares foram acionados via Central Única de Telecomunicações da Polícia (Centel) e chegaram a realizar diligências na região, mas não encontraram os criminosos.
A delegada Marly Margareth Oliveira, plantonista da 11ª DP, esteve no local e presidiu o levantamento cadavérico. Peritos do Departamento de Polícia Técnica encontraram dentro do Suzuki, além dos dois cheques e os R$100 de José Nilton, um relógio de pulso, cartões de crédito, dois pen drives (armazenador de dados) e a carteira da Ordem dos Advogados do Brasil de José Nilton.
Moradores do Arraial do Retiro disseram ter ouvido vários tiros, mas poucos se arriscaram a sair de suas casas para saber o que tinha acontecido. Foi o caso do pedreiro A.S.S., 47, que, ao escutar os estampidos, correu para sua janela e viu dois rapazes (um deles negro) saindo do carro com armas em punho e correndo em direção a um matagal que dá acesso ao bairro de São Gonçalo. Até ontem, a polícia ainda não tinha pistas dos assassinos.
José Nilton atuava nas áreas trabalhista e cível. Era casado e tinha dois filhos. Era também diretor da Associação dos Portadores de Deficiência (Aspod) e morava no Caminho das Árvores. Foi sepultado ontem à tarde, no Cemitério Jardim da Saudade. Já o enterro de Edjane será realizado hoje, às 11h, no Cemitério de Quintas dos Lázaros. Ela deixou uma filha de 14 anos.
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Família da estudante é informada pela imprensa
Ao receber duas equipes de reportagem em sua residência, localizada na Segunda Travessa da Rua Boa Vista, bairro de Marechal Rondon, pouco depois das 11h, a dona de casa Edite Bastos de Santana, mãe de Edjane, ainda não tinha conhecimento da morte brutal da filha. Questionada sobre o paradeiro da vítima, disse que Edjane tinha saído anteontem de casa, por volta das 18h, para ir à residência de uma amiga e depois seguiria para a faculdade, onde cursava o 5º semestre de direito. Disse ainda que a filha estagiava no escritório de advocacia, tendo José Nilton como chefe, com quem era vista com freqüência no bairro.
Através dos jornalistas, a família foi informada do ocorrido, pois a polícia sequer esteve na residência. Joelson Bastos, irmão caçula de Edjane, já estava desconfiado por ela não ter retornado para casa e também porque seu telefone estava desligado. Coube a ele a missão de informar à mãe da morte da filha. Edite passou mal e precisou ser amparada por vizinhos.
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Casal encontrado morto no Bom Juá
Já em estado avançado de decomposição e com as mãos amarradas para trás, os corpos do jovem Rodrigo Rosa e de sua mulher, Joseneide Liberato da Rocha, ambos de 25 anos, foram encontrados anteontem à noite, no bairro de Bom Juá, onde residiam. Ele foi morto a tiros, enquanto ela foi estrangulada. O caso está sendo investigado pelo delegado Cláudio Meirelles Miranda, plantonista da 4ª Delegacia (São Caetano), que ainda não possui pistas dos assassinos.
O mau cheiro que exalava da residência de número 114, localizada sobre a casa de material de construção São Francisco, fez com que moradores da Rua Direta do Bom Juá acionassem agentes da 4ªDP, que estiveram no local por volta das 19h. Ao entrarem no imóvel, encontraram o corpo de Rodrigo no banheiro com três tiros no peito. Em seguida, acharam Joseneide em um dos quartos com um pano envolto ao pescoço. Todos os cômodos tinham sido revirados. Vizinhos disseram que o casal foi visto com vida pela última fez na terça-feira à noite.
Elivaldo da Cruz Soares, tio de Joseneide, compareceu horas depois na delegacia, mas o conteúdo do depoimento não foi revelado. Carioca, Rodrigo morava de aluguel no bairro há cerca de seis meses.
Fonte: Correio da Bahia
Informe JB: Severino pé roxo rumo a Brasília
Leandro Mazzini
Severino Cavalcanti, o rei do Baixo Clero que deu uma coça histórica no PT e tornou-se presidente da Câmara com a ajuda da oposição, revelou-se um profeta. Defenestrado do cargo por conta própria, depois de assumir a cobrança de propina por um aluguel de restaurante no Congresso - coisa que daria prisão num país sério - soltou esta: "Eu vou voltar".
A Justiça Eleitoral que o diga. Severino, suplente do deputado Marcos da Hora (PRB-PE) - que abandonou o PSC - agora requer a vaga num processo contra o ex-aliado por causa da infidelidade. O TSE tem milhares de ações similares pelo país, pode demorar a julgar. Mas Da Hora deve reconhecer a asneira que protagonizou e escrever no currículo um feito inédito para os anais da política: devolverá à Câmara um deputado que pediu para sair de lá.
Curiosamente, se dependesse do povo da pequena João Alfredo (PE), terra natal de Severino, o ex-deputado não se elegeria nem vereador. Severino não consegue vencer uma eleição municipal há 15 anos. Todos os seus candidatos perdem, e feio. Os seus eleitores são chamados de "pés roxos". Não precisa explicar por que.
Pé frio
Quando deputado, Severino visitava pouco a cidade. Tem uma fazenda lá, e, apesar do esforço, só conseguiu emplacar um prefeito até 1992, um de seus filhos, já falecido. Apesar da trajetória política - Severino foi prefeito em 1964-66 pela UDN, exerceu sete mandatos de deputado estadual e três de federal - ele amarga seguidas derrotas no pleito municipal.
Cururu
O dono da terra lá é o adversário Sebastião Mendes (DEM), o Cururu (uma espécie de sapo), benquisto pelos pés-de-peia. Não se sabe de onde vem o nome, "mas é assim e ponto", diz um morador.
Homem de confiança
A escolha do deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), relator da CPI dos Cartões, foi do presidente Lula. Eles são amigos de longa data, desde a época em que o sindicalista do ABC passava verões inesquecíveis com a família na casa de praia de Luiz Sérgio em Angra dos Reis. Hoje o deputado mora numa cobertura em Copacabana, no Rio. Mas a amizade ficou, claro.
Briga quente
Do presidente da OAB, Cezar Britto, sobre o fato de o STJ ter vetado a lista sêxtupla enviada por ele: "Não há razão lógica, jurídica e constitucional para o STJ rejeitar a lista".
Collor & FH
O senador Fernando Collor (PTB-AL) está otimista com a idéia sobre parlamentarismo no país. Convidou três amigos para debater o assunto em sessão no Senado mês que vem: o professor Otaciano Nogueira, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e Hélio Bicudo, fundador do PT.
Bicudo mesmo
Bicudo é (ou era) um militante histórico do PT. Mas um dia disse que o partido "vai levar 100 anos para se recuperar da gestão Lula".
Turbinados
Os deputados que ocupam cargos na Mesa Diretora da Câmara já estão desfilando de carros novos. São os modelos Ford Fusion, importados do México. Dezenas deles foram comprados. O carro básico vale R$ 78 mil no mercado.
Ouvidor também
A Ouvidoria da Câmara também ganhou importado. É o Cerato, da Kia. Na quinta-feira à tarde, o carro estava estacionado na Chapelaria do Congresso. O motorista dormia.
Maré braba
A Marinha e a Receita Federal fecharam um acordo para ações de fiscalização nos portos do país. Estão de olho em produtos importados.
Fonte: JB Online
Severino Cavalcanti, o rei do Baixo Clero que deu uma coça histórica no PT e tornou-se presidente da Câmara com a ajuda da oposição, revelou-se um profeta. Defenestrado do cargo por conta própria, depois de assumir a cobrança de propina por um aluguel de restaurante no Congresso - coisa que daria prisão num país sério - soltou esta: "Eu vou voltar".
A Justiça Eleitoral que o diga. Severino, suplente do deputado Marcos da Hora (PRB-PE) - que abandonou o PSC - agora requer a vaga num processo contra o ex-aliado por causa da infidelidade. O TSE tem milhares de ações similares pelo país, pode demorar a julgar. Mas Da Hora deve reconhecer a asneira que protagonizou e escrever no currículo um feito inédito para os anais da política: devolverá à Câmara um deputado que pediu para sair de lá.
Curiosamente, se dependesse do povo da pequena João Alfredo (PE), terra natal de Severino, o ex-deputado não se elegeria nem vereador. Severino não consegue vencer uma eleição municipal há 15 anos. Todos os seus candidatos perdem, e feio. Os seus eleitores são chamados de "pés roxos". Não precisa explicar por que.
Pé frio
Quando deputado, Severino visitava pouco a cidade. Tem uma fazenda lá, e, apesar do esforço, só conseguiu emplacar um prefeito até 1992, um de seus filhos, já falecido. Apesar da trajetória política - Severino foi prefeito em 1964-66 pela UDN, exerceu sete mandatos de deputado estadual e três de federal - ele amarga seguidas derrotas no pleito municipal.
Cururu
O dono da terra lá é o adversário Sebastião Mendes (DEM), o Cururu (uma espécie de sapo), benquisto pelos pés-de-peia. Não se sabe de onde vem o nome, "mas é assim e ponto", diz um morador.
Homem de confiança
A escolha do deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), relator da CPI dos Cartões, foi do presidente Lula. Eles são amigos de longa data, desde a época em que o sindicalista do ABC passava verões inesquecíveis com a família na casa de praia de Luiz Sérgio em Angra dos Reis. Hoje o deputado mora numa cobertura em Copacabana, no Rio. Mas a amizade ficou, claro.
Briga quente
Do presidente da OAB, Cezar Britto, sobre o fato de o STJ ter vetado a lista sêxtupla enviada por ele: "Não há razão lógica, jurídica e constitucional para o STJ rejeitar a lista".
Collor & FH
O senador Fernando Collor (PTB-AL) está otimista com a idéia sobre parlamentarismo no país. Convidou três amigos para debater o assunto em sessão no Senado mês que vem: o professor Otaciano Nogueira, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e Hélio Bicudo, fundador do PT.
Bicudo mesmo
Bicudo é (ou era) um militante histórico do PT. Mas um dia disse que o partido "vai levar 100 anos para se recuperar da gestão Lula".
Turbinados
Os deputados que ocupam cargos na Mesa Diretora da Câmara já estão desfilando de carros novos. São os modelos Ford Fusion, importados do México. Dezenas deles foram comprados. O carro básico vale R$ 78 mil no mercado.
Ouvidor também
A Ouvidoria da Câmara também ganhou importado. É o Cerato, da Kia. Na quinta-feira à tarde, o carro estava estacionado na Chapelaria do Congresso. O motorista dormia.
Maré braba
A Marinha e a Receita Federal fecharam um acordo para ações de fiscalização nos portos do país. Estão de olho em produtos importados.
Fonte: JB Online
Memória JB | Sobre a Guerrilha
Ocorrida entre 1972 e 1975, a Guerrilha do Araguaia foi o mais sério confronto armado entre a esquerda e o regime militar. O movimento começou a ser organizado em 1966 com a chegada dos primeiros ativistas do PC do B à região do Bico do Papagaio, mas os embates começariam em abril de 1972, quando as Forças Armadas deram início ao ataque, desalojando os grupos instalados nas matas à margem esquerda do Rio Araguaia. No ano seguinte, depois de infiltrar agentes em todo o circuito da guerrilha - que compreendia uma área de sete mil quilômetros quadrados - durante a chamada Operação Sucuri, os militares já tinham toda a estrutura e a relação dos guerrilheiros: eram 69 militantes do PC do B e cerca de 20 moradores que haviam aderido ao movimento, divididos em três destacamentos.
As três campanhas militares envolveram cerca de 10 mil homens. No final, uma tropa especializada em combate na selva, à paisana e chefiada por oficiais do Exército, foi encarregada de sufocar o que restara do movimento. Prisioneiros só foram feitos durante o ano de 1972. Depois, a ordem era exterminar. Nem os guerrilheiros que se renderam ou acabaram presos nas operações escaparam. Muitos deles foram levados vivos para as bases militares de Marabá (PA), conhecida como Casa Azul, ou Xambioá (TO), e executados. A Guerrilha do Araguaia é o maior trauma da esquerda armada e um dos episódios mais vergonhosos para as Forças Armadas, que escondeu por mais de 20 anos o que havia acontecido nas matas da Amazônia.
Fonte: JB Online
As três campanhas militares envolveram cerca de 10 mil homens. No final, uma tropa especializada em combate na selva, à paisana e chefiada por oficiais do Exército, foi encarregada de sufocar o que restara do movimento. Prisioneiros só foram feitos durante o ano de 1972. Depois, a ordem era exterminar. Nem os guerrilheiros que se renderam ou acabaram presos nas operações escaparam. Muitos deles foram levados vivos para as bases militares de Marabá (PA), conhecida como Casa Azul, ou Xambioá (TO), e executados. A Guerrilha do Araguaia é o maior trauma da esquerda armada e um dos episódios mais vergonhosos para as Forças Armadas, que escondeu por mais de 20 anos o que havia acontecido nas matas da Amazônia.
Fonte: JB Online
As promessas da nova gen-ética
Cristine Gerk
Nem carteira de identidade, nem mapa astral, nem curriculum vitae. Agora, e cada dia mais, o código genético será a forma mais comum de determinar quem é uma pessoa e qual será o seu futuro. Já é possível descobrir com antecedência se um indivíduo terá filhos saudáveis, responderá bem a tratamentos, sofrerá com efeitos colaterais a drogas ou terá determinadas doenças. Enquanto a genética se torna o carro-chefe da medicina, a perspectiva é de que num futuro breve as terapias sejam personalizadas, e os remédios feitos especialmente para um bom processamento em cada organismo.
Para Sérgio Pena, do Laboratório Gene - Núcleo de Genética Médica, é possível que em 10 anos andemos com o nosso mapa genético num pendrive.
- O médico fará o download do mapa e usará softwares especiais para decidir a dose do remédio - prevê Pena. - A genética fará com que a medicina deixe de ser arte e se torne ciência.
Atualmente, no contexto da medicina genômica, duas áreas merecem menção pelos avanços e promessas de benefícios a curto-prazo: a farmacogenômica e a nutrigenômica. A primeira usa o mapeamento genético para descobrir a capacidade individual de metabolizar drogas. Ela revela a propensão do paciente a sofrer efeitos colaterais e quais as doses mais indicadas para cada tratamento. Os maiores avanços são em oncologia, infectologia, transplantes e psiquiatria. Na nutrigenômica, testes de DNA permitem prescrever dietas ideais e únicas, prevenindo doenças como câncer, obesidade, diabetes e hipertensão.
- Você genotipa algumas enzimas cruciais para a metabolização de diversas drogas. Se a pessoa metaboliza rápido, a dose deve ser maior - explica Marcelo Allevato, coordenador do departamento de psicofarmacologia da Associação Psiquiátrica do Estado do Rio de Janeiro. - As pessoas correm menos riscos e a terapia é mais eficiente.
No caso do câncer ou de transplantes, a inciativa é importante porque muitos não têm sucesso com a quimioterapia ou com o transplante por problemas de metabolização. Há provas científicas de que a técnica prevê diabetes, doenças infecciosas e hereditárias e reações adversas a vacinas, como da febre amarela.
Preço do mapa
Segundo Allevato, a genotipagem em indicações já aprovadas pela FDA custa menos de US$ 300 nos EUA, e uma genotipagem mais abrangente, que inclui características ainda não formalmente aprovadas, custa por volta de U$ 1.000. Algumas companhias já oferecem mapas genéticos diretamente ao consumidor. O serviço mais completo é o da empresa islandesa deCODE Genomics, que oferece mapeamento de 1 milhão de variações genômicas por US$ 985. Pelo preço, a deCODE faz uma avaliação de risco genético para 20 males comuns. A cada dia se descobrem novos genes responsáveis por doenças. Logo, a amplitude dos testes só aumenta.
Diversas pesquisas estão em curso para identificar a quantidade de receptores de membrana de cada pessoa para saber se ela responderá bem a determinado remédio, em termos de eficácia terapêutica.
- Não há drogas projetadas segundo as características genéticas individuais ainda - pondera Allevato.
No Brasil, serviços universitários de ponta e uma Rede Nacional de Farmacogenética e Farmacogenômica já coordenam pesquisas para a implantação da genotipagem.
- O avanço da farmacogenômica é uma tendência irreversível, que pode ser retardado por contrariar interesses financeiros. A identificação de pessoas incapazes de metabolizar bem uma droga geraria redução dos lucros ligados à sua comercialização - lembra Allevato.
Outros desafios à implementação da técnica incluem a divulgação do conceito, sua incorporação nos currículos de instituições de ensino e a consolidação dos avanços necessários à sua difusão. Para que seja viável, os testes individuais têm de baratear muito.
- Os testes para doenças incomuns e para países em desenvolvimento demorarão mais para chegar - opina o biólogo e professor da UFMG, Fabrício Santos.
Para Allevato, as técnicas devem ser realidades rotineiras na prática médica entre 2015 e 2020. Santos lamenta a demora, já que hoje "há inúmeros casos em que o tratamento piora o quadro e diminui as chances de sobrevivência":
- Doenças com várias drogas e terapias, que podem trazer efeitos diferentes para cada um, seriam melhor combatidas. Só ficamos sabendo se a terapia não é indicada depois do paciente tomar a medicação e sofrer os danos.
Este ano, três cientistas ganharam o prêmio Nobel por descobrirem formas de "restaurar" genes defeituosos. Enquanto as técnicas ficam cada vez mais aprimoradas, alguns imaginam como será o futuro em que a genética será considerada o Norte da identificação pessoal.
- Alterar genes, com certeza, envolve uma questão ética. Mas a verdadeira atitude anti-ética é privar um indivíduo de ter uma vida melhor no futuro, desligando um gene que causaria uma doença até fatal - opina Allevato. - Se seguíssemos um falso moralismo religioso e não interferíssemos na natureza não usaríamos antibióticos, por exemplo.
Fonte: JB Online
Nem carteira de identidade, nem mapa astral, nem curriculum vitae. Agora, e cada dia mais, o código genético será a forma mais comum de determinar quem é uma pessoa e qual será o seu futuro. Já é possível descobrir com antecedência se um indivíduo terá filhos saudáveis, responderá bem a tratamentos, sofrerá com efeitos colaterais a drogas ou terá determinadas doenças. Enquanto a genética se torna o carro-chefe da medicina, a perspectiva é de que num futuro breve as terapias sejam personalizadas, e os remédios feitos especialmente para um bom processamento em cada organismo.
Para Sérgio Pena, do Laboratório Gene - Núcleo de Genética Médica, é possível que em 10 anos andemos com o nosso mapa genético num pendrive.
- O médico fará o download do mapa e usará softwares especiais para decidir a dose do remédio - prevê Pena. - A genética fará com que a medicina deixe de ser arte e se torne ciência.
Atualmente, no contexto da medicina genômica, duas áreas merecem menção pelos avanços e promessas de benefícios a curto-prazo: a farmacogenômica e a nutrigenômica. A primeira usa o mapeamento genético para descobrir a capacidade individual de metabolizar drogas. Ela revela a propensão do paciente a sofrer efeitos colaterais e quais as doses mais indicadas para cada tratamento. Os maiores avanços são em oncologia, infectologia, transplantes e psiquiatria. Na nutrigenômica, testes de DNA permitem prescrever dietas ideais e únicas, prevenindo doenças como câncer, obesidade, diabetes e hipertensão.
- Você genotipa algumas enzimas cruciais para a metabolização de diversas drogas. Se a pessoa metaboliza rápido, a dose deve ser maior - explica Marcelo Allevato, coordenador do departamento de psicofarmacologia da Associação Psiquiátrica do Estado do Rio de Janeiro. - As pessoas correm menos riscos e a terapia é mais eficiente.
No caso do câncer ou de transplantes, a inciativa é importante porque muitos não têm sucesso com a quimioterapia ou com o transplante por problemas de metabolização. Há provas científicas de que a técnica prevê diabetes, doenças infecciosas e hereditárias e reações adversas a vacinas, como da febre amarela.
Preço do mapa
Segundo Allevato, a genotipagem em indicações já aprovadas pela FDA custa menos de US$ 300 nos EUA, e uma genotipagem mais abrangente, que inclui características ainda não formalmente aprovadas, custa por volta de U$ 1.000. Algumas companhias já oferecem mapas genéticos diretamente ao consumidor. O serviço mais completo é o da empresa islandesa deCODE Genomics, que oferece mapeamento de 1 milhão de variações genômicas por US$ 985. Pelo preço, a deCODE faz uma avaliação de risco genético para 20 males comuns. A cada dia se descobrem novos genes responsáveis por doenças. Logo, a amplitude dos testes só aumenta.
Diversas pesquisas estão em curso para identificar a quantidade de receptores de membrana de cada pessoa para saber se ela responderá bem a determinado remédio, em termos de eficácia terapêutica.
- Não há drogas projetadas segundo as características genéticas individuais ainda - pondera Allevato.
No Brasil, serviços universitários de ponta e uma Rede Nacional de Farmacogenética e Farmacogenômica já coordenam pesquisas para a implantação da genotipagem.
- O avanço da farmacogenômica é uma tendência irreversível, que pode ser retardado por contrariar interesses financeiros. A identificação de pessoas incapazes de metabolizar bem uma droga geraria redução dos lucros ligados à sua comercialização - lembra Allevato.
Outros desafios à implementação da técnica incluem a divulgação do conceito, sua incorporação nos currículos de instituições de ensino e a consolidação dos avanços necessários à sua difusão. Para que seja viável, os testes individuais têm de baratear muito.
- Os testes para doenças incomuns e para países em desenvolvimento demorarão mais para chegar - opina o biólogo e professor da UFMG, Fabrício Santos.
Para Allevato, as técnicas devem ser realidades rotineiras na prática médica entre 2015 e 2020. Santos lamenta a demora, já que hoje "há inúmeros casos em que o tratamento piora o quadro e diminui as chances de sobrevivência":
- Doenças com várias drogas e terapias, que podem trazer efeitos diferentes para cada um, seriam melhor combatidas. Só ficamos sabendo se a terapia não é indicada depois do paciente tomar a medicação e sofrer os danos.
Este ano, três cientistas ganharam o prêmio Nobel por descobrirem formas de "restaurar" genes defeituosos. Enquanto as técnicas ficam cada vez mais aprimoradas, alguns imaginam como será o futuro em que a genética será considerada o Norte da identificação pessoal.
- Alterar genes, com certeza, envolve uma questão ética. Mas a verdadeira atitude anti-ética é privar um indivíduo de ter uma vida melhor no futuro, desligando um gene que causaria uma doença até fatal - opina Allevato. - Se seguíssemos um falso moralismo religioso e não interferíssemos na natureza não usaríamos antibióticos, por exemplo.
Fonte: JB Online
Encontrada uma mina intacta de 2 mil anos
Outra pesquisa, também realizada no Peru, desta vez por arqueólogos da Universidade de Purdue, em Indiana, nos Estados Unidos, revelou como uma civilização anterior ao Império Inca já fazia uso do minério de ferro, inclusive exercendo um grande trabalho de mineração. Uma mina intacta descoberta no Ingenuo Valley, na região dos Andes, mostrou como o mineral era importante para a civilização Nasca, que existiu do ano 1 até 750 da Era Cristã.
- Os arqueólogos já tinham conhecimento de que, há milhares de anos, antigas civilizações faziam trabalhos de mineração - disse o antropólogo Kevin J. Vaughn - A mineração do ferro nas civilizações antigas, especialmente na África, tem cerca de 40 mil anos. Mas não há muitas evidências a respeito das minas.
A descoberta de uma mina de hematita - principal minério de ferro - revelou alguns aspectos a respeito de como o mineral era aproveitado naquela época. A hipótese de Vaughn é a de que o povo Nasca usava o pigmento vermelho ocre da hematita para pintar cerâmicas, tecidos, paredes e o próprio corpo. A civilização Nasca é conhecida por centenas de desenhos no Deserto de Nasca - conhecidos como Nasca-Lines - que podem ser vistos apenas do alto, e por um sistema de aqueduto que ainda é usado.
Vaughn e sua equipe começaram a escavar a Mina Primavera em 2004 e 2005. Em 2006 e 2007 eles aprofundaram as pesquisas de campo e recolheram alguns objetos. As descobertas da escavação foram publicadas no Journal of the Minerals, Metals & Materials Society.
Exploração
A mina é uma caverna construída por humanos há cerca de 2 mil anos. Por volta de 3.710 toneladas de hematita devem ter sido extraídas durante mais de 1.400 anos de exploração. A mina, que ainda guarda cerca de 700 m³ de hematita, está em um rochedo íngreme, próxima a uma outra, moderna, em atividade.
Dentro da Primavera, os arqueólogos descobriram alguns objetos como espigas de milho, ferramentas de pedra e peças de tecido e cerâmica. A idade dos ítens foi determinada por radiocarbono, um processo baseado na avaliação do decréscimo natural de alguns elementos químicos.
- A arqueologia já conseguiu uma coleção muito boa da cerâmica produzida nessa região. Por isso, podemos simplesmente olhar para muitos desses exemplares e calcular uma data relativa a um determinado século, baseado nas mudanças de estilo - disse Vaughn. - Mesmo antes da datação, sabíamos que era uma mina muito antiga.
As peças encontradas são fragmentos muito pequenos, do tamanho de moedas, com desenhos distintos, similares aos da civilização Nasca em seu período mais remoto. Os objetos estão no museu do Instituto Nacional de Cultura do Peru, na cidade de Ica.
- Agora há evidência arqueológica de que antigas civilizações nos Andes faziam mineração. É importante dar este crédito a elas - disse Vaughn. - Mesmo que civilizações antigas dos Andes trabalhassem com alguns metais, como o cobre, elas nunca trabalharam com o ferro para fazer armas ou fabricar artefatos de luxo para a elite, como acontecia em outras civilizações da América.
Fonte: JB Online
- Os arqueólogos já tinham conhecimento de que, há milhares de anos, antigas civilizações faziam trabalhos de mineração - disse o antropólogo Kevin J. Vaughn - A mineração do ferro nas civilizações antigas, especialmente na África, tem cerca de 40 mil anos. Mas não há muitas evidências a respeito das minas.
A descoberta de uma mina de hematita - principal minério de ferro - revelou alguns aspectos a respeito de como o mineral era aproveitado naquela época. A hipótese de Vaughn é a de que o povo Nasca usava o pigmento vermelho ocre da hematita para pintar cerâmicas, tecidos, paredes e o próprio corpo. A civilização Nasca é conhecida por centenas de desenhos no Deserto de Nasca - conhecidos como Nasca-Lines - que podem ser vistos apenas do alto, e por um sistema de aqueduto que ainda é usado.
Vaughn e sua equipe começaram a escavar a Mina Primavera em 2004 e 2005. Em 2006 e 2007 eles aprofundaram as pesquisas de campo e recolheram alguns objetos. As descobertas da escavação foram publicadas no Journal of the Minerals, Metals & Materials Society.
Exploração
A mina é uma caverna construída por humanos há cerca de 2 mil anos. Por volta de 3.710 toneladas de hematita devem ter sido extraídas durante mais de 1.400 anos de exploração. A mina, que ainda guarda cerca de 700 m³ de hematita, está em um rochedo íngreme, próxima a uma outra, moderna, em atividade.
Dentro da Primavera, os arqueólogos descobriram alguns objetos como espigas de milho, ferramentas de pedra e peças de tecido e cerâmica. A idade dos ítens foi determinada por radiocarbono, um processo baseado na avaliação do decréscimo natural de alguns elementos químicos.
- A arqueologia já conseguiu uma coleção muito boa da cerâmica produzida nessa região. Por isso, podemos simplesmente olhar para muitos desses exemplares e calcular uma data relativa a um determinado século, baseado nas mudanças de estilo - disse Vaughn. - Mesmo antes da datação, sabíamos que era uma mina muito antiga.
As peças encontradas são fragmentos muito pequenos, do tamanho de moedas, com desenhos distintos, similares aos da civilização Nasca em seu período mais remoto. Os objetos estão no museu do Instituto Nacional de Cultura do Peru, na cidade de Ica.
- Agora há evidência arqueológica de que antigas civilizações nos Andes faziam mineração. É importante dar este crédito a elas - disse Vaughn. - Mesmo que civilizações antigas dos Andes trabalhassem com alguns metais, como o cobre, elas nunca trabalharam com o ferro para fazer armas ou fabricar artefatos de luxo para a elite, como acontecia em outras civilizações da América.
Fonte: JB Online
sábado, fevereiro 16, 2008
A falta que Voltaire faz
Por: Carlos Chagas
BRASÍLIA - Mal completados vinte anos, chegou a Paris François Marie Arouet, que ainda não se assinava Voltaire. Logo escandalizava a capital francesa com acres comentários a respeito dos costumes e da política. Naqueles idos, a França era governada por um regente, tendo em vista a morte de Luís XIV e o fato de que Luís XV, seu bisneto, era ainda uma criança.
Cioso das dificuldades que envolviam o tesouro real, o regente determinou que fosse posta em leilão metade das cavalariças a seu serviço, quase mil cavalos. O irreverente jovem escreveu que melhor faria o governante se tivesse dispensado não a metade, mas a totalidade dos jumentos que povoavam a corte.
Pouco depois, passeando no Bois de Boulogne, o regente defrontou-se com o detrator e foi sutil: "Monsieur Arouet, vou proporcionar-lhe uma visão de Paris que o senhor jamais imaginou pudesse existir." E despachou Voltaire para uma cela na Bastilha, onde ele ficou por nove meses.
Depois, arrependido, o regente mandou soltá-lo e, como compensação, deu-lhe uma pensão vitalícia. Por carta, o jovem agradeceu porque sua alimentação estaria garantida até o fim da vida, mas disse ao regente que não mais se preocupasse com sua hospedagem, que ele mesmo proveria. Perdeu a pensão e teve de exilar-se na Inglaterra, para não voltar à Bastilha.
Conta-se essa história não apenas em homenagem ao extraordinário Voltaire, que viveu até quase os noventa anos polemizando e batendo de frente com o poder e os poderosos, mas porque, na política brasileira, através da História, sempre encontramos seus discípulos. Falamos daqueles que não se curvam nem perdem oportunidade para opor-se aos detentores do poder, mesmo à custa da própria tranqüilidade e bem-estar.
Seria perigoso começar a citá-los, sob o risco de graves esquecimentos, mas do padre Antônio Vieira a Evaristo da Veiga, nos primórdios da nação, até o Barão de Itararé, Carlos Mariguela, Luís Carlos Prestes, Gregório Bezerra, Agildo Barata, João Amazonas e mesmo Carlos Lacerda e Leonel Brizola, nos tempos modernos, algum erudito poderia dedicar-se à sua exegese. Seria excepcional contribuição apontar quantos se insurgiram contra a prepotência, cada um à sua maneira, tanto faz se pelo humor, pela agressividade, a veemência e até a violência.
Todo esse preâmbulo se faz para uma conclusão: no Brasil de hoje desapareceram quase por completo os Voltaires caboclos. Usando uma lupa, pode-se citar os irmãos Millor e Helio Fernandes. Porque instalou-se no País uma pasmaceira, de alguns anos para cá, a ponto de transformar até mesmo os líderes do PT em dóceis beneficiários de pensões concedidas pelo regente.
Não se encontra quem se insurja, ainda que através do humor, contra a verdade absoluta da globalização e do neoliberalismo que assolam o País e o planeta, transformando o cidadão comum em mero apêndice dos ditames das elites. Substituíram a liberdade pela competição. O trabalho pela prevalência do capital. O livre arbítrio pela acomodação. A independência pela submissão.
Convenhamos, tanto faz se o regente tenha vindo da realeza ou dos porões. Desde que ele se acomode e dite as regras dessa nova escravidão, todos o reverenciam. Uns por interesse, outros por falta de coragem. Voltaire faz falta, como inspiração.
Dois livros de peso
Encontram-se no prelo dois livros de excepcional valor para a memória nacional. Um, de autoria do ex-ministro da Justiça e batalhador incansável pelos direitos humanos, José Gregori. Em linguagem clara, são revelados os meandros da luta contra a ditadura e, depois, da reconstrução democrática. Dentro de poucos dias dedicaremos uma ou várias colunas a respeito do depoimento de Gregori.
O segundo livro prestes a ser editado é do ministro Flávio Flores da Cunha Bierrembach, do Superior Tribunal Militar, por coincidência companheiro de José Gregori em muitos episódios da história recente. Sob o título "Dois séculos de Justiça", Bierrembach desce aos meandros do mais antigo tribunal do Brasil, o Militar, através do relato da participação dos ministros que, como ele, vieram das Arcadas, a Faculdade de Direito de São Paulo.
O STM estava mesmo merecendo uma obra desse peso, já que mesmo nos momentos mais agudos de intolerância e truculência política sempre se constituiu numa instância de ponderação e justiça. Da mesma forma, aguardamos para comentá-la em detalhes.
Um reparo
Um reparo, apenas, à competente senadora Marisa Serra, do PMDB de Minas Gerais. Todo mundo escorrega, e, esta semana, foi a vez dela. Como integrante de um partido que apóia o governo, ela levou longe demais sua fidelidade, ao dizer que "a sociedade está passando do limite porque todo mundo me pergunta: cadê o meu cartão corporativo".
Não foi a sociedade que passou da conta, senadora. Foi o governo, ao locupletar-se desses inadmissíveis benefícios pessoais...
Fonte: Tribuna da Imprensa
BRASÍLIA - Mal completados vinte anos, chegou a Paris François Marie Arouet, que ainda não se assinava Voltaire. Logo escandalizava a capital francesa com acres comentários a respeito dos costumes e da política. Naqueles idos, a França era governada por um regente, tendo em vista a morte de Luís XIV e o fato de que Luís XV, seu bisneto, era ainda uma criança.
Cioso das dificuldades que envolviam o tesouro real, o regente determinou que fosse posta em leilão metade das cavalariças a seu serviço, quase mil cavalos. O irreverente jovem escreveu que melhor faria o governante se tivesse dispensado não a metade, mas a totalidade dos jumentos que povoavam a corte.
Pouco depois, passeando no Bois de Boulogne, o regente defrontou-se com o detrator e foi sutil: "Monsieur Arouet, vou proporcionar-lhe uma visão de Paris que o senhor jamais imaginou pudesse existir." E despachou Voltaire para uma cela na Bastilha, onde ele ficou por nove meses.
Depois, arrependido, o regente mandou soltá-lo e, como compensação, deu-lhe uma pensão vitalícia. Por carta, o jovem agradeceu porque sua alimentação estaria garantida até o fim da vida, mas disse ao regente que não mais se preocupasse com sua hospedagem, que ele mesmo proveria. Perdeu a pensão e teve de exilar-se na Inglaterra, para não voltar à Bastilha.
Conta-se essa história não apenas em homenagem ao extraordinário Voltaire, que viveu até quase os noventa anos polemizando e batendo de frente com o poder e os poderosos, mas porque, na política brasileira, através da História, sempre encontramos seus discípulos. Falamos daqueles que não se curvam nem perdem oportunidade para opor-se aos detentores do poder, mesmo à custa da própria tranqüilidade e bem-estar.
Seria perigoso começar a citá-los, sob o risco de graves esquecimentos, mas do padre Antônio Vieira a Evaristo da Veiga, nos primórdios da nação, até o Barão de Itararé, Carlos Mariguela, Luís Carlos Prestes, Gregório Bezerra, Agildo Barata, João Amazonas e mesmo Carlos Lacerda e Leonel Brizola, nos tempos modernos, algum erudito poderia dedicar-se à sua exegese. Seria excepcional contribuição apontar quantos se insurgiram contra a prepotência, cada um à sua maneira, tanto faz se pelo humor, pela agressividade, a veemência e até a violência.
Todo esse preâmbulo se faz para uma conclusão: no Brasil de hoje desapareceram quase por completo os Voltaires caboclos. Usando uma lupa, pode-se citar os irmãos Millor e Helio Fernandes. Porque instalou-se no País uma pasmaceira, de alguns anos para cá, a ponto de transformar até mesmo os líderes do PT em dóceis beneficiários de pensões concedidas pelo regente.
Não se encontra quem se insurja, ainda que através do humor, contra a verdade absoluta da globalização e do neoliberalismo que assolam o País e o planeta, transformando o cidadão comum em mero apêndice dos ditames das elites. Substituíram a liberdade pela competição. O trabalho pela prevalência do capital. O livre arbítrio pela acomodação. A independência pela submissão.
Convenhamos, tanto faz se o regente tenha vindo da realeza ou dos porões. Desde que ele se acomode e dite as regras dessa nova escravidão, todos o reverenciam. Uns por interesse, outros por falta de coragem. Voltaire faz falta, como inspiração.
Dois livros de peso
Encontram-se no prelo dois livros de excepcional valor para a memória nacional. Um, de autoria do ex-ministro da Justiça e batalhador incansável pelos direitos humanos, José Gregori. Em linguagem clara, são revelados os meandros da luta contra a ditadura e, depois, da reconstrução democrática. Dentro de poucos dias dedicaremos uma ou várias colunas a respeito do depoimento de Gregori.
O segundo livro prestes a ser editado é do ministro Flávio Flores da Cunha Bierrembach, do Superior Tribunal Militar, por coincidência companheiro de José Gregori em muitos episódios da história recente. Sob o título "Dois séculos de Justiça", Bierrembach desce aos meandros do mais antigo tribunal do Brasil, o Militar, através do relato da participação dos ministros que, como ele, vieram das Arcadas, a Faculdade de Direito de São Paulo.
O STM estava mesmo merecendo uma obra desse peso, já que mesmo nos momentos mais agudos de intolerância e truculência política sempre se constituiu numa instância de ponderação e justiça. Da mesma forma, aguardamos para comentá-la em detalhes.
Um reparo
Um reparo, apenas, à competente senadora Marisa Serra, do PMDB de Minas Gerais. Todo mundo escorrega, e, esta semana, foi a vez dela. Como integrante de um partido que apóia o governo, ela levou longe demais sua fidelidade, ao dizer que "a sociedade está passando do limite porque todo mundo me pergunta: cadê o meu cartão corporativo".
Não foi a sociedade que passou da conta, senadora. Foi o governo, ao locupletar-se desses inadmissíveis benefícios pessoais...
Fonte: Tribuna da Imprensa
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