segunda-feira, junho 20, 2022

CUT admite que já contratou agências para disparar mensagens pró-Lula no WhatsApp

Publicado em 20 de junho de 2022 por Tribuna da Internet

Roni Barbosa - CUT Paraná

Roni Barbosa, da CUT, acha que está tudo dentro da lei…

Guilherme Caetano
O Globo

O secretário de comunicação da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Roni Barbosa, afirmou em uma videoconferência interna que a entidade contratou uma empresa de publicidade para ajudar a disparar mensagens pró-Lula em grupos de WhatsApp. A Justiça, no entanto, proíbe financiamento de campanha por meio de empresas.

No vídeo, obtido e publicado pelo site “Metrópoles”, Barbosa explica a iniciativa da CUT para criar uma rede de grupos de WhatsApp, as chamadas “brigadas digitais”, administrados por militantes interessados, que seriam alimentados por conteúdo favorável à pauta trabalhista e contra o presidente Jair Bolsonaro, para ser distribuído para amigos e conhecidos.

PRIMEIRA INSTRUÇÃO — “Organizar uma brigada digital é nada mais, nada menos que organizar um grupo de WhatsApp. Organiza os mais vermelhinhos dentro de um grupo, e vamos convencer toda a turma aí que esse ano é Lula, precisamos derrotar o Bolsonaro” — afirma Barbosa.

Em seguida, ele fala da contratação de uma empresa para trabalhar nos disparos: “Nós contratamos agências de publicidade, contratamos empresa especializada para ajudar nessa tarefa de mandar as mensagens, organizar isso tudo. Preparamos toda essa infra(estrutura) para que isso dê certo”.

O Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu em 2015 que partidos e candidatos em campanha recebam doações de empresas — o que, segundo especialistas, pode enquadrar o caso da CUT, já que a contratação e os esforços da entidade envolvem dinheiro.

IRREGULARIDADE VISÍVEL – Advogados especializados em direito eleitoral divergem sobre um eventual comprometimento do PT com o mutirão digital, mas dizem existir possibilidade de irregularidade por parte da própria central. Ainda que não haja disparos em massa, como ocorrido na eleição de 2018, o envolvimento de uma empresa, com e-mails, representantes e estrutura, é irregularidade mais visível.

O advogado Alexandre Rollo afirma que o caso esbarra numa decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que definiu o financiamento empresarial, direto ou direto, como ilegal.

— O fato de pessoas físicas se juntarem e organizarem grupos de WhatsApp, não vejo problema nenhum, porque está dentro da liberdade de expressão. Mas aqui temos uma pessoa jurídica emprestando apoio para uma determinada candidatura, e elas (empresas) não podem se envolver no processo eleitoral. Essa seria a ilegalidade — diz Rollo.

CUSTEIO PÚBLICO – O advogado Acácio Miranda, doutor em direito constitucional e professor de direito eleitoral, diz ver um agravante na iniciativa da CUT por envolver custeio público, “ainda que tenha havido uma desestruturação do imposto sindical”.

— Todos nós temos a nossa liberdade de manifestação. Mas ela é individual, não é institucional. Especialmente quando nós pensamos numa instituição que é financiada com dinheiro público. Creio que haja uma ilegalidade — declara.

Diretor do InternetLab e especializado em questões envolvendo eleições e internet, Francisco Brito Cruz não entende como problemática a mobilização, pois, para ele, um sindicato é uma forma de representação política de seus associados, que têm interesse em temas abordados pelo mutirão da CUT, como a reforma trabalhista. “A CUT organizar grupos de WhatsApp para enviar mensagens e comunicação política é normal. Aliás, é até esperado que façam” — diz Cruz.

NOTA DA CUT – Procurada, a CUT respondeu, por meio de nota, que “os integrantes das Brigadas Digitais são pessoas físicas que se inscreveram e se cadastraram voluntariamente na ferramenta e deram consentimento para receber tudo que é produzido pelo setor de comunicação da CUT porque querem, espontaneamente, conhecer e divulgar as ações desenvolvidas pela Central”.

Também complementou que “a CUT não fez, não faz e não vai fazer propaganda político partidária. A CUT historicamente sempre se posicionou nos processos eleitorais, mas nunca pediu, não pede e não vai pedir voto para qualquer candidato. As Brigadas são também um instrumento para que possamos combater, junto às nossas bases sindicais, a disseminação das mentiras, calúnias e o ódio que tomou conta das redes sociais a partir de 2018.”

Já a assessoria de Imprensa do PT diz que os procedimentos mencionados na reportagem são de iniciativa da central sindical e não do partido ou da pré-campanha.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – O repórter faz um esforço comovente para transformar em “legal” um iniciativa política totalmente “ilegal” e realizada com recursos públicos. Com toda a certeza, a defesa da CUT deveria ser feita por advogados, não por jornalistas, desculpem a sinceridade. (C.N.)

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