sábado, junho 18, 2022

Governo deixa vencer multas milionárias de invasores de terra indígena na Amazônia

Publicado em 17 de junho de 2022 por Tribuna da Internet

Floresta amazonica incendio desmatamento crime

O rebanho avança sobre as áreas que sofrem queimadas

Paulo Cappelli
Metrópoles

Durante o governo de Jair Bolsonaro, o Ibama deixou prescrever multa de R$ 6 milhões que havia sido aplicada pelo Ibama ao agropecuarista Jair Roberto Simonato. Documentos do Ibama mostram que a infração é referente a desmatamento de 14 mil hectares de mata nativa dentro da reserva Amazônia Legal, no município de Costa Marques, em Rondônia.

A Superintendência estadual do Ibama emitiu o ato de infração em 25 de outubro de 2004, em um processo que se arrastou por meio de recursos. O governo declarou a prescrição em 26 de abril de 2021.

OUTRA MULTA – O Ibama também estipulou multa de R$ 15,4 milhões a Simonato, em 2017, por ter impedido a regeneração de 3 mil hectares dentro da terra indígena Kayabi, no município de Apiacas, no Mato Grosso, também na região amazônica. Esse processo ainda está correndo.

Outras duas multas, que somam mais de 1 milhão, dizem respeito ao descumprimento do embargo de atividade pecuária no mesmo território indígena e ao fato de o empresário ter apresentado “informação enganosa nos sistemas oficiais de controle de defesa de sanitária animal”.

Simonato também foi condenado a pagar multa por transportar madeira em toros, sem licença válida para todo o tempo da viagem. A multa, de R$ 7 mil, já foi considerada prescrita. Procurado por meio de sua assessoria de imprensa, o Ibama não se manifestou. A coluna não conseguiu contato com Simonato.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Não é a primeira nem será a última multa ambiental cancelada pelo Ibama por prescrição (decurso de tempo). Já publicamos aqui na TI outra matéria de Paulo Capelli revelando que prescreveu sob a gestão de Jair Bolsonaro uma multa de R$ 94,754 milhões aplicada pelo Ibama à Agropecuária Santa Bárbara Xinguara S/A. A punição havia sido aplicada porque a empresa agropecuária impediu a regeneração de uma área de 6.316 hectares desmatada em Eldorado dos Carajás, no Pará, na Amazônia Legal. Apesar de duas instâncias administrativas do Ministério do Meio Ambiente concordarem com a aplicação e o valor da multa, Bim divergiu da proposta elaborada alegando prescrição do processo. A empresa pertence ao banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity, aquele que só teme juiz de primeira instância, porque sabe dar um jeito lá em cima. Ah, Brasil… (C.N.)


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