sábado, junho 11, 2022

Ministro da Defesa diz que TSE menospreza as dúvidas dos militares sobre urna eletrônica

Publicado em 10 de junho de 2022 por Tribuna da Internet

O que está por trás da ameaça a Fachin - ISTOÉ Independente

Ministro da Defesa exige que Fachin respeite os militares

Igor Gadelha e Gustavo Zucchi
Metrópoles

O ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, enviou novas considerações sobre as urnas eletrônicas ao TSE na tarde desta sexta-feira (10/6). Em ofício obtido pela coluna, o general manda uma série de recados para os ministros da Corte. No trecho mais forte, Nogueira chega a afirmar que as Forças Armadas não estão se sentindo prestigiadas por seu trabalho no grupo de transparência das eleições.

“Até o momento, reitero, as Forças Armadas não se sentem devidamente prestigiadas por atenderem ao honroso convite do TSE para integrar a CTE”, afirma Nogueira no ofício.

DIVERGÊNCIAS – O ofício é um novo capítulo das divergências entre a Justiça Eleitoral e os militares, convidados pelo então presidente do TSE, Edson Fachin, para participar da Comissão de Transparência Eleitoral (CTE).

Desta vez, além do Ministério da Defesa enviar novas sugestões, que não foram divulgadas até o momento, faz também uma série de reclamações. Em especial sobre a forma com que o TSE conduz os debates sobre a segurança do pleito.

Nogueira diz que a Justiça Eleitoral parece não querer “aprofundar” a discussão “técnica” sobre a segurança das urnas eletrônicas, principal reclamação do presidente Jair Bolsonaro. “Até o momento, não houve a discussão técnica mencionada, não por parte das Forças Armadas, mas pelo TSE ter sinalizado que não pretende aprofundar a discussão”, afirma.

NOVAS RODADAS – No documento, Nogueira ainda pede novas rodadas de discussões entre as equipes técnicas dos militares e do TSE.

“Neste ponto, assinalo que as divergências que ainda persistam podem ser dirimidas com a pretendida discussão entre as equipes técnicas”, explica. “Reitero que as sugestões propostas pelas Forças Armadas precisam ser debatidas pelos técnicos”, afirma, acrescentando que não interessa “concluir o pleito eleitoral sob a sombra de desconfiança dos eleitores”.

“Por fim, encerro afirmando que a todos nós não interessa concluir o pleito eleitoral sob a sombra da desconfiança dos eleitores. Eleições transparentes são questões de soberania nacional e de respeito aos eleitores”, diz.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – O ministro da Defesa, encarregado constitucionalmente de colocar ordem na casa, a meu ver demorou muito até enviar esse duro recado ao TSE. O fato concreto é que o TSE deveria estar aproveitando esse diálogo com as Forças Armadas para desmontar as acusações de Bolsonaro. Ao invés disso, o TSE vazou informações de que as dúvidas dos especialistas militares eram infantis e cometeu erro ainda maior, ao responder, no mesmo ofício, a sete questionamentos técnicos das Forças Armadas e também a uma delirante denúncia de Bolsonaro sobre uma “sala escura” onde se fraudam as eleições.

Fachin esqueceu que as Forças Armadas são uma coisa e que Bolsonaro é outra, completamente diversa. Esqueceu também que as Forças Armadas foram convidadas pelo TSE a participar da fiscalização. É por isso que o general Paulo Sérgio Nogueira registrou no ofício que as Forças Armadas não se sentem “prestigiadas” pelo TSE.

Em tradução simultânea, Fachin é uma besta quadrada. Além de inventar jurisprudência para devolver Lula à política, agora menospreza as Forças Armadas, como se funcionassem como braço político do Planalto, mas isso rigorosamente não é verdade. Fachin está provocando os militares sem a menor justificativa. (C.N.)


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