
Bolsonaro caiu em um isolamento político na Esplanada de Brasília
Pedro do Coutto
Numa reportagem politicamente essencial para este momento da vida do país, Vinicius Sassine, Folha de S.Paulo deste sábado, revela que o Alto-Comando do Exército concorda com a reação do ministro Luiz Fux às ofensas de baixo calão de Jair Bolsonaro, tanto ao Supremo como um todo quanto aos ministros isoladamente. E, desta forma, não dá cobertura a qualquer projeto de ruptura constitucional e institucional do qual, no fundo, o chefe do Executivo é autor contando num desfecho envolvendo as Forças Armadas.
Digo politicamente essencial porque este é ponto que faltava ser explicitado na investida de Bolsonaro de incendiar a democracia brasileira e reimplantar uma extensão no tempo do Ato Institucional nº 5 de dezembro de 1968. Sem o Alto-Comando do Exército e sem o apoio da Marinha e da Aeronáutica, Bolsonaro, conforme eu tinha observado, caiu numa solidão e em um isolamento político total na Esplanada de Brasília.
INIMIGO Nº 1 – O próprio presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, o classificou de inimigo público por sua posição contrária à Constituição. Por coincidência, título do meu artigo que se encontra na edição de hoje desta Tribuna da Internet.
Agora, reafirmo que a Jair Bolsonaro só resta o caminho da renúncia. A crise será superada com a posse do general Hamilton Mourão em seu lugar. Aliás, Vinicius Sassine inclui em sua matéria que a crise deve refluir tão logo derrotado o projeto que se propôs a reinstaurar o voto impresso no país.
Coincidências à parte, em extensa matéria também na Folha de S. Paulo de hoje, Patrícia Campos Mello entrevista Jake Sullivan, assessor de Segurança Nacional dos Estados Unidos que se encontra em São Paulo. O diplomata americano, em nome do governo Joe Biden, transmitiu a certeza e a confiança de que as urnas do Brasil são justas e não dão margem a fraudes.
OFENSAS – O ainda presidente Jair Bolsonaro, na tarde de sexta-feira, em Joinville, Santa Catarina, voltou a ofender o Supremo Tribunal Federal e, com expressão de baixo calão, diretamente o ministro Luís Roberto Barroso. Com isso, Bolsonaro, mais uma vez, reafirma que não recua de seu propósito golpista e não deseja de forma alguma que o panorama atual da vida brasileira possa ser amortecido, como disse Ciro Nogueira ser o seu projeto pessoal ao assumir a Casa Civil.
Ciro Nogueira enganou-se completamente. Bolsonaro não quer qualquer conciliação: luta até o fim pelo golpe e, não conseguindo, deixa Brasília seguindo uma estrada de volta já percorrida por Jânio Quadros e João Goulart.