Senadora Simone Tebet
A líder da bancada feminina vem destrinchando contratos e apontando irregularidades durante sessões da CPI da COVID
Por Ana Mendonça
“Craque de jogo” e "Terror dos contratos”. A senadora Simone Tebet (MDB-MS) acabou virando alvo de elogios nas redes sociais pela atuação na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da COVID. A líder da bancada feminina vem destrinchando contratos e apontando irregularidades durante sessões da comissão.
"Estamos ficando experts em saber ler o silêncio daqueles que não são inocentes", disse Tebet no depoirmento de Fernando Maximiano, presidente da Precisa Medicamentos.
Leia: CPI da COVID ouve Francisco Maximiano, dono da Precisa Medicamentos
Nas redes, a senadora se transformou em "ícone" e acabou virando alvo de memes. Entre os apelidos dados para ela, estão “craque de jogo” e “terror dos contratos”.
“Simone Tebet na #CPIdaCovid é um trator!”, escreveu um internauta. “A senadora Simone Tebet tem que ser classificada como Dr. Manhattan da CPI!”, afirmou outro.
Confira:
O dia da CPI
Depois de quatro adiamentos, o sócio-proprietário da Precisa Medicamentos, Francisco Maximiano, depõe nesta quinta-feira (19/8), à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da COVID, instalada pelo Senado. A empresa representou o laboratório indiano Baraht Biotech no Brasil, fabricante da Covaxin, e estaria envolvida em irregularidades no processo de compras do imunizante pelo Ministério da Saúde.
Até o momento ele está em silêncio.
O requerimento para convocação de Maximiano foi feito pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE). Segundo ele, é “imprescindível esclarecer os exatos termos das tratativas entre a Precisa Medicamentos e o governo federal para aquisição da Covaxin”.
O servidor da pasta Luis Ricardo Miranda, irmão do deputado federal Luis Miranda (DEM-DF), denunciou que estava sendo pressionado para acelerar a compra. Em depoimento à CPI, eles disseram ter avisado ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre a suspeita de corrupção e fraude na contratação.
A Covaxin estava sendo negociada ao preço de US$ 15 a dose e o contrato previa a aquisição de 20 milhões de doses, num total aproximado de R$ 1,6 bilhão, na conversão da época.
Depois que as denúncias de irregularidades vieram à tona na comissão, o contrato foi cancelado pelo Ministério da Saúde e a Bharat Biotech rompeu com a Precisa, em julho.
A Precisa Medicamentos é sócia de outra empresa, a Global Saúde, acusada de não ter cumprido contrato fechado com o Ministério da Saúde para fornecer remédios de alto custo. O negócio foi feito no fim de 2017, quando a pasta era chefiada pelo deputado federal Ricardo Barros (PP-PR), atual líder do governo Bolsonaro na Câmara.
Em depoimento à CPI na semana passada, Barros disse não ter relação pessoal com Maximiano, negou ter participado de processos de negociações de vacinas e deu explicações sobre os problemas contratuais com a Global.
Estadão / Estado de Minas
