quinta-feira, fevereiro 28, 2019

Carnaval 'estreia' com Claudia Leitte, Bell, Léo Santana, Daniela, Saulo e Harmonia sem cordas

Quinta, 28 de Fevereiro de 2019 - 07:00


Carnaval 'estreia' com Claudia Leitte, Bell, Léo Santana, Daniela, Saulo e Harmonia sem cordas
Foto: Ag. Haack / Bahia Notícias
O primeiro dia oficial do Carnaval 2019 em Salvador já começa com grandes nomes da música fazendo a festa para o folião pipoca. No Dodô (Barra-Ondina), os trios começam a sair a partir das 15h, com atrações como BaianaSystem, Claudia Leitte, Banda Eva, Daniela Mercury, Saulo e Harmonia do Samba, todos sem cordas.

Já no circuito Osmar (Campo Grande), os destaques são Léo Santana e Psirico também sem cordas, bem no início da programação, às 18h. Neste horário, também acontece a abertura oficial do Carnaval 2019, com a presença do prefeito ACM Neto e do governador Rui Costa.

No Batatinha, bandas como Afro Idará, Araiyê, Malcom X e Surf Reggae começam os desfiles a partir das 20h.

>>> Dodô (Barra-Ondina)
15:00h - COMPASSOS E SERPENTINAS *
15:15h - XOTE BAKANA *
15:30h - LISBETH *
15:45h - SALADA MISTA *
16:00h - BANDA ALAYÊ *
16:15h - MARCIONILIO PRADO *
16:30h - BANDA CONTATO 71 *
16:45h - RAÇA PURA *
17:00h - BAIANA SYSTEM *
17:15h - OS MY FRIENDS *
17:30h - BANDA XOTE DE ANJO *
17:45h - MUDEI DE NOME *
18:00h - TRIO ARMANDINHO DODÔ E OSMAR *
18:15h - AMANDA SANTIAGO *
18:30h - WILSON CAFÉ *
18:35h - KARTLOVE *
18:45h - PIPOCA DE SAULO FERNANDES - PROJETO ESPECIAL
19:00h - TRIO INDEPENDENTE - CLAUDIA LEITTE
19:15h - LINCOLN E DUAS MEDIDAS - PROJETO ESPECIAL
19:30h - PIPOCA DO EVA - PROJETO ESPECIAL
19:45h - TRIO INDEPENDENTE - DANIELA MERCURY
20:00h - TRIO INDEPENDENTE BT - BELL MARQUES
20:15h - TRIO INDEPENDENTE BT - PARANGOLÉ
20:30h - BABY-LÉGUA/BABY ANIMAL BAHIA - ANDRÉ FANZINE E BANDA
20:45h -  SIRI COM TODI / PIPOCA DO BABADO NOVO
21:00h - CHEIRO HIBRIDO - PROJETO ESPECIAL DO CHEIRO DE AMOR
21:15h - TRIO INDEPENDENTE - HARMONIA DO SAMBA
21:30h - TÔ LIGADO - BANDA DNA PAGODE
21:45h - OS MASCARADOS - MARGARETH MENEZES
22:00h - TRIO INDEPENDENTE BT - SOLANGE ALMEIDA
22:15h - TRIO COMCAR 2 - CHICA FÉ / VELA NO VENTO
22:30h - TRIO INDEPENDENTE - DENNY DENAN
22:45h - TRIO INDEPENDENTE - BANDANA
23:00h - SEUILSON - PROJETO ESPECIAL
23:15h - HISTORIA DO CARNAVAL DE SALVADOR CONTADA NO TRIO - PROJETO
ESPECIAL - BANDA TIO ELÉTRICO
23:30h - BANANA REGGAE - THOMÉ VIANNA E BANDA RAGGA / HELIO BENTS
23:45h - BIG BLOCO DO GUETO - CORALCANTANTE / DJ SUCESSO TON / DJ NDV
E CAMILA PARKER
00:00h - AXÉ MEU CARNAVAL
00:15h - NOVA SAGA - MAKONNEN TAFARI / DJ AKANI E CONVIDADOS
00:30h - BLOCO OI - HIAGO DANADINHO
00:45h - O DEFENSOR DOS VAQUEIROS - PAT VAQUEIRA
01:00h - SWING SEM FREIO

>>> Osmar (Campo Grande)
18:00h - TRIO INDEPENDENTE BT - LÉO SANTANA
18:15h - TRIO INDEPENDENTE BT - PSIRICO
18:30h - A MULHERADA (SEM CORDAS)
19:00h - ALERTA GERAL - XANDE DE PILARES / DELCIO LUIZ /FUNDO DE
QUINTAL E MUNDINHO / ROGÉRIO BAMBEIA
19:30h - PAGODE TOTAL (SEM CORDAS)
CLAREÔ / TA NA MENTE / SAMBA MOCIDADE E CONVIDADOS
20:00h - BLOCO DA CAPOEIRA - TONHO MATÉRIA
20:30h - BANDA BANKOMA
21:00h - AMOR E PAIXÃO - NELSON RUFINO / BATIFUN / MOVIMENTO E FORA
DA MÍDIA
21:30h - TRIO INDEPENDENTE BT- DILSINHO
21:45h - MILLENAR
22:00h - PROIBIDO PROIBIR - BANDA FUZUKADA E CONVIDADOS
22:30h - BANDA QUERO VER O MOMO
23:00h - SAMBA & FOLIA - SAMBA TRATOR|
23:30h - TRIO INDEPENDENTE BT - É O TCHAN
23:45h - AFRO REGGAE BAHIA
00:00h - SAMBATERRAMAR (SEM CORDA) - BANDA TABATENU E CONVIDADOS
00:15h - TRIO INDEPENDENTE - WILSON CAFÉ
00:30h - TRIO INDEPENDENTE BT - NATA DO SAMBA

>>> Batatinha (Pelourinho)
20:00h - EXPRESSÃO NEGRA - NILDES VIEIRA E BANDA EXPRESSÃO
20:15h - BANDA ARCA DO AXÉ
20:30h - IDARÁ - BANDA AFRO IDARÁ E SHIDO SANTOS
20:45h - ARAIYÊ - BANDA ARAIYÊ E CONVIDADOS
21:00h - DIAMANTE NEGRO - COMMANDO RUTS
21:15h - KORIN EFAN - BANDA KORIN EFAN
21:30h - KAYALA DA BAHIA - BANDA KAYALA
21:45h - MALCOM X
22:00h - ROLINHA PREGUIÇOSA
22:15h - DARAJÚ DE ODÉ
22:30h - NOVA FLOR
22:45h - OGUN XOROKÊ
23:00h - BOKA LOUKA - SAMBA DE RESPOSTA
23:15h - OMINIRÁ
23:30h - SKAR REGGAE
23:45h - BANDA SURF REGGAE

* Programação sujeita a alteração
Bahia Notícias

Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

Mais visitadas