segunda-feira, junho 27, 2022

No caso de Milton Ribeiro, o presidente Bolsonaro foi apanhado com a boca na botija

Publicado em 26 de junho de 2022 por Tribuna da Internet

Caso Milton Ribeiro repercute no Congresso; oposição aciona STF e tenta  convocar ministro da Justiça | Política | G1Merval Pereira
O Globo

A interferência do presidente Bolsonaro nos órgãos de fiscalização do governo fica cada vez mais clara à medida que os fatos vão se desenrolando. É provável que esta última, no caso da prisão do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, passe em branco graças à extrema boa vontade com que o procurador-Geral da República Augusto Aras trata as questões ligadas ao presidente.

Mas está evidente que Bolsonaro teve informações privilegiadas através do ministro da Justiça Anderson Torres, a quem a Polícia Federal é subordinada funcionalmente mas, vê-se agora, não a controla.

MAIS UMA PROVA – Bolsonaro tentou várias vezes escolher os comandos da Polícia Federal, como o ex-ministro da Justiça Sergio Moro acusou, e essa é mais uma demonstração de que o presidente queria mesmo ter o controle das ações da PF para defender sua família e amigos.

“Não vou deixar fuderem minha família toda e meus amigos”, disse Bolsonaro na famosa reunião ministerial em que exigiu fidelidade canina a seus auxiliares.

A interferência do presidente e do ministro da Justiça na PF, porém, é limitada a questões burocráticas, como impedir que o preso prestasse depoimento de corpo presente em Brasília. Ou a informações privilegiadas. Mas não há poder para parar uma investigação como essa, que foi para o Supremo Tribunal Federal (STF) justamente por envolver o presidente da República.

VERSÍCULOS – A proximidade de Bolsonaro com o pastor Milton Ribeiro deve-se à primeira-dama MichelLe, e, pelos diálogos gravados, Bolsonaro recebia versículos de seu ex-ministro.

A primeira tentativa de livrar-se do problema, dizendo que Milton Ribeiro deveria “responder por seus atos”, deve ter detonado uma reação forte, pois Bolsonaro logo recuou da frieza com que abandonara o antigo ministro para se envolver com ele pública e privadamente, a ponto de avisá-lo que estava com um “pressentimento” de que a Polícia Federal poderia fazer “busca e apreensão” na sua casa.

Se tivesse alguma coisa a esconder, o ex-ministro teve tempo suficiente para se livrar do que o incriminasse, graças ao vazamento seletivo do presidente, que deveria ser punido por crime de responsabilidade, um dos muitos que poderiam ser cobrados dele em um país normal. Um obstáculo a mais na sua campanha pela reeleição.

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