terça-feira, junho 28, 2022

Sanções econômicas levam Rússia a dar calote histórico




É a primeira vez desde 1918 que o país falha em cumprir pagamentos

Por Karin Strohecker e Andrea Shalal e Emily Chan

Londres - A Rússia deu calote em seus títulos soberanos estrangeiros pela primeira vez em mais de um século, disse hoje (27) a Casa Branca, uma vez que as sanções abrangentes efetivamente excluíram o país do sistema financeiro global e tornaram seus ativos intocáveis.

O Kremlin, que tem o dinheiro para fazer os pagamentos graças às receitas de petróleo e gás, rapidamente rejeitou as afirmações, e acusou o Ocidente de conduzir o país a um default (calote) artificial.

Mais cedo, alguns detentores de títulos disseram que não haviam recebido juros vencidos nesta segunda-feira após o fim de um prazo importante de pagamento um dia antes.

A Rússia tem lutado para cumprir os pagamentos de US$ 40 bilhões em títulos desde a invasão da Ucrânia, em 24 de fevereiro.

"A notícia desta manhã sobre a descoberta da inadimplência da Rússia, pela primeira vez em mais de um século, situa a força das ações que os EUA, juntamente com aliados e parceiros, tomaram; bem como o impacto na economia russa", disse uma a autoridade dos EUA às margens da cúpula do G7 realizada na Alemanha.

Os esforços da Rússia para evitar o que seria seu primeiro grande calote em títulos internacionais desde a revolução Bolchevique, há mais de um século, atingiram uma barreira no final de maio, quando o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos efetivamente bloqueou Moscou de fazer pagamentos.

"Desde março achávamos que um default russo seria provavelmente inevitável, e a questão era apenas quando", disse à Reuters Dennis Hranitzky, chefe de litigação soberana da empresa de direito Quinn Emanuel, antes do prazo de domingo.

Um calote formal seria em grande parte simbólico, uma vez que a Rússia não pode tomar empréstimos internacionais no momento e não precisa fazê-lo graças às abundantes receitas de exportação de petróleo e gás. Mas o estigma provavelmente aumentará seus custos de empréstimo no futuro.

Os pagamentos em questão são de US$ 100 milhões em juros sobre dois títulos, um denominado em dólares e outro em euros, que a Rússia deveria pagar em 27 de maio. Os pagamentos tinham um prazo de extensão de 30 dias, que expirou neste domingo (26).

O Ministério das Finanças da Rússia disse que fez os pagamentos ao seu Depositário Nacional de Liquidação (NSD, na sigla em inglês) em euros e dólares, acrescentando que cumpriu com as obrigações.

Em uma ligação com repórteres, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que a Rússia fez os pagamentos de títulos com vencimento em maio, mas o fato de terem sido bloqueados pela Euroclear por causa das sanções ocidentais à Rússia "não é problema nosso".

Sem prazo exato especificado no prospecto, advogados dizem que a Rússia pode ter até o final do dia útil seguinte para pagar os detentores dos títulos.

Agências de classificação de crédito em geral rebaixam formalmente a classificação de um país para refletir o calote, mas isso não se aplica no caso da Rússia já que a maioria das agências já não classificam mais o país.

Reuters / Agência Brasil

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Sanções levam Rússia a dar 1º calote em mais de 100 anos

País perde prazo para pagamento de juros da dívida externa, após ser excluído do sistema financeiro internacional. Moscou diz ter dinheiro para pagar, mas que "ações de terceiros" impedem transações.

A Rússia deu o primeiro calote no pagamento de sua dívida externa desde 1918, ano da Revolução Bolchevique, após o país ter sido praticamente excluído do sistema financeiro internacional em consequência das pesadas sanções internacionais impostas pelo Ocidente em reação a invasão da Ucrânia.

Moscou deveria ter pagado até este domingo mais de 100 milhões de dólares de juros sobre dois títulos de sua dívida. Esse pagamento venceu no dia 27 de maio, e o prazo de carência de 30 dias expirou.

O Ministério russo das Finanças afirmou nesta segunda-feira (27/06) que o dinheiro foi pago no dia 20 de maio, mas acabou admitindo que a quantia não chegou os credores. O motivo para isso seria o fato de instituições intermediárias – como a Euroclear, que regula transações de títulos – terem bloqueado as transferências, em razão das sanções ocidentais.

Moscou, porém, nega ter dado o calote. O governo assegura que tem o dinheiro necessário para pagar, mas as sanções impedem os detentores de títulos estrangeiros de receberem os pagamentos, motivo pelo qual afirma que o calote é artificial.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que a Rússia efetuou os pagamentos com vencimento em maio, e que o fato de terem sido bloqueados pela Euroclear por causa das sanções "não é problema nosso".

O Ministério russo das Finanças disse que as decisões dos intermediários estrangeiros estão além do seu controle, e pediu aos detentores de títulos estrangeiros que conversem diretamente com os que detêm os pagamentos.

"O não recebimento de dinheiro pelos investidores não ocorreu devido à falta de pagamento, mas devido às ações de terceiros, o que não é explicitado diretamente como uma situação de inadimplência pela documentação da emissão", explicou o Ministério.

Sem classificação de crédito

Desde o fim de maio, os Estados Unidos bloqueiam a Rússia de efetuar pagamentos de suas dívidas em dólar.

Tradicionalmente, essas determinações são feitas pelas grandes agências de classificação de crédito, como a Fitch, Moody's e S&P Global Ratings. Entretanto, elas estão impedidas de fazer o chamado "rating" dos títulos russos, devido às sanções.

Segundo analistas, isso pode levar a um calote sem que haja uma declaração oficial de uma instituição autorizada.

A Rússia vem enfrentando dificuldades para cumprir pagamentos no valor de 40 bilhões de dólares em títulos em circulação desde que as sanções isolaram o país do sistema financeiro global.

Deutsche Welle

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