Batalha no leste do país continua
Por Natalia Zinets e Max Hunder
Kiev - A guerra na Ucrânia pode durar anos, afirmou, neste domingo (19), o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jens Stoltenberg, cobrando apoio constante dos aliados dos ucranianos no momento em que as forças russas lutam por território no leste do país.
Stoltenberg disse que fornecer armamentos de última geração às tropas ucranianas aumentaria as chances de liberar a região de Donbas, no leste, que está sob controle russo, segundo o jornal alemão Bild am Sonntag.
Após não conseguir tomar Kiev, capital ucraniana, no começo da guerra, as forças russas concentraram esforços na tentativa de completar o controle de Donbas, que já tinha partes nas mãos de separatistas apoiados pela Rússia antes da invasão de 24 de fevereiro.
“Precisamos nos preparar para o fato de que [a guerra] pode levar anos. Não podemos desistir de apoiar a Ucrânia”, disse Stoltenberg, segundo o jornal. “Mesmo se os custos forem altos, não apenas em apoio militar, mas também na alta dos preços de energia e alimentos.”
O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, que visitou Kiev na sexta-feira com uma proposta de treinamento às forças ucranianas, também disse no sábado que era importante que o Reino Unido desse apoio no longo prazo, alertando para o risco de haver “saturação da Ucrânia”, com a guerra se arrastando.
Em um artigo de opinião no jornal Sunday Times de Londres, Johnson disse que isso significava garantir que “a Ucrânia receba armas, equipamentos, munição e treinamento mais rapidamente do que o invasor”.
Um dos principais objetivos da ofensiva de Moscou para tomar o controle da região de Luhansk – uma das duas províncias que compõem Donbas -- é a cidade industrial de Sievierodonetsk.
A Rússia afirmou neste domingo que o ataque na cidade estava avançando com sucesso.
O governador de Luhansk, Serhiy Gaidai, disse à televisão ucraniana que os combates tornavam a retirada de pessoas da cidade impossível, mas que “todas as alegações da Rússia de que controlam a cidade são mentira. Eles controlam a principal parte da cidade, mas não toda a cidade”.
A Rússia infomou ter lançado o que chamou de “operação militar especial” para desarmar a nação vizinha e proteger pessoas ali residentes que falam russo. Kiev e seus aliados rejeitaram a justificativa como um pretexto sem fundamento para uma guerra de agressão.
A Ucrânia recebeu encorajamento na sexta-feira quando a Comissão Europeia recomendou que tenha status de candidata, decisão que as nações da União Europeia devem endossar em uma reunião na próxima semana.
Reuters / Agência Brasil
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"Guerra na Ucrânia pode durar anos", alerta chefe da Otan
Jens Stoltenberg afirma que conflito terá altos custos, mas que preço será maior se Rússia vencer. Premiê britânico faz declaração semelhante após visita a Kiev e pede que países se preparem para uma longa guerra.
O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jens Stoltenberg, afirmou que a guerra na Ucrânia pode durar anos e terá altos custos. Em entrevista publicada neste domingo (19/06) no jornal alemão Bild, ele alertou também que, em caso de uma vitória da Rússia, o preço a pagar seria ainda maior.
"Temos de estar preparados para o fato de que [a guerra] pode durar anos", disse Stoltenberg. "Não devemos enfraquecer o nosso apoio à Ucrânia, mesmo que os custos sejam altos, não só em termos de apoio militar, mas também devido ao aumento dos preços da energia e dos alimentos, acrescentou.
O secretário-geral acrescentou que esses custos não são nada em comparação com os que os ucranianos pagam todos os dias na linha da frente. Ele destacou ainda que, caso o presidente russo, Vladimir Putin, alcance seus objetivos na Ucrânia, como fez com a anexação da Crimeia em 2014, o preço a pagar "seria muito maior".
Stoltenberg exortou os países ocidentais a continuarem enviando armamento para Kiev. "Com armas modernas adicionais, a probabilidade de a Ucrânia conseguir empurrar as tropas de Putin para fora de Donbass iria aumentariam", sustentou.
O Donbass é o atual alvo russo no conflito. Essa região do leste da Ucrânia tem sido palco de intensas batalhas e os russos já conquistaram o controle de parte dela.
Johnson também vê guerra longa
Uma declaração semelhante a Stoltenberg foi feita neste domingo pelo primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, que esteve em Kiev na sexta-feira. Num artigo publicado no jornal britânico The Sunday Times, o premiê falou da necessidade de se preparar para uma longa guerra e afirmou que a Ucrânia precisará de apoio durante anos para permanecer num estado viável.
Johnson destacou que o Reino Unido e os aliados devem assegurar que a Ucrânia "tenha a resiliência estratégica para sobreviver", uma vez que Putin, "recorre a uma campanha de desgaste e tenta brutalmente esmagar a Ucrânia".
"O tempo é um fator vital", acrescentou. "Tudo vai depender de se a Ucrânia pode fortalecer a sua capacidade de defender o seu território mais rapidamente do que a Rússia consegue renovar a sua capacidade de ataque".
O premiê afirmou que, para isso, a Ucrânia dever receber armas, munições e treinamentos mais rápido. Ele também realçou a necessidade de continuar enviando recursos para que Kiev consiga manter a administração do Estado funcionando e para começar a reconstrução "assim que possível".
Rússia intensifica ataques
Neste domingo, a Rússia intensificou os ataques na região do Donbass. Segundo militares ucranianos, a cidade de Sievierodonetsk enfrentou artilharia pesada e bombardeios. Analistas estimam que Moscou será capaz de tomar a cidade industrial nas próximas semanas, mas com o custo de ter concentrado a maior parte de suas tropas disponíveis em uma pequena área.
Sievierodonetsk é o último reduto das forças ucranianas em Lugansk e o cenário mais ativo de hostilidades nas últimas semanas. As forças ucranianas se isolaram nesta fábrica química numa manobra semelhante à realizada em Mariupol, onde o exército ucraniano se refugiou na siderurgia Azovstal, que acabou por cair, como toda a cidade, no poder de Moscou.
O governador de Lugansk, Serhiy Gaidai, afirmou no domingo que russos controlam apenas parte da Sievierodonetsk e disse que prédios residenciais e casas da cidade vizinha Lysychansk foram bombardeados. "Civis estão morrendo nas ruas e em abrigos antiaéreos", acrescentou.
Deutsche Welle
