
Bolsonaro desprezou o conselho de amigos e assessores
Daniel Gullino
O Globo
Apesar dos conselhos de auxiliares e aliados, o presidente Jair Bolsonaro reafirmou nesta terça-feira que irá apresentar um pedido de impeachment contra os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso.
— Eu vou entrar com um pedido de impedimento dos ministros no Senado. O local é lá. O que o Senado vai fazer? Está com o Senado agora, independência. Não vou agora tentar cooptar senadores, de uma forma ou de outra, oferecendo uma coisa para eles etc etc etc, para votar o impeachment deles — disse o presidente, em entrevista à rádio Capital Notícia, de Cuiabá (MT).
DESGASTE COM SENADO – Como O Globo mostrou, parte do chamado grupo pragmático de apoiadores de Bolsonaro tenta demover o presidente da promessa. O principal argumento é que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), já sinalizou que não dará prosseguimento ao processo e, portanto, o gesto de Bolsonaro poderia abrir um desgaste com o comando da Casa.
Bolsonaro também chamou de “barbaridade” a decisão do corregedor-geral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luis Felipe Salomão, de determinar que as plataformas digitais suspendam o repasse de dinheiro para canais investigados por propagação de informações falsas sobre as eleições brasileiras.
“ (Alexandre de Moraes) Está fazendo barbaridade agora, juntamente com o ministro do Tribunal Superior Eleitoral, o senhor Salomão, que resolveu em uma canetada mandar desmonetizar certas páginas, de pessoas que tem criticado a falta de mais transparência por ocasião do voto”
O presidente disse que “ninguém quer uma ruptura”, porque poderia haver “problemas internos e externos”:
NAS QUATRO LINHAS – “Nós continuamos dentro das quatro linhas. Do lado de lá, já saíram das quatro linhas, em alguns momentos já saíram. A gente espera que volte para a normalidade. Ninguém quer uma ruptura. Uma ruptura tem problemas internos e externos”, disse.
Bolsonaro questionou “onde é o limite” e, sem seguida, mencionou manifestações em apoio ao governo marcadas para o dia 7 de setembro, dizendo que “o povo é que tem quer nos dar o norte”:
“Eu tenho que agir dentro das quatro linhas, apesar de alguns, como o senhor Alexandre de Moraes, como o senhor Salomão, do TSE, estão fora das quatro linhas. Agora, onde é o limite disso? Eu sou leal ao povo. O povo vai estar na rua dia 7” — disse, acrescentando depois: “O povo é que tem que nos dar o norte do que nós devemos fazer”.