Publicado em 12 de agosto de 2021 por Tribuna da Internet

Ricardo Barros mentiu, mesmo estando sob juramento
André de Souza e Paulo Cappelli
O Globo
O presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), encerrou a sessão da CPI, nesta quinta-feira, que ouvia o líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PR). Integrantes da comissão avaliaram que o deputado mentiu. Barros compareceu na condição de convidado.
No novo depoimento, ainda sem data marcada, ele irá como convocado. A CPI também vai consultar o Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o que pode ser feito no caso de um depoente parlamentar que minta à comissão.
SESSÃO ENCERRADA – A sugestão da consulta e de encerramento da sessão foi feita pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE). Como exemplo de mentira de Barros, o parlamentar afirmou que a empresa chinesa Cansino disse manter interesse em vender vacinas ao Brasil, ao contrário do que sustentou o deputado.
— É um momento grave da vida nacional que não comporta molecagem, que não comporta brincadeira. Existem respostas sérias. E não temos como fazer isso nessa circunstância e com esse depoente — disse Vieira.
— E vou acatar sua questão de ordem — afirmou Omar Aziz, acrescentando: — A reunião está encerrada, e o deputado será convocado numa próxima data para estar aqui.
ATAQUE A BARROS – Em entrevista coletiva após o fim da sessão, Aziz atacou Barros. “O grand finale dele foi querer fazer uma narrativa de que é a CPI que está atrapalhando a compra de vacina. Aí não dá. A própria empresa chinesa desmentiu” — disse Omar, completando: ‘Em vez de vir se explicar, tentou desconstruir. Não vai conseguir”.
O vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), também participou da entrevista e afirmou que é de uma “cara de pau atroz” quem defendeu imunidade de rebanho falar em vacina. Randolfe disse que a CPI só atrapalhou a compra de vacinas das empresas Davati e Precisa, sobre as quais pesam suspeitas de irregularidade. “Queriam aplicar golpes nos brasileiros. Esses sim foram interrompidos” — disse Rpdrigues.
“Barros mentiu sistematicamente — acrescentou o relator, Renan Calheiros (MDB-AL).
RECONVOCAÇÃO
Questionado o que significa na prática Barros depor como convocado e não como convidado, Omar diz que o convite é para quem a comissão respeita e a convocação para quem não tem mais o respeito da CPI.
Randolfe disse que a comissão usa a mesma régua para todos os depoentes, inclusive o líder do governo na Câmara. “Assume o compromisso de dizer a verdade e infringe esse compromisso. Não demorou meia hora para que a Cansino desmentisse o deputado.
Aziz negou que o fim da sessão tenha sido uma estratégia política. Não havia consenso entre os integrantes da CPI em relação ao momento de ouvir Barros. Parte achava que seria bom esperar mais um pouco para coletar mais informações. Outra entendia que seria possível avançar na investigação com a realização do depoimento neste momento.
CASO COVAXIN – No depoimento, disse Barros: “O deputado Luis Miranda não afirmou em nenhuma de suas entrevistas, nem no depoimento da Polícia Federal, que eu tivesse participação no caso Covaxin”.
Barros e senadores governistas argumentaram que Bolsonaro citou o líder do governo em outro caso, que envolvia um contrato com a Global Serviços, quando era ministro da Saúde na gestão de Temer. E que o fez porque Luis Miranda havia levado uma foto e apresentado ao presidente. Omar Aziz, então, suspendeu a sessão e pediu que fosse colocado o vídeo em que Miranda declarou à CPI que Bolsonaro citou espontaneamente Barros no caso Covaxin.
Ficou claro que a versão apresentada no depoimento de Luis Miranda à CPI em julho contradiz à defesa apresentada por Ricardo Barros nesta quinta-feira. Miranda afirmou que o deputado citado por Bolsonaro foi Ricardo Barros. E o presidente nunca negou a acusação feita por Miranda.
SUCESSÃO DE NEGATIVAS – Barros citou o depoimento de Miranda à PF. O líder do governo disse que o contexto foram matérias de imprensa sobre o caso Global com foto dele, e que Miranda não foi até Bolsonaro acusá-lo de envolvimento em irregularidades no caso Covaxin.
Barros disse não ter relação pessoal com o empresário Francisco Maximiano, dono da Global e da Precisa: “Não tenho relação pessoal com Maximiano, o recebi no gabinete como ministro com a nossa equipe de compras. Está nos registros aqui que ele alegou, e eu também aleguei, que a última vez que nos encontramos foi quando eu era ministro. Portanto, nunca tratei de Covaxin” — disse Barros citando a época em que foi Ministro da Saúde durante o governo Michel Temer.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A Global e a Precisa têm o mesmo dono. Quando Barros era ministro, a Global recebeu R$ 20 milhões adiantados para fornecer remédios para doenças raras. Jamais entregou um só medicamento, de imediato morreram 14 pacientes, outros morreram depois, mesmo assim continua fazendo negócios com o governo, fantasiada de Precisa. Esse Barros é um criminoso vulgar. Apenas isso. (C.N.)