Ilustração reproduzida do Arquivo Google
Merval Pereira
O Globo
Com as declarações após a abertura no Tribunal Superior Eleitoral de um inquérito administrativo contra ele e de sua inclusão no inquérito do Supremo que investiga fake news, o presidente Jair Bolsonaro mostrou que está mesmo a fim de confusão. Com a alegação de que está sendo perseguido, vai tentando levantar seus apoiadores para um possível golpe.
Chega a ser perigoso imaginar isso, mas pelo que tem feito, é o que ele quer. Terça e quarta-feira, atacou novamente o ministro Luis Roberto Barroso e vai continuar insistindo com isso.
O PRETEXTO QUE FALTA – Caso o TSE chegue à definição de que ele é culpado de manipulação e de atos antidemocráticos e coloque-o como inelegível, Bolsonaro terá o pretexto que precisa para levantar o povo contra o STF.
Jânio Quadros começou assim, renunciou, mas o povo não foi para a rua apoiá-lo, ao contrário do que ele imagisara. Bolsonaro até tem apoiadores que se manifestam nas ruas, mas suficientes apenas para fazer baderna.
Nesse caso, a questão é saber a posição das polícias militares estaduais.
BATE-BOCA INSTITUCIONAL – Estava realmente na hora de uma ação para acabar com o bate boca entre Bolsonaro e as instituições. Notas de repúdio não funcionam, porque ele não trabalha nesse sentido democrático, vai testando os limites.
Vamos ver se agora cai a ficha e ele vê que está indo para uma confrontação que, se não tiver a muita garantia do Exército, basicamente, vai acabar sendo destituído, impedido de se candidatar e processado. Todos esses crimes dos quais pode ser acusado, aconteceram durante seu mandato e ele pode ser tornado inelegível. Provavelmente o Congresso não aprovará o impeachment, mas o TSE pode impedi-lo de se candidatar.