sexta-feira, fevereiro 22, 2019

Marco Aurélio envia investigação de Onyx Lorenzoni para Justiça Eleitoral gaúcha


Onyx Lorenzoni admitiu o crime eleitoral e até pediu desculpas
Rafael Moraes Moura e Amanda PupoEstadão 

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta quinta-feira (21) encaminhar ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE-RS) a investigação que apura suspeitas de caixa 2 feitas por delatores da J&F ao ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. A decisão do ministro atende a pedido da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, fundamentado a partir do novo entendimento sobre o alcance do foro privilegiado, que só deve ser aplicado para os crimes cometidos no exercício do mandato e em função do cargo.
Pesam sobre Onyx o relato e planilhas dando conta de pagamentos de R$ 100 mil, em 2012, e R$ 200 mil, em 2014, quando o atual ministro concorria ao cargo de deputado federal. Onyx admitiu em entrevista a uma emissora de rádio ter recebido R$ 100 mil e pediu desculpas.
ARGUMENTO – “A Lei Maior, ao prever cumprir ao Supremo julgar deputados e senadores, há de ter abrangência definida pela conduta criminosa: no exercício do mandato e ligada, de algum modo, a este último. Neste processo, constata-se que o delito imputado, apesar de supostamente cometido quando o investigado exercia mandato de Deputado Federal, não está relacionado ao cargo atualmente ocupado – ministro Chefe da Casa Civil da Presidência da República do Brasil”, escreveu Marco Aurélio em sua decisão.
“Em síntese, estando Onyx Lorenzoni licenciado do cargo gerador da prerrogativa, cessa esta última. A situação jurídica não se enquadra na Constituição Federal em termos de competência do Supremo. Declino da competência para a primeira instância da Justiça Eleitoral do Rio Grande do Sul”, determinou o ministro.
PETIÇÃO – No início de dezembro do ano passado, o ministro Edson Fachin, do STF, atendeu a pedido feito por Raquel Dodge e determinou a abertura de uma petição autônoma específica para analisar as acusações de caixa 2 feitas por delatores da J&F a Onyx Lorenzoni e a outros dez parlamentares que prosseguirão com foro em 2019.
A petição autônoma é uma fase anterior à instauração do inquérito, quando o parlamentar passa a ser formalmente investigado.
###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Admitir ter recebido patrocínio não declarado significa se tornar réu confesso de crime eleitoral. A decisão será da Justiça Eleitoral gaúcha, depois sobe para o TSE, com possibilidade mínima de recurso ao Supremo. (C.N.) 

Em destaque

Ciro Nogueira procura novo advogado e Brasília devia aprender a se valorizar

  Ciro Nogueira procura novo advogado e Brasília devia aprender a se valorizar Publicado em 12 de maio de 2026 por Tribuna da Internet Faceb...

Mais visitadas