
Charge do Aroeira (Arquivo do Google)
Pedro do Coutto
Pesquisa da XP Investimento, inclusive com base em dados do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), sobre a sucessão de 2022, se as eleições fossem hoje, revela que Lula da Silva alcançaria no primeiro turno 40% dos votos contra 24% de Bolsonaro e 10 pontos de Ciro Gomes. O resultado da pesquisa teve a sua síntese publicada nas edições do Estado de S. Paulo e do Valor de terça-feira.
Na tarde de ontem, quarta-feira, o economista Filipe Campello me chamou atenção para os números do levantamento, sobretudo porque o universo da XP Investimentos é o de mercado de capitais e de aplicações financeiras envolvendo basicamente empresários e executivos do setor.
ÍNDICES – Hoje, o subeditor deste site, Marcelo Copelli, selecionou os dados, a meu ver mais importantes, do trabalho realizado e das tendências identificadas. Haveria segundo turno e neste Lula alcançaria 51% contra 32 pontos de Jair Bolsonaro. A pesquisa quanto ao primeiro turno incluiu ainda Sérgio Moro, que totalizou 9%, Henrique Mandetta e Eduardo Leite ambos com 4 pontos. A pesquisa realizou mil entrevistas entre 11 e 14 de agosto e tem margem de erro de 3,2 pontos percentuais, para mais e para menos.
Em um segundo cenário pesquisado, em que aparecem o governador de São Paulo, João Doria, o apresentador de TV José Luiz Datena e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, a diferença entre Lula e Bolsonaro cai para 9 pontos porcentuais. Neste cenário, Lula registra 37% das intenções de voto, e Bolsonaro 28%. Na sequência, Ciro tem 11%, Mandetta, Doria e Datena aparecem com 5% cada um, e Pacheco com 1%. Nove por cento seria a parcela de brancos e nulos, taxa que se repete desde 1955 em disputas presidenciais.
Um dado da pesquisa que merece destaque é o índice de votos nulos e brancos num segundo turno entre Lula e Bolsonaro. Lula venceria neste cenário por 51% a 32% e haveria 17% de brancos e nulos, o que ao mesmo tempo significa uma rejeição de certa forma expressiva tanto ao ex-presidente como ao atual chefe do Executivo.
DESGASTE – Num segundo turno, Ciro Gomes bateria Bolsonaro por 44 a 32, Doria por 37 a 35, Mandetta por 38 a 34 e Sergio Moro também derrotaria Bolsonaro por 37 a 30. Como se constata, as tendências eleitorais levantadas pela XP Investimentos confirmam o desgaste do governo que hoje é considerado ruim ou péssimo por 54% dos eleitores e eleitoras.
Do lado oposto, 23% dos eleitores avaliam o atual governo como ótimo ou bom ‒ oscilação descendente de 2 pontos em comparação com julho deste ano. Trata-se do patamar mais baixo registrado por Bolsonaro desde que se mudou para o Palácio da Alvorada, em janeiro de 2019.
O impulso às urnas, portanto, confirma a visão que o eleitorado possui a respeito do desempenho do titular do Planalto. A meu ver, a tendência é irreversível, até porque Bolsonaro nada faz para alterar essa realidade.